Anjos de vidro

5 Capítulo O4 – O preço do esquecimento


Notas iniciais
Desta vez foi bem rápido, sendo que meu objetivo era postar um capítulo por semana, mas... Sabe acho que finalmente embarquei na história. ❤ ~Boa leitura~

Porque o que não é de significativa importância é facilmente esquecido,

O vento leva as cinzas de algo que algum dia existiu intacto.

Você vê que as nuvens estão chorando? Em cacos meu peito se encontra.

Amor, apenas tenha cuidado para que não se fira sobre esses vestígios fulminantes.

Por favor, apenas nunca me esqueça...

Por favor, apenas não se esqueça do alguém que algum dia você foi,

pois as memórias não se recordam, nem se vivem novamente.

Obrigado por me permitir sentir, mas

no final tudo não passou de tempo perdido.

[...]

X FLASHBACK ON X

Portugal, 1634

Os olhos da garota se abriam para mais uma manhã de quinta-feira cinzenta em território português, o qual passava pela “Guerra dos Trinta Anos”, nada era belo, assim era a visão da garota quando se encontrava sozinha, apenas consigo mesma, perdida em pensamentos solitários e confusos, se sentia incompleta e incapaz, o ar era pesado demais para seus pulmões, sua mente se fixava em preocupação, era assim que se comportava na ausência dele.

Sua mente projetava os momentos felizes de sua vida, nos quais sempre o mesmo estava presente, mas algo lhe intrigava na noite anterior, na qual pela última vez nesta vida, se despediram... Ele estava pronto para completar sua parte da missão e finalmente voltar para casa, afinal, ele virá apenas para ajudá-la em seu progresso e teria de voltar rapidamente para o “Outro Lado” para resolver questões pendentes, sua assistência acabava ali, mas já para a garota seus objetivos não se encontravam nem na metade. De certa forma, havia um lado bom, essa era uma das raras passagens nas quais sua memória não fora apagada por completo, talvez pelo fato de que a missão que lhe fora dada tenha sido complexa o bastante para poder se esquecer, mas ela sabia o real motivo... Sempre que ele a acompanhava á Terra, suas memórias do “Outro Lado” eram poupadas, a conexão entre ambos era forte demais para ser quebrada, se em vida humana nunca tivessem se cruzado, alguma sequer vez, se colocados frente á frente, se lembrariam de tudo em questões de milésimos, esse era o poder do amor entre anjos, inquebrável, inseparável, insano e inesquecível...

Levantou-se e se encaminhou para se arrumar, mais uma vez se recordando do que acontecerá anteriormente.

Na noite anterior os braços que agora lhe vestiam, envolviam a cintura de seu amado, não se lembrava se fora realidade ou fantasia, mas naquele momento foi como se suas almas cintilassem e suas asas mais belas do que nunca fossem finalmente expostas em terra proibida, longas, comparáveis á pérolas, vistosas e radiantes como se o sol estivesse escondido em ambas.

Riu de si mesma, claro que fora um sonho, um sonho muito belo, afinal, em solo humano, anjos não são permitidos de manter sua real forma, caso quebrem essa regra sofreriam sérias conseqüências...

De modo que o quanto mais rápido cumprisse sua missão, mais rápido poderia o ver de novo, com isso em mente, finalmente focou-se.

Seu único medo era o de algum dia esquecê-lo, seu maior pesadelo, o que mais lhe assombrava.

Como se algum dia pudera esquecer-se de seu sorriso quando ficava sem jeito, ou da forma que mexia em seu cabelo quando não sabia o que falar, de seus olhos trêmulos gritando pela mesma toda vez que se encontravam, de seus braços envoltos em seu corpo á fazendo se sentir mais segura e completa de que qualquer outra coisa ou lugar, de sua voz sussurrando em seu ouvido que lhe amava e de seus beijos carinhosos e flamejantes que lhe geravam o sentimento mais puro e obscuro que jamais poderia sentir de outra forma.

“O amor de anjos é tão ingênuo quanto vil.”

Mas se não fosse assim, qual seria a graça de amar irrevogavelmente? Mesmo que por destino predestinado, mesmo que por loucura o mesmo se perdesse na falta de sua metade.

Mesmo que para isso nunca fosse capaz de amar outro alguém, ou perdesse sua alma em escuridão.

Mesmo que isso lhe levasse á obsessão.

A garota saiu pela porta do quarto em que estava hospedado, decidida á nunca esquecer daquilo que sempre fora o mais importante para ela... O amor de sua vida.

Enquanto caminhava, em sua mente quase que em fotografia ou em visão de um futuro prévio, o que era um de seus dons, refletia seu amado com os braços escorados sobre um monumento de mármore branco fitando a escuridão da noite na cidade dos anjos, ou melhor, uma nação, reconheceu o Paradiso, mesmo que com um olhar vazio e distante que o garoto obtinha naquele instante, a garota abriu um sorriso largo com o que tinha visto, por ver que estava o observando de perto, que não o teria perdido depois de tanto tempo, até que foi interrompida de seus devaneios.

― Até que enfim. – A garota negra trajava uma veste bege que realçava indiretamente seu rosto, já que os cabelos longos e perfeitamente ondulados caiam delicadamente na face da mesma, sendo um pouco mais baixa da pessoa que agora lhe acompanhava, seus olhos verdes folha-seca estavam delineados de preto, mas nada exagerado... Embora o surgimento repentino, a garota não se assustou, já estava acostumada com os aparecimentos relâmpagos de Julieta, que embora tímida de primeira vista se tornava amigável quando se acostumava com um desconhecido, embora as duas não fossem exatamente isso, Julieta com suas habilidades extras de anjos de seu porte, sempre ajudava a garota em missões como esta e como amigas, sempre acompanhava a garota e sua irmã no Paradiso. ―Achei que iria ter que esperar por mais uma encarnação para te encontrar, Crystal. – Abriu um sorriso.

X FLASHBACK OFF X

[...]

P.V.O Crystal

Após a conversa inacabada com Ariel, que fora novamente adiada pela segunda vez, devido ter recebido informações demais de uma vez só, segundo a mesma se forçássemos mais um pouco seria perigoso, mas não me explicou o motivo, eu me encontrava na situação de não saber como ligar as informações que havia recebido... As únicas coisas que eu tinha certeza naquele momento eram que certamente eu era um anjo que acabará de completar uma missão na Terra, minha vida não se resumia na última passagem que obtive em solo “humano”, havia perdido essas recordações de todas as outras reencarnações e de uma possível vida no Paradiso, e tinha aquele cara... Que eu não sabia de quem se tratava e isso me trazia um sentimento bastante obscuro... Preferi não questionar, ainda faltavam informações que Ariel obviamente me devia.

Decidi sair do quarto um pouco, já estava me sentindo um pássaro em uma gaiola de vidro, por onde passava todos olhavam por mim, como se pudessem ver ou adivinhar o que viera sentindo, aquilo de certa forma era desconfortável já que alguns ao invés de tentarem brincar de tarô ou cartomante tentando fingir que podiam ver o que estava além de mim me fuzilavam friamente com expressões sérias e monótonas.

Já havia anoitecido, então havia dias e noites em Paradiso, a cidade dos anjos, porém o céu estava negro, o espetáculo de astros luminosos já era visível, as estrelas eram ainda mais belas naquele lugar, na realidade tudo era mais intenso, um vento envolveu-me trazendo as lembranças de quando estava em transição da Terra para aquele lugar misterioso, enigmático, mais totalmente magnífico, extraordinariamente belíssimo.

A transição...

O que poderia ter dado errado? Ariel haveria me dito que nunca haveria ocorrido isso, então realmente era algo grave. Cessei os passos. Havia alguém observando o céu noturno daquela noite, os olhos verdes vazios e obscuros se igualavam á escuridão dos céus naquele instante, mas ao mesmo tempo seu rosto era iluminado por um astro maior, só então percebi a Lua cheia em meio á imensidão, era bem maior do que quando vista da Terra, podia-se ver seus detalhes, talvez desenhar suas crateras perfeitamente, como cada elemento belo daquele lugar aquela imensa beldade iluminada também transmitia sentimentos, e dessa vez formavam uma controvérsia. Podia trazer um sentimento de leveza, transmitindo a alma á um lugar longínquo e ao mesmo tempo totalmente solitário e isolado. O garoto tinha os braços apoiados sobre um monumento de mármore branco que cercava o local, fiquei observando o sujeito por mais algum tempo, era como se estivesse tendo um déjà vu, como se estivesse vivenciando aquele momento não pela primeira vez, mas sim pela segunda, imagens corrompidas vinham á minha mente, como cartas fora da ordem do seu baralho, eu não sabia como encaixá-las ou se simplesmente eram paranóia.

― Posso sentir sua presença. – Disse o garoto suspirando as palavras como se estivesse com algo pesando em seu peito, acabou interrompendo meu questionário mental. Encaminhei-me lentamente até a extremidade em que o maior encontrava-se, o mesmo não haveria deixado de olhar o ponto fixo no céu desde que comecei a observá-lo á alguns minutos. Ao finalmente ser possível visualizar seu rosto, abrangia uma expressão de desapontamento...

Os pensamentos sobre o que ocorreram naquele primeiro dia em que chegará ali geraram informações demais para processar, justamente para uma pessoa que até então tinha uma vida “normal”... A lagoa, Ariel, anjos, memórias, e até mesmo o garoto que estava em minha frente... Se eu realmente era a prometida dele, isso queria dizer que já nos conhecíamos antes de minha última “passagem” na Terra... Finalmente percebi que estava esquecendo algo importante, algo que não poderia ser esquecido, algo de inegável importância.

O ritmo de seu piscar começou a ficar mais lento como se houvesse areia em seus olhos, sua respiração ficou tensa, além do fato de deixar seu corpo pesar ainda mais sobre o monumento de mármore, ainda encarava a escuridão dos céus com uma expressão incompreendida.

Foi a primeira vez que eu percebi que apenas uma pessoa poderia ser capaz de entendê-lo, eu queria saber como fazer isso, mas eu não fazia idéia de como.

― Sabe... – Comecei a falar suavemente, finalmente a expressão do maior mudou, ele fechou os olhos como se estivesse presenciando a mais bela melodia. – Sinto como se tivesse esquecido algo importante... E tem algo que me diz que você sabe do que se trata. – Terminei.

― Se você não se lembra, provavelmente é algo sem importância. – Forçou um sorriso falhado.

― Mas... – Aquilo era importante, eu sabia que era, eu sentia isso. – Eu tenho certeza que eu não poderia ter me esquecido disso. – Esbravejei.

― Quem sabe... – O tom do garoto era baixo e calmo, e de certa forma soava triste, abriu os olhos e começou a fitar-me friamente, nossos olhos encontravam-se alinhados, aquilo acabou me gerando uma dor fria em meu peito. –Você não tinha o direito de... Isso dói muito. – Apertou os olhos, indignado, seu tom se igualava á como se sussurrasse o segredo mais terrível do mundo, mas o lugar era tão calmo que fui capaz de ouvi-lo. – Sabe talvez seja apenas uma impressão e no final tudo não passou de tempo perdido, porque o que não é de significativa importância é facilmente esquecido. – Terminou quase que sussurrando as palavras novamente, mas desta vez as mesmas eram direcionadas á mim, virou-se e sumiu dentre a escuridão daquela noite sem fim.

FIM P.V.O Crystal

[...]

P.V.O Valquíria

Desde os últimos acontecimentos, minha vida que se baseava antes em uma rotina monótona, havia sido transformada por um tornado de acontecimentos... Sobrenaturais?! Comecei a caminhar sobre o novo cenário chamado de “mundo” em que me encontrava, mas não observava atentamente o caminho pelo qual estava indo, minha mente se encontrava longe demais.

Depois de todas as explicações que Virgínia poderia me dar, ou quase isso, seu lado cruel ficou tentado a não me repassar algumas informações que não alterariam o fato das minhas memórias, as quais segundo ela eu deveria recuperá-las sozinha, caso o contrário, o acumulo de memórias para um plano ainda humano e não mais preparado, poderia me causar danos e até levar a desintegração do mundo dos anjos, que para “nós” isso é como a morte, ou pior que isso, segundo relatos seria como um confinamento, um mundo onde ninguém pode se comunicar com outra pessoa, não se pode ouvir, enxergar ou ouvir outro confinado, o único ser vagando por ali seria você mesmo, até ser salvo ou não por seres do outro lado de um mesmo mundo, Paradiso. Eram raros os casos que as almas perdidas e já sem esperanças eram resgatadas, seguiam-se as dúvidas de que isso era apenas um mito, enquanto outras relatavam duvidas da existência desse lugar.

Pelo que até então eu havia sido informada, estávamos em Hell Falls, parte do mundo paralelo de Paradiso... Hell Falls seria como um “purgatório” para anjos que falharam em suas missões e/ou quebraram algumas das regras estabelecidas pela parte nobre da nação “do bem”, em outras palavras Hell Falls era o mundo dos anjos caídos, enquanto Paradiso dos célebres bem sucedidos em suas missões seguidores de um regime de regras de sua “monarquia”.

O conceito de céu ou inferno, não existia entre os anjos, havia-se simplesmente um mundo dividido ao meio, Paradiso para anjos do “bem” e Hell Falls para anjos frustrados, não considerando a existência de outro plano para anjos sem esperanças.

Era bastante confuso para alguém que acabará de chegar á um lugar totalmente inusitado, mas até sem entender o porquê de ser um anjo caído, o qual Virgínia não me deu nenhuma explicação, pouco á pouco entendia que eu mesma deveria achar minhas próprias respostas.

Mas tinha uma coisa que eu realmente não entendia...

Aquele garoto.

Qual era minha relação com ele? Por que teria ficado tão irritado ao saber que eu havia perdido minhas recordações? Por que me sentia tão estranha em sua presença?

De alguma forma eu sentia que o conhecia, assim como Virgínia, mas o sentimento pelo garoto era ainda mais intenso... Como se em tudo no mundo, somente eu fosse capaz de entender sua parte mais obscura, isso deixaria em mim um sentimento de curiosidade e ânsia.

Suspirei. Minha mente e corpo já se encontravam esgotados, em minha vida “humana” nunca haveria sentido tanta necessidade de uma cama como naquele instante, mas a verdade era que anjos gastavam mais energia fazendo atividades consideradas humanas do que exercendo seus dons que muitas vezes eram bastante impressionantes e impossíveis para seres considerados “normais”.

Finalmente pausei meus passos, ao olhar ao meu redor percebi que não haveria parado de caminhar enquanto pensava, e em meio a tudo eu já haveria aprendido bastante para alguém que estava naquele lugar pouco mais da metade de um dia, e muita coisa haveria mudado repentinamente em meus conceitos.

Encontrava-me em um lugar sem movimento, uma rua deserta, decorada com alguns arbustos altos, o céu já fazia a transição do violeta ao negro, a lua estava por sua metade coberta por nuvens acinzentadas, a mesma apresentava uma coloração diferente... Era como se fosse banhada em vinho tinto. Ao contrário do que nas imaginações humanas no qual o lado “ruim” aparenta ser o mundo dos anjos caídos era frio, não absurdamente, afinal, era um frio confortável.

Fiquei observando o lugar por mais algum tempo, confusa era pouco para como me sentia naquele instante.

― Droga... Fala sério... É claro que eu não estou perdida. – Soltei um sorriso irônico. Quanto mais observava o local menos eu poderia entender. Apertei os olhos. – Definitivamente eu não me perdi! Não mesmo, como eu poderia me perder... Isto esta definitivamente fora de questão. – Já alterava o tom na esperança de que alguma boa alma passasse por ali e me ajudasse, talvez estivesse no lado do mundo errado... – HÁ HÁ HÁ HÁ, fala sério... Eu realmente... Me perdi. – Estava finalmente frustrada.

― Pensei que nunca mais nos veríamos... – A voz estaria vindo de trás de mim, juntamente com um som de folhagem sendo remexido, quando tentei me virar para saber do que se tratava, o maior e mais forte impossibilitou minha ação, me imobilizando. Não era capaz de ver seu rosto, mas se tratava de uma voz masculina e seus braços eram realmente fortes para que conseguisse me prender entre eles, e sua sombra revelava que seu cabelo era um bastante longo e liso. – Mas que surpresa boa você não acha?... Claro, você não se lembra, porém continua a mesma... Até sua mania de se perder. – Sua voz era calma e suave, por fim soltou um sorriso abafado.

― Quem é você? – A situação piorava, haveria encontrado mais uma pessoa que não me recordava e pior... Desta vez não era capaz de saber suas reais intenções comigo.

― Ora, mas que desfeita é essa ‘Valkie’? Justamente comigo? – Seu tom era provocante, mas ao mesmo tempo revelava afeto.

― ”Val”? O quê? – Esta seria uma pegadinha na qual Virgínia sairia de algum lugar rindo de mim? Não, na verdade bem no fim eu tinha esperanças de que fosse isso... Sim eu queria que fosse apenas isso. O maior soltou um novo sorriso, mas desta vez bem em minha orelha esquerda, era possível sentir sua respiração em meu pescoço, o ar que respondia á sua respiração entrava em contato com minha pele fazendo com que a mesma fervesse me gerando calafrios, e um reboliço em meu estomago... Aquilo poderia ser algum tipo de sinal? Um jeito de meu corpo me alertar para sair o mais rápido dali e voltar para onde eu teria vindo? Isso era o que eu queria fazer, mas não me encontrava na situação de poder escolher minhas ações, já que como uma boneca manipulável, estava presa nas mãos do maior.

― V-a-l-k-i-e. – Falou pausadamente ainda com os lábios próximos á minha orelha, naquele instante pude sentir como se lembrasse de algo, mas algo me impedia de saber o que era... Por fim, apenas percebi que realmente o conheci anteriormente, não sabia quando, nem o quanto era essa nossa proximidade, soltou novas risadas. – O falhado aspirante á J.L deve estar realmente fora de si para deixar sua fraqueza vagar pelo mundo que mal recorda sozinha, totalmente indefesa... – Enfatizou o final da frase, ele deveria estar falando do cara ruivo, se bem me lembro Virgínia também haveria o chamado de algo parecido... Fez-se uma pausa, causando um breve silêncio. – Ainda mais com caras como eu por ai. – Aquilo de certa forma me deixou um pouco assustada com as intenções do maior, ou pelo menos com o que aquele cara estava insinuando...

― C-como assim? – Gaguejei.

― Maníacos pela rainha caída. – Encostou os lábios em minha orelha, dando-lhe um leve beijo, gerando-me arrepios e um formigamento repentino.

Por fim em meio a tudo eu não entendia mais nada.

Notas finais
~E agora? HAHAHAHA~ Comentários me encorajam a continuar a escrever, sendo que no último capítulo todos decidiram fazer cosplay de leitores fantasmas. :c Sério, é desmotivador. ~Até o próximo capítulo meus amores ❤ ~XOXO~