Anjos e Demônios
1 Capítulo 1
Notas iniciais
É meia noite, esse é o horário que ele me visita.
Não posso mais ficar esperando ele chegar, não posso mais viver tendo a esperança que ele um dia chegue a mim e me leve com ele.
Mas hoje sei que ele não irá vir... Minha janela permanece aberta a sua espera, deixo que a lágrima escorra em meu rosto. Aguentei demais essa semana. Ele disse que não sabia se voltaria para me ver, que seria uma viajem perigosa.
Levanto da cama pego papel e caneta e começo a escrever:
Querido Castiel.
Não posso mais continuar nessa casa, esperando suas idas e suas voltas, mesmo sem você saber o porquê eu irei te contar...
“Era noite de sábado em novembro, a noite estava mais frio que o normal, mesmo sendo primavera, eu estava sentada no balanço, fazendo com que ele fosse para frente e para trás. Tinha apenas sete anos de idade quando você apareceu no jardim da minha casa vestindo um terno preto com uma rosa que parecia feita de diamantes vermelhos, seus olhos azuis cintilavam na noite escura e seu cabelo negro combinava com a noite. Você andou até mim sorrindo, tirou a rosa do bolso do terno e me entregou, você nunca me contou porque estava triste... E provavelmente nunca vai contar, você e sua vida são um mistério. Continuando, e disse: tome garotinha, espero que seu dia esteja sendo mais proveitoso que o meu.
Você andou para dentro de casa e sumiu, na noite após a essa, apareceu de novo, e de novo, e de novo... Falando coisas para mim pelas quais eu ficava maravilhada e sonhava todas as noites com elas. Aos 14 anos você pareceu que não percebeu que eu o observava, abriu grandes asas brancas e voou janela a fora, foi ali que eu me apaixonei. E torcia para que todas as noites você aparecesse nem que fosse para ficar um minuto ao lado da minha cama contando essas historias. Eu crescia, mas você continuava o mesmo, igual a rosa que você me deu, o tempo parece que não queria destruir sua beleza, era bondosa com você e ainda é, te mantém do jeito que eu te conheci, Jovem... Eu te amo, mas não posso mais ficar sabendo que você sabe do meu segredo, e sei que você nunca vai poder retribuir. Somos diferentes, e almas diferentes não foram feitas para ficar juntas.”
Embrulho a carta dentro de um envelope branco, não endereço nem nada, abro as gavetas a procura da rosa, a pego e coloco dentro do envelope. Deito na cama novamente, o sono vem lentamente e me arrebata.
Acordo horas depois com o celular tocando, há cinco ligações da minha tia, retorno a ligação.
- Alô? Tia, ta tudo bem ? – falo com a voz sonolenta.
- Querida, não... – ela pausa, e há barulhos de sirenes e choro do outro lado da linha.
Começo a entrar em desespero.
- Tia o que está acontecendo?
- Seus pais, o carro bateu querida, eles não... – a voz dela falha entre soluços e choramingos. – Não sobreviveram, desculpe.
Sinto que meu chão se abriu, deixo o celular cair no chão, as lágrimas quentes descem queimando, não consigo acreditar, me abaixo e procuro sem parar o celular, pego o celular e me sento no chão.
- Não, tia. PARA! MENTIRA. – grito com ela.
- Me desculpe Laura, mas é verdade... E-eu queria que fosse, querida ligue para alguém. Não posso ir ai agora. – ela desliga o celular.
Deixo o celular cair no chão, grito até minha garganta sangrar, deito em posição fetal no chão. Só pode ser mentira, não consigo acreditar... Perco a noção do tempo. Ouço um leve som de passos vindos do corredor. A porta do meu quarto se abre lentamente revelando o invasor. Castiel veste um velho casaco preto e uma calça escura skine um pouco suja, o cabelo negro esta cintilando. Ele olha para mim de cima e sente pena do que ver, ele sempre foi algo inalcançável para mim, mas hoje eu que estou inalcançável. Ele estende a mão para eu pegar, recuso me recolhendo cada vez mais no chão. Ele se abaixa e me pega no colo me colocando na cama, se senta ao meu lado e joga o braço musculoso em minha volta e me puxa para um abraço.
- Desculpe Laura... – ele fala baixo como se fosse um segredo.
Choro cada vez mais, ele se afasta um pouco, tira um colar longo do pescoço com uma pedra azul brilhante, coloca no meu pescoço e ajeita. Ele pega no meu rosto e me força olhar para ele, aos poucos ele aproxima o rosto ao meu e sussurra algo no meu ouvido.
- Durma.
Sinto que meu corpo quer dormir, ele segura minha cabeça, e coloca no travesseiro delicadamente, a ultima coisa que vejo são seus olhos azuis gelo. O resto da noite é conturbada, com sonhos que não consigo entender, eu caio num buraco sem fundo e varias coisas voam ao meu redor, fotos de famílias, lembranças, rostos... Talvez porque acabei de perder meus familiares e minha mente esteja criando uma espécie de poço para manter tudo aquilo trancafiado e me privar da dor.
A luz solar invade o quarto, sento na cama colocando as mãos no rosto, sinto as lágrimas quentes descerem divagar pelo meu rosto, limpo as lágrimas, ando pela casa vazia e entro no quarto que era dos meus pais, o cheiro deles ainda esta no quarto. Deito na cama abraçando o travesseiro respirando o cheiro deles.
Ouço passos pesados vindos da cozinha, não me importo quem seja, afinal quem poderá ser? Ninguém além de minha tia ou Casti... não poderia ser ele, ele nunca viria esse horário. Um homem alto com capuz entra no quarto.
– Te encontrei Valentina – o homem da um sorriso maldoso – sabia que eu te procurei por todos os lugares na terra, querida?
– Não sei quem você pensa que eu sou, mas não sou nenhuma Valentina, saia da minha casa – levanto da cama e vou para o mais longe possível do homem.
– Continua petulante. Vamos logo, você tem que vir comigo ou não terei pena de você. – ele se aproxima de mim e tira o capuz mostrando tatuagens vinda da nuca até o perfil esquerdo do homem.
– Não...
Tento correr e ele me segura pelo braço com uma mão e me empurra na parede, tira do cinto um punhal prateado, ele se aproxima de mim aos poucos.
– Onde esta a rosa Valentina? – o homem assume um tom serio, com a mão esquerda ele segura meu pescoço e com a outra mão passa a punhal no meu rosto descendo até a minha barriga.
– Não sei do que você está falando – respondo, ele pressiona a punhal na minha barriga.
– Não irei pergunta de novo – Ele esboça um sorriso, percebo que seu olho parece de um réptil e pisca de um lado para o outro e de cima para baixo. O homem enfia o punhal, que entra com facilidade na minha barriga.
Caio no chão, sinto tanta dor que mal consigo falar, aponto para uma das gavetas do quarto com o intuito de distrair o homem. Ele abre as gavetas vasculhando devagar parecendo temer quebrar algo muito precioso lá dentro, coloco a mão na barriga e vou me esgueirando pelo corredor, ele me vê e vem andando até mim, chuta minha barriga onde esta o ferimento.
– ONDE ESTA, VALENTINA? – ele grita – VAI MORRER SE NÃO ME DER A PORRA QUE EU ESTOU PROCURANDO SUA INÚTIL!
Procuro voz para falar e não encontro... O homem começa a me chutar por todo o corpo, minha visão fica embaçada, estou perdendo os sentidos.
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