Anjos Tambem Amam
1 One-Shot
Notas iniciais
“As pessoas não percebem a importância de algo, até que o tenha perdido“
Era de fato engraçado, a poucos anos eu estava no céu, ate que deus me ordenou que eu cuidasse de uma humana, no começo odiei a idéia e a achei repugnante, eu não gostava de humanos, quer dizer, pelo menos não até conhecer minha protegida, droga, todos os dias lamentava-me de ter me apaixonado por ela, eu não gostava daquilo, não queria me sentir assim, a eras eu havia abandonado os sentimentos humanos, eles não faziam mais parte do que eu era, droga, aquilo era frustrante, mesmo sabendo disso, mesmo tentando resistir, meus sentimentos não sumiam, eles não desapareceram, na verdade, com o passar dos anos conforme ela crescia, ele apenas foi aumentando cada vez mais, por causa desses sentimentos, por causa dela, eu havia sido banido do céu pela eternidade, eu ainda era um anjo, e ainda tinha os mesmos poderes de um, mas agora, era apenas um anjo caído, um ser visto com maus olhos por outros da sua espécie, mas eu não me arrependia por isso, com o tempo aprendi a aceitar esses sentimentos, fiquei cada vez mais fascinado por ela, um reles mortal, mas um mortal por qual eu havia me apaixonado, eu era seu protetor desde seu nascimento, chorei quando sua mão deu luz a ela, e sorri quando deu seus primeiros passos, eu a acompanhei em toda a sua vida, suas dores eram as minhas dores, suas alegrias eram minhas alegrias, ela era tão frágil e inocente, aquele pequeno rosto de boneca, parecia que ele iria se quebrar a qualquer momento ao menor movimento brusco que alguém fizesse, o mais frustrante era aquilo, seus pais nunca a trataram bem, sempre batendo nela, e nunca a alimentando corretamente, mas eu sabia que eles iriam pagar quando morressem, eu não podia fazer nada contra eles, mesmo sendo um anjo caído, mas isso não importava, sempre que eles batiam nela, eu ajudava-a a curar as feridas, mesmo que ela não notasse eu a ajudava em tudo, pode parecer obsessão mas eu diria que era apenas amor e medo de que algo ou alguém a machucasse, nesse momento, eu estou a observando,era o dia do seu aniversario de sete anos, sim era uma vida curta, muito curta para um anjo que possuía a vida eterna, ela como todos os anos comemorava seu aniversario sozinho, já que não tinha amigos por os outros a considerarem estranhas, e seus pais não gostarem dela, mas esse ano seria diferente, o que eu faria a seguir, poderia mudar muitos destinos e provocar um grande abalo no mundo humano, mas do que isso importa ? Não a veria mais sofrer e nem chorar todas as noites, não, agora seria diferente, e eu me certificaria disso. Quando notei que ela havia dormido, apareci em seu quarto, ainda era cedo, por volta das cinco da manha, e eu não queria acordá-la, ela ficava igual a uma boneca dormindo, eu carregava uma grande sacola com vários embrulhos nas mãos, eram seus presentes de aniversario dos anos anteriores, e desse ano, e agora você me pergunta, como tem dinheiro pra comprar tudo isso? Certo? Uma das habilidades de um anjo, e tomar uma forma humana, e viver no mundo humano por algum motivo em especial, eu trabalhava em alguns períodos como dono de um banco famoso no Japão, minha renda mensal era de fato grande o suficiente pra comprar uma mansão com poucos meses de trabalho, surpreendente? Talvez, mas o que importava não era exatamente isso, eu deixei o grande saco descansando no chão, enquanto estralava os dedos, fazendo com que um belo e lindo bolo de morango coberto de chantili se materializasse, junto de uma pequena mesinha, que era onde o bolo estava apoiado, ao lado dele, dois pratos de porcelana junto com alguns talheres estavam na mesa, juntos de uma garrafa de refrigerante e dois copos de plástico, não era uma das melhores festas, mas era o Maximo que conseguia fazer sem que os pais dela percebessem e achassem que era culpa dela, o que me incomodava era o fato de eu não estar com minhas asas, depois de um tempo usando elas, era estranho ficar sem a sensação de uma parte a mais no corpo, você não deve entender, já que provavelmente é humano, mas e desconfortável de fato, esperei pacientemente que ela acordasse sentado ao seu lado na cama, acariciando seu rosto, ele era tão lindo, e aquele sorriso inocente que mesmo quando estava triste ela tinha no rosto, eu não conseguia resistir a esse sentimento que possuía por ela, era errado e eu sabia, mas os humanos eram tolos em sua maioria, e julgavam os outros pelas aparências, eu era assim quando era humano também, mas eu podia ter sido diferente, se me tivessem mostrado o caminho certo, e eu sabia que aquela garotinha, Hikari, iria seguir pelo caminho certo, com a minha ajuda. Depois de horas ela finalmente acordou, não que eu um anjo tivesse noção de horas, já que pra mim elas passavam como segundos de tão insignificantes e ínfimas que eram, mas isso não era de fato importante, sorri enquanto observava aquele pequeno rosto abrir os olhos, lindos olhos verdes, notei que quando me encarou me observou confusa e um pouco assustada, eu apenas soltei um sorriso gentil tentando a acalmar.
– Não se assuste pequena, tem medo de mim?
Vi ela recuar um pouco, mas negar com a cabeça, gesto que me fez sorrir.
– Pode me chamar de Loriel, sou seu anjo da guarda, como os humanos chamam
– M... Me... Meu anjo da guarda? - Falou a garotinha assustada e surpresa
– Sim, sou seu anjo protetor, sempre estive cuidando de você – Falei rindo enquanto cortava um pedaço de bolo o colocando em um prato, estendendo o mesmo para ela – Aqui, espero que goste, e de morango, eu sei que você gosta, não é ?
– S... Sim, obrigada – Murmurou ela pegando o prato e se encostando na parede do lado da cama ainda muito surpresa pelo que aconteceu – Se você e meu anjo da guarda porque esta aqui ?
– É uma bela pergunta, resolvi me revelar para você, estava cansado de ver você apanhando e de não ter amigos, serei seu amigo agora, quer dizer... Se você quiser é claro
– Eu adoraria, eu nunca tive amigos, e é solitário ficar sozinha, obrigada – Falou ela me abraçando quase que me jogando pra fora da cama, por sorte consegui me segurar, e depois ri de sua empolgação – Eiiii! Isso não é engraçado seu bobo!
– Sério? Eu achei.
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