Anjos caidos e o chefe dos querubins

18 A Verdade Sobre Satanas-Capitulo Especial


Notas iniciais
continua

qualquer religioso com um mínimo de formação religiosa é capaz de fazer

um breve resumo da carreira do Diabo: originalmente um anjo poderoso,

ele teria se rebelado contra Deus no princípio dos tempos, induzido Adão

e Eva a cometer o chamado pecado original e, ainda hoje, estaria pronto

a induzir a humanidade a fazer o mal, manipulando tudo e todos nos

bastidores. O problema, afirma um livro que acaba de chegar ao Brasil, é

que essa trama básica não estaria em lugar nenhum da Bíblia, mas teria

sido montada por teólogos cristãos dos séculos 3 e 4, responsáveis por

uma leitura um bocado criativa das Escrituras. Segundo essa visão, o

Satanás bíblico não seria um rebelde contra Deus, mas uma espécie de

"agente secreto" ou "chefe do FBI" divino, responsável por testar a

lealdade dos seres humanos.

Henry Ansgar Kelly, professor emérito de uma universidade da Califórnia

em Los Angeles,e autor de livros do gênero,teria feito essa afirmação em

" satã- uma biografia.

Kelly vai além da maioria dos estudiosos dos tempos modernos da biblia

,ele afirma que as poucas aparições de satanás no Antigo Testamento se

referem a um anjo,que é subordinada a Deus,e não inimigo do Criador.

Para ela , no entanto, a situação não muda nas menções ao Maligno no

Novo Testamento.

Satã no Novo Testamento deve ser percebido como tendo uma posição

equivalente a um Primeiro-Ministro, ou um Procurador-Geral da

República, ou diretor do FBI, e não mais diabólico do que muitos dos

mais zelosos representantes dessas posições aqui na Terra", escreve o

pesquisador.

A visão geral expressa nos Evangelhos e nos outros livros bíblicos do

começo do cristianismo, segundo o autor, é que Satanás simplesmente

toma gosto excessivo por suas funções de testador da humanidade, e por

isso perde as boas graças de Deus, sendo expulso do Céu.

Kelly tenta entender as primeiras aparições do personagem no Antigo

Testamento, as quais são um bocado complicadas por problemas de

nomenclatura. É que a palavra hebraica satan e seu equivalente

aramaico satanah (o aramaico, é bom lembrar, era a língua

provavelmente usada por Jesus no dia-a-dia) podem simplesmente

funcionar como um substantivo comum, que significa algo como

"adversário",isso bem interessante.

"Adversário" de quem ? Um dos poucos exemplos em que "o

satã" aparece na Bíblia hebraica é o livro de Jó. Nesse livro bíblico,um

humano de altas qualidades morais e comportamento correto, o Jó do

título, perde sua família, seus bens e sua saúde por instigação "do satã",

que sugere a Deus um teste para a fé de Jó.

No livro de Jó, 'o satã' é simplesmente um membro do Conselho Divino,

um dos servos de Deus cuja função é investigar os acontecimentos na

Terra e agir como uma espécie de promotor, trazendo os malfeitores à

justiça", explica Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos

da Universidade Yale (EUA).

No livro de Jó, 'o satã' é simplesmente um membro do Conselho Divino,

um dos servos de Deus cuja função é investigar os acontecimentos na

Terra e agir como uma espécie de promotor,trazendo os malfeitores à

justiça", explica Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos

da Universidade Yale (EUA). "Quando Javé se gaba de seu piedoso servo

Jó, o anjo-promotor simplesmente pergunta, seguindo sua função, se a

fé de Jó é sincera", diz ela.

diz ela. Em algumas traduções da Bíblia, em vez de ser designado como

"Satã", esse personagem é simplesmente chamado de "o Adversário".

Aparentemente, ele é visto pelo autor anônimo do livro de Jó como um

dos "filhos de Deus" -- expressão que se refere aos anjos que formam a

corte divina.

No livro do profeta Zacarias, também no Antigo Testamento, a figura de

Satã (que também pode ser traduzido como "o Acusador") reaparece,

desta vez questionando diante de Deus a boa-fé o sumo sacerdote judeu

Josué. Enquanto Satã funciona como promotor público, um outro anjo é

o advogado de defesa, que consegue a absolvição do sumo sacerdote. As

aparições satânicas na Bíblia hebraica se restringem a essas passagens -

— a serpente que induz Eva e Adão a comerem o fruto proibido no livro do

Gênesis nunca é explicitamente identificada com Satã.

situação e a personalidade do Diabo mudam

no Novo Testamento? A interpretação tradicional é que sim, mas Kelly

tenta demonstrar que esse dado não é tão seguro quanto parece,e eu

concordo com ela.

Primeiro, os Evangelhos e outros livros da parte cristã da Bíblia mostrariam que Deus delegou a Satanás a missão de testar a lealdade e a fé dos seres humanos, permitindo que ele tentasse Jesus no deserto ou levasse os apóstolos a fraquejar em seu apoio ao Messias. Isso também explicaria o costume de chamar o Maligno de "Príncipe deste mundo" -- um poder delegado por Deus ao Tentador enquanto o plano divino não chegasse ao fim. Também não é traçada relação direta entre a serpente do Paraíso e Satanás pelos autores bíblicos cristãos, nem mesmo por São Paulo, que traça um elo entre o pecado de Adão e a salvação trazida por Jesus,isso quer dizer que ele possui licença para nos tentar .

livro do Apocalipse, Kelly afirma que a última parte dessa drama cósmico

é a "demissão" de Satanás de seu papel de acusador na corte de justiça

divina.

capítulo 12 do livro, lê-se: "Foi precipitado o acusador de nossos irmãos,

que os acusava, dia e noite, diante de nosso Deus". Essa visão é

apresentada como uma profecia para o futuro, de forma que a chamada

queda de Satanás e dos anjos que o seguem não poderia ter acontecido

antes da criação do mundo.

Os fatos são incontornáveis: Satã permaneceu em sua posição como o

Acusador Celestial dos humanos desde os tempos da visão de Jó e

Zacarias. Ele tem continuado a exercer essa função desde o presente e

continuará no futuro, adicionando cristãos à sua lista de acusados. Mas

ele se excede em suas acusações, com o resultado previsto de que não

haverá mais lugar para ele nos Céus", escreve Kelly.

essa é a interpretação correta dos dados sobre Satanás na Bíblia, de

onde veio a história da rebelião do anjo Lúcifer ?

Muito provavelmente da leitura que mestres dos primeiros séculos do

cristianismo, como Orígenes de Alexandria fizeram da Bíblia-afirma ela

O nome Lúcifer, ou "Portador da Luz", é só uma adaptação para o latim

de Helel ben Shahar, ou "o Brilhante, filho da Aurora", termo poético

usado pelo profeta Isaías no Antigo Testamento para se referir ao rei da

Babilônia. Orígenes e outros pensadores cristãos, no entanto,

interpretaram a passagem como uma referência à rebelião e à queda de

um anjo poderoso, que teria se revoltado contra Deus por orgulho e,

como vingança, levado Adão e Eva a pecar.

continua...

Notas finais
boa noite