Anjos e Demônios
13 Surpresas vindo de longe.
Estar com Jon novamente me fez esquecer a dor que Max deixou em mim. Mas ainda assim não aceitava a idéia de ele não me querer mais.
Fomos a uma loja de fantasias e ele me contou sobre a estranha semelhança de sua mãe com Carrie White, do filme “Carrie, a estranha”.
– Meus amigos achavam que eu nasci de algum pacto ou coisa parecida. – enquanto falava ele ria como se fosse uma piada, e a luz do sol, seus olhos ficavam cada vez mais azuis. – só porque eu era meio pirado na época.
– Isso deve ter sido chato.
– Nem tanto, pelo menos ninguém tentava nem me provocar, eu era temido.
– Isso não é legal. – disse olhando as fantasias, e não estava me agradando.
– Acredite, naquela época era.
– Mas, o que Carrie tem a ver com sua mãe?
– É que o nome da minha mãe era Carrietta. – eu gelei e me virei até ele.
– Isso não é verdade. É? – ele me olhava fixamente, acho que para tentar descobrir se eu estava ficando com medo, se for isso, ele acertou.
– Não sei. Talvez sim, talvez não. – engoli em seco. – Mas se você realmente se importa com isso, a porta está ali, chame a polícia ou quem sabe os médicos de loucos.
– Cale a boca. Nunca faria isso com você. – ele riu.
– E aí, o que você vai vestir?
– Eu não sei, é tudo muito chamativo. E você?
– Não preciso de fantasia. É só eu aparecer lá, sou bonito, alto e inteligente, e ainda tenho asas. Sou um perfeito anjo. – eu revirei os olhos.
– E você vai se jogar em cima de cada garota da festa, não é?
– Isso por acaso é ciúmes? – eu corei talvez um pouquinho.
– Que tal essa? – peguei uma fantasia de mulher gato, seria muito indecente?
– Que atrevida, você ficaria muito sexy nessa roupa. – corei mais ainda e a coloquei de volta no lugar. – o que foi?
– Nada de gato.
– Tudo bem. Que tal essa? – ele me entregou uma fantasia de médica. – cuidar de pessoas feridas, precisa de carinho e atenção.
– E quem eu vou ter que dar carinho e atenção?
– Que tal um anjo ferido? – eu ri, ele também. Resolvi pegar a fantasia de médica mesmo, depois fomos almoçar em um restaurante, passamos a manhã inteira na loja e eu estava morrendo de fome. Depois começamos a caminhar pela praça. Ele me perguntou como iria ser a festa, mas não pude responder, pois não fui eu que tinha organizado a festa, nem os convidados. E falei como queria convidá-lo.
– Você me evitou muito. Eu pensei que me odiava.
– Não odiei você, mas você fez uma escolha, eu sabia que não iria dar certo. Então resolvi sumir um pouco. Mas eu comecei a sentir sua falta demais, então voltei.
– Você sabe que foi difícil escolher, não sabe? Quer dizer, eu não queria fazer aquilo, fui estúpida e... – ele parou o que me fez recuar.
– Ei, você escolheu ter um amor, no qual eu achei super errado, você merece o melhor. – eu o fitei.
– Ele era o melhor pra mim.
– Não. Não era.
– Então quem era melhor pra mim? – comecei a me irritar. – quem seria melhor que Max?
– Eu seria Amanda. Eu seria. – tudo se silenciou. Eu não consegui me mexer.
– Como é? – de repente ele começou a andar novamente. – Ei, o que você disse?
– Eu poderia ter sido melhor pra você, talvez não como namorado, mas como amigo. Eu não estava nem aí pra ele, eu só me importo com você. Só você.
– Isso é meio egoísta não acha? Vocês poderiam voltar a serem amigos e...
– Eu não ligo pra ele, entende? Eu não o quero perto de você, nem perto de mim. E quer saber? Eu sou egoísta, por querer isso. Mas eu não ligo. – cada vez que ele fala em Max, parece que o ódio sobe em seus olhos.
– Eu não gosto de você assim, ele só queria ficar comigo.
– E foi por isso que ele te deixou. Bravo Campbell! – ele aplaudiu. Eu só me virei e comecei a caminhar novamente. Fui andando mais rápido, e quando olhei para trás Jon tinha sumido. Bravo você Amanda, perdeu seu amigo novamente. Comecei a me xingar e voltei a andar.
Quando cheguei em casa, ouvi pessoas discutindo na sala, quando entrei era May discutindo com uma garota que estava de costas para mim.
– Ela é minha prima e eu vou sim nessa festa, eu não preciso de convite, eu mesma me convidei. – quando ela se virou, eu a conheci. Era minha prima maluca e adorável Laura.
– Mandy! Ah como é bom ver você de novo. – Ela me abraçou forte, depois beijou minha bochecha. – Essa amostra de cascavel não quis me deixar entrar, mas como eu sou da família, não liguei. E também tinha a cópia da chave.
– Laura, que bom te ver. – ela sorriu, Laura era o tipo de garota feliz que não se abalava, e quando éramos pequenas, brincávamos juntas o tempo todo. Mas depois a família se mudou e paramos de nos ver.
– Feliz aniversário! – ela gritou. Ela me deu uma caixa embrulhada. – Tome. Seu presente.
– Não precisava...
– Precisava sim, agora cale a boca e abra o presente. – eu suspirei e abri. Parecia um álbum.
– O que é isso? – perguntei tentando abrir.
– Bom, parece um álbum, mas é um livro. Ele é muito bom você vai gostar.
– Ele não abre.
– Eu sei, é só com uma combinação. Mas eu esqueci a combinação, quando me lembrar eu te procuro e falo, está bem? – eu ri dela. A incrível e esquisita Laura.
– Então, festa! – ela começou a comemorar e foi para meu quarto.
– Ela é uma figura. – Mayara não gostou nem um pouco, mas suavizou e veio até mim.
– Está pronta pra sua festa?
– Não muito. – ela fez uma cara de decepcionada, mas sorriu depois de orelha a orelha.
– Vá tomar um banho, alguém te levará a festa hoje.
– Por quê?
– Sem perguntas. Chuveiro agora. – ela apontou para o corredor que levava ao banheiro.
Depois de tomar um banho, coloquei minha fantasia. Quando cheguei na sala, vi Laura e Mayara discutindo de novo, mas quando me viram, pararam.
– Você está linda Mandy! – Laura pulou de alegria e veio saltitando até mim. – Hmm doutora Araujo, quem vai ser seu paciente ferido, tomara que seja aquele tal de White, ele é um gatinho. – eu corei, provavelmente ele nem virá.
– Pare com isso Laura, ela tem que ir. – Mayara me pegou pelo braço e me levou a porta.
– Olhe, Max iria te levar, mas como aconteceu tudo isso – ela parou de falar. – Bom, arrumar um de ultima hora.
– Quem? – de repente Jon aparece na minha frente, num estilo meio roqueiro, sorrindo.
– Doutora, está pronta? — eu fiquei hipnotizada, ele estava perfeito.
– Claro.
– Então vamos, hoje vai ser uma longa noite. — e então, fomos de mãos dadas até o carro que nos levaria a minha festa.
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