Anjos e Demonios

5 Capitulo 4


Julieta teve medo de sair e por isso, nas duas ultimas noites dormiu e sonhou que voava com a velocidade de um raio, atravessando planícies e montanhas, cortando as nuvens e a chuva. A dor de suas asas tinha diminuído um pouco, mas devido ao exercício constante de executar as tarefas o mais rápido possível elas ainda estavam rígidas.

Na terceira noite sua curiosidade venceu. E assim que todos foram dormir, Julieta se esgueirou para fora do dormitório e voou direto para uma floresta de pinheiros, ela queria praticar a velocidade com obstáculos. Estava muito fácil, Julieta suspeitou que estivesse tão lerda como sempre fora.

–Precisa praticar mais anjinha. – O demônio estava em cima de uma árvore, observando o lento progresso de Julieta.

–O que? Como me achou? – Julieta estava surpresa pelo demônio tê-la encontrado naquele lugar.

–Por quê? Estava fugindo de mim?

–Eu? Por que eu fugiria de você? Tenho motivos?

–Não, não deveria.

–Ainda bem.

Julieta se virou para as árvores, pronta para continuar seu exercício. Voou com a maior força que suas asas conseguiam, mas o demônio a acompanhou sem problemas.

–Sabe, eu posso te ajudar. – Ele declarou.

–Me ajudar como?

–Eu sei sobre a arte da luta, posso te ajudar a ser a maior guerreira.

Julieta parou. Ele não disse ensinar, mas sim ajudar. Como se ela já tivesse em si a capacidade de ser uma guerreira, só precisava de alguém que mostrasse como atingir seu potencial.

–Eu aceito sua ajuda. – Julieta sorriu.

–Feito então – Demônio também sorriu, mas assim que Julieta virou as costas ele sacudiu a cabeça como se quisesse tirar uma ideia que teve.

O treino começou na mesma noite, Julieta tinha que atravessar certa distancia no mínimo tempo que conseguisse, enquanto isso, Demônio cronometrava e a incentivava. Mas Julieta só aguentou a primeira hora, logo já estava caída de joelhos na terra úmida.

–Por que eu me canso tão facilmente – Julieta bateu no chão frustrada. – Eu quero continuar e virar a noite voando, mas eu não consigo.

–Você está no inicio, isso é normal.

–Você também ficava assim? – Ela olhou para o demônio, os olhos grandes querendo arrancar respostas dele.

Ele teve que desviar o olhar.

–Não sei, eu não me lembro de quando aprendi a lutar. Meu mestre exige sempre a perfeição e só me lembro de depois, quando consegui alcançá-la.

–Você realmente parece ser bom em tudo o que faz.

–Talvez eu seja – Ele deu um sorriso travesso. – Vamos anjinha, levante-se, a noite é uma criança.

Julieta riu.

–Sabe, pode me chamar de Julieta – Ela falou levantando.

–Julieta? Um nome que atrai confusão. – Ele riu – A sua cara.

Julieta corou.

–Meu supervisor falou a mesma coisa quando fui designada a ele.

–Anjos e demônios não são tão diferentes, pequena Julieta. Uma pena que ninguém percebe isso.

–Bem, a reputação dos demônios não é boa no céu.

–É verdade que somos ambiciosos e nos irritamos facilmente, mas nos excluir não foi a melhor solução de seus mestres.

–Fizemos isso para nossa própria proteção, o que garante que vocês não nos atacariam enquanto dormíssemos?

–Pareço tão assustador a ponto de você me imaginar te atacando na calada da noite?

A imagem passou pela mente de Julieta, o demônio entrando em seu quarto enquanto a lua estivesse mais alta no céu, sua sombra se adiantando ao seu corpo. Enquanto ela dormia tranquila, sonhando seus sonhos adoráveis ele erguia a faca iluminada pelo brilho da lua e a abaixava de uma vez só.

Ela sacudiu a cabeça tentando tirar a imagem.

–Desculpa, mas eu consigo imaginar perfeitamente.

Demônio parecia que tinha levado um soco.

–Eu... Bem... Acho que é melhor eu mudar a imagem que você tem de mim. – Demônio não sabia o porquê de isso ser importante, mas ele queria que ela confiasse nele. Confiando ela entraria no inferno ao seu lado. Uma desculpa esfarrapada, mas foi o que Demônio disse a si mesmo.

Notas finais
reviews :)