Ankh - O Símbolo da Morte
1 O começo do fim
Era um dia frio e chuvoso. Os céus pareciam chorar naquele dia. Como não havia nada para fazer, eu ficava observando a chuva pela janela do quarto. No meio daquela tempestade sem fim, aparecia uma menina. Ela vinha caminhando lentamente, exausta, com um olhar triste e, ao mesmo tempo, desesperado. Seus longos cabelos voavam com o vento forte que havia naquela noite, e o sangue que estava sobre seu corpo ainda pingava no chão. Naquela época eu só tinha sete anos e, naturalmente, fiquei horrorizada com a cena. Fechei a janela e corri para onde minha mãe estava.
— Um fantasma! Eu vi um fantasma! — gritei.
— Vendo assombração onde não tem de novo? Pare de gritar e vá para a cama — disse minha mãe um pouco irritada.
— Mas eu vi, de verdade! Juro que não estou mentindo, venha ver! — continuei insistindo.
— Está bem. Se eu não ver nada é bom que você esteja preparada para mais uma semana de castigo.
Ao chegarmos no meu quarto, eu abri a janela e apontei para a rua. A menina ainda estava lá, mas caída no chão. Minha mãe, desesperada, saiu de casa correndo e foi em direção dela. Pegou-a nos braços e a trouxe para casa, cuidou-a e foi ver se havia algum ferimento. Felizmente o sangue não era dela, a menina estava intacta.
Minha mãe tentava a todo custo descobrir a origem da garota mas, ela não falava nada. Parecia que ainda estava em choque. Meu pai não estava em casa como de costume já que ele sempre está ocupado com seu trabalho como caçador de recompensas. Só restou para minha mãe decidir o que fazer com a menina:
— Ela não fala nada e tem esse olhar vazio. É como se fosse uma boneca. Nunca vou descobrir sua origem assim — falava “mamãe” como se tivesse pensando alto.
Ela então resolveu pedir ajuda aos nossos vizinhos e amigos da família. Um dos vizinhos disse que perto dali havia acontecido um assassinato em massa. Um vilarejo inteiro havia sido assassinado e parece que a menina foi a única sobrevivente. Ninguém sabia sobre o paredeiro ou a identidade do assassino e como todos estavam assustados, sugeriram que minha mãe largasse a menina em um local bem distante. Claro que minha mãe não achava certo fazer isso então ela decidiu criar a menina como se ela fosse sua segunda filha. Apesar da reação negativa dos vizinhos, pouco a pouco eles foram se acostumando com a ideia e a aceitaram.
O tempo foi passando e a menina finalmente começou a se abrir para nós já como membro de nossa família. Conforme os dias passavam, ela ia se recuperando de seu trauma e finalmente ela revelou seu nome: Natsuki Aoi. Ela parecia estar se adaptando muito bem à nova vida e nós ficamos realmente felizes com isso. Só não esperávamos que a sede de vingança de Natsuki estivesse crescendo dentro dela. Naquela época, achávamos que essa ideia de vingança nem passaria em sua cabeça mas, com a possível possibilidade, tentamos fazer com que ela não pensasse nisso. Eu, já com meus quinze anos de idade, tentava persuadi-la da minha forma já que eramos como irmãs. Nada adiantou. Ela estava determinada a aniquilar aquele que acabou com a vida de seus pais e amigos.
As únicas pistas que ela tinha sobre o ocorrido era uma lembrança que ela guardava daquele dia. Um símbolo. Esse símbolo estava desenhado com sangue e se assemelhava a uma cruz, com a haste superior vertical substituída por uma alça ovalada e com suas extremidades superiores e inferiores bipartidas. A outra pista era uma voz. Essa voz dizia: “Você me conhece melhor do que ninguém. Faço isso para poder me libertar.”.
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