Anjos Perdidos
1 O Começo de Uma História
Notas iniciais
Faz 1 mês que perdi meus Pais, agora eu virei uma órfã, engraçado, sempre planejamos o futuro perfeito, sempre temos planos com nossos Pais e sempre acontece algo para estragar, normalmente é a chuva, ou compromisso, mas alguns... como o meu foi perdê-los, em um mês eu não consegui me conformar, em um mês eu tenho pesadelos, em um mês fui rejeitada por familiares, em um mês tanta coisa acontece, a nossa vida muda, depois de 30 dias alguém nos quis, algum parente que não me lembro, mas o nome é tão familiar...Clarisse Chermont, tão familiar e não é por eu ter Chermont no nome que é familiar, apenas é.
Irei embora logo de manhã, seria rápido se eu conseguisse dormir, fico pensando no porque toda minha família no Brasil me negou, simplesmente agora terei que ir para... Paris. Eu sei, sonho de muitas pessoas, mas eu só não quero deixar minha vida aqui para trás, queria ainda estudar para a escola me prender aqui, não tinha que ter terminado mais cedo. Aliás, tenho impressão de que lá vai ser bem diferente do que aqui e isso está me assustando e também, isso é coisa demais para uma garota de apenas 17 anos.
Me pego quase dormindo quando escuto um choro, realmente, eu deveria ficar brava, mas eu entendo o motivo, quem quer ficar aqui? Pior ainda é eu saber de quem é o choro, já estou acostumada com esse acontecimento de madrugada, já não bastava perder a Mãe e o Pai ser preso injustamente, Morgana perdeu seus segundos Pais de uma vez. Quem agüentaria um pesadelo desses?
— Morg, teve outro pesadelo? —Me sentei em sua cama acariciando seus cabelos, normalmente ela que fazia isso comigo, Morg é como uma irmã mais velha.
— Não, eu nem dormi, só parei pra pensar e deu nisso.
— Morg...
— Eu sei, pense menos nisso, eu juro que estou tentando, mas é meio complicado, afinal, tudo muito confuso.
— Ah, Morg.. não chora, você fica mais bonita sorrindo. — O que era verdade, Morg era linda, pele pálida, cabelos bem negros e lisos até os ombros, não era baixa e nem alta e tinha os olhos bem diferentes, as vezes eram pretos, outras pareciam mais azul, vivo brincando falando que ela usa lente. Morgana era perfeita.
— Você não tem direito de falar sobre beleza, ruiva. — Eu concordei com a cabeça, eu me acho bonita... branca, ruiva, cabelos cacheados, olhos verdes e sarda, vamos dizer que sou rara apenas por me achar bonita.
— Eu sei que sou linda.
— Eu até iria rir, mas sei que você não está sendo irônica.
— Fui mimada sempre, posso fazer nada. — Morg apenas riu e ficou séria de novo.
— Fique aqui comigo até uma de nós duas dormirem.
— Provavelmente eu nem vou dormir, mas fico aqui. — Ela apenas riu, já não tinha vestígios de lagrimas, o que me deu um alivio. Me deitei ao seu lado e peguei no sono, eu estava bem errada quando disse que não dormiria, dormi imediatamente, eu iria rir nessas hora, se não estivesse ocupada levantando do chão.
— Sério que você tem que me acordar assim? Logo depois de eu demorar maior tempão para dormir?
— Demorar a dormir? Você dormiu primeiro que eu, Chermont. — Morg tinha mania de chamar pelo sobrenome ou quando estava brava ou quando estava zoando muito comigo.
— Ei, sobrenome não é justo, Martins!
— Você sabe que eu odeio meu sobrenome.
— Seu sobrenome é bonito.
— Fala isso porque tem sobrenome de Frances.
— Grande coisa.
— Não vou debater sobre isso de novo, arrume suas coisas, temos que viajar.
— Mas nem soubemos como via ser ainda.
—Tem um cara lá fora esperando com um carro para nos levar ao aeroporto com tudo resolvido sobre nossa viagem.
— Eu não vou entrar naquele carro com um estranho.
— Anne, deixa de ser idiota, vai tomar um banho, pentear esse ninho ruivo para irmos logo.
— Você parece que tem uns 30 anos de tão mandona. — Eu tento nunca incluir “Mãe” nas frases, acho que não suportaríamos a palavra tão cedo.
— É, mas eu tenho 19, agora vá logo.
Corri antes de ser acertada por qualquer coisa que ela me jogasse. Me arrumei o mais rápido que pude, afinal, não queria levar bronca de todos por ter atrasado tudo, mesmo não querendo ir, isso não será motivo para fazer birra, afinal, já tenho 17 e não 7.
— Pode vestir logo essa roupa?
— Minha nossa, espera, quer que eu saia pelada?
— Se for pra sair agora não tem problema.
Ri ironicamente e voltei a me vestir, logo estávamos colocando as malas no carro do estranho que descobri se chamar Francisco, ele era bem alto, suava roupa de motorista e tinha cabelos grisalhos e um bigode da mesma cor e usava um óculos pequeno, ele era bem legal e disse que iria no avião conosco, porque iria dirigir até a casa de minha Tia, logo lembrei que era um Tia que tinha nos adotado, me pergunto porque ela aceitou nós duas sem nos conhecer, mas isso deixaremos para mais tarde.
Umas meia hora depois estávamos para pegar o avião, eu estava começando a passar mal, ficar em pânico e querer chorar, nunca tinha entrado em um avião ou ficar tão longe do chão, isso estava me apavorando, iria fugir pro banheiro, mas logo chamaram o nosso vôo, não tive escolha a não ir andando calmamente (Sendo puxada por Morg) até os assentos.
— Você não vai morrer nem nada, se acalme, vai sair tudo bem, no máximo ficaremos umas 10h aqui.
— Espere, ninguém me disse que seria isso tudo, me tire daqui antes que isso saia do chão.
— Fala baixo, Anne, está todo mundo olhando.
— Que se danem, eu quero sair.
— Só passo vergonha do seu lado, calma. Fecha a boca e abre os olhos
— Não.
— Anda, faça apenas isso. — Apenas obedeci, ela não me daria veneno, né? Mas logo nem precisei saber o que era, tinha certeza que era algum remédio que me faria dormir em 5 minutos.
— Isso vai me fazer dormir, né?
— Com certeza, antes mesmo de o avião sair do chão, durma bem.
— Você não vale nada, Morgana.
— Eu sei, eu sei.
Eu até queria comer algo de dormir, mas não tive tempo nem de pedir uma água, logo eu estava dormindo, sonhando...
“— Logo você estará ao meu lado. — Eu via apenas uma sombra.
— Quem é você?
— Eu sou o seu destino.
— Apareça.
— Logo eu irei aparecer... — Eu o cortei.
— Apareça agora.
—... e te levar junto comigo, Anne Chermont, você é apenas minha. — A voz ficou mais distante, mas eu sentia sua respiração eu meu ombro, eu tentava correr, mas parecia que estava presa, como se eu estivesse congelada.
— Quem é você?”
Uma luz muito forte veio eu meus olhos, levei um susto e dei um tapa escutando um “Aí” em seguida.
— Mas o quê?
— Estou tentando de acordar faz uns 5 minutos, tive que apelar para flash na sua cara. Já chegamos, vamos logo.
— Espera, como assim já chegamos.
— Já chegamos, temos que descer.
— Eu dormi 10h seguidas?
— Na verdade foi 11h.
— Como isso é possível?
— Vai saber, você é meio anormal.
— Mas o sonho não durou nem 10 minutos. — Falei mais para mim do que para ela, mas creio que ela percebeu.
— Sonho?
— Depois te conto, vamos... mas, onde estão todos?
— Ai, senhor. — Morg e Francisco saíram andando.
— Os dois ai, não me ignorem.
Tive que correr para alcançar os dois, nem tive tempo de arrumar meu cabelo, percebi isso quando um garoto loiro olhou e falou “Nossa” e riu.
Acabei ficando para trás de novo e sai correndo, até que esbarrei e cai.
— Acho melhor eu começar a correr depois de acordar por 1h.
— Eu concordo.
— Me desculpe.
— Tudo bem. — Logo vi uma mão na minha frente e então entendi que estava me oferecendo ajuda, mesmo com vergonha aceitei.
— Você é brasileira? — Estava impressionada, esbarrei logo com alguém que entenderia minhas desculpas.
— Sou sim e pelo visto você também. — Ela sorriu e então me senti paralisada, ela era linda, era ruiva também (Esbarrar com uma brasileira ruiva), tinha cabelos ruivos até a cintura, olhos castanhos escuros, sarda, sorriso branco e lindo, ela era como o outono, perfeito, ela parecia um anjo.
— Você é perfeita.
— Ah... obrigada. — Ela riu sem graça e então percebi o que falei.
— Ai minha nossa, me desculpe, nem te conheço e já falo isso, era para ter ficado em minha mente, droga.
— Tudo bem, eu sou a Clarisse Chermont.
— Eu sou a... — Por um momento tudo em minha volta parou, era ela, era minha Tia, eu imaginava uma senhora, mas era ela da melhor forma possível, eu queria bater nela, mas queria abraçar por não ter me deixado lá. Fiquei em silêncio, até alguém me tirar do transe novamente.
— Senhora?
— Ah, Francisco, vim acompanhar vocês, mas me perdi e esbarrei com essa menina.
— Senhora, essa é Anne Chermont e essa atrás de mim é Morgana Martins.
— Espere, sabia, ela era tão familiar, como não reconheci? Você deve estar assustada, minha nossa, as duas são lindas, eu não sei o que dizer.
— Vamos? — Francisco foi nos levando até o carro enquanto Clarisse ia se desculpando por não ter me reconhecido, eu não sabia o que falar, mas abri a boca com a pergunta mais idiota:
— Você é minha Tia?
— Prazer, Clarisse Chermont, sua Tia.
— Te imaginava mais velha, com uns 50. — Levei um soco de Morgana e escutei a risada de Francisco.
— Francisco, não ria. — Ela brincou.
— Desculpe, Senhora.
— Não me chame de senhora.
— Desculpa, Clarisse.
— Melhorou. Bem, não, eu não tenho 50 e sim 35.
— Você parece ser mais nova.
— Obrigada.
Fomos conversando o caminho todo, ela me contou como era morar em Paris e como era ser uma grande escritora famosa, agora eu sei de onde eu a conhecia, ela era uma escritora famosa, devo ter lido o nome em alguma livraria, mas ainda tinha alguma coisa que me incomodava nela, não sei o que é, mas eu iria descobrir, não era nada de ruim, mas precisava saber.
Com o tempo Morg entrou na conversa e perguntou várias coisas sobre ela ser escritora, parece que as duas acabaram se animando e conversando o caminho todo, enquanto eu ficava quieta acompanhando o caminho encarando a janela, a vista era linda, mesmo de noite, era um lugar maravilhoso, abri a janela e comecei a sentir o vento frio, parece que eu ia gostar e odiar esse lugar e que ele iria mudar a minha vida inteira, não só a minha como a de Morg, apenas não sei se mudara nossas vidas para o bem ou para o mal, só espero que eu demore a descobrir e aproveite o inverno daqui.
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