Anjos enfeitiçados
2 Capítulo 1 - Anéis centilantes
Ao abrir a porta uma menina que aparentava ter 17 anos estava à sua frente: tamanho normal, seus cabelos loiros claro enrolados com cada mecha caindo como se fosse uma cascata de sol, seus olhos eram uma mistura de cor da lua com o azul do céu e sua pele era pálida. A menina era belíssima para uma humana e começou a falar:
–Olá moça, posso entrar? Por favor... –Havia certa urgência em sua voz.
–Entra, entra... -Scarlett a colocou para dentro apoiando a mão nas costas da garota. -Algum problema mocinha?
– Meu nome é Alissa Munkar, eu estava perdida.
–Oh! Que horrível mocinha.
–Sim, meus pais faleceram há poucos dias e nossa família é pobre. Não tenho para onde ir... -Levantou o braço gesticulando, quando a manga de sua blusa caiu à mulher pode ver duas linhas brilhantes circulando seu pulso. Deixando a palavra no ar, Alissa olhou para Scarlett com a cara abatida.
–O que aconteceu com o seu pulso? Esta machucada? Alguém te machucou?-perguntou Scarlett pálida.
–Não... -Ela hesitou. -Isso foi uma queimadura. Nada de grave.
Munkar, -pensou a mulher -Gabriel, Johoel, Cassie, Munkar... Sobrenome de anjo!
–E você não tem outros parentes? -perguntou Scarlett agora desconfiada.
–E-eu -Gaguejou a garota- Não que eu saiba. Acho que todos estão no céu.
Scarlett começou a sentir uma tremedeira na mão, sentiu seu sangue aquecer o bastante para saber que isso era um sinal. O sinal que todos que não eram mundanos tinham. Eles sentiam a presença de algum ser seja ele vampiro, fada, feiticeiro, licantropo, e... Anjo -Lembrou.
–Bom -Disse com sarcasmo -Eu não sabia que anjos mentiam.
A garota espantou-se. Estava evidente e seus olhos arregalados só confirmaram o que a Scarlett pensara.
–Oh! Desculpe mas tenho que ir... -Disse Alissa virando-se para porta. Scarlett foi mais rápida e agarrou o pulso da menina, impedindo-a de sair.
–Não! Quer dizer, sim. Pode ficar Alissa. -Estava muito impressionada.
–Mas eu não pedi para ficar! -Falou Alissa tentado soltar o pulso.
–Mas insinuou. Isso conta, não conta? -Perguntou puxando Alissa para dentro. A menina era incrivelmente forte.
–Me solte! -Gritou Alissa apavorada.
–Alissa, acalme-se. Não esta doendo, esta? Anjos não se machucam com um apertão no braço. Fique, eu só quero saber o que você é. -Implorou Scarlett.
–Você sabe exatamente o que sou. Agora me deixe ir. -Scarlett soltou o pulso de Alissa e disse:
–Eu sou uma feiticeira. -Percebeu que a menina havia parado de ficar tensa. -Alissa eu já vi um anjo antes. Uma vez, e senti o que ele era. Mas você... Não... Não, você tem o sangue de anjo eu posso sentir, mas...
–Eu sou uma cupido. -Disparou. -Anjos enfeitiçados. -Ela disse suavemente.
–Oh! -Disse Scarlett espantada colocando a mão sobre a boca. Nunca tinha visto um cupido antes e o que imaginava eram uma criatura muito menor que tinha seu arco e flecha, suas asinhas pequeninas, gordinho...
–Eu fugi da minha cidade por alguns dias. Eu queria ver como era ser um de vocês. -Disse Alissa.
–Feiticeiros?-Perguntou Scarlett sarcástica. -Bom nós somos filhos de...
–Não, Mundanos. -Interrompeu. Ela estava exausta, dava para notar seu pescoço suado.
Nossa... Que impressionante. Um anjo com tantas qualidades e erros humanos. Cansaço, suor, mentiras... -Pensou Scarlett.
–Você nunca ia querer ser como os mundanos. -Riu- Eles são cruéis...
–Mas existe o amor moça! -Gritou Alissa levantando os braços.
–Meu nome é Scarlett Wood. -Nessa confusão havia se esquecido de apresentar-se.
–Então Scarlett, o amor é mais poderoso que o ódio e eu sei disso. Eu acompanho mundanos todos os dias, ando com eles, descubro quem os amam e faço eles se aproximarem...
–Eu conheço bem o seu trabalho, não precisa de propaganda. –Disse Scarlett sorridente.
As duas riram.
–Agora que sei quem você é pode ficar o tempo que for necessário. -Disse Scarlett com um gesto de solidariedade. Alissa hesitou e disse:
–Obrigada por me deixar ficar... -Começou ela esperançosa.
–Ha! Me desculpe. Bom, eu nem mostrei como eu realmente sou, essa velhice é só um disfarce pra não armar suspeitas por que, como você sabe... Feiticeiros não envelhecem.
–Sabe, eu poderia te ver como você é? -Alissa perguntou timidamente com a sobrancelha direita levantada.
–Eu ia te mostrar de qualquer jeito. -Scarlet Assentiu e fechou os olhos.
A transformação sempre era igual, a feiticeira a sentia, só que mais nova, via-se, estendia a mão e puxava. Seu corpo entrava em um processo de crescimento, Scarlett sentiu sua respiração melhor e quando abriu os olhos a visão estava excelente.
Alguns feiticeiros tinham o poder da transformação de idade. O feiticeiro sempre seria jovem, mas no mundo humano eles nunca entenderiam então existia a magia do envelhecimento, continua sendo você, só que mais velho.
* * *
A idosa que estava à frente de Alissa havia sumido e agora era uma jovem que aparentava ter 18 anos. Cabelos marrons escuros e tão longos que chegavam à cintura, seus olhos inteiramente pretos estavam da sua altura.
Sentiu uma pontada de inveja da feiticeira por sua beleza que irradiava e disse a Scarlett que parecia feliz:
–Que desperdício de beleza, você é tão linda e não pode mostrar para as pessoas.
–Não é mesmo? -Scarlett respondeu sorrindo. Pelo que parecia Scarlett era uma pessoa bem humorada.
–Deixe-me ver seus pulsos?- Perguntou Scarlett. -Percebi que tem linhas brilhantes que os contornam...
–Sim -Ela respondeu e educadamente estendeu o pulso e puxou a manga da blusa.
A jovem pegou seu pulso e com uma careta examinou.
–São marcas de nascença. -Disse Alissa. Como Scarlett não havia dito nada, prosseguiu. -São minhas fontes de poder, o meu nasceu no pulso, mas pode nascer em qualquer parte do corpo.
–Achei excepcionais -Respondeu Scarlett parecendo realmente impressionada, soltando seus pulsos. -Alissa, você terá de escondê-los. Os mundanos suspeitariam se vissem. Você tem luvas?
Assentiu. Ao olhar em volta a casa estava perfeitamente em ordem, ele reparou tinham dois copos em cima da mesa que ficava a frente da televisão e perguntou:
–Você mora com mais alguém?
–Sim, eu moro com o meu tio. Não se preocupa, ele conhece o Mundo Da Luz tanto quanto nós. -Disse Scarlett colocando seu cabelo atrás da orelha. -Seja gentil com ele quando chegar...
–Claro! -Exclamou. -Farei o possível.
–Sabe, você irá gostar dele.
–Obrigada mais uma vez. -Alissa sorriu educadamente.
–Bom. Você veio para ver a Cidade não é? -Perguntou Scarlett.
Sim. -Sua voz falhou. Alissa estava feliz por estar onde estava, porém preocupada. E se algum de seus amigos percebesse o seu sumiço?
–Então esta combinado. -Scarlett fechou a porta. -Amanhã vamos à cidade.
* * *
Joseph estacionou o carro na frente de sua casa. Ao entrar parou na porta da cozinha onde Max estava com avental fritando alguma coisa.
Lembrou-se de quando tinha 11 anos. Max e ele sonhavam que morariam juntos, vivendo aventuras, viajariam todas as semanas e fariam qualquer esporte radical. Pena que o tempo foi passando e a sorte se virando contra eles. Max acabou virando um cozinheiro e olha, a comida dele era ótima.
–Max se eu fosse mulher me casaria com você. -Disse Joseph brincando.
–Joe, você chegou! Advinha quem esta aqui?- Sorriu Max para o lado e seu cabelo ruivo o acompanhou junto com a colher de pau na panela.
Entrou uma mulher baixinha, morena, com seus cabelos preso em um coque.
–Carolina! -Exclamou Joe.
–Joe, perdeu. Quem casará com este homem sou eu. -Max virou para ela e a beijou na bochecha. Ela era a noiva de Max, super simpática e agradável.
Olhou para os dois e sorriu e disse sarcasticamente.
–Mas a comida continua sendo minha.
–Sempre e tanto -Respondeu Max.
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