Depois daquela noite em que descobrimos que poderíamos voltar a prender o Diabo tudo tinha mudado. O ambiente era de mais harmonia e todos estavam com esperança que um dia o mal fosse vencido.

Ficamos mais dois dias em Anjosfera e depois de armas no bolso recorremos em auxílio da Humanidade.

Neste momento estava num quarto de motel á espera de notícias de Joel e Bernardo que foram tentar saber o que andava a acontecer nos últimos dias pois grandes doenças têm aparecido em todo o condado Americano e Asiático.

-Então? – Perguntei quando eles entraram pelo quarto a dentro.

-Esta clinica tem tido mortes com doenças do outro lado do mundo! – Explicou Bernardo dando-me uma pasta.

-Estou a ver… — Comecei. – Parece que descobrimos o nosso Cavaleiro!

-Qual será o seu cavalo? Vendo o histórico dos irmãos… — Brincou Joel.

Saímos do motel e posemos-mos a caminho da clinica que ficava a duas cidades de nós. Umas horas depois estávamos à frente da clinica e o ambiente era doentio sem dúvida que o Cavaleiro estava ali hospedado.

Saímos do carro e dirigimos-mos para a porta principal com as nossas espadas na mão presumindo que ele estava a ser protegido por demónios.

Entramos e a recessão estava vazia sem ninguém para atender. Entramos num corredor e vimos corpos espalhados junto de poças de um líquido verde.

-Que nojo! – Disse Joel tendo reparado que calcara o líquido que pelos vistos era pegajoso.

Avançamos mas algo nos atormentou. A minha cabeça começou a andar à roda e o meu estomago a querer deitar tudo para fora e pelo que pode observar o Joel e o Bernardo também não estavam bem pois contorciam-se. Uns segundos depois começamos a tossir e a minha visão começou a enfraquecer mas mesmo assim continuamos o nosso caminho.

-Devemos estar próximos. – Avisei.

-Achas mesmo? – Perguntou Joel.

Passamos entre alguns corpos mortos juntamente com o líquido peganhento mas cada vez era impossível respirar e o meu corpo latejava por todos os cantos até que vi Bernardo apoiar-se numa comoda.

-Levanta-te. – Disse-lhe segurando no seu ombro.

Demos uns passos mas Joel e Bernardo acabaram por cair enfraquecidos no chão e eu pode ver uma porta que me chamou a atenção. Aproximei-me e quando ia abrir a porta apareceu uma mulher jovem.

-O doutor vai vê-lo agora. – E afastou-se mostrando um homem velho de cabelo grisalho sentado numa cama de hospital ao lado de uma mulher.

-Serena! – Riu-se. – Joel e Bernardo! – E acenou com a mão em sinal para entrar-mos porem cai redonda no chão desmaiando.

Quando acordei comecei a tossir e vi a mulher jovem que vestia uma farda de enfermeira arrastar o Joel para dentro da sala tendo ele e Bernardo acordado.

-Vocês não parecem bem. – Disse o velho que agora sabia que era o Cavaleiro da Peste. – Deve ser escarlatina. – Sopos levantando-se da cama. – Ou meningite. – Riu-se – Ou sífilis.

Ele aproximou-se de mim e puxou-me pelo cabelo para levantar a minha cabeça.

-O que sentem agora… vai ficar muito… mas muito pior. – Ameaçou – Perguntas? – Largou a minha cabeça deixando-me livre. – Doenças têm uma má reputação, não acham? – E esfregou um líquido nas mãos. – Por serem nojentas, caóticas. Mas, isso só descreve pessoas que ficam doentes. – E voltou novamente em nosso encontro. – A doença em si… É muito pura. Obstinada. A bactéria tem um propósito, dividir e conquistar.

Joel estava a tentar alcançar a sua espada mas o Cavaleiro espezinhou a sua mão deixando-o com dores e fazendo-o gritar.

-É por isso, que no final, ela sempre ganha. – Terminou olhando para o Joel e vendo-o sofrer contudo mandou um pontapé na espada que foi ter ao outro lado da sala.

-Sevem se perguntar porque Deus põe seu amor… em algo tão confuso e fraco? – Perguntou começando a gritar furioso enquanto nós nos contorcíamos de dor. – É ridículo! – Mexeu no seu bolso do casaco tirando uns óculos e pondo-os. – Tudo o que posso fazer é mostrar a Ele que está errado, uma epidemia de cada vez.

-Agora. Em uma escala de 1 a 10 como está a vossa dor? – Perguntou satisfeito por toda a dor que nos estava a causar.

Algo entrou pela porta chamando a atenção do Cavaleiro. Ele olhou surpreso e quando olhei também eu fiquei surpresa mas ao mesmo tempo preocupada.

-Luanda! Como chegas-te aqui? – E o Cavaleiro retirou os seus óculos e estranhamente estava com medo da minha filha.

-Peguei um ônibus. Não se preocupem, eu… — E começou a vomitar… a vomitar sangue. A preocupação começou furiosamente a entrar nas minhas veias vento a minha filha a sofrer.

-Vejam só isso. – Disse a Peste inclinando-se para ver Luanda e riu-se. – Um receptáculo ocupado, mas em poder. Isso é fascinante. Não tens nem um pouco de anjo em ti, tens? – Voltando a rir-se da minha filha.

Ela rapidamente pegou na minha espada e tendo a mão do Cavaleiro na mesa ela cortou os seus dedos.

-Talvez só um pouco! – Respondeu ela atirando o Cavaleiro ao chão. A enfermeira atirou-se a ela e deitou-a ao chão, porem a espada trespassou-a matando o demónio dentro dela.

Levantei-me e tirei o corpo da enfermeira de cima da minha filha enquanto Joel pegava no anel e o Cavaleiro tinha desaparecido tal como os outros dois.

-O que está a fazer aqui? – Perguntei levantando Luanda do chão.

-Mãe… eu sou guardiã de Deus! – Anunciou e destapou o seu ombro esquerdo mostrando uma marca que era um triângulo entrelaçado com duas espadas.

-Filha… — Orgulhou-se Joel abraçando-a mesmo á minha frente. – Anda cá! – E puxou pela minha mão e acolheu-me nos seus braços juntamente com a minha filha.

-Porque é que não disseste? – Perguntei.

-Mãe, sabes perfeitamente que os principiantes a guardiões de Deus não podem revelar a sua identidade.

-Estou orgulhosa de ti! – Abracei-a fortemente sabendo que um dia ela seria a mais forte guardiã. – Mas o que aqui estás a fazer?

-Vim na minha primeira missão na Terra. Aconteceu tudo tão rápido. Deus observava o que estava aqui a acontecer e no mesmo momento enviou-me. – Explicou.

-Quem diria! A minha filha tornar-se guardiã de Deus! – Verbalizei mas mesmo assim não conseguia acreditar.

-Bem, agora tenho que ir embora! – Disse dando-me um último abraço que seguiu o mesmo gesto para o pai. – Missão concluída. – E uma luz surgiu levando-a de volta.

-Nem acredito! – Joel estava perplexo com o que acabara de descobrir.

-Parece que esta família está abençoada! – Ri-me dando um beijo caloroso.

-Parabéns aos papas! – Riu-se Bernardo.