Notas iniciais
Não sei nem se alguém ainda está lendo esta história, mas vou continuar a escrever...

Assim que me joguei pelo portal, cai em um chão de madeira de uma casa que não era a de Rodrigo. Levantei-me dolorida da queda bruta, a sala parecia ser de tempos atrás, era rústica, paredes feita com um tipo de pedra cinza e irregular, não tinha televisão, mas em seu lugar havia uma estante repleta de livros e alguns pergaminhos (para minha surpresa), ao lado, uma escrivaninha com alguns pergaminhos abertos e penas com suas tintas especifica ao invés de canetas.

Uma risada ecoou pelo lugar e me virei, me deparando com vários espelhos que alternavam entre meu reflexo e o reflexo de um homem de costas, tatuado com símbolos parecidos como os que meu irmão, tinha cabelos pretos e era mais alto que eu. Vestia um, sobretudo preto que ia até os joelhos.

—Você é tão parecida com a sua mãe... — Dei um giro pela sala, mas estava sozinha, a sensação de que ele dizia essas coisas ao pé do meu ouvido- Me lembra dos bons tempos que sua mãe tentou se livrar de você.

—Luke? É você?- Tentei soar calma, mas era impossível.

—Não, Anabeth, sou eu, seu pai, não se lembra de mim?- Tinha uma voz diferente, uma voz que nunca tinha ouvido antes, era perversa. — Sou eu, Will, Will Heronda...

Abri meus olhos rapidamente para fugir da escuridão, em minha frente estava Luke me sacudindo. Com um cara horrível de pavor, só consegui sussurrar seu nome, com alívio me deu um abraço forte e tentei retribuir á altura, mas estava muito fraca para isso.

—Você está bem?- Desgrudou do abraço e eu assenti. — Achei que dessa vez você não sobreviveria.

—Eu estou em Idris?- Perguntei desapontada sabendo a resposta. — Não consegui ir para a casa de Rodrigo então?

—Não, o portal já estava programado para trazê-los aqui. — Ele parecia feliz, mas eu não me sentia assim.

Estava em um quarto de paredes de madeira, deitada em uma cama com um colchão nem duro nem mole, mas agradável, a janela estava coberta com grossas camadas de panos que compunham as cortinas.

—Jace!- Uma pontada atravessou meu coração, tinha me esquecido dele completamente. – Ele conseguiu passar?

A porta do quarto onde estávamos se abriu e um lindo “leão” dourado apareceu sorrindo.

—Eu sou um Caçador de Sombras acima de tudo, claro que eu passaria!- Disse meu irmão Jace em pessoa, sentei e pedi para que chagasse mais perto para poder abraça-lo, e foi isso que fizemos.

Nunca tive tempo para observa-lo, tinha lindos e penetrantes olhos dourados e cabelos com tom quase igual, que me lembrava da juba de um leão.

Depois da felicidade de reencontrar minha ”família” de duas pessoas recordei das minhas intermináveis duvidas e exigi respostas. Os dois se entreolharam como se eu estivesse pedindo muito, Luke me ajudou a levantar e avisou que iríamos ver uma pessoa muito importante, começamos a vagar por corredores enormes que pareciam dar em lugar nenhum. O silêncio do lugar me assustava um pouco.

Ao virar em um corredor mais curto que os outros, paramos em afronte de uma porta enorme de madeira polida, esculpida com lindos anjos e demônios horríveis. Elas abriram sozinhas, para uma sala que, supostamente, era equivalente a um campo de futebol, quase a perder de vista.

Lembrava-me uma igreja, com fileiras de bancos extensos e de madeira também, na frente havia uma bancada que caberia umas vinte pessoas, mas no momento estavam preenchidas apenas as maiores cadeiras- o que estimo eu serem os mais importantes- fora isso o salão estava vazio, fazendo com que nossos passos ecoassem pelo ambiente. Tudo por aqui é muito grande e muito rústico.

Estava assustada, tudo o que eu acreditava, achava estranho ou até mesmo o que eu conhecia, tudo isso tinha ficado para trás, a minha família eram pessoas que (se é que são pessoas mesmo) me escondiam uma vida de monstros, anjos, demônios e outras criaturas míticas.

Ao chegar no rodapé da bancada, Luke me apresentou, entendi o recado para fechar a boca enquanto eles discutiam o que havia acontecido comigo, como se eu não estivesse ali, até quando eles iriam me ignorar? Eles discutiam desde a minha infância, separação da minha mãe até a minha chegada aqui, já estava cansada de tanto ouvi-los conversar.

—Se tudo isso é verdade ela não pode ficar aqui por muito mais tempo, mas se Lokesh consegui-la iremos estar sem opções.- Ao ouvir aquele nome levantei a cabeça como se tivesse ouvido uma explosão, e me pronunciei pela primeira vez.

—Lokesh, esse nome aparecia em meus piores pesadelos, em que eu perdia minha família e me perdia em lugares diferentes- Disse com o olhar distante, lembrando-me desses maus momentos. Todos no lugar se entreolharam aflitos.

—Esses pesadelos, eles aconteciam com frequência?- Perguntou Joshua (ao que me parecia o dono da coisa toda).

—Quase todas as noites- respondi- nunca falei nada do tipo para vocês porque achava que não importava.- Disse vendo o olhar cabisbaixo de Luke e Jace.

Depois de mais ou menos meia hora nós voltamos para o quarto que eu havia acordado e Jace pediu para que eu vestisse alguma das roupas do armário, estava morrendo de fome, quando será que eu comi pela ultima vez?

—Afinal onde nós estamos?- Perguntei, na esperança de estar em um lugar (pelo menos) perto de alguma das sete maravilhas do mundo. Mas eu mal sabia onde ficava o lugar que Jace falou.

Lembrei-me de antes de pularmos pelo portal, ele havia falado algum nome, era... Idris! Mas onde isso ficava, em que continente, pais ou estado? Decidi deixar essas perguntas para Luke, meu irmão parecia meio cansado para responder minhas perguntas ainda mais cansativas.

—Não poderemos mais ficar com você, temos nossos próprios assuntos para resolver- E agora? Não sei onde estou, não conheço ninguém e ele ainda quer me deixar aqui sozinha, só o que me faltava acontecer.

Notas finais
Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.