Anjos e Demônios

11 A Noite Perfeita...Talvez nem tanto.


Agosto

Setembro

Outubro

“Oi Jon...er...é a Amanda. Já fazem três meses. Por favor, se ouvir essa mensagem, me liga. Desculpe.”

A mensagem sempre foi a mesma durante os três meses que se passaram. Não posso negar, eu sinto a falta dele. De ter um amigo pra conversar. Claro, eu tenho Mayara, mas ela anda ocupada com meu aniversário no mês que vem. Ela quer fazer dele “a festa”. E Max está passando o tempo que pode comigo. Ele anda arranjando maneiras de como vamos achar o bendito livro, o que eu não acho muito importante, quem precisa tanto de um livro? Mas, ficar com Max me ajuda a esquecer um pouco sobre a perda.

– Você viu o Max? – perguntei à May.

– Acabei de vê-lo. – disse com um celular na mão, e a lista de convidados na outra.

– Ei! Isso é muita gente. – eu peguei a lista, mas ela arrancou de minhas mãos.

– Ei você! Deixe eu fazer o meu serviço ok?

– Tudo bem. Você...convidou ele? – disse baixinho.

– Não, não convidei. – ela suspirou e desligou o celular. – Amanda, tente entender. Você fez uma escolha. Você escolheu não ficar longe do Max. Mas isso significa ficar longe do Jon. Você ama o Max?

– Muito.

– Então. Lide com isso. – Mayara estava certa. Tenho que lidar com minha escola.

– Tem razão. Obrigado May. – ela sorriu e me deu um beijo na bochecha.

– Pra isso que servem as melhores amigas. – Depois ela saiu da sala, e foi para meu quarto.

Eu ia a seguir, mas duas mãos passaram por trás de mim, e taparam meus olhos.

– Espero que tenha dinheiro ou um coração para que eu possa roubar. – sussurrou em meu ouvido. Eu tirei as mãos do meu rosto.

– Sabe, isso é muito, mas muito antiquado. – disse a Max, colocando os braços ao redor de seu pescoço.

– Funcionou em outro século. – ele sorriu, depois me abraçou fortemente e me beijou. Ele parecia muito feliz, até demais.

– Pra alguém que tem séculos de vida, você está muito bem. – ele riu alto.

– Sei me cuidar. Então, eu estava pensando... Quer sair hoje à noite?

– Seria ótimo. Aonde vamos?

– Surpresa.

– Por favor, fala. – fiz até um beicinho, mas ele balançou a cabeça dizendo não.

– Não. Não e não. Vamos pra escola, não posso chegar mais atrasado. – ele pegou minha bolsa em cima do sofá, e fomos para escola.

Depois da escola, ele me levou em casa, troquei de roupa, e fui ver minhas mensagens, nada de Jon. Acho que devo desencanar e perceber que ele me odeia. Ele realmente me odeia.

Eu me arrependo de não ter corrido atrás dele naquele dia, mas não me arrependo de ter ficado com Max. Eu o amo, amo mais do que tudo. Mas eu sabia que um dia teria que escolher, mas não pensava que fosse tão rápido. E agora, meu melhor amigo se foi. Eu me sentia culpada por tudo que causei. Estúpida reencarnação.

A campainha tocou, me olhei no espelho, estava decente. Depois quando cheguei lá em baixo, Max estava no sofá. Ele estava tão perfeito, mesmo vestindo jeans e camiseta normal, com sua jaqueta preta. Simplesmente simples, e perfeito. Seu cabelo não estava arrumado, mas não estava bagunçado, o típico cabelo ajeitadinho só que não.

– Está linda. – disse ele sorrindo.

– Obrigada. Você está mais. – ouvi meu pai resmungar lá da cozinha. Depois ele veio à sala, e deu um aperto de mão, cumprimentado Max.

– Não cheguem tarde.

– Pode deixar Sr. Vou trazê-la em segurança, eu prometo. – meu pai podia dar um tempo, toda vez que eu e Max saímos, ele fica dizendo as regras, e regras. Isso me incomoda, não sei como Max agüenta.

Depois que saímos de casa, ele me levou à seu carro. Abriu a porta como um elegante cavalheiro. E quando entro, fitou o volante.

– O que foi? – disse baixinho.

– Quero que essa noite seja perfeita. – ele me olhou por um segundo, depois segurou minha mão.

– A noite já fica perfeita com você nela. – eu sorri, depois coloquei levemente meus lábios em seu pescoço, e fui subindo até a boca. O beijo foi ficando intenso, mas ele me afastou.

– Se ficarmos nisso, não vai ter surpresa.

– Assim já estava bom. – disse ofegando e ele riu de mim.

Ele me levou num restaurante, depois que comemos, achei que isso não era bem a surpresa que ele disse, e eu estava certa.

– Vou te levar a um lugar incrível. Você vai amar. – meu coração começou a bater mais rápido. Como ele consegue ser assim? Irresistível pra mim. Perfeito demais pra mim.

Ele me levou a um lago, que a luz do dia era cristalina, mas a lua estava bem em cima do lago. Era lindo. Ele colocou uma toalha pra nos deitarmos e ficarmos admirando as estrelas. Ele me abraçava e ficava contando sobre o passado, eu não me lembrava muito, só o que vi em meu sonho.

– E quando você disse que me amava, eu fiquei muito feliz, eu... – ele disse rindo de uma forma tão alegre. – eu parecia um menino quando ganhava um presente, eu fiquei contente e aliviado de você sentir o mesmo por mim. E não que eu estivesse comparando você à um presente, mas na verdade, você é. É um presente que me enviaram.

– Como você consegue? – eu perguntei.

– Como assim?

– Como você consegue ser tão... Perfeito, lindo, encantador.

– Não sou perfeito.

– É sim, você é mais que perfeito, é tudo. – ele sorriu, e se virou pra mim.

– Eu não sou perfeito. Eu já fiz coisas ruins, e posso fazer. Só estou mostrando o quanto te amo. – ele acariciava minha bochecha. – as vezes acho que não te mereço.

– Não fale isso. Nunca mais. – eu o puxei pra perto de mim, e o beijei. – Nunca.

– Se algum dia, eu a fizer mal. Não me odeie, por favor.

– Eu nunca vou te odiar Max. Eu te amo. – segurei seu rosto firme. – eu te amo.

– Eu também te amo. – ele sorriu de felicidade. Depois se levantou e estendeu a mão.

– Já vamos? – disse desapontada.

– Ainda não, precisamos finalizar. Quero que segure firme em mim está bem? – ele tirou a jaqueta e a camisa. Depois me levantou tão rápido que nem tive tempo de piscar. – Segure bem firme, e feche os olhos, só os abra quando eu mandar.

Eu o abracei bem forte e fechei meus olhos. Depois percebei que meus pés não tocavam mais o chão. E o vento passava por mim com uma rapidez enorme. Podia sentir a respiração em seu peito, era acelerada.

– Pode abrir os olhos amor. – ele sussurrou. Eu fui abrindo os olhos devagar, e quando totalmente abertos, meus olhos se fascinaram com o cenário. A noite, tudo ficava tão iluminado, lindo, maravilhoso. – Coloquei seus pés em cima dos meus, se não você vai cair.

– Ah Max, isso é lindo demais! – eu o olhei maravilhado, e notei seu olhos que estavam cinza azulados novamente. – Por quê seu olhos mudam de cor?

– Eu não sei, mas eu gosto deles assim. – ele sorriu.

– É verdade, são perfeitos. E, você não sente frio?

– Não. Somos feitos pra suportar temperaturas frias ou quentes. Já você deve estar congelando.

– Não, nem tanto. – ele riu. Depois ele encostou sua testa na minha. – é bom estar com você, sem ninguém pra atrapalhar. – eu engoli em seco. Ele absolutamente está se referindo à Jon.

– Se está falando do Jon, pode parar.

– Eu sei que ele era seu amigo, e sei que você gostava muito dele mas, você tinha que escolher. – eu suspirei e dentro de mim, senti uma dor de tristeza, saudade. – Desculpe.

– Está tudo bem, sério. – não, não estava bem, mas era nossa noite, não ia estragar tudo.

– Quer ir embora?

– Sim. Agora eu estou congelando.

– Então feche os olhos de novo. – quando me dei conta já estava no chão. Depois ele recolheu nossas coisas e fomos pro carro.

– Mandy, desculpe se disse algo de errado. Não quero te magoar.

– Tudo bem, não disse nada de errado. Vamos? – ele me fitou por um instante, como se soubesse que eu estava mentindo. Quando me virei para frente vi um homem na frente do carro, usava um capuz preto, não consegui ver seu rosto. Eu fiquei apavorada.

– Quem é ele? – eu disse segurando forte a mão de Max.

– Relaxe, é um amigo meu. Vou ver o que ele quer. – ele ia tirando o cinto mas eu o segurei.

– Tem certeza?

– Calma amor, não se preocupe, vai ficar tudo bem. – ele me deu um beijo rápido e saltou pra fora do carro. – mas não saia daqui de dentro, entendeu?

– Por quê? – antes que ele me respondesse ele tinha fechado a porta e foi conversar com o cara esquisitão.

Eles pareciam estar discutindo e de vez em quando o cara me olhava, mas o olhar dele parecia mal. Depois ele começou a apontar o dedo na cara de Max, e os dois pareciam que iriam brigar, então tirei meu cinto com dificuldade, sempre fico meio estúpida na aflição e saí do carro. Fui à direção deles, e quando Max me viu, ficou furioso.

– Não mandei você ficar no carro? – disse ele irritado.

– Você não manda em mim. – disse friamente.

– Ei, não briguem crianças. – disse o homem, agora sobre a luz do poste, podia ver sua feição. Ele era loiro dos olhos verdes. Ele não parecia tão jovem, mas não era tão velho.

– Quem é você? – perguntei. Ele sorriu e estendeu a mão.

– Prazer, meu nome é Luke. – eu fui cumprimentá-lo, e quando minha mão encostou-se à dele, tive flashes em minha mente. Uma cena da vez em que fugi com o livro, e o cara me parou. Agora eu conseguia ver a feição do homem, era Luke, o cara esquisitão, amigo de Max. Amigo de Max? Não, não pode ser isso, eu devo estar louca.

Mas a cena veio em minha mente novamente.

“- Achou que iria embora sem se despedir Senhorita Araujo? – eu não consegui focar no rosto dele. – Você tem algo que é meu. E eu quero de volta.

– Quem é você? – disse apavorada. O homem sorriu. Consegui ver seu rosto claramente.

– Meu nome é Luke.”

Eu soltei a mão do homem, que sorriu ainda mais, um sorriso malicioso.

– Ah meu deus! Luke?!

– Surpreso em me ver? – de repente, eu acordo de um sonho gritando, Max ao meu lado, estávamos ainda no lago, e eu tinha dormido.

– O que foi houve? – disse ele assustado. Meu coração batia forte, e a única coisa que consegui dizer foi:

– Luke.