Anjos E Demônios
2 Capítulo I
Notas iniciais
Resolvi adiantar um pouqinho, já que tenho simulado no final de semana e ta-dã!
Aqui está o primeiro capítulo, e diferente do prólogo, está do tamanho 'normal'. É, deu praticamente 4500 palavras, e eu ainda achei meio curto. Gosto de escrever as coisas bem detalhadas, entãão...
Esse capítulo está mais o estilo da fanfic, que não tem nada a ver com a calma do prólogo e nem com a capa. Mas o nível ainda vai abaixar, e muito (se eu conseguir escrever). Se você não gosta, não leia.
Gostaria de agradecer á CatarinaFairyTail4ever, Lady Luly, e Thatalo pelos comentários! Vocês me incentivaram a continuar, obrigada!
Capítulo I
Se passara uma semana desde que a anja loira chegara à Terra. Encontrou documentos, dinheiro e mapas na bolsa, exatamente como o arcanjo Gabriel havia lhe falado.
Seguindo um mapa, chegou ao que seria seu lar, num bairro residencial tranquilo da cidade.
Uma casa branca de dois andares com aparência acolhedora esperava por ela, com as chaves embaixo do tapete. O lugar tinha o tamanho ideal para uma pessoa morar sozinha, e a loira gostou bastante da decoração delicada que ornamentava os ambientes.
A sala de estar era ligeiramente grande, equipada com equipamentos eletrônicos que ela teria que aprender a mexer; sofás macios e uma grande estante repleta de filmes. Uma lareira no canto, junto com a poltrona a sua frente parecia um lugar ótimo para um chocolate quente no inverno, com livro nas mãos.
A cozinha também era grande, e era junto com a sala de jantar. Lucy notou os armários cheios de mantimentos, assim como a geladeira, e em cima do balcão; uma pequena pilha dos manuais dos eletrodomésticos presentes ali junto com vários livros de recitas. A sala de jantar tinha uma mesa de madeira clara com seis lugares e uma cristaleira bonita, cujas pratarias e porcelanas estavam guardados impecáveis ali dentro.
Havia também um lavabo decorado com tons de azul-celeste e violeta; uma garagem com um carro prata aparentemente veloz, uma moto também prata e uma bicicleta rosa com cestinha. Gabriel realmente sabia como agradá-la. A loira sorriu se lembrando o quanto incomodara o Arcanjo porque queria aprender a andar de bicicleta.
Ainda sorrindo, continuou seu tour pela -agora sua- casa. Achou uma suíte decorada de maneira bastante impessoal, o que a fez imaginar que deveria ser o quarto de hóspedes. Andou mais um pouco e encontrou uma porta grande maneira, num tom ligeiramente mais escuro que o resto da decoração. Curiosa, abriu a mesma e arregalou os olhos com a visão.
Era uma biblioteca – a sua biblioteca particular. Seis estantes enormes que iam do chão ao teto estavam lotadas de livros, dos dois lados. No final do aposento, havia uma espécie de escritório com sala de estar. Uma escrivaninha espaçosa de mogno com vários tipos de papéis e cadernos ficava a alguns metros de outra lareira cercada por sofás verde-musgo. A sala emanava uma aura de inteligência e um convite mudo para se perder no conhecimento presente ali.
A região deveria ser fria, pensou a anja, por ter duas lareiras no mesmo andar. Ou talvez o Arcanjo Supremo soubesse que a temperatura corporal de anjos era ligeiramente menor que a dos humanos, e quisesse que a loira se sentisse bem morando ali.
Perdeu bastante tempo admirando os livros que agora eram seus. Sempre gostara de livros também, e na opinião de Lucy, foram a melhor coisa já invetada por humanos.
Seus olhos brilharam mais ainda quando descobriu uma pequena porta escondida na parede, revelando uma sala igualmente pequena, com estantes de vidros fechadas, o ambiente climatizado para preservas os livros antigos que estavam ali dentro. A obra de maior destaque era uma versão antiga da Bíblía, com mais de 500 anos.
Com certo esforço, moveu os pés para continuar descobrindo as aposentos. Subiu as escadas e encontrou um quarto bem grande, o seu quarto.
Ele era decorado em tons suaves e tinha um ar romântico que combinava perfeitamente com Lucy. A cama de casal era grande e parecia ser extremamente macia. Havia uma escrivaninha pequena, como para escrever coisas mais pessoas, coisa que o Arcanjo sabia que a loira adorava fazer. Uma das paredes estava coberta por prateleiras brancas, inteiramente vazias. Um sofá de dois lugares e uma poltrona estavam ali na frente, e um bilhete em cima da estante dizia “Os preferidos possuem preferência.” em uma letra curva e fina. Aquela estante estava destinada aos seus livros preferidos, e ela sorriu ainda mais com a frase, se lembrando que Gabriel falava isso para a mesma.
Ainda sorrindo, se jogou de costas na cama macia, olhando o teto com adesivos de estrelas que brilhavam no escuro.
Fechou os olhos, aproveitando a sensação de sentir seu coração batendo quente no peito daquele jeito tão...humano.
Aos poucos foi se acostumando com o modo de vida ali, buscando ajuda nos livros sobre como deveria agir perante aos humanos.
Conseguia já andar na rua sem aquela expressão boba de fascínio e incredulidade, mesmo que em seu íntimo ainda se surpreendia com a vida e as condições daquele mundo.
Descobriu que se chamaria Lucy Heartfilia, uma jovem de 16 anos. Ela riu internamente, nunca se imaginou tão nova. O tempo passa de forma diferente para seres sobrenaturais, e ela como anja, tinha quase 300 anos de idade e era extremamente jovem. Com 16 ela não seria mais que um bebezinho.
Iria estudar em um lugar chamado “Fairy Tail High School” e estava animada para as aulas começarem. Afinal, ela nunca havia ido para a escola antes
No final de tudo, em uma semana, a anja já estava completamente adaptada ao mundo terreno.
Lucy se esforçara ao máximo nesta semana para absorver todo tipo de informação que podia compensar por anos vivendo ali, naquele mundo. Deixou até de dormir, usando sua magia celestial para continuar acordada e descansada durante a noite para não perder tempo algum.
Receitas culinárias, filmes, músicas, fotos históricas, notícias, livros clássicos, fotos, vídeos, conhecimento popular, ditados, crenças, guerras, costumes, epidemias, contos, jornais, crônicas, lendas; tudo que aparecia, a loira absorvia, como uma esponja. Inclusive seus próprios dados falsos e sua história de vida.
Em um dos muitos papéis que Gabriel lhe entregara, estavam as ordens que ela deveria seguir ali na Terra. Deveria 'lutar' na escola que estudaria, que tinha a presença de Demônios; mas estava completamente proibida de fazer isto fisicamente. O Arcanjo fazia questão de lembrar-lhe em cada mínimo momento que ela não era como a maioria dos anjos que desciam ali, ela não era uma guerreira.
Descobriu que haviam verdadeiros anjos soldados nessa escola, mas não era para a loira revelar sua identidade para eles. Na verdade, estava proibida de fazer isto com qualquer pessoa. Se, por ventura, viesse a descobrir quem eram esses anjos, não poderia mostrar sinais de nenhuma maneira que ela sabia sobre suas verdadeiras identidades (afinal, eles também estavam disfarçados). Só poderia falar algo se eles descobrissem primeiro que ela era uma Anja.
Resumindo: o Arcanjo Gabriel estava dificultando a sua vida o pouco que era permitido. Provavelmente esperando que ela se amedrontasse e voltasse chorando para o Céu, querendo a proteção dos braços fortes do Supremo.
Coitado dele.
Lucy sabia ser bem teimosa quando queria.
Depois de todo esse intenso processo de adaptação e aprendizado, finalmente chegou o primeiro dia de aula.
A garota saiu de casa vestindo o uniforme, a saia azul-escura batendo no meio das coxas, a camisa branca de botões junto com a jaqueta do mesmo tom da saia, com botões e o brasão da escola em dourado. Nos pés a meia três quartos branca junto com o clássico sapato boneca preto. Nos ombros a mochila rosa clara com os livros e cadernos. E nas mãos um mapa da sua casa até o colégio, dado por Gabriel.
Mal andara 60 metros quando viu uma pequena garota de cabelos azuis curtos com uma faixa amarela sair de uma casa na mesma quadra que a sua, com o uniforme igual o seu.
Ela moveu os olhos na direção da loira, ainda na calçada de sua casa e reconheceu a roupa dela, sorrindo em seguida com simpatia.
Coincidentemente, quando a garota colocou os pés na calçada da rua, Lucy estava passado exatamente pelo seu lado, de modo que as duas andaram lado a lado sem querer.
–Oi, também indo para a Fairy Tail?-perguntou, sorrindo e olhando pra loira mais alta que ela.
–Ah, sim.- Lucy respondeu, mexendo a mão, fazendo referência ao mapa- Vou tentar pelo menos. -riu suavemente tentando agir de maneira natural perto daquele humana. Seu primeiro contato.
A garota acompanhou sua risada, o timbre suave e delicado como ela mesma era.
–Posso lhe mostrar o caminho se quiser. Estudo lá desde criança. -ela sorriu, solícita.
Lucy olhou dentro dos olhos castanho-escuros da garota, tentando descobrir o que seu instinto lhe dizia sobre ela.
Para a sua surpresa, o mesmo lhe enviou uma onde de carinho puro sobre a garota, e a reação que ele a mandava ter era abraçar a pequena de cabelos azuis e garantir que ela passaria o máximo de tempo possível ao seu lado. Sentiu a esfera de energia da alma dela, quase se surpreendendo ao sentir a mesma com um tom de bondade e inocência que era realmente raro entre seres humanos naqueles dias.
–Eu iria adorar.- respondeu a loira, mostrando a azulada seu melhor sorriso- Sou Lucy Heartfilia.
–E eu sou Levy McGarden.- a pequena sorriu, e em vez que apertar a mão estendida pela loira, enganchou seu braço no dela, como se fossem velhas amigas.- Vai cursar que ano?
–Segundo e você?
–Também! Tomara que fiquemos na mesma sala né?- a azulada falou, sorrindo abertamente para a outra.
–Também espero isso, Levy-chan!
–Levy-chan?
–Eeer, posso te chamar assim?- a loira riu, sem-graça, se esquecendo que o sufixo –chan era usado para se referir a amigas íntimas e não faziam nem cinco minutos que se conheciam.
–Claro que pode Lu-chan!- Levy riu, adorando a nova amiga que fizera. -O que gosta de fazer no tempo livre?
–Eu gosto de...- a loira olhou nos olhos curiosos da amiga- De ler!
Levy soltou um gritinho animado.
–Aaaah, eu também, eu também! Que tipo de livros gosta de ler? Sou apaixonada por livros sabe, eu leio que tudo que fique tempo suficiente parado na minha frente...
A mente de Lucy aos poucos parava de prestar atenção nas palavras de Levy, sentindo seu instinto satisfeito pela garota estar ao seu lado.
Tinha certeza que as duas iam se dar muito bem.
E a mente de Levy falava a mesma coisa para a azulada.
–x-
–Levy, você pode entrar, a senhorita Heartfilia vai entrar depois.- disse a professora, vendo as duas alunas na porta da sala.
Acabou que elas ficaram sim na mesma sala o que fez uma azulada guinchar de felicidade e uma loira bem mais tranquila.
Conforme se aproximavam do colégio e conforme iam entrando no mesmo, Lucy se surpreendia com a quantidade de energia negativa que havia no edifício. Se não fosse seu instinto, ela seria levada facilmente pelas expressões de bondade totalmente convincentes dos estudantes. Ela estava sim nervosa, e no fundo, até com medo de tudo aquilo.
Mas não deixou nada parecer para Levy que tagarelava animadamente o caminho todo.
–Tudo bem, Sensei.- a pequena se virou para a amiga- Boa sorte Lu-chan!- ela sorriu e se virou, entrando na sala barulhenta.
–Obrigado.- a loira murmurou, mexendo as mãos, nervosa.
A professora sorriu compreensiva e colocou uma mão no ombro da aluna nova.
–Quando eu lhe chamar, você entra e se apresenta, okey?
A anja assentiu, vendo a professora entrar na sala e começar a pôr ordem no lugar.
Seu instinto gritava loucamente dentro dela, e ele sentia que dentro daquele sala, da sua mais nova sala de aula, existia a maior concentração de energia negativa que ela já havia sentindo. Todos seus sentidos a mandavam dar as costas para a porta e fugir daquele lugar imediatamente, só parando de correr quando não sentisse nenhum pingo daquela energia mágica negativa.
“Certamente deve haver um Demônio ali dentro, transformando todo o ambiente ao seu redor” ela pensou consigo mesma, enquanto um arrepio lhe subia pela espinha.
Sentia-se cercada por aquelas sensações ruins e sabia que se não fosse uma anja, teria dificuldade de manter sua alma segura, longe de tudo aquilo.
Respirou fundo, enfiando o medo no mais profundo cantinho do seu ser, e trancando-o ali com todas suas forças. Era para isso que ela estava ali afinal.
Pensando que pelo menos Levy e seu coração puro estavam dentro da sala, a anja se encheu de coragem, entrando na sala quando a professora falou que havia uma aluna nova esse ano.
–x-
A sala estava uma completa bagunça quando Levy entrou dentro dela, sorrindo ainda pela loira que estava do lado de fora.
Viu seus amigos antigos e logo se sentou no seu costumeiro primeiro lugar, colocando a mochila na carteira e se virando para dar oi para todos.
–Hey minna!- ela exclamou, sorrindo com saudades de todos.
–Olá Levy.- Jellal lhe respondeu, sorrindo para a garota, passando a mão distraidamente pelos cabelos azuis, alguns tons diferente do dela mesma; a tatuagem vermelha no lado direito do rosto e os olhos castanho-escuros gentis como sempre. Ele era como um irmão mais velho para a azulada e ela se sentia bem sabendo que ele estava ali.
–Yo, Levy.- Cana ergueu os olhos violetas da garrafa em suas mãos, e todos sabiam que ali tinha bebida alcoólica. O cabelo castanho estava maior do que Levy se lembrava, mas ainda eram levemente ondulados, chegando ao meio das costas da garota.
–Leeeeeeeevy!- gritaram dois garotos, seus melhores amigos, Jet e Droy; ambos apaixonados por ela, que fingia que não sabia. Ambos a protegiam de tudo e sempre estavam lá quando ela precisava, nem que fosse para apenas se sentar um ao lado do outro quando estavam se sentindo solitários.
Droy era moreno, com olhos negros, e adorava plantas. Ele era um dos responsáveis pela estufa do colégio, e volta e meia trazia uma flor cultivada lá para Levy.
Jet fazia parte do time de corrida, era ruivo com olhos escuros. Ele também estava lá pra ela por tudo, e aos poucos a garota foi se acostumando com o fato de os dois gostarem dela, mesmo sem retribuir nenhum dos dois, gostava de tê-los por perto.
A azulada sorriu, correndo os olhos pela sala, enquanto conversava com seus amigos.
Realmente, a única aluna diferente ali seria Lucy, pois a turma era exatamente a mesma desde o ano passado, não havia ninguém faltando.
Era incrível como os grupos continuavam os mesmo. Especialmente aquele.
Seu olhos vagaram instintivamente para o grupo de alunos sentados no fundo da sala, notando que eles continuavam assustadores do mesmo jeito. Levy sempre sentira uma espécie de arrepio quando estava perto demais deles, e sempre imaginou que era pelo fato deles arranjarem inúmeras brigas, inclusive algumas com seu grupo de amigos, que infelizmente não estavam todos na mesma sala.
Sabia o que 'líder' da gangue era Natsu Dragneel, o garoto de cabelos rosas sentado ao lado da janela, que encrava entediado a paisagem.
Sim, cabelos rosas.
Se esse fato podia algum dia se tornar motivo de piada dentro da escola, os olhos dele desafiavam qualquer um que ousasse falar algo contra sua pessoa.
Os olhos negros eram intensos, profundos, com um brilho perigoso que estava sempre presente. Sempre parecia que Natsu observava alguém como se fosse sua presa. Como se ele fosse o predador do topo da cadeia alimentar. Era assustador.
Apenas seus amigos igualmente perigosos que cismavam em provocá-lo naquelas brincadeira tipicamente masculinas que o cérebro de Levy nunca se deu o trabalho de entender.
Todos na escola sabiam quem ele era, principalmente as meninas.
Mesmo com aqueles olhos maldosos e a aura que ele exalava, não tinha como negar que ele era lindo.
O rosto tinha traços fortes, os lábios bem desenhados e um sorriso inconfundivelmente quente e malicioso.
Os ombros largos combinavam com sua estatura elevada, junto com os braços musculosos, peito e abdômen definidos.
Ao redor dele literalmente choviam garotas, de todos os tipos.
Levy na verdade estranhou que ele estava sozinho, sem nenhuma atirada sentada em seu colo ou com um braço dele envolvendo seus ombros.
Mas afinal, pensou ela, era apenas o primeiro dia de aula e ele não havia achado nenhum brinquedo novo.
Ao lado deles, dois morenos conversavam e o rosado não parecia fazer questão nenhuma de saber o que eles falavam, ou de participar da conversa.
Um deles tinha cabelos negros e olhos igualmente escuros, perfurantes, como se pudessem ler a alma de cada um que observava. A camisa do colégio estava aberta, deixando seus músculos definidos à mostra.
Gray Fullbuster sempre tivera a mania de tirar as roupas, e isso claramente não mudara desde o ano passado.
O outro moreno tinha o cabelo comprido e espetado, os olhos vermelhos com um brilho malicioso permanente nos mesmo. Gajeel Redfox era a visão perfeita de um rebelde. Os incontáveis piercings, suas roupas negras e a clara expressão “Saia-de-perto” eram o que mais lhe chamava a atenção, embora os olhos de Levy correram rapidamente pelos braços extremamente musculosos que não eram escondidos pelo fato dele usar uma regata.
Do lado dele, uma ruiva encarava a frente da sala sem esboçar nenhuma reação. O cabelo vermelho sangue caía até a cintura de Erza Scarlet, e seus olhos também eram vermelhos, mas num tom mais escuro que os fios, algo entre o bordô e o marrom. Ela era uma das participantes dos clubes de luta, e todos sabia que tinha uma força absurda e era a única do grupo que não entrava em brigas, apenas separava as mesmas. Também era presidente do Conselho Estudantil, o que lhe dava uma imponência ainda maior que ela já exalava.
E sentada na frente de Natsu, havia uma garota de límpidos olhos azuis e cabelos brancos curtos. A albina era a rainha da falsidade, e Levy bem se lembrava de suas capacidades de manipulação. Lisanna Strauss brincava com as pessoas do mesmo jeito que brincava com marionetes. Seus traços delicados ajudavam a esconder o ar desdenhoso da garota, os lábios constantemente virados para cima, no sorriso verdadeiro mais falso que a azulada já vira.
Cinco pessoas.
Era incrível com cinco pessoas conseguiam transformar tanto a atmosfera da sala de aula.
Levy já estava se virando para frente quando viu a professora entrar no aposento, quando notou um par de olhos vermelhos encarando-a de tal modo que a azulada tinha certeza que Gajeel Redfox conseguia ver através de seu corpo pequeno.
Rapidamente se sentou em seu lugar, o coração batendo forte no peito, o conhecido arrepio de medo correndo por sua coluna. Ela podia não ver, mas quase sentia o canto dos lábios do moreno se curvarem para cima, em um sorriso mesquinho ao ver a reação dela. Exatamente naquele momento, uma loira entrou na sala.
–x-
Os olhos negros de Natsu estavam lotados do único sentimento que preenchia seu ser naquele momento.
Tédio.
Ele suspirou, começando a ficar irritado.
Não queria vir para o colégio, mas a insistência de seu soberano foi tanta que ele nem teve como discutir ou convencê-lo do contrário.
Ele podia corromper muitas almas fora desses prédios inúteis, sabia que podia. Não sabia porque ele fora mandando para uma missão básica como tomar um colégio, mas não iria discutir.
Afinal, sendo filho de um Dragão, seu poder de persuasão era incomparável, assim como a imensa quantidade de energia e força que possuía.
Eles claramente já haviam ganhado aquela escola.
Somente em sua sala, haviam cinco Demônios fortes, contando ele mesmo.
Era somente uma questão de tempo para que os poucos 'rebeldes' sucumbissem à atmosfera pesada de energia negativa que pairava nos prédios.
Eles tinham se infiltrado até mesmo entre os professores, não havia sequer uma chance mínima de qualquer ser humano sobreviver no final.
Por sinal, esse era o plano. Infectar o maior número possível de almas com suas energias negativas a ponto de, quando as mesmas morressem fossem para o Inferno, aumentando a força de todos os demônios.
Obviamente que estamos falando de Demônios, então eles não agem como os anjos, que esperam pacientemente as pessoas morrerem naturalmente para suas almas irem para o Céu.
Eles iriam fazer um chacina naquele colégio e isso era, novamente, apenas questão de tempo.
O rosado fechou os olhos, desejando que o tempo passasse mais rápido, ao mesmo tempo que a professora iniciava o discurso de boas-vindas.
A mente dele divagava com tédio,e por fim o garoto se decidindo por usar seu 'sexto sentido', se concentrado em sentir as almas daqueles que estavam dentro da sala. Algo herdado obviamente do pai, o Dragão do Fogo.
Sentiu a própria esfera de energia, negra e vermelha, como a cor da sua magia. Sentiu as esferas escuras dos outros demônios à sua volta, e grande parte das outras almas eram um misto de branco e preto, com maioria de energia negativa dentro delas. Existiam algumas poucas almas que eram mais brancas que negras, e elas estavam concentradas na frente da sala.
E mesmo estas, tinhas pequenos pontos mais escuros dentro delas, mostrando que eles não eram totalmente bonzinhos. Na verdade, não havia ninguém que fosse assim. Essa concentração de 'brancos' era mais difícil de se infectar pelas energias negativas, uma vez que, misturado à energia branca, tinham tons coloridos; como o azul claro daquela garota baixinha ou verde musgo da morena que bebia. Essas cores indicavam que esses humanos possuíam uma parte de magia sobrenatural em seus corpos, provavelmente descendentes de anjos que desciam à Terra.
Havia também os verdadeiros anjos, mas como eles eram em tão pequeno número ali, Natsu nunca se importou realmente com eles, a ponto de temer que seu plano não fosse dar certo. Os dois mais fortes era o anjo na sala dele, o garoto com a tatuagem vermelha no rosto, e outro ruivo na sala ao lado.
Ele ainda estava de olhos fechados quando ouviu vagamente a professora falar algo sobre um aluno novo. Ouviu a porta se abrir e os passos da pessoa que entrava na sala. Sentiu o ar fugir de seus pulmões quando sentiu a energia que fluía dessa pessoa.
Era uma esfera grande de energia, quase do tamanho da sua, o que por si só já era admirável, uma vez que ele era um dos mais fortes Demônios que existiam. Mas a intensidade do brilho da esfera e a cor, um misto de branco e amarelo era ainda mais surpreendente. Ele sentia a energia negativa pairando em volta dela, mas nada, absolutamente nada dentro daquela alma.
Era uma alma limpa, sem nem mesmo uma sombra de maldade ou qualquer outro sentimento que pudesse gerar algo negativo.
Uma alma completamente pura.
Ele em seus 500 anos de vida, quase 200 de vida terrena, jamais havia sentido uma energia assim.
Mesmo os vários anjos que encontrara, todos haviam uma mísera parte negra dentro deles, uma vez que somente os soldados desciam à Terra.
Aquela alma não se deixava influenciar por cinco poderosos Demônios como ainda consegui exalar uma aura que inibia a deles.
A energia que fluía de modo completamente natural da nova esfera equilibrava as forças na sala, tornando aquele lugar um verdadeiro campo neutro, algo que há anos o Demônio não sentia.
Sentiu também as respostas automáticas das almas dos descendentes e do anjo, aumentando o próprio brilho e força, diante daquela nova energia.
Conseguia sentir também a influência que ela estava causando nos humanos, diminuindo as energias que eles estavam instigando desde o ano passado.
O rosado abriu os olhos, ainda atordoado diante da influência que aquela alma estava impondo dentro daquela sala.
Viu Erza coma testa franzia, os olhos fixos na frente da sala; Gray com uma expressão de incredulidade; Gajeel com a sobrancelha arqueada, como se duvidasse de algo; e Lisanna exalando inveja por todos os seus poros. Eles não podiam ver as almas como ele, mas era impossível não sentir nada diante da força que aquele ser exalava.
Sentia o sorriso de esperança dos descendentes à frente da sala, enquanto movia os olhos para encarar aquela pessoa cuja simples presença abalara a supremacia deles.
Natsu encarava uma garota loira.
A saia azul do colégio nunca lhe pareceu tão atraente em uma garota; mesmo que seu comprimento estava completamente normal, de acordo com as regras escolares, os quadris largos cobertos pela mesma, e as pregas chegavam à metade das coxas brancas. Usava também a clássica meia branca abaixo do joelho e o sapato preto delicado nos pés pequenos.
A cintura fina e curvilínea não se escondia sobre a camisa e a jaqueta, mas aonde os olhos negros do garoto se demoraram foi no busto extremamente avantajado da garota, que forçava a camisa como se ela tivesse tido dificuldade para fechas os botões da mesma.
O pescoço alvo parecia implorar por marcas sobre o local, e ele estava imerso em pensamentos nada puros quando moveu os olhos para o rosto dela.
O cabelo loiro tinha um tom dourado e caía como ouro líquido sobre os ombros delicados, não passando muito dos mesmos. Tinha um rabo no lado da cabeça, preso por uma fita azul.
Cada centímetro da pela exposta dela parecia sedosa, e no rosto não era diferente. Os lábios desenhados de tão perfeitos, com um tom natural avermelhado, despertando ainda mais o desejo no garoto demônio.
O nariz pequeno e levemente arrebitado combinava com as bochechas coradas de vergonha, ou talvez nervosismo.
Mas Natsu realmente se perdeu nos olhos dela.
Grandes, brilhantes, com a íris em um tom quente e acolhedor de castanho. Ela passava os olhos pela turma, observando quem seriam seus colegas nesse novo ano, se demorando mais no canto onde os cinco demônios estavam.
Quando os olhos dela encontraram os dele, um arrepio passou pela coluna do garoto, confirmando suas suspeitas, sabendo que ela era sua nova escolhida.
O demônio olhou firmemente dentro dos olhos castanhos que transbordavam inocência e pureza.
Ele teve que retesar todos os músculos quando sentiu seu instinto dracônico urrar dentro dele, lutando para resistir ao impulso de agarrá-la ali mesmo.
Ele a queria.
O Dragão Demônio queria quela menina angelical em suas garras.
Ele queria sentir aquele corpo perfeitamente esculpido contro o seu, sem absolutamente nada entre eles. Queria ouvi-la gemer roucamente seu nome em seu ouvido, sentir as unhas dela arranharem suas costas, e com um sorriso malicioso pedir mais.
Queria apagar, destruir, arrasar, deletar, infectar aquela energia branca que a cercava e injetar a sua própria magia vermelha e negra dentro de sua alma. Queria ver o brilho dos sete pecados capitais dançando nos orbes chocolates e os lábios tingidos de sangue.
Não importava se ela era puramente humana, ou uma mestiça, nem mesmo se era um anjo da guarda, cupido, ou a versão feminina do Arcanjo Supremo.
–Sou Lucy Heartfilia, prazer em conhecê-los. -ela fez um simples mesura, para depois sorrir docemente, enviando ondas de energia positiva ao seu redor- Espero que possamos nos dar bem.
O Demônio queria a loira no Inferno com ele.
Notas finais
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