Anjos e Demônios
2 Esbarro em um deus grego
Nunca me ocorrera um sonho como o da noite passada. Tomei meu banho matinal a desci para tomar café com meus pais. Eles estavam sentados à mesa, meu pai Rony lia as notícias do mundo empresarial. E minha mãe Cris, arrumava sua bolsa com livros e cadernos, ela é professora numa universidade no outro lado da cidade. E eu, bom... Eu me chamo Amanda, sou uma típica moradora de Nova York, quer dizer nem tão típica assim, pode ser dizer que sou... Diferente.
– Amanda, quando sair não se esqueça de trancar a porta querida – disse minha mãe, me dando um beijo na testa. – E não me esperem para o jantar, vou ficar com o turno da noite.
– Você trabalha muito amor – disse meu pai. – E ainda pega o turno de outra pessoa?
Minha mãe quase não para em casa, desde que o diretor lhe deu uma “promoção”, ela passa mais tempo na universidade do que em casa, e quando está em casa, só corrige provas e trabalhos.
– Eu sei querido. Mas é uma ótima promoção, eu preciso disso, pode compreender? – meu pai ficava chateado porque antes eles costumavam sair muito para jantar, e agora, é só “Oi; Tchau; Não esqueça a carteira de novo.
Ela fez um beicinho para ele, e ele como sempre assentiu e revirou os olhos.
– Tudo bem, tudo bem – Ela sorriu e lhe deu um beijo.
– Obrigada querido, quando terminar terá toda a atenção do mundo. Eu prometo. Tchau Amanda.
– Até logo mamãe.
Logo depois que ela saiu meu pai também se levantou.
– Também tenho que ir, desculpe por não poder te fazer companhia filha – Eu estava acostumada a tomar café, almoçar e jantar sozinha. Mas eu não reclamava, não queria causar confusão. Eu assenti e comi um pedaço do bolo, meu pai estava me fitando como se eu tivesse algo de errado. – Filha, você está bem? Parece pálida.
– Estou. Só foi um sonho que tive papai – Um sonho esquisito e estranho. – Não se preocupe estou bem.
Ele pareceu aliviado, porque quando eu fico pálida, é que quando tenho minhas alucinações. Isso mesmo, Alucinações. Tenho-as desde os 12 anos. Não sei explicar porque as tenho. Eu desmaio e nunca me lembro do que aconteceu.
Meu pai me deu um beijo na testa e se foi. Eu acabei de me arrumar para ir pra escola, mas não tirava da cabeça o meu sonho. Por que esta me incomodando tanto esse sonho? Será que ele quer dizer algo? Parei de pensar nisso quando o sinal de entrada na escola Falls tocou.
Eu corri porque o professor Daniel já tinha me avisado que se eu chegasse mais uma vez atrasada iria ficar fora da sala. E bem, eu adoro a aula dele. Eu já estava no corredor da sala, quando senti algo passar por mim, mas o estranho é que não tinha ninguém. Ah, um conselho: nunca corra olhando para trás, você pode acabar se esbarrando em alguém. E foi o que aconteceu. Meus livros e a mochila caíram no chão junto comigo, tenho certeza de que bati a cabeça porque estava doendo muito.
– Você está bem? – disse uma voz. Eu vi alguém estendendo a mão para mim, e a segurei e quando me virei para a pessoa, acho que quase desmaiei. Ele era lindo. Seu rosto era tão perfeito, a pele branca, os olhos castanhos, cabelo escuro e, um sorriso enorme que era impossível não fitar. Ele passou a mão na frente do meu rosto, para ver se eu estava consciente.
– Desculpe... Hã... Estou sim – eu não conseguia parar de olhá-lo.
– Tem certeza? Você parece que está – mais um sorriso – em outro planeta.
– Não, é que... Bem eu... – eu estava tão hipnotizada nos olhos dele, que nem falava direito. – Mas enfim, você está bem?
– Estou sim, mas da próxima vez vou tentar olhar pra frente quando correr.
– É, eu também..
– Você também estava? – Ele parecia tão surpreso.
– Sim, é que eu pensei ter visto alguém...
– Passando por você?
– Sim. Como você... Você também?
– Sim. Senti algo esbarrando em mim e... – ele balançou a cabeça como se quisesse esquecer aquilo. Ele estendeu a mão para me cumprimentar, mais em vez de um aperto de mão, ele beijou-as.
– Prazer, meu nome é Max.
Eu não conseguia parar de fitá-lo, como poderia ser tão lindo, a voz dele, o sorriso... Ele parecia um deus grego... Espera deus grego? A AULA DE MITOLOGIA GREGA!
– Desculpe Max, eu... Eu preciso ir estou atrasada – disse puxando minha mochila para o ombro, e passando por ele, mas ele segurou minha mão.
– Espere, pelo menos me diz o seu nome.
– É Amanda. Amanda Araujo. – ele deixou que eu fosse, mas antes de me virar vi que ele sorriu mais uma vez. Agora meu desafio era correr como uma jato até a aula de Daniel.
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