Anjos e Demonios
15 Capitulo 14
Notas iniciais
Dois monstros traziam Julieta arrastada pelos braços. A cabeça dela pendia do pescoço enquanto deixava uma trilha de sangue por onde passava. Isso abalou Demônio profundamente. Como ela podia estar viva e continuar perdendo sangue nessa quantidade? Ela precisava de cuidados, urgente!
–Deixem-na em qualquer canto. – Ao comando de Lúcifer, Julieta foi largada no chão, os monstros saíram apressados, eles também sabiam o que seu mestre pretendia fazer e fugiam como covardes, fugiam como Demônio fugiu. – Muito bem anjinha, somos nós três agora. – Lúcifer a virou com o pé para que olhasse para ele. – Eu gostei muito de te ouvir gritar naquela sala, confesso.
Julieta continuou calada, os olhos verdes arregalados em puro ódio.
–Ela não falará nada, senhor – Demônio falou atraindo a atenção de ambos.
–Uma pena, ela tem uma língua afiada, gosto disso. – Ele se voltou para Julieta – Bem gracinha, você quer brincar com fogo? – Lúcifer sorriu e ao estalar os dedos o fogo infernal circulou Julieta.
Julieta estava bem assustada, mas a boca continuava fechada. Demônio deduziu que ela estava decidida em não falar uma palavra, em não soltar um grito. Ele tinha que protege-la, não podia deixa-la sozinha nessa, como fez da ultima vez.
Demônio deu um passo na direção de Julieta, mas seu mestre o encarou, fazendo-o parar.
–Está calor pequena? Que tal esquentarmos um pouquinho mais?
Julieta fechou os olhos, se preparando para a dor no exato momento que Lúcifer estalou os dedos. Demônio a imitou com a tola esperança de que ao deixar de ver, deixaria de ouvir os gritos de Julieta.
A sala caiu em um silencio sepulcral, Demônio só conseguia ouvir seu coração acelerado. Ele abriu os olhos devagar, ninguém conseguia passar pelo fogo infernal sem gritar, a dor era e sempre foi gigantesca.
Mas Julieta, sua anjinha, estava lá, em chamas com os olhos e boca fechados. A respiração de Demônio desacelerou, e ele soltou um suspiro de alívio. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas estava satisfeito por Julieta não sentir dor.
Quando Demônio olhou para seu mestre, este parecia furioso. A testa enrugada e as mãos em punhos. Isso não ia ser nada bom.
–Demônio! – Demônio correu para seu lado – Tire-a de lá!
Ele nunca ficou tão feliz em cumprir uma ordem. Mas quando pisou no fogo a dor o percorreu por inteiro, queimando seu corpo por inteiro. Ele conseguiu dar mais três passos antes da dor o obrigar a se ajoelhar, as mãos no chão procurando por alívio. Antes de o grito involuntário sair de sua boca ele conseguiu engatinhar para mais perto de Julieta.
O fogo se alimentava dele, de sua carne e de sua alma. Seu corpo tremia em espasmos de dor. Mas como um passe de mágica, ele deixou de senti-la e pode respirar com mais facilidade, pensar com mais clareza.
O olhar de Demônio foi atraído para seu pulso. Julieta o segurava, os olhos verdes estavam curiosos, sem mais ódio ou dor. Ela era o porto seguro dele, ela o protegia, não o contrário.
Ele se arrastou um pouco mais para perto dela.
–Você consegue controlar? – Ela acenou com a cabeça. – Quando eu mandar faça a sala inteira pegar fogo – Ela assentiu novamente, os olhos arregalados.
Demônio pegou Julieta nos braços, abriu as asas e gritou:
–Agora! – Ele não ficou para ver se Julieta fez o que ele havia pedido, ele tinha que tirar Julieta daquele lugar, ele tinha que deixa-la em segurança.
Demônio usou seu corpo para quebrar o teto e abrir passagem para o lado de fora. Ele emergiu do lado de um hospital, mas não era aquilo que Julieta precisava, ela precisava de seus superiores.
Demônio pouco ligou se os humanos o tinham visto, pouco ligou para o fato de estar fugindo de seu mestre, pouco ligou para si mesmo. Suas asas se esforçavam ao máximo impulsionando ele e Julieta para a segurança.
Ele estava perto, podia sentir a barreira que impedia seres do mundo inferior de entrar no paraíso, mas ele não imaginou que estivesse tão perto.
Ele bateu na barreira com toda a força o que o levou a parar uns bons metros longe dela. Julieta ainda estava nos seus braços, protegida pelo corpo dele.
–Anjinha, chegamos. Você vai ficar bem. – Demônio falou com todo o carinho que sentia por ela.
Não foi preciso esperar muito, o superior de Julieta chegou todo apavorado.
–Julieta, ó senhor, o que fizeram com você minha pequena?
–Foi minha culpa, arrancaram às asas dela, ela está perdendo muito sangue, precisa de ajuda. Ajude-a!
–É claro que farei isso. – O anjo parecia assustado com a ideia de não ajuda-la. – As asas crescerão novamente, mas vai doer, ela precisa de medicamentos adequados! Me dê ela, eu cuidarei para que fique bem.
Demônio já estava passando Julieta para os braços do anjo de asas brancas.
–Não! – Um anjo de asas douradas, vestindo uma armadura completa interrompeu Demônio – Essa anja não pertence mais aos seus cuidados, ela deve se tornar uma arcanja agora! Ela controla o fogo e é forte e rápida como os arcanjos devem ser!
Com certeza não foi pelo seu treinamento pensou Demônio.
–Não seja ridículo. Ela foi dada a mim. O destino dela é esse.
–O destino dela pode ser mudado.
Os dois anjos discutiam. Demônio percebeu que havia uma antiga rixa entre os dois.
–Demônio – Julieta o chamou fracamente.
–Diga minha linda.
–Me tira daqui – Ela o abraçou e ele saltou, voando para longe do mundo complicado dos anjos, para longe do mundo de Julieta. A única coisa que ele podia esperar era que ela soubesse o que estava pedindo.
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