Anjos enfeitiçados
4 Capítulo 3 - Corrompendo as Almas
O olhar do rapaz era intenso, como se tentasse enxergar sua mente e descobrir seus pensamentos.
Ele se aproximou e ela engoliu em seco, ele abaixou se apoiando com a perna na sua altura, a olhou para logo em seguida desviar rindo, passando os dedos pelo cabelo fino e voltou a encara-la com certo humor no rosto.
Ele estava com uma lista de passageiros na mão, começou a deslizar o dedo sobre ela, bateu o dedo quando pareceu não encontra-la.
–Como saberá quem sou?- Perguntou Alissa com certas dúvidas.
–Não é verdade? -Disse concordando com a pergunta de Alissa. -Adivinharei. -Disse quando seus olhos escureceram e voltou o olhar para a lista. -Você é Roberta Simonet. -Afirmou.
Seus lábios curvaram em um sorriso, cedeu e gargalhou. Ele era uma pessoa que parecia fazer de tudo para a primeira impressão ser a melhor. E funcionou ela mal o conhecia e ele já a fez rir.
–Errou... -Disse ela- errou feio.
–Que profundo não? -Perguntou o jovem.
O garoto estava com duas olheiras, provavelmente estaria cansado não deveria ter dormido bem.
Lembrou-se que Scarlett possivelmente estaria assistindo aquilo tudo. Um jovem e lindo piloto atrasando o passeio para conversar com uma passageira que mal conhecia.
Virou o rosto para conferir Scarlett rindo disfarçadamente daquilo tudo, mas não, ela estava com o rosto virado para o rio Tamisa parecia observar atentamente. A observação foi interrompida por uma voz sarcástica
–Precisarei implorar para saber seu nome?-Perguntou o curioso rapaz. — O meu nome é Joseph. — Sorriu educadamente -Desculpe pela forma que Roger as tratou. -Ele apontou para o homem que pensara ser o comandante. Agora ele estava subindo as escadas e desapareceu pelas sombras das árvores. -Às vezes, quando quer, ele pode ser bem desagradável.
–A-ah -Gaguejou, havia um tom fraco e assustado em sua voz. -Meu nome é Alissa... Tudo bem... -Disse deixando a palavra no ar. Deu de ombros e depois prosseguiu. -Ele nem foi tão grosso.
–Ah que bom, eu só queria me desculpar por ele. -Sorriu como dizendo tchau. Levantou-se apoiando seus longos braços cheios de músculos no chão. Assim que levantou ela olhou para suas roupas, ele trajava calças jeans, camiseta social azul aberta no colarinho em forma de V e seus cabelos estava bagunçado. Ele virou com certo humor no rosto e caminhou até o timão.
Bom! -Ele gritou -Vamos começar com o passeio? -Perguntou sorrindo. -Sou o comandante Joseph.
Duas meninas que estavam à frente de Alissa estavam olhando para ele cochichando, ele era incrivelmente lindo, deveria chamar atenção de muitas garotas.
–Gostou dele?- Alissa virou o rosto e percebeu quem tinha perguntado foi Scarlett, agora ela estava olhando para ela com um rosto de uma idosa.
–Cadê o seu bom senso?
Scarlett riu.
–Ele nem é tão feio assim -Disse Scarlett. -Boa escolha.
–Mas eu não falei nada! -Disse Alissa em tom de bronca. — Que velhinha falaria uma coisa dessas?
–Por fora posso ser uma sacola derretida, mas o meu espírito é de vidro.
–Disse ironicamente apesar de ser verdade.
* * *
Ela é linda– Joseph pensou.
Alissa, a misteriosa Alissa, que acabara de conhecer. Claro que o pedido de desculpas só foi um pretexto para falar com ela. E também tinha a idosa que poderia ser sua tia,não tinham nada de semelhança.
Ela parecia familiar.
A beleza de Alissa irradiava como o amanhecer, seus cabelos dourados, seus olhos azuis perto da noite, como um lago, um lago bem limpo e bem azul. Ele estava a encarando fazia um tempo após ligar o barco, mas não de propósito, estava observando como cada parte de seu rosto era delicado.
Finalmente ela o olhou, ele não queria desviar olhar então sustentou, ela corou.
Ele estava calmo, sentiu seus lábios se curvarem em um leve sorriso e depois desviou o olhar, sentiu se continuasse olhando iria perder o foco que era pilotar.
Cada lugar que ele ia passando os turistas se impressionavam, até em lugares que não eram tão importantes. Havia um ponto escuro no meio da água esverdeada, tinha algo de errado, depois que o rio Tâmisa foi despoluído não havia quase nenhuma sujeira. Acelerou um pouco o barco o suficiente para se aproximar do ponto preto na água e perceber que era um animal morto. Joseph ficou abismado, mesmo o animal morto não iria passar o barco por cima dele. Desviou acelerando para o lado esquerdo, o barco balançou fortemente e houve rápido grito fino. Deslizou seus olhos para os passageiros e uma menina pálida olhava para a água horrorizada. Era Alissa.
Ele olhou para frente onde viu uma linha reta sem nenhum objeto jogado na água, só havia água. Sabia que agora poderia largar o timão e ir acolher Alissa para saber o que estava se passando.
* * *
Era horrível. Várias possibilidades passavam na cabeça de Alissa, ela estava em choque. Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas com um animal? Ela estava apoiada na borda do barco olhando para trás aonde viu o animal morto, o que achou horrendo.
–Se acalma Alissa!- Insistiu Scarlett- Isso acontece...
–Não. — virou seu rosto para Scarlett- Isso não acontece, um ser que respirava, morrer e ser jogado na água... -Estava sentindo compaixão pelo animal. — Ninguém teve a capacidade de tira-lo...
–Alissa, e se ninguém tiver matado-o? E se ele próprio morreu na água? -Opinou Scarlett. -Só sei que você não deve se preocupar com uma coisa tão...
–Fala! Assim eu já posso ir embora. -Falou Alissa irritadiça.
–Alissa... -Começou Scarlett quando foi interrompida.
–Com licença, Alissa o que houve?- Ela paralisou, era o comandante. Ele mandava um olhar realmente preocupado, seu olhar a fazia apenas olhar, sem responder nada.
–Ela apenas se assustou com o animal morto -Quem respondeu foi Scarlett, ela estava calma, se virou e apontou pra longe.
–Sabe, ela nunca viu isso antes.
Ele olhou para Scarlett depois voltou a olha-la. Estava ciente de que estava muda.
* * *
Só agora havia notado que a garota era tímida, sim ela era diferente. Foi a única garota de tantas naquele barco que se impressionou com o animal. Ela parecia realmente triste como se não fosse deste mundo. Já viu tantas coisas, um mundo de escuridão e tristeza, egoístas vagando pela terra suja, era sempre o que a igreja falava, mas ela era impressionantemente generosa.
Ele colocou as mãos nos ombros dela que enrijeceu e corou aos poucos.
–Eu sinto muito. — Ele disse levantando as sobrancelhas.
–Mas ela nem conhecia o animal — Disse a mulher levantando as sobrancelhas.
–Não é preciso conhecer para ter pena. -Finalmente ela disse virando-se para a mulher idosa.
–Eu sei, é que é apenas um animal Alissa, entenda. Eu já te disse... Os munda... Os humanos são cruéis. -Falou a idosa amargamente.
Humanos pensou Joseph. Por que ela iria falar da própria espécie desse jeito?
–Eu não acredito nisso. — Alissa falou friamente. Olhou para Joseph e pareceu acalmar-se. -Obrigada Jo...
–Joseph. -Falou completando o próprio nome. -Mas pode me chamar de Joe.
Alissa estremeceu e Joe percebeu que ainda estava com as mãos nos ombros dela. Ele encolheu as mãos e ouviu-a dar um rápido sorriso, como um engasgo.
–Vamos bater. -Disse ela com total paciência.
–Não compreendi.
Ela levantou uma sobrancelha loira quase sorrindo.
–Jose-Joe- Gaguejou- O barco vai bater, você não está pilotando-o -E era verdade, havia deixado porque queria saber o ocorrido.
–Com licença.
Ele virou-se e voltou a pilotar com total satisfação.
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