Londres, Setembro de 2014.

A escadaria que formava a frente de Alissa Munkar sempre foi a mais bela que já viu, tão finas que pareciam camadas de gelo.

Claro que só eram visíveis para aqueles que possuíam sangue de Anjo. E Alissa se lamentava pelos mundanos, todos iam morrer algum dia, e não poderiam ao menos ver uma coisa tão magnífica.

A cada degrau que subia, olhava para trás certificando-se que o degrau pisado pelo mesmo pé duas vezes no mesmo dia havia desaparecido. Ao fim da escadaria chegou ao lugar mais perto do céu, a Terra de Ísis.

Era lá que todos os cupidos viviam.

Ísis foi a primeira cupido, criada por Deus a mais de 3.000 anos atrás. A Terra de Ísis era o único lugar que um cupido poderia viver, lá tinha o verdadeiro ar que respiravam, oFresh Caeli, em latim que traduzindo significa "puro ar".

Um cupido poderia ficar três dias sem respira-lo, porém ia perdendo sua força.

O chão da Terra de Ísis era inteiramente de vidro, assim podiam ver Londres com clareza do alto.

Alissa parou em frente à porta de sua casa e lançou seu olhar para baixo, que continha as 30 mini garrafas de ar que havia pedido.

Grandes feiticeiros conseguiam roubar esse tipo ar e assim vende-los para os próprios cupidos. Aqueles que passariam mais de um dia no mundo. Mas o caso de Alissa era diferente, ela iria fugir. Pegou as garrafas do chão e entrou.

Ao se deitar de barriga pra cima fixou o seu olhar em uma nuvem e pensou o quanto a nuvem era fraca assim como ela, não significava nada. Era simplesmente passar sobre elas que desapareceriam.

Se fugisse seria por alguns dias, ela queria ver o mundo. Queria saber se era verdade o que todos falavam que o mundo só era destruição e que os mundanos não tinham salvação. E assim, a escuridão veio.

* * *

Estava exatamente lá, Alissa pode ver de longe a escadaria congelante esperando por ela. Segurando na mão seu pequeno cubo que armazena tudo que é necessário, ela começou a descer as escadas e ao chegar lá embaixo o céu estava distante e mais escuro.

O lugar que havia descido como sempre era um bosque. Com grandes árvores e várias lavandas. Ela realmente não sabia o que fazer então começou a caminhar sabendo que o que estava fazendo era certo e que sua vida tinha que ser desfrutada por que, qual era o sentido de ser uma cupido se nunca amou ou foi amada?

Sabia que mundanos não se vestiam como cupidos. O feiticeiro que a ajudou a escapar havia pegado algumas roupas mundanas, ao tempo que o tecido delas era resistente elas também eram desconfortáveis, a calça que pinicava e um casaco de frio tão felpudo que fazia cócegas em suas costas.

Já havia caminhado bastante quando de longe pode ver uma casa cor de creme com telhado marrom e pensou:

Então será lá que pedirei abrigo! A mentira seria...Hum... Que sou uma órfã e preciso de algum lugar para morar.

Odiava mentir, mas era preciso.

Correu bastante até chegar em frente a casa,estava se sentido ofegante e suada, pois correu muito naquela manha. A casa era simples, grande e parecia menor de longe. Bateu duas vezes até a porta ranger e uma mulher baixinha já idosa abrir. Com seus cabelos grisalhos e sua pele enrugada, sorriu e perguntou:

-Pois não?

* * *

Depois que os turistas se foram, Joseph, cansado, amarrou o barco cinza em uma das madeiras fixada na escada e subiu lentamente.

Era duro. Todos os dias ligar aquele barco e ir aos mesmos lugares, tendo que ficar de olho nas crianças impertinentes que insistiam em colocar a mão na água ou em ficarem mudando pra direita ou para a esquerda desequilibrando o barco.

Entrou no seu carro preto simples e foi pra casa com a esperança que seu a amigo tenha feito alguma coisa para comer.