– Eu não estou entendendo o que você quer dizer Vincent.

– Tem um traidor entre nós Juliet, você não pode confiarem ninguém além de mim.

– Tá, se existir mesmo um traidor, um de nós que matou o Rafael, quem foi?

– Foi...

Quando Vincent estava prestes a me falar quem matou o Rafael, Brian surge na nossa frente, tinha aquele mesmo olhar sério, mas desta vez algo estava errado, parecia que ele estava envolto por uma aura negra e muito pesada, diferente de todas que senti até hoje, parecida com a que me rodeia. As mãos deles estavam manchadas de sangue, e sua espada também. Pergunto-me por onde ele andou por todo esse tempo.

– Onde você estava Brian?- Vincent ruge para Brian, não estava preocupado em esconder a raiva que sentia.

– Eu me perdi quando estava procurando pelo Rafael, e acabei trombando com alguns dos seguidores do White Demon.

Servos do White Demon? Impossível, se eles estivessem aqui eu já teria sentido sua presença deles desde que entrei neste lugar. Como ele poderia ter sido atacado por eles? Tem algo muito errado por aqui.

– Mas Brian... – sou interrompida por Vincent que se coloca em minha frente.

A voz dele era tenebrosa, como um forte rugido que pode ser escutado a quilômetros de distância, capaz de fazer as folhas das árvores serem cortadas ao vento, era quase que ensurdecedor. Pelo pouco que conheço Vincent, ele não estaria tão irritado por pouca coisa.

– Será que esse é o verdadeiro nome dele? – os olhos de Vincent brilhavam cada vez mais em um tom de amarelo forte e puro.

– Eu não tenho nada a esconder da senhorita Juliet.

Brian estava estranho de uns tempos para cá, pra falar a verdade desde que arrancou uma de suas próprias asas. Seu jeito antes simpático e cativante, suas palavras encorajadoras e sinceras estavam dando lugar a outra coisa, todo o seu gesto agora me passa um único sentimento. Desconfiança.

– Não tem mesmo? – Vincent me puxa para seu lado. – Vamos logo seu passarinho desgraçado e fale na frente dela que foi você que o matou.

Brian não disse nada, apenas curvou um pouco a cabeça e começou a encarar suas mãos manchadas de sangue, ainda fresco, pingava pela grama a deixando rubra e encharcada. Com apenas um gesto ele estalou os ossos de seu corpo, e, aos poucos, levantando a cabeça com um sorriso quase inexistente em seu rosto, mas que pode ser percebido se olhar com atenção.

Brian jogou seu cabelo para trás, e, com passos curtos e lentos se aproximou de nós e Vincent sabia que algo ia acontecer e que não ia acabar bem. Ele tirou de um dos bolsos de seu casaco um pedaço de pergaminho e uma adaga, me entregando.

– O que é isso? – pergunto observando os desenhos estranhos na lâmina da adaga.

– Era da sua mãe, ela me entregou antes de sumir. – seus dentes começaram a crescer, assim como suas garras e aos poucos se transformou naquele mesmo leão negro de sempre, mas desta vez era muito maior e mais aterrorizante.

Brian parou para observar Vincent, e ele parecia estar rindo por dentro, como se soubesse que iria vencer. Balançou a cabeça negativamente com seu olhar indecifrável. Vincent o fitava e rugia ferozmente, de uma maneira diferente do normal.

Vincent começou a atacar, era muito rápido, mas Brian conseguia ler facilmente todos os seus movimentos, o que o deixava mais enfurecido. Brian não está com a mínima vontade de lutar contra Vincent, pois se assim fosse sua vontade a coisa ia ficar bastante séria por aqui.

– Pare logo de brincar e lute de verdade – rugiu Vincent ofegante.

– Eu não vou lutar com você, não na frente da senhorita Juliet. – ele para na frente de Vincent, se abaixa e o olha nos olhos – Além de que, eu não gostaria de vê-la chorar por causa de um...

Antes de terminar de falar, Vincent dá uma patada no rosto de Brian, deixando marcas de unhas na parte esquerda de seu rosto. O mesmo cai de joelhos enquanto Vincent novamente volta a ser humano.

– Cale a sua maldita boca que só sabe falar asneira – Vincent estava com uma das mãos cheia de sangue, do Brian obviamente. – Eu não vou cair na sua lábia.

– O que está havendo aqui? – Leo surge acompanhado de Any, a mesma estava pálida e parecia suar frio.

– Any, venha aqui – me aproximo dela.

– Eu pedi uma explicação – Leo olha para Brian, que se levanta lentamente e tira a mão do rosto revelando um enorme corte que cobria grande parte de seu rosto.

– Leo, o que aconteceu aqui foi... – tento explicar até que sou interrompida por Vincent

– O passarinho estava contando vantagem demais contra seu oponente e acabou tendo o que merecia — ele diz de forma seca e ríspida.

– Isso vai deixar uma enorme cicatriz Brian – Leo se aproxima dele – É melhor ser mais cauteloso da próxima. Pelo que conheço Leo, ele é esperto demais para acreditar nisso. Ele sabe o que realmente aconteceu.

– Eu não preciso da sua opinião – Brian começa a andar até que para e se vira – Eu espero vocês no final do labirinto.

Antes de ir ele olha para mim, desta vez não sorria e por uma fração de segundo pensei ter visto os olhos dele mudarem de cor. Deve ter sido apenas minha imaginação, pois ele logo vai embora. Leo vai até a Any, que parecia estar um pouco melhor, mas não livre das dores e a pega no colo.

– Eu vou atrás dele – Ele olha pra Vincent – Creio que deve ter tido uma razão para tudo isso, certo?

– Claro que teve, ou pensa que eu iria simplesmente arranhar a cara dele por diversão?

Ah, a ironia de Vincent voltou a tona.

– Isso seria bem a sua cara – Leo ri e sai andando.

– Como? – Vincent ameaça ir atrás dele, mas eu o seguro.

– Ele estava apenas brincando. – Ele é mais forte que eu, então, é meio complicado segurá-lo.

– Eu devia arranhar a cara dele também, só pra ele saber o que é “diversão”. – ele me olha – Pode me soltar, eu não vou fazer nada, só se ele tentar algo.

– Me dê a sua palavra.

– Juliet... – ele se aproxima de mim e segura minhas mãos. – Eu lhe dou a minha palavra de que não irei fazer nada que lhe deixe triste. Caso contrário, não hesite em atravessar eu coração com esta adaga que carrega. – ele pega uma de minhas mãos e leva até seu peito.

– Vincent eu... – mal consigo terminar de falar devido a situação.

– Parece que eu consegui deixa-la vermelha. – ele começa a gargalhar.

– Foi só impressão sua – viro-me rapidamente

– Não adianta se virar – ele se aproxima do meu ouvido e começa a sussurrar – Eu consigo sentir os seus sentimentos.

– Vamos indo ou vamos ficar para trás – saio andando antes que ele faça mais alguma gracinha.

Todo o percurso foi calmo, ou quase, até o momento em que eu puxei assunto sobre a pequena discussão entre ele e Brian, o que fez ficar irritado. Confesso que foi engraçado ver a cara dele de raiva, era até que fofa, de certa forma

Conforme víamos o nascer do sol, uma dúvida surgia dentro de mim, será que realmente Brian teria algo a ver com a morte de Rafael? E o que seria esta adaga e o pergaminho que Vincent me entregou...