Anjos da Noite: O Despertar

14 Capítulo 12 - A Morte


Notas iniciais
Voltei! Espero que gostem do capítulo de hoje!

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Todas as lembranças que eu possuo são lembranças tristes e dolorosas. Toda a minha vida foi um verdadeiro inferno. Eu nunca fui capaz de sorrir, eu nunca vivi. Eu sobrevivi. E era a isso que se limitava o ser humano naquele Novo Mundo – Sobreviver.

Eu sempre tive receio de que o meu fim fosse tão miserável quanto a minha vida toda sempre foi. As únicas sensações e lembranças felizes que eu possuía que, a meu ver, nem sequer poderiam ser consideradas lembranças; essas únicas e incríveis felizes lembranças eram o que me fazia continuar de pé e tentar seguir adiante, acreditando num futuro melhor.

Mas eu cheguei ao fim da linha. Eu iria morrer e isso era fato. Não havia modo de escapar daquele lugar tenebroso e fétido. Eu não conseguia mais distinguir quando era dia ou noite. Eu não conseguia mais saber que dia da semana era. Nem quanto tempo havia passado desde que eu fora jogada ali como um lixo é jogado fora. Eu estava sedenta, eu estava faminta, eu estava fraca. Eu cheguei a um ponto em que simplesmente não conseguia sequer ficar de pé.

Nos primeiros dias, tentei encontrar uma saída. Mas o local era completamente fechado. Sem falar que estava absurdamente escuro e não havia nenhuma fresta de luz. Não havia saída. O ar lá dentro era limitado. E sempre que tentava me mover muito, eu acabava esbarrando em alguma coisa. Era deprimente saber que eu morreria daquela forma, lentamente, dolorosamente. Que anjo cruel. Como ele poderia dormir tranquilo após fazer tudo o que fez comigo e com os outros?

Mas de certa forma, eu me sentia aliviada. Eu podia agir por conta própria, finalmente. Eu podia gritar, podia correr, podia fazer qualquer coisa.

E eu gritei. Gritei até ficar rouca. Gritei e chorei pedindo ajuda, mas não adiantou. Aquele lugar parecia estar muito abaixo da mansão. E a mansão era completamente isolada. Não havia esperança.

Não sei dizer ao certo se foram os piores dias da minha vida. Acho que tive momentos piores. Ao menos eu era livre e não estava sendo usada por ninguém. Mas a fome, a sede e o frio me incomodavam muito. Até que um dia, eu simplesmente não consegui me levantar mais. Eu estava morrendo. Era muito difícil respirar, meu corpo estava ficando cada vez mais adormecido. Eu estava tão fraca...

Para minha sorte, ou o meu azar dependendo do ponto de vista, aquele era o dia em que o segurança deveria checar se eu finalmente estava morta. Quando ele abriu as travas da porta, eu que estava mais para morta do que para viva, pude ouvir de longe o barulho que, antes era muito alto. Meus sentidos estavam todos desfalecendo. Minha visão estava embaçada devido aos meus olhos cerrados quase que completamente. Enquanto ele se aproximava, eu resolvi agir por impulso uma última vez. Resolvi desafiar a inteligência daquele vaso vazio e sem vida. Resolvi fingir que já estava morta. Eu prendi a respiração, fechei meus olhos delicadamente, fiquei mais imóvel do que já estava e torci, torci como ninguém para que a minha pulsação estivesse fraca o suficiente para ele não perceber que meu coração ainda estava batendo.

Deu certo, ele acreditou. O servo nem sequer se preocupou em checar a minha pulsação. Ele apenas me chutou de leve, me fazendo virar pra o lado um pouco sem jeito e então colocou um de seus dedos abaixo das minhas narinas. Estúpido. Nem sequer passou na sua mente limitada que eu poderia estar fingindo.

Então ele agarrou algo que trouxe com ele, e me enfiou dentro. Logo em seguida eu descobri que era um enorme saco preto. Eu finalmente pude voltar a respirar, mas continuei tentando me manter imóvel. Estava tão assustada... E se ele descobrisse que eu ainda estava viva? Eu temia tanto essa resposta...

O ar dentro do saco estava ainda mais limitado. Não me ajudou nem um pouco, levando em consideração a situação o meu estado frágil. Mas a partir daquele momento, eu percebi que era dura na queda. Ele passou um tempo me carregando, até chegar a algum lugar onde o anjo estava. Então eu estremeci.

– Senhor, ela morreu.

Se o meu antigo dono quisesse dar uma “checadinha” em mim, eu realmente poderia me considerar uma pessoa morta.

– Sim. E o que tenho eu com isso, imbecil? Desapareça com esse corpo. Eu não já havia ordenado? Apenas cumpra! Veio fazer o quê? Pedir permissão? Eu já a havia dado! – Ele estava sendo grosseiro, como sempre.

– Sim senhor, me perdoe.

– SUMA DAQUI! – Ele gritou – NÃO VÊ QUE EU ESTOU OCUPADO?

O servo apenas obedeceu. Então ele fechou a porta. Não sei que porta poderia ter sido, talvez do quarto dele, ou do escritório. Então eu ouvi gemidos. Deveriam estar absurdamente altos, pois minha audição estava terrível. Seria uma nova lolita? Se sim, pobre garota... Teria um fim tão trágico quanto o meu. Quando terminei de pensar nisso, percebi que, se tudo desse certo, meu fim não seria tão trágico assim.

Após alguns longos e insuportáveis minutos dentro daquele saco, eu cheguei ao meu destino final. Ele jogou o saco no chão e então eu percebi que ele estava cavando. Foi aí que eu realmente percebi que ele iria me enterrar.

Eu precisava fazer algo! Não podia ter chegado tão longe para ser enterrada viva! Minha respiração, eu estava tão fraca...

Tentei abrir o saco, comecei a me mexer bruscamente, mas acho que o servo não viu por estar ocupado demais cavando. Não consegui êxito. Era o meu fim.

Eu chorei por alguns instantes. Seriam essas as minhas últimas lágrimas. E então, eu simplesmente fechei os meus olhos pela última vez.

Notas finais
Prevejo perguntas do tipo "Como assim ela morreu???". Não percam as próximas atualizações :)