Anjos Negros

2 Uma espada de presente de despedida


–--Sejam bem-vindos--disse Drako-- minha humilde forja. Soube que irão ao inferno, então pensei em forjar uma espada para proteger vocês nessa jornada.

–--E o que você quer em troca?-- perguntei me sentindo ignorante-- você não iria me dar algo sem pedir nada em troca.

Ele me encarou parecendo ofendido, depois olhou para as forjas e então suspirou.

–--Minha filha, Vena ---disse-- Também quer ir nessa jornada. Então peço para que leve ela com você. Sei que precisara de reforços e ela é uma boa lutadora.

–--Isso?--perguntei-- tudo bem, iria precisar de bons guerreiros mesmo.

Ele sorriu e pareceu aliviado.

–--Bom, obrigado--- agradeceu--Vamos ver as suas armas.

Ele andou em direção a um homem alto, parecia ter feito academia desde que nasceu. Ele estava forjando uma espada vermelha, de aparência estranha. Era larga porem, tinha espinhos na lamina, ela parecia brilhar com um brilho maligno. No cabo, mostravam a imagem do selo dos anjos, uma asa aberta, o que indicava que pertencia aos anjos negros.

–--Essa é sua Herur-- disse ele pegando a espada e entregando a meu irmão--- é forjada com o sangue de um demônio.É indestrutível e suporta temperaturas acima de duzentos graus e de a baixo de de quinhentos graus negativos.

Meu irmão pegou a espada e sorriu, pela primeira vez eu me senti bem por meu irmão sorrir. Drako andou em direção a outro cara também robusto. Ele estava forjando outra espada, era cinza-azulado, larga igual a do meu irmão, porem o cabo era uma asa de anjo. Brilhava com uma intensa cor azul claro.

–---- Ah, essa é minha preferida--disse ele com gosto-- é feita de metal infernal com um fio de prata celestial e esfriada com o sangue de um anjo puro.

Peguei ela nas mãos, não era pesada mas , também não era leve demais.A energia que nela rondeava, me nutria com força e me deixava cada vez com mais vontade de batalhar.

–--Agora bons amigos--- disse ele enfim-- vocês te que ir, já esta amanhecendo e é a melhor hora para se entra no inferno. Vena, filha, venha aqui ,eles já estão saindo e permitiram que você vá com eles.

Da porta a direita da forja, uma menina apareceu,tinha asas cinza-neve, era alta e com rosto gentil e bonito. Seus cabelos castanhos eram longos e cacheados. Seu corpo era repleto de tatuagens de linhas azuis, que iam desde o rosto até os pés e marcavam a pele alva e realçavam os olhos violetas.

–--Quais seus dons menina--perguntei.

A garota falou:

– Eu pratico telocinese, que é o ato de mover coisas com a mente e criar escudos invisíveis. Sou quase um espírito, embora tenha corpo, por isso posso ficar invisível e atravessar paredes, o que é bem necessário no meu trabalho, pois sou um anjo protetor e guerreiro. – Ela fez uma pausa na apresentação e vistoriou Draco e Icaros – Sou forte e bem rápida para voar. Na hora da briga ou de exercer meu dever de proteção, viro uma psicopata. – Ela sorriu – Não tenho problema nenhum com sangue. Minhas lágrimas curam qualquer coisa e deixam as pessoas fortes.

–--Parece forte---admiti--- vamos não temos muito tempo.

Me dirigi para a saída e eles me seguirão. Abri as asas, pareciam bem, nenhum machucado ou queimadura. Me preparei e alcei voo. Meu irmão alçou logo depois, e por ultimo veio Vena.

–--Pra onde vamos?--perguntou Vena.

–-- Para Boca del Diablo--respondi sem nem olhar para traz.

A espada nas minhas costas estava gelada, me fazendo perder altitude de vez em quando. Mas não levamos nem dez minutos para chegar ao local. Anjos voam na velocidade da luz.

–--Pensei que fosso apenas o nome de um lugar--- criticou Vena.

–-- É a entrada para o inferno também---disse eu-- A entrada mais rápida para la.

Olhei para a parede de pedra, não havia nada de mais nela. Então olhei direito e palavras apareceram.

–--Aperi inferni--Pronunciei.

A pedra se rachou e uma passagem apareceu, um buraco escuro e gélido.

–--Que língua é essa?--perguntou vena perplexa.

–---Latim--respondeu Herur.

Andei em direção ao buraco e entrei na escuridão fria e úmida do inferno.