Anjos E Demônios

7 Capítulo VI


Notas iniciais
Mas olha só, quem está vivo sempre aparece, não é mesmo?

Siiim, eu sei que demorei, mas aconteceram um monte de coisas. Eu fiquei doente (de volta), me mudei de quarto no pensionato, tive um Matsuri para ir, viajei de volta para casa, minha avó está doente e eu tive um bloqueio mental giganteeeeeeeeeesco para escrever esse capítulo :c

Lamento muito a demora, minna ç-ç Mas agora sim as coisas estão começando a ficar interessantes 8D E como agora estou de férias -e em casa, ou seja, sem nada pra fazer- eu vou postar o outro rapidinho PROMETO u.u

Algumas coisas que eu queria falar pra vocês:

-Eu escrevi a minha primeira oneshot! É sobre Ao No Exorcist e eu adoraria receber críticas sobre como ela ficou. Tentei fazê-la fofa, mas incrivelmente parece ser mais difícil do que escrever Anjos e Demônios XD A fanfic se chama 'Cravos' :3 Desculpem o momento de propaganda, mas eu realmente queria saber o que eu preciso melhorar e o que está bom *esconde os planos de milhares de oneshots de FT*

-Agradecimentos super especiais à Novata_Love e leadensky que recomendaram a fanfic *~*Obrigada mesmo gente! ~♥

-Quero dizer um mega obrigada à fofa da Hell-chan (Helscy), que fez um desenho divo³ inspirado em Anjos e Demônios *~* Olha só que lindo gente: ( http://25.media.tumblr.com/tumblr_m6nv5gbHVn1qkx5qyo1_400.jpg )

-Obrigada à Novata_Love, CatarinaFairyTail4ever, leadensky, Mistsukis2, Thatalo, Nenyh, Eruka Frog, Biia, shun-205, Bubs, Alannadijey, Helscy, titaniaerza, Sakura Mandey e Aleyna pelos comentários *~* Vocês são maravilhosos gente!

Bom, enfim, já enrolei demais, enrolo mais nas notas finais hahaha

Sinceramente não sei se esse capítulo ficou ao nível dos outros da fanfic, e eu tive um bocado de dificuldade com ele. E o escrevi direto no computador, não sei porque, mas parece que travei ao lápis e papel de volta.

Como prometido, começando com o GaLe e a chegada mais uma personagem importantíssima para a fanfic :3

Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo VI


O cheiro de sangue pairava no ar.

Os gritos de dor e desespero enchiam a sala.

O ser humano preso à mesa fria de metal apenas desejava que aquilo acabasse.

Mas ele sabia,no fundo, que não acabaria.

O Demônio ao seu lado o olhava divertido, o sorriso sádico nos lábios, os piercings de metal reluzindo à luz fraca presa ao teto.

–Eu acho que seu fígado iria ficar muito mais bonito com alguns metais presos nele, você não acha?-o demônio de longos e rebeldes cabelos negros perguntou, uma falsa inocência que não combinava com o tom de voz naturalmente maldoso. Nem com os olhos vermelhos que brilhavam como o sangue que pingava da mesa para o chão.

O humano apenas chorou mais alto, sabendo que não morreria, mesmo depois de horas ali, com o tórax aberto e vazando sangue para fora.

Afinal, esta era sua punição.

O Inferno não é chamado de Inferno à toa, afinal.

Gajeel mexia lentamente nas ferramentas metálicas que usava para torturar o humano, e cometeu o erro de olhar em seus olhos antes de recomeçar com tudo.

Castanhos.

Grandes.

Receosos.

Assustados.

Chorosos.

E apenas um sussurro com uma voz embolada de choro.

“Por favor, pare.”

E ele se lembrou.

O Demônio rosnou, se afastando do humano, para depois sair da sala em passos largos, enquanto algum outro Demônio menor continuava a tortura em seu lugar.

Caminhou rapidamente, até chegar em seu quarto, completamente negro e com decorações metálicas.

Parou diante do espelho no banheiro, vendo seu próprio reflexo com a roupa manchada de vermelho. Ele tremia, e havia uma fina cama de suor sobre sua pele. O calor estava ficando insuportável, assim como tudo o que sentia. Rasgou a blusa, os músculos fortes e definidos ficando a mostra.

Respirou fundo, tentando conter os instintos fortíssimos dentro de si.

Seu pai também era um dragão, e isso o fazia sofrer as mesmas coisas que Natsu sofria. Todo o poder imenso, as asas, os dentes afiados, o corpo naturalmente musculoso, os sentidos apurados, as regras de acasalamento...Tudo.

Apenas dois fatos o diferenciavam do rosado.

O primeiro, seu domínio não era o fogo e sim o metal. Uma diferença um tanto quanto básica, e Natsu não podia fazer surgirem escamas de metal sobre seu corpo.

Mas a outra era pior.

Uma coisa que tornava os dois Dragões tão diferentes quanto água e óleo.

Natsu ainda não tinha achado a sua parceira perfeita.

Gajeel já.

E sofria à mais de um ano na luta contra algo que não era racional.

Aliás, racional era a última coisa que se poderia falar sobre isso.

Ele era um Dragão Demônio. Torturava almas humanas nas horas vagas, e trabalhava em tempo integral em prol da maldade.

Porque, em todas as sete bilhões de pessoas que existiam na Terra, ele tinha que ter escolhido justamente ela?

No fundo, bem no fundo de sua alma negra e prata, ele sabia que fazia todo o sentido do mundo.

Apenas não poderia aceitar.

Gajeel já havia ferido sua própria companheira, sem saber que ela se tornaria algo tão substancial em sua vida.

Provavelmente, ele só descobrira que Levy McGarden era sua parceira perfeita depois que a atacou.

Naquele dia, os olhos castanhos inteligentes o fizeram desistir de matá-la, sem saber direito o porque.

“P-por favor, pare.”

Ele apenas a deixou lá, jogada e sangrando em um dos becos da cidade, com outros dois descendentes de anjos desacordados com a quantidade de golpes que o moreno os dera.

Apenas entendeu o furacão de emoções que sentira duas semanas depois, quando a azulada voltou ao colégio, sendo seguida de perto pelos olhares protetores de Jellal.

Os olhos dela cruzaram os seus somente uma vez naquele retorno.

E tudo que ele viu foi medo.

No mesmo instante sentiu seu estômago despencar, os batimentos cardíacos caírem, um arrepio correr sua coluna, suas mãos formigarem de vontade abraçá-la e sua garganta ardia na vontade insana de gritar gritar para o mundo e principalmente para ela que nunca mais deixaria nada a machucar.

Mas sabia, que antes de tudo, deveria protegê-la de si mesmo.

Gajeel sabia que, no instante que o dragão dentro de si havia escolhido Levy, não haveria retorno.

E que também não haveria situação mais perigosa para a pequena do que esta que ele havia acabado de colocá-la, mesmo sem ela saber e ele querer.

Os perigos que ela corria por ser sua companheira eram praticamente inevitáveis.

Por isso ele manteve segredo de todos.

Ninguém precisava saber que um dos cinco mais poderosos Demônios do Inferno não vivera se acontecesse algo à aquela pequena garota apaixonada por livros.

Pensar em Levy sempre o fazia lembrar do cheiro que ela exalava.

Era uma mistura sutil de flores de laranjeiras, papel e uma pitada suave de alfazema.

Tão delicado quanto a própria garota.

Levy era inteira delicada na verdade. Extremamente feminina.

Tinha traços suaves no rosto, uma curva sutil nas sobrancelhas, os olhos castanho escuros inteligentes e expressivos. Os cabelos azuis curtos e bem repicados ajudavam a descendente a não parecer tão pequena. O pescoço alvo e os ombros – constantemente nus quando ela não usava uniforme- eram uma mistura de sensualidade e inocência.

Os seios não eram grandes, mas não era como se a azulada fosse completamente 'reta'. Eles eram apenas mais discretos, combinando com a cintura curva e fina, que destacava seus quadris largos.

As coxas eram proporcionalmente desenvolvidas e as calças justas não escondiam como elas eram torneadas. Talvez de tanto ela subir e descer as escadas da biblioteca, pensou o moreno, com um pequeno sorriso nos lábios sem perceber.

Levy inteira conspirava para Gajeel perder seu controle.

Inferno, ela era sua companheira perfeita!

Como ele poderia ao menos imaginar que teria algum controle quando o assunto era ela?

Mas, de alguma maneira inimaginável, ele tinha.

Por um ano, tinha segurado a si mesmo, cada vez que sentia o perfume dela no ar, ou via de relance os cabelos azuis balançando no vento.

No começo tinha até desprezado o que sentia, e se forçava a fazer todas as coisas que sempre fez durante todos os séculos que viveu.

Torturava, matava e transava de maneira quase desenfreada como de costume.

Mas aos poucos, não conseguia mais fazer tais coisas.

A presença da azulada se tornava cada vez mais forte em seu subconsciente. E em seus pensamentos.

Mesmo sem ter o mínimo contato com o Demônio era incrível como Levy conseguira mudá-lo tão drasticamente em tão pouco tempo.

As poucas vezes que tentava sair daquele pântano de sentimentos borbulhantes, como hoje torturando aquele humano, ele acabava pior do que começava.

E ele sentia que estava ficando louco por não poder fazer o seu instinto mais primordial lhe ordenava.

Queria estar com Levy.

De todas as maneiras possíveis e imagináveis.

Queria ver seu sorriso em todas as oportunidades.

Queria observá-la lendo um livro, os olhos escuros perdidos no mundo das letras.

Queria brincar com os fios azuis e sentir a pele suave de seu pescoço.

Queria vê-la adormecer e acordar todos os dias, se certificando de que nada aconteceria com a pequena durante seu sono.

Queria saber tudo o podia sobre ela, cada segredo, cada mania, cada gosto, cada medida, cada centímetro de sua pele branca.

Mas, acima de tudo, queria que ela se sentisse da mesma forma que ele se sentia.

Quando ergueu os olhos vermelhos para o espelho, notou sua forma.

Grunhiu, vendo como sua pele se transformara e ficara coberta por pequenas escamas de metal brilhantes, os caninos mais visíveis, as unhas cresceram e viraram garras. Os olhos ficaram mais finos e se estreitaram, as orelhas ficando mais pontudas, o cabelo negro contrastando com o prata dominante.

Grandes asas haviam brotado de suas costas, o topo roçando no teto do quarto. Ele era extremamente alto, suas asas tinham que ter o tamanho proporcional para aguentar seu peso durante o voo. Elas pareciam estranhamente robóticas, provavelmente graças ao metal prodominante.

Apenas de pensar em Levy o fizera se descontrolar e voltar a sua forma mais primitiva, mais próxima a um verdadeiro Dragão.

Respirou fundo várias vezes, sentindo a pele voltar a ter a cor bronzeada à mostra, as asas voltarem para dentro da pele, restando duas grandes cicatrizes em suas costas. Estas eram acompanhadas por piercings, sempre em pares, um de cada lado das marcas brancas.

Mais calmo, ele abriu os olhos, vendo seu reflexo normal no espelho. A mente ainda estava na garota de cabelos azuis, e ele soube que havia chegado mais uma vez ao seu limite.

Falou algumas palavras em um tom de voz baixo e o espelho brilhou com a magia, se tornando uma passagem.

Entrando no seu quarto na terra, Gajeel rapidamente saiu da grande casa que dividia com os outros Demônios, sabendo que ninguém se incomodaria com sua saída. Estava fechando a porta da casa quando notou Lisanna parada de costas, olhando para o jardim, parecendo extremamente impaciente.

Ele ergueu uma sobrancelha com a garota, estranhando seu comportamento. Ela odiava ficar perto de qualquer contato com a natureza, o que diabos estava fazendo aqui fora?

Ouviu-a bufar com raiva e virar o corpo para voltar à casa, nem olhando para o moreno que a encarava com certa curiosidade.

Provavelmente fora apenas Natsu que tinha a rejeitado de volta e ela ficara irritada com isso.

Começou a andar rapidamente pelo grande bosque que cercava a mansão, sem se importar com os chiados que os pequenos demônios moradores do lugar faziam quando ele passava.

Não pensava muito aonde iria, de tanto fazer aquele caminho, ele já o sabia de cor e seu corpo ia automaticamente para lá.

Parou em frente a uma casa clássica com um tom verde claro, com portas e janelas brancas o quintal bem cuidado com várias flores.

Silencioso como um Demônio, ele pulou para o telhado sem esforço. Andou até a parte que ficava do lado contrário da rua, e franziu o cenho, irritado com o viu.

Uma das janelas –o seu destino- estava aberta, e ele viu um pequeno pequeno demônio se esgueirando para dentro da casa.

Era um Goblin, um dos menores demônios da regência da terra. Pareciam bolas verdes com pernas e braços tortos e magros. Olhos amarelos e grandes, mas uma boca maior ainda, com dentes amarelados e podres. Perfeitos para causar pequenas travessuras e 'mortes acidentais'.

Gajeel mordeu a língua para não rosnar, dando passos largos até o ser, pegando-o pelo cangote e impedindo-o de entrar no cômodo.

Os olhos vermelhos encaravam os amarelos do demônio, que fora atraído naturalmente para o local graças à aura branca e azul claro que a dona do quarto exalava. Afinal, Demônios possuem instintos naturais de querer exterminar toda energia positiva existente.

O Dragão mostrou os dentes pontiagudos para o Goblin, que se encolheu e soltou um grunhido alto de surpresa quando o moreno o jogou pelos ares, com força, apenas pensando em tirá-lo de perto daquela casa.

Mas infelizmente, graças à janela aberta e ao fato de que a cama de uma garota estava do lado da janela, a mesma acordou com o barulho do pequeno demônio, se sentando assustada na cama.

Gajeel mordeu o lábio, mais irritado ainda com aquele demoniozinho desprezível ter a acordado. Se encostou na parede, ao lado da janela, ouvindo perfeitamente como Levy se levantara, os movimentos cautelosos.

A azulada olhou o quarto todo e depois olhou para a janela escancarada, devido ao calor. Se moveu e olhou para o céu estrelado e depois para o jardim, não encontrando nada diferente ou fora do lugar.

Apoiou os braços na janela, olhando encantada a quantidade de pontos brilhantes no céu. Sorriu ternamente com a serenidade que a envolvia.

Levy geralmente tinha medo do escuro, e não gostava de acordar à noite.

Pela primeira vez, não ficou com medo.

Passou quase meia hora ali, debruçada na janela, observando a paisagem e sentindo a brisa refrescante que passava ali.

Gajeel tinha a respiração presa, com medo de fazer algum barulho e fazer a azulada notar que ele estava ali, encostado na parede da casa dela, a menos de meio metro de si, os olhos vermelhos fixos na sua figura pequena.

Naquela noite, Levy se sentiu estranhamente segura.

Talvez seu medo pelo escuro tivesse em fim sumindo, pensou, antes de voltar para a cama e cair no sono rapidamente.

O Demônio que havia vindo ver sua pequena em mais uma visita noturna secreta suspirou aliviado ao ouvir sua respiração ficar rítmica, indicando que ela havia enfim dormido.

Olhou para as estrelas que a garota estava admirando antes de olhar novamente para Levy, deitada confortavelmente em sua cama, parecendo ainda mais linda naquela noite clara.

Se permitiu sorrir levemente para a garota que dormia antes de ir embora.

Só por precaução, ele afugentou todos os pequenos demônios que encontrou nas redondezas.

Levy merecia pelo menos ter um sono tranquilo.

–x-

Lucy olhava distraidamente seu suco, mexendo no canudo com os dedos brancos. Estava no intervalo das aulas, e ela era a única quieta na mesa. Todos os Anjos e Descendentes pareciam muito bem humorados hoje. Tudo bem, ela também estava, afinal Loki e Jellal já sabiam que ela era uma Anja, mas isso não facilitou sua vida tanto quanto ela esperava.

Gabriel realmente iria fazer de tudo para dificultar seu convívio na Terra.


–Então, anjinha.- Loki falou, jogado no sofá, enquanto a loira estava ao seu lado, e o olhava atenta. Eles haviam resolvido começar todo o treinamento com uma bela conversa sobre toda a situação dentro e fora do colégio- Já deve saber que existem Demônios entre nós não?


Lucy acenou um 'sim'.

–Só não sei quem é.

O ruivo a olhou meio espantado. Ela estava -literalmente- sentada entro cinco Demônios, pelo que Jellal lhe falara. E tinha uma percepção incrível, como não havia descoberto?

–Então você não sabe que -Loki parou, sentindo sua língua ficar repentinamente presa ao seu céu da boca, o impedindo de falar.

Lucy franziu as sobrancelhas com as caretas que Loki estava fazendo.

–...Loki?

–Gabriel, seu viado.-ele resmungou, finalmente sentindo a língua solta. Ele olhou para a loira, que estava segurando o riso com o que ele falara.-Desculpe, Lucy. Parece que eu não posso lhe passar qualquer informação sobre os Demônios no colégio.

A Anja piscou.

–Por isso estava chamando Gabriel de viado?-ela riu levemente.-Eu nunca achei que ele fosse facilitar a minha vinda para cá, mas também não esperava que ele fizesse tudo isso para dificultar.

Loki conhecia o Arcanjo, e duvidava que qualquer outro meio de tentar avisar Lucy sobre os Demônios daria certo. Aquele Anjo conseguia ser bem irritante quando queria.

Loki suspirou.

–Você tem alguma mínima ideia de quem pode ser?- a única solução era deixá-la descobrir sozinha.

A loira parou quieta um instante, pensando.

–Eu acho que deve ser alguém sentado próximo a mim, mas não sei dizer quem. A aura negra parece vir de todos os lados.-suspirou, meio desanimada.

O ruivo colocou uma mão no ombro dela, e sorriu.

–Não tem problema. Você ainda vai treinar conosco, anjinha.- ele piscou, e novamente Lucy se lembrou do Arcanjo, e como ele e Loki eram parecidos.

–E como eu faço isso?-ela respondeu o sorriso.

–Vamos ter que trabalhar a solidificação das suas ondas de alma. Basicamente, é assim que Anjos lutam. Uma boa quantidade de energia positiva pode fazer um estrago dentro de seres naturalmente malignos.-ele fez uma pausa, os olhos brilhando- Seus padrinhos me disseram que você fez uma coisa parecida em um gato, verdade?

–Era um Exceed na verdade. Ele estava morrendo, só segui meu instinto de Reconciliação.-ela murmurou baixinho, sentindo uma saudade forte a invadir. Aquela bolinha de pelos azuis realmente a tinha conquistado.

Loki assentiu.

–Pode me mostrar o que fez?

–Vou tentar.-a loira fechou os olhos, e respirou fundo.

Abriu a mão, deixando a palma virada para cima. Tentou ao máximo se lembrar o que fizera noite passada, mas pouca coisa lhe vinha à mente.

–Já é um começo.- Lucy ouviu a voz de Loki e abriu os olhos, vendo uma esfera amarela do tamanho de uma bola de gude tremeluzindo à alguns centímetros de sua pele.

Liberou a magia, se sentindo subitamente fraca e tonta. Se não estivesse sentada provavelmente taria caído.

A mão quente do Anjo segurou a sua e ele a apertou suavemente, indicando que estava ali caso ela desmaiasse.

–D-desculpe...-a loira murmurou baixinho- Acho que não sou boa nisso.

O ruivo riu, e puxou-a contra seu peito, a abraçando.

–Eu passei dois dias desmaiado depois de fazer o que você acabou de fazer. Não se cobre tanto, isso é puramente prática.- passava os dedos no cabelo dourado, e ouviu sua respiração ir aos poucos se acalmando.-Estou feliz que tenha descido.

–Eu também.

Os dois sorriram, curtindo o abraço em silêncio.

–Poxa, se eu soubesse que vocês iam ficar assim eu nem tinha ido tomar banho!.-reclamou um Jellal ainda com os cabelos azuis meio úmidos, vestindo uma calça cinza de moletom e uma regata preta que realçava os ombros largos.

A loira riu, já menos tonta.

–Como se nós fossemos abraçar alguém que cheirava cachorro molhado.-ela brincou, e Loki gargalhou gostosamente ao seu lado.

O azulado fez uma careta, se sentando do outro lado da Anja.

–Era cachorro podre na verdade, então eu tinha chances.- ele piscou, e acompanhou a risada dos outros anjos.

Era incrível como a aura de Lucy fazia efeito até mesmo sobre eles, que eram anjos.

Tudo parecia ficar mais simples quando a loira estava por perto.

Loki olhou para Jellal e o azulado devolveu o olhar. Já haviam lutado tantas vezes juntos que apenas um olhar era suficiente para saberem o que outro pensava.

–Quem quer pizza?


Apesar de tudo isso, ela ainda se sentia completamente incomodada.


O fato de Loki falar em 'Demônios', no plural, a assustava muito.

Será que haviam mais de um ali no meio?

E porque ela não conseguia identificá-los?

Para a loira, todos aqueles que tinham potencial para serem demônios -devido à suas auras escuras- se encaixavam perfeitamente na categoria de “Humanos-totalmente-desesperados-por-ajuda” e não em “Demônios-sedentos-de-sangue-que-querem-te-matar”.

Suspirou, olhando de relance para o grupo de pessoas que estavam em sua mente.

Não conseguia não se preocupar com eles. Principalmente com o Dragneel.

Mesmo depois do que acontecera no quintal de Natsu, ela ainda se segurava cada vez que o via, querendo, necessitando saber se ele estava bem.

Tudo bem que no final, quem faltara aula por dois dias havia sido a Anja, mas seu instinto era extremamente forte em relação ao garoto.

Seu coração se apertava estranhamente ao ver seus olhos escuros brilhando com a malícia e a maldade clara.

Ele ficava tão mais lindo com os olhos verdes.

Irresistivelmente lindo.

E a pele dele era tão quente...

–Lucy?

Acordando de seus pensamentos, a loira corou em vários tons de vermelho ao ver Loki a encarando curioso.

Envergonhada por não ter prestado atenção à sua volta, mas principalmente por não conseguir esquecer dos poucos minutos que passara sozinha com o Dragneel.

–Eu?-sorriu docemente para o ruivo, que se sentou do seu lado e a puxou pelos ombros contra seu peito, a abraçando como havia se tornando costume.

Lucy aos poucos se acostumava com o jeito carinhoso do Anjo, no fundo bem satisfeita que ele não a abraçava da mesma maneira que abraçava todas as meninas do colégio. Talvez com a exceção de Levy, Laki e Cana.

Se bem que ele e a Alberona viviam trocando flertes, mas tudo na brincadeira.

No fundo daquele mulherengo incorrigível, a loira sabia que havia um homem pronto pra amar uma mulher de todas as formas que ela merecia.

Só faltava ele encontrar essa mulher.

Ela ainda observava o rosto do Anjo perdida nesses pensamentos quando ele se virou, e olhou nos olhos dela.

–Eu sou lindo, já sei.- ele brincou, com um pequeno sorriso nos lábios.

A loira riu.

–Baka. -respondeu, sabendo perfeitamente que tinha achado seu irmão mais velho perdido no mundo.

Os lábios dele tocaram suavemente sua bochecha, e ele se afastou, vendo a reação da garota. Não queria deixá-la sem graça ou qualquer coisa neste sentindo. Apenas a afeição que sentia era tão grande que ele tinha que demonstrar de alguma maneira.

Lucy sorriu e se inclinou, beijando a bochecha dele em troca.

A afeição era mútua.

–x-

Do outro lado do refeitório, um garoto adolescente de cabelos rosas tinha os punhos fechados, os nós dos dedos brancos de tanta força.

Aquela garota tinha faltado dois dias de aula e agora voltava praticamente exalando o cheiro de dois anjos, principalmente de Loki.

O cheiro doce de baunilha, mel e sakuras estava intrinsecamente misturado com o odor amadeirado dos homens.

O que diabos tudo aquilo significava?

Aquele anjo sempre se metia com as humanas, mas ao vê-lo abraçando Lucy praticamente todo o tempo fez o sangue quente do Dragão ferver.

Ele a tinha conseguido, era isso?

Natsu conseguia sentir o aroma dele até mesmo através das roupas da garota.

Ele grunhiu baixinho, e Gajeel o olhou de canto de olho, sendo o único que ouvira a reclamação do rosado.

Mas quando viu o Anjo beijar a bochecha da loira, foi impossível se manter neutro.

A madeira do banco onde ele estava sentado se quebrou com a força aplicada sobre o mesmo o punho do Demônios cercado com pequenas chamas sobre ele.

Fazia muito tempo que ele não se descontrolava assim, pensou, quando conseguiu respirar fundo e manter seu fogo dentro de si.

Suas mãos tremiam com o esforço e ele tinha uma fina cama de suor sobre o corpo, devido ao puro esforço de não explodir em chamas e destruir metade da estrutura do colégio.

Graças ao barulho normal do aglomerado de alunos e o fato de estar sentado bem no canto, o tornando pouco visível, ninguém notou o pequeno descontrole do garoto.

Natsu não percebeu que quando se ergueu repentinamente do seu lugar e saiu do refeitório, dois pares de olhos o observavam.

Um deles eram vermelhos, e o Dragão de Metal o encarava com certa cumplicidade.

Os outros eram grandes olhos castanhos, lotados de preocupação.

A mente de Natsu se focava apenas em uma coisa para não sair arrastando a dona dos olhos castanhos consigo para fora daquele lugar — e longe do Anjo ruivo.

Ele não sentia o cheiro da essência de Loki dentro dela.

–x-

Lucy sorriu para Levy que se sentou em seu lugar, antes de continuar andando até o final da sala para seu próprio assento.

Olhou rapidamente para Lisanna, que parecia irada desde o início das aulas. Os olhos azuis lhe fuzilavam, mas incrivelmente, a Anja não se incomodava mais. Estava se acostumando aquela aura densa de energia negativa em volta de si.

Fazia questão que em cada momento que a albina lhe encarava, lhe dirigia o seu sorriso mais doce de compreensão.

Moveu os olhos castanhos para o garoto sentado atrás dela, e numa constatação rápida, viu a pele bronzeada de suas mãos com um tom vermelho, como se estivessem queimadas.

Seu coração acelerou e seu instinto gritou para que ela fosse cuidar dele imediatamente.

Ela suspirou antes de se sentar, a curiosidade borbulhando dentro de si para saber o que tinha acontecido. Havia sido por isso que ele saíra daquela maneira do refeitório?

Mas antes que pudesse reunir coragem para perguntar o que havia acontecido, a professora chamou a atenção da classe, que ficou em silêncio.

–Devido à alguns problemas com o voo, uma das nossas novas alunas não pode vir nos primeiros dias.- a professora sorriu e a porta se abriu- Mas ela está aqui agora, espero que a tratem bem.

A garota que havia entrado na sala tinha cabelos azuis, uma cor bem viva. As pontas eram enroladas para fora, e o rosto tinha traços delicados que combinavam perfeitamente com a pele de porcelana dela. Os olhos estavam fechados, e os cílios negros curvos e grandes s destacavam, como as sobrancelhas levemente arqueadas.

Usava o uniforme do colégio como era a regra, mas a camisa branca estava mais aberta que o normal, expondo o colo e os seios de uma maneira um tanto quanto provocante. A saia era um pouco mais curta, expondo a pele extremamente branca e uma tatuagem em tinta azul na coxa esquerda. As meias impecavelmente brancas e o sapato tipo boneca preto, e uma mochila azul e branca em um dos ombros.

–Sou Juvia Loxar.- ela abriu os olhos, de um azul profundo intenso. Tinham um ar doce, assim como toda a sua figura, mas junto com ele um brilho extremamente astuto e provocativo, que combinava com seu corpo curvilíneo, seu decote e sua saia mais curta. Ela sorriu, um misto estranho de presunção e meiguice. -É um prazer finalmente conhecê-los.

Pela primeira vez, Natsu e Lucy reagiram exatamente do mesmo jeito e no mesmo instante.

Os dois franziram as sobrancelhas em total confusão ao verem a aura da azulada.

Um mistura perfeita entre o branco e o preto era intercalada pelo azul vívido. Ela exalava tanto ondas negativas quando ondas positivas ao seu redor, e nem a Anja e nem o Demônio sabia como reagir à sua presença.

A garota nova obedeceu quando a professora a instruiu para se sentar na frente da Srta. Heartfilia, e Lucy não pode deixar de sorrir quando ela veio em sua direção.

Juvia respondeu o sorriso, e olhou para os outros alunos que também se sentavam no fundo. Um moreno de olhos escuros chamou sua atenção.

Gray piscou para ela -do mesmo jeito que fizera com Lucy em seu primeiro dia.

A azulada abriu mais o sorriso e seu olhos brilharam, perigosos.

Devolveu a piscadela, antes de mudar totalmente a expressão e olhar docemente para a loira, sorrindo inocente à sua saudação de boas vindas.

O Demônio moreno conteve uma risada baixa ao notar a mudança brusca da garota nova.

E, mesmo com Natsu e Lucy observando cada movimento da azulada, apenas ele notara como ela se transformara em milésimos de segundos.

Apenas ele vira a prova de como a água era maleável.


Notas finais
Hihi, Juvia-chan chegando na fanfic *~*

Sinto que vão chover pedras dos fãs de NaLu sobre mim (e sinceramente eu também estou sentindo falta deles), mas eu já falei e vou repetir. Essa fanfic é looooonga. NADA vai se resolver fácil. Principalmente os casais *o*'

Enfim, eu criei uma conta no Hanashi!*~* Quem quiser adicionar a Fooxy lá, por favor :3 Adoraria ter um contanto maior com otakus!*-*

Qualquer erro, dúvida, crítica, elogio, reclamações, tédio, fome, frio, solidão, e ideias, por favor, comentem :3 Eu realmente adoro³ conversar! [Trauma de filha única, é]

Obrigada por lerem :3

Ja Ne~