Anjos e Demônios

7 Confusos e Confusões


– Amanda? Amanda! Escutou o que acabei de dizer?

– Hã? Sim, é claro.

– Então repita. – realmente não estava me concentrando no que ela estava falando, a única coisa que estava na minha mente era o que acontecera na noite passada. Sobre Max e Jon, aquele ódio nos olhares, se antes eram melhores amigos, e por causa de uma garota insignificante, se tornaram inimigos. Onde estaria esse maldito livro? Nesse momento, me lembrei do livro de minhas alucinações. Seria o mesmo?

E a outra coisa que estava pensando era o beijo. Max disse que amava a tal garota e me beijou. Mas, o beijo foi intenso. Como se ele estivesse esperando por isso, por mim. Voltando a realidade Mayara me olhava preocupada, só estava em corpo ali, em mente não.

– Amanda! Me responda!

– Desculpe. Não estava prestando atenção.

– É claro que não, você nunca presta. – ela cruzou os braços, como uma criança quando não ganha o que quer. – Você nunca que prestar atenção quando estou falando, estava dizendo sobre o seu aniversário, como vou fazer, vai ser a fantasia, muito legal. Mas já que a senhorita não está interessada no que eu estou falando, nunca está...

– Mayara! Max me beijou ontem à noite! – disse rápido, segurando os braços dela com toda a força que tinha. Ela no começo não reagiu a nada, mas depois arregalou os olhos e sorriu.

– Ah...meu...Deus! – ela me abraçou, e começava a pular de alegria. – Isso é ótimo! Quando? Onde?

– Calma. – disse. –Respire garota. – ela revirou os olhos, e respirou fundo. – Ontem à noite, quando Jon me levou para casa, ele estava na frente de casa me esperando.

– Ah é isso mesmo! Eu liguei pra ele. – ela deu um sorriso meigo. – De nada. – eu revirei os olhos e continuei.

– O estranho é que ele e Jon não se dão bem. Ele disse que antes eram melhores amigos, e por causa de uma garota idiota, viraram inimigos e... Mayara? – ela fitava seriamente o vazio. – Está tudo bem?

– Está, continue.

– Enfim, ficamos dentro de casa conversando sobre isso, e depois quando ele foi embora, simplesmente me beijou.

– E como se sente com isso? – Opa. Ela me pegou. O que eu sentia? Bom, além de estar um pouco confusa, por ele dizer que ainda amava aquela garota e ter me beijado. Mas não podia negar que eu senti algo profundo.

– Confusa talvez. Ei, que horas são? – ela olhou no relógio da sala.

– Ah meu Deus! Estamos atrasadas pro enterro, vamos!

Saímos apressadas de casa. Chegamos mais rápido que do que esperava no cemitério Wickley. O caixão já estava fechado, e já tinha feito uma oração. Mas os parentes que chegavam chegando perto dela, debulhavam em chorar, e depois ou saíam para tomar um ar, ou ficavam em um canto conversando.

Quando vi meu pai, que não saía do lado do caixão, a expressão angustiada, culpada, corri e lhe abracei. Ele se virou para mim retribuindo o abraço. Ficamos um tempo ali, sem se mexer. Queria confortá-lo.

– Olá, Amanda. – disse ele, a voz rouca.

– Oi pai. – minha voz era baixa. – Você está bem? – era uma pergunta imbecil de se fazer, porque quem ele amava estava morta.

– Bem não estou, mas estou tentando. – sua voz falhava, isso me deixava cada vez mais culpada.

– Pai?

– Sim?

– Me desculpe. – disse já entre soluços, não podia agüentar isso, eu sei que a culpa foi minha só minha. Ele me abraçou mais forte, me prendendo a ele.

– Amanda pare.Não foi sua culpa, por que seria?

– Por que... O homem que... — não consegui terminar a frase. – ele me queria, ele queria algo que tenho. – ele me soltou, e me olhou confuso.

– Que homem? O que ele queria?

– Eu não sei quem ele é, e nem o que quer. Por favor, pai, não vá atrás dele. Não quero que você também... — sacudi a cabeça, pensando horrível e doloroso seria esse.

– Tudo bem querida. Por que não tomar ar fresco? Você está pálida.

– Pálida? – olhei para minhas mãos, e com o reflexo do celular conseguia me ver, estava mesmo pálida, parecia que ia desmaiar a qualquer minuto. – Nossa, estou mesmo.

– Vai lá filha, pode ir. Vou ficar bem. – ele suspirou.

– Mesmo? Não quer que eu...

– Não, pode ir mesmo. – ele me deu um beijo na testa e assenti saindo dali.

Por mais que as vezes o relacionamento com meu pai fosse difícil, eu conseguia me identificar nele, mais do que minha própria mãe.

Tentei me lembrar se havia comido algo antes de vir pra cá, mas pelo ronco de minha barriga, ainda não. Olhei meus bolsos pra ver se tinha algum dinheiro perdido para comprar algo que enganasse a fome. Enquanto procurava, vi uma sombra se formando atrás de mim.

– O que está fazendo? – uma voz baixa me disse. Me virei, e vi Jon com um sorriso torto no rosto.

– Vendo se tenho algum dinheiro para comer.

– Não sabia que comia dinheiro. – disse ele dando uma risadinha, seus olhos azuis cintilavam na luz do sol. Eu revirei os olhos e suspirei. – O que foi? Estou te incomodando? Se quiser posso ir...

–Não, me desculpe se fui grosseira é que...

– Não, tudo bem... E mesmo se você quisesse, eu não iria você não manda em mim. – sorriu outra vez. – Você está bem?

– Estou. Quer dizer...mais ou menos. Droga!

– O que foi?

– Não tenho nenhum dinheiro comigo, vou pedir a May. – eu ia saindo mas ele pegou meu braço.

– Não vai ser preciso, eu pago. – eu olhei pra ele, estava sereno.

– Não precisa fazer isso eu...

– Por favor, eu insisto. E também estou morrendo da fome. – suspirei e assenti.

Fomos numa lanchonete não tão longe de lá. Ele já tinha acabado de comer seu sanduiche, enquanto eu ainda estava tomando meu suco.

– Obrigado Jon, acho que se não tivesse comigo algo, já teria desmaiado.

– Digo o mesmo de mim. Sabe Amanda... Depois que eu saí ontem à noite...O que aconteceu? – eu estava tomando o suco quando ele disse isso, e me engasguei. – Ah meu deus, você está bem?

– Sim. Desculpe. Er... Ele... Max tinha me contado porque vocês dois estavam brigando. Como vocês eram melhores amigos, e por causa de uma estúpida garota vocês brigaram. – ele me olhou confuso.

– Estúpida garota? Ela não é estúpida. Com certeza não, é meio atrapalhada, mas estúpida não. Espere...você não sabe quem ela é?

– Não. E tomara que eu não conheça ela, porque vai ouvir poucas e boas de mim. – ele riu alto. – o que foi?

– Nada. Bom, só isso que ele te contou?

– Não, teve sobre um cara queria um livro, mas vocês o perderam para a garota. Será que esse cara tem haver com Samantha? – ele ficou sério e fitou o copo vazio de suco. Depois de alguns minutos ele respondeu:

– Não sei. Mais alguma coisa?

– Sim, mas é uma pergunta minha.

– Tudo bem, pergunte. – respirei fundo e o encarei.

– O que essa garota tem de tão especial que conseguiu enganar vocês? – de repente sua cara séria tinha ido embora e o sorriso voltou a seu rosto.

– Ela era...é, na verdade, fantástica.

– É? Você ainda a ama?

– Muito. Mais do que minha própria vida. E, ela não nos enganou, a culpa foi minha, eu dei o livro a ela.

– O que? Por quê? – fiquei incrédula.

– Ela queria estar ao nosso lado, tínhamos um plano pra tirar esse cara e os homens dele da nossa cola. Digamos que temos umas habilidades especiais...

– Tipo o que? Subir em paredes, voar, soltar fogo pela boca? – ele riu alto demais, todo mundo se voltou para nós.

– Soltar fogo pela boca? É sério isso? – dei de ombros. Ele ainda ria, estranho ele ter essa sensação, ainda que sua prima estivesse morta.

– Continuando. Eu dei o livro a ela, sabendo que ele viria nos procurar. Mas ele foi mais esperto, e foi atrás dela. Max queria que ela ficasse conosco, mas eu não quis, não queria a ver morrer. – a angustia tomou seu rosto. – então disse pra ela se mandar com o livro.

Ele continuou:

– Antes que ela fosse embora, ele apareceu e pegou. Não sei como, ou porque aconteceu mais ela começou a falar uma língua morta, de tempos passados. E tudo se explodiu. Quando acordei Max estava junto ao corpo dela, e nada mais se via. Levamos ela a um hospital, mas ela não acordava, como se estivesse em um sono profundo. Eles diziam que ela não ia mais acordar, então desisti de tentar acordá-la e fui embora, Max me prometeu que se ela acordasse, ele tentaria me procurar, mas nunca tive notícias dele ou dela. – eu estava boquiaberta, parecia um filme isso visto em minha mente. – Eu decidi voltar pra cá, e quando recebi a notícia de que ela estava... – ele parou assim que o celular tocou, eu dei um pulo da cadeira. – É seu pai, já estão levando o...Caixão. – ele engoliu em seco.

– Então vamos.

– Espere. O que Max disse sobre ainda gostar dela ou... – ah, estremeci um pouco.

– Ele disse que a ainda a ama, como você. Mas... Eu achei estranho ele dizer isso e ter me beijado... – eu parei. Droga, porque disse isso? Tenho que aprender a calar a boca. Ele arregalou os olhos e sua mão se fechou em punho.

– O que? Ele...te beijou? – antes que eu pudesse dizer algo ele correu porta a fora,tentei acompanhá-lo.

– Jon pare! Aonde está indo?! – quando percebi que ele entrava no cemitério, aliviei um pouco, mas a tensão voltou quando vi Max lá. Não tive tempo de ver tudo com clareza, a única coisa que consegui ver, foi Jon voando pra cima de Max.

– Já não teve o bastante da última vez? Ela é minha! — ele socou a cara de Max, e todo mundo parou para ver. Estava prestes a começar uma briga enorme.