Anjos E Demônios
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Não eu não morri e nem desisti de AD. Antes que me matem, lembrem-se que eu escrevo por diversão, ok?♥
Eu começei escrevendo AD por puro egoísmo, porque gosto da história e tinha prometido a mim mesma que iria escrever independente de quantos comentários recebesse. Hoje em dia eu sei que tenho uma resbonsabilidade maior e eu vou cuidar disso.
Antes de tudo, agradecendo de todo o coração por todos me contaram, recomendaram, favoritaram e não deixaram de acompanhar AD ♥ Sem falar em todas as pessoas que me mandar MP perguntando se eu ia continuar ♥ Obrigada, obrigada, obrigada! Tenho vontade de abraçar apertado todos vocês e não soltar mais!
Prometo reconpensá-los por esses seis meses de espera X33
Capítulo ficou curto, mas eu tinha postar algo pra mostrar que eu ainda estou aqui XDD
Capítulo betado pela linda da Aleyna, que não me deixou sozinha nesses seis meses e ficava perguntando toda hora sobre este capítulo. Amo você linda ♥
Espero que gostem!
Boa leitura!
Capítulo XI
O sinal ecoou estridente pelos corredores cheios de alunos da Fairy Tail High School.
Como todos os dias, o barulho das conversas e risadas era alto, além dos resmungos daqueles alunos mais sonolentos.
Uma garota olhou nervosa para o corredor cheio, temendo se atrasar para sua primeira aula. Tentando andar rapidamente no meio dos alunos, visando chegar na última sala daquele longo corredor. Segundo o que a secretária lhe falara, era para lá que deveria ir.
Quase foi esmagada contra a parede por um grupo de garotos bagunceiros, que a fitaram com malícia, notando que ela era uma aluna nova.
— M-me d-de-desculpem. — murmurou ela, as bochechas salpicadas de vermelho e os ombros tensos pela vergonha.
Ignorando as risadinhas, continuou seu caminho por entre os estudantes, mas apenas alguns passos depois, esbarrou no ombro de outro aluno.
Erguendo os olhos escuros, gaguejou outro “Desculpe” tímida, encontrando um par de grandes olhos tons de chocolate a encarando.
— Não foi nad—
A loira em que esbarrara parou a fala no meio, sua boca se abrindo em um pequeno 'o', a expressão de surpresa se espalhando pelo rosto.
Sendo empurrada pelos alunos, a novata foi obrigada a voltar a caminhar, enquanto as amigas puxavam a loira para dentro de sua sala.
O contato visual se quebrou, mesmo que as duas garotas tentassem ao máximo prolongá-lo.
Finalmente chegando no fim do corredor, ela sorriu levemente para a professora que estava do lado da porta, mas este logo murchou com a carranca da professora.
As duas entraram por último na sala, a mulher mais velha já gritando para que os alunos se sentassem e fizessem silêncio, resmungando baixinho algo como “Bando de macacos!” momentos depois.
Os olhos escuros da novata correram rapidamente pela sala, e encarou por alguns segundos (muito mais tempo do que os demais alunos) um ruivo. Viu o garoto erguer a cabeça que estava deitada sobre os braços, para depois bocejar e coçar os olhos, aparentemente cansado.
A garota tinha as bochechas vermelhas, as mãos trêmulas e a timidez estampada na cara quando toda a sala fez silêncio enquanto a encaravam.
Sorriu minimamente quando seus olhos se encontraram com os do ruivo, vendo a surpresa dele.
— S-sou A-Aries Li-Lieben, p-prazer em co-conhecê-los. — falou em voz baixa, completamente envergonhada. Mas ignorando o nervosismo e a timidez, conseguia sentir o coração batendo feliz no peito, nitidamente contente por rever Loki.
-x-
Gajeel abriu a garrafa de água que tinha nas mãos e ergueu-a acima da cabeça, deixando que o líquido gelado refrescasse a sua pele quente e suada.
Olhou mais uma vez para as arquibancadas do ginásio, pensando com certo pesar no motivo de Levy não estar ali hoje.
Nos últimos dias a azulada vinha até o ginásio e se sentava na parte mais alta da arquibancada, e lia o livro que tinha em mãos. O Dragão de Metal tentava conter a esperança fútil ao notar que ela estava ali em todos os seus treinos.
Era coincidência, ele falava para si mesmo, mesmo sabendo que parte dele ainda acreditava que poderia ser algo a mais do que isso.
E naquele dia, ela não estava ali.
Tudo bem que o treino de hoje era num horário diferente, no final da tarde ao invés de ser à uma ou duas horas da tarde, mas ainda assim...
— Parece que a falta de um pontinho azul no ginásio te incomodou bastante hoje.
O moreno se virou para ver quem falara consigo, e ergueu uma sobrancelha quando seus olhos vermelhos encontraram os azuis de Juvia.
— O que quer água-viva? — o Dragão falou mal humorado, não gostando da forma que a azulada notara que Levy não estava ali.
Juvia misturou deboche e malícia nos lábios e abriu um sorriso.
— Não adianta agir desse jeito comigo, cabeça de lata. — ela fez uma pausa, encarando sem hesitar os olhos vermelhos. — Eu sei.
Uma parte de Gajeel congelou ao ouvir aquilo.
Essa última frase podia se encaixar sobre tanta coisa.
Tentando não pensar que Juvia poderia saber que Levy era sua companheira, a única reação que o moreno demonstrou foi um arquear de sobrancelha.
Juvia revirou os olhos.
— Sei o que você sente pelo pontinho azul. — simples e direta.
Gajeel abriu a boca pra retrucar, mesmo que nem soubesse que argumento usar. Mas a garota foi mais rápida e o interrompeu.
— Não tente negar, vai ficar gaguejando feito um macaco e parecer apenas mais patético. — ela piscou e sorriu, vendo o Dragão fechar a cara e cruzar os braços, mas não falar nada. Ele esperou a garota continuar a falar, os olhos vermelhos não escondendo a preocupação por Levy agora que Juvia descobrira a situação.
— E eu não vou fazer nada com ela, não precisa ficar na defensiva. — o tom da azulada convenceu-o um pouco, mas não o suficiente pra deixar de lado a desconfiança. — Ouvi Levy reclamar alguns dias atrás que o novo bibliotecário não parava de encará-la cada vez que ela entrava na biblioteca. — Juvia estava séria, e isso se refletia em seu tom de voz. — E, teoricamente, a biblioteca fechou a meia hora atrás e eu não vi Levy saindo de lá.
Os olhos vermelhos se estreitaram.
— Você está vigiando ela?
— Não cérebro de metal, eu tinha treino de natação e depois íamos juntas para a casa da Lucy. — Juvia retrucou, irritada. — Eu tentei entrar na biblioteca, mas...
— Mas? — Gajeel perguntou, sentindo a adrenalina começar a entrar em sua corrente sanguínea e fazer seus batimentos aumentarem.
Juvia franziu as sobrancelhas.
— Tem um tipo de lacre na porta e eu não consegui quebrá-lo.
A voz séria de Juvia, somada ao simples fato de não ver Levy durante seu treino de basquete hoje foram o suficiente para o Dragão cerrar os punhos e seus olhos brilharem perigosamente.
Mas o que fez Gajeel dar as costas e rumar em direção à biblioteca, foi a preocupação verdadeira nos olhos da azulada.
Sentia a raiva aumentar a cada passo que dava.
-x-
Encarando concentrada o livro à sua frente, Levy esquecia completamente o mundo à sua volta, como sempre.
Quando decidira estudar o latim, nunca iria imaginar a quantidade de livros que existiam nessa língua. Principalmente livros religiosos, datados da Idade Média ou até mesmo antes.
Mergulhada em um texto sobre assombrações e seus modos de combatê-las, leu em voz baixa as estrofes que supostamente trariam proteção.
Uma mão se fechou em seu ombro, com certa foça. A humana gritou com o susto e se virou rápido, encontrando o bibliotecário de cabelos verdes a encarando impassível.
— Ah Deus, você me assustou! — ela exclamou, com as mãos sobre o peito, como se tentasse acalmar seu coração.
Freed continuava com a expressão ilegível no rosto.
— Você estava lendo latim? — perguntou, os olhos claros duros, fixos na garota.
— Er...Eu...Ah... — Levy gaguejou, sentindo-se acuada por aquele olhar. — Sim, era um pequeno texto sobre assombrações, nada demais. — voltou os olhos para o livro aberto e depois para o bibliotecário, vendo um flash de raiva que logo desapareceu em seu rosto — Desculpe se eu estava lendo alto demais.
Freed deixou os olhos viajarem lentamente pelos montes de livros em latim que haviam sobre a mesa, todos eles com a mesma temática.
— Achei que não gostava desse tipo de assuntos. — ele falou, o tom cortante e acusador.
— A-achei que não estaria aqui hoje. — a azulada se encolheu, tentando manter distância.
Depois que viera devolver um livro e pegar outro, quem a atendera era a mesma simpática velhinha de sempre e não o homem de cabelos verdes, ela resolveu aproveitar e esperar Juvia ali.
Os olhos azuis esverdeados faiscaram e ele se inclinou mais na direção de Levy.
Então a porta da biblioteca bateu quando foi fechada.
Do lugar onde estava, nem Levy nem Freed conseguiam ver a porta da biblioteca, ou o que a fizera bater.
Os sentidos mais apurados do homem de cabelos verdes tentaram captar algo. Sabia que havia feito o selo corretamente e que não seria qualquer um que conseguiria quebrá-lo.
Mesmo concentrado, ele não notou que havia um moreno à sua esquerda até que ele falou com um tom óbvio de irritação.
— Por acaso você não tem um livro chamado “Suma da minha frente antes que eu te mate?” — Gajeel encarou o outro demônio, os braços cruzados na frente do corpo, e os olhos vermelhos brilhando de raiva.
Freed engoliu em seco, enquanto Levy suspirou, o coração batendo rápido no peito novamente, tanto pelo novo susto quanto pelo fato de ser o moreno ali parado.
O Dragão de Metal tentava conter seus instintos de proteção e ciúmes pela sua companheira, se lembrando que não poderia matar aquele demônio na frente dela. O cheiro dele não lhe era estranho, mas vê-lo tão próximo de Levy e ainda com aquela aura de intimidação estava quase quebrando seu autocontrole.
Com os olhos ainda fixos no demônio de cabelos verdes, ele falou:
— Me espere lá fora, Levy.
A azulada juntou os livros com as mãos levemente trêmulas. Encarou Gajeel uma última vez e saiu dali.
Apenas quando a porta da biblioteca se fechou novamente, é que o Dragão voltou a falar.
— O que, exatamente, você estava pensando em fazer, verme? — ele falou pausadamente, a raiva transbordado pelas palavras.
— Ela estava lendo livros em latim sobre demônios e —
— Isso não te dá o direito de colocar a porra de um selo arcaico na porta. O que você ia fazer, matá-la por gostar de ler?
O demônio menor desviou os olhos para o chão, demonstrando sua submissão perante à atitude do outro.
— Não, eu—
A raiva aumentou dentro de Gajeel.
Ele inspirou fundo, na esperança de assim conter a vontade de matar o homem.
Um estalo em uma mente o lembrou de onde conhecia o cheiro levemente familiar do demônio.
Já sentira esse cheiro antes, e lembrava-se claramente dele estar misturado com o de Laxus, em alguma vez que eles tiveram uma reunião.
O cheiro do Demônio loiro parecia bem fraco sobre Freed, mas ainda assim, Gajeel não achou que seria certo matar um homem que compartilhou a cama com outro Dragão.
— Se você chegar a cinco metros dela, eu destroço você inteiro. — pequenas escamas metálicas começaram a aparecer sob os olhos e nos braços do Dragão, demonstrando o quão perto estava de perder o controle.
Freed assentiu, não tirando os olhos claros do chão enquanto o moreno saía dali.
Com pesar, sua mente pensava em apenas uma coisa.
Mais uma tentativa de fazer Laxus se orgulhar de si foi completamente falha.
-x-
As mãos pequenas de Levy se remexiam inquietas enquanto esperava Gajeel sair da escola.
Certo, isso tudo era muito confuso.
Primeiro, o ataque do bibliotecário neurótico, depois o aparecimento repentino de Gajeel com aquela aura intimidadora.
E agora, ela seguindo o conselho do moreno.
Porque não havia ido para casa ainda? Lucy e Juvia iam lhe matar pelo atraso!
Mas de algum modo, não conseguia ir embora sem ao menos ver Gajeel.
Por isso, quando ele saiu do portão da escola seu coração bateu mais forte.
Seus olhos se encontraram, mas Gajeel quebrou o contato e lhe deu as costas, recomeçando a andar.
Uma pequena veia saltou na testa de Levy.
Como ele ousava fazer tudo aquilo e lhe dar as costas?
Batendo os pés, ela andou rapidamente atrás do Dragão e puxou a mochila preta que estava pendurada em um de seus ombros, o fazendo se desequilibrar.
A azulada continuava com uma careta no rosto quando o garoto se virou, encarando-a com uma sobrancelha.
— É grosseria fazer aquilo tudo e depois fingir que eu não existo, sabia?
Gajeel mordeu o lado de dentro da bochecha, vendo como Levy ficava adorável com aquele biquinho manhoso nos lábios.
— Tudo o quê, baixinha?
O rosto da garota se encheu de vermelho, provavelmente por causa do apelido 'carinhoso'.
— Oras, me ajudar com o bibliotecário e... Obrigada — ela fez uma pausa, a vergonha agora estampada em sua expressão — Eu não sabia o que fazer. Ele me dá um pouco de medo. — terminou, com a voz baixa.
O Dragão suspirou, sabendo que não poderia abraçar a sua pequena e dizer-lhe que nunca deixaria que nada de mal lhe acontecesse.
Mas não conseguiu evitar de tocar os fios azuis de Levy com a mão grande, bagunçando-os ligeiramente quando fazia um cafuné delicado.
— De nada, baixinha.
A sensação de proteção que preencheu o coração da garota a fez ofegar. Junto com o calor gostoso que brotava no peito e se espalhava, deixando-a ligeiramente mole.
Como aquele cara tão grande podia tratá-la com tanto cuidado?
Talvez fosse o fato dela começar a olhar Gajeel com outros olhos desde o incidente da piscina.
Talvez fosse por ele ser tão diferente de si, que a fizesse se sentir tão atraída pelo moreno alto.
Ou talvez simplesmente porque era Gajeel.
O coração de Levy bateu mais rápido e dessa vez, ela sabia exatamente que tipo de sentimento ele estava bombeando pelo sangue.
Mas os olhos castanhos dela notaram algo quando o Dragão tirou a mão de sua cabeça.
Algo vermelho.
Sem pensar muito, esticou o braço, segurando a outra mão de Gajeel, vendo um corte ligeiramente grande na palma, que sangrava continuamente.
O garoto se arrepiou completamente quando sentiu Levy tocando-o por vontade própria. A pequena mão quente dela virou sua mão, deixando a palma pra cima.
Viu a pergunta muda nos olhos dela, mas não poderia lhe dizer que para quebrar o selo que Freed deixara na porta, precisava do seu sangue de Dragão.
Sem dizer uma palavra, Levy se contorceu, abrindo a mochila e pegando algo rosa claro dali de dentro.
Um pequeno lenço.
Gajeel continuou sem dizer nada quando a azulada colocava o pedaço de pano em volta de sua palma, firmemente para estancar o sangue.
Terminando de fazer o curativo improvisado, Levy ergueu os olhos para o moreno, abrindo um sorriso.
E acenou para ele, antes de se virar e começar a caminhar para casa.
Gajeel ficou ainda alguns segundos olhando a garota caminhar e sentir o tecido macio em sua mão.
O sorriso de Levy era lindo demais para deixar de existir, concluiu o Dragão.
E com isso, começou a andar, escoltando sua companheira para que ela chegasse em segurança em casa.
-x-
A mesa de jantar estava impecavelmente arrumada, e Juvia brincava com a ponta do guardanapo enquanto via Lucy andar de um lado para o outro do cômodo, olhando constantemente pela janela.
— Será que não deveríamos ir atrás dela? — perguntou a loira, aflita.
— Lucy-san...
— Ela está demorando demais, Juvia! E se algo tiver acontecido?
— Não vai acontecer nada. — a azulada falou, com tanta determinação e certeza que Lucy a olhou, curiosa — Deixei ela com o Gajeel.
Os olhos castanhos se arregalaram, os lábios se abriram num sorriso e ela se acalmou.
Segundo depois a campainha foi ouvida e a anja correu para abrir a porta.
— LEVY-CHAN!
— Lu-chan, n-não consigo respirar! — Lucy a abraçava com certa força, o rosto da garota menor espremido contra o busto da loira.
A anja se afastou um pouco, mas manteve as mãos sobre os ombros pequenos de Levy.
— Você está bem?! Eu estava quase abrindo um buraco de tanto que estava andando aqui na sala!
A cabeça de Juvia surgiu por cima do ombro da loira.
— Estava mesmo. — ela sorriu de canto, sentindo um leve alívio ao notar que Levy estava bem. Pelo visto Gajeel sabia manter a pequena em segurança.
— Estou bem sim. — Levy sorriu, as bochechas levemente vermelhas ao se lembrar do jeito protetor de Gajeel. Fechou a porta da casa da loira e se voltou para olhar as amigas. — Apenas com fome. O que tem pra comer?
Lucy e Juvia riram e se voltaram para a sala de jantar, onde o cheiro do queijo derretido da lasanha encheu o ambiente, fazendo a fome parecer maior ainda.
Lucy colocava um pedaço da massa no prato de Juvia enquanto Levy já cortava o seu e colocava na boca.
A Anja arregalou os olhos com o que a amiga fazia.
— Levy-chan, está quente!
O rosto da azulada ficou vermelho e ela tomou grandes goles da limonada antes da dor diminuir e ela poder falar.
— Apesar de eu ter queimado a língua, está uma delícia Lu-chan! — os olhos castanhos tinham pequenas lágrimas devido ao calor em sua boca, mas Levy sorria.
Juvia e Lucy sorriram, sabendo que a alegria da pequena tinha um motivo bem específico.
-x-
O silêncio era absoluto por todo a construção ampla da Fairy Tail High School.
A única faxineira que restava ali terminava de guardar os baldes e produtos de limpeza que tinha usado.
Euphenia Lancet havia conseguido aquele emprego havia pouco tempo e ficara feliz ao saber que tinha sido contratada. Precisava de dinheiro para conseguir continuar estudando à noite.
Terminou de estender os panos úmidos e saiu da sala; tirou o molho de chaves do bolso e separou a chave certa para trancar a porta.
Mas um pequeno ruído a distraiu.
Os olhos lilás da jovem se voltaram para a porta de madeira de onde parecia vir o barulho.
Euphenia deu alguns passos nessa direção, tentando ouvir algo novamente.
Um sussurro, fraco, sentido, veio de trás da porta.
— Ajuda...
O coração da garota se apertou. O tom infantil na voz a assustou e ela deu mais alguns passos, ficando na frente da porta.
O fato de já ter trabalhado com crianças antes fez o instinto maternal dela acordar ao ouvir aquilo.
— Olá? — a loira chamou, já mexendo nas chaves novamente, procurando a chave para abrir esta porta.
Uma pausa, um gemido dolorido e a mesma voz suave veio de trás da porta.
— M-me ajude...
Aquela voz era de uma criança, ela podia afirmar com toda a certeza.
E parecia que essa criança estava com uma dor gigantesca.
Enfiando a chave na fechadura com as mãos trêmulas, Euphenia abriu a porta, se deparando com uma escada de madeira.
Se esquecera que ali era o porão.
Ignorando a escuridão que estava ali, desceu os degraus apressada, querendo ajudar a criança o quanto antes.
E então, o silêncio absoluto no colégio foi quebrado por um grito.
-x-
— Será que você pode me passar a receita depois? — os olhos castanhos de Levy brilhavam com a lembrança da lasanha.
— Nossa, Levy, você realmente gostou, não é? — Juvia perguntou, sem parecer ligar que estava comendo a quarta taça de sorvete, enquanto as outras estavam na primeira.
Da sala de jantar, as três adolescentes foram parar na sala, empoleiradas no sofá aconchegante comendo a sobremesa.
— Claro que passo. — Lucy sorriu, contente por ter feito amigas de verdade, não apenas algo de fachada para encobrir sua missão ali.
— Vou pedir pro meu pai fazer ela pra janta no meu aniversário. — a azulada comentou feliz.
— Aniversário? — Juvia perguntou, erguendo a sobrancelha.
— Uhum. Lá em casa a gente tem costume de meu pai fazer a janta, algo salgado e minha mãe faz o bolo. — Levy explicou, sorrindo docemente.
— E quando é o seu aniversário, Levy-chan? — Lucy perguntou, já imaginando qual livro daria para a amiga.
— Segunda-feira da próxima semana.
— MAS JÁ? — Juvia se exaltou, quase derrubando o potinho com sorvete e assustando as duas amigas. — Hehehe, desculpem, só estava pensando que tenho pouco tempo pra te dar um presente, Levy-san. — a azulada sorriu amarelo e convenceu as outras. Mas por dentro, ainda estava pensando como avisaria um certo moreno sobre isso e lhe convencesse a dar algum presente para Levy em apenas cinco dias.
Ela ia ter que apelar.
— Eu vou te dar um livro, Levy-chan!
— Nossa, como você adivinhou que eu adoraria ganhar um livro? — as duas riram, nem notando que Juvia estava perdida no seu mundinho de pensamentos. — Mas, falando em livros...Já fez o seu trabalho de literatura, Lu-chan?
A loira sorriu.
— Sim, está quase pronto. Só falta colocar os papéis na ordem e grampear. Natsu-san me surpreendeu bastante. E vocês?
Juvia engasgou com o sorvete e Levy ficou encarando a Anja com a a boca aberta, as duas com os olhos arregalados e fixos em Lucy.
— Você fez o trabalho de literatura com o Dragneel? — Juvia perguntou, descrente.
— Aham. — Lucy respondeu, sem entender direito a reação das amigas. — Não aconteceu nada meninas, ele veio aqui, a gente fez—
— ELE VEIO AQUI? — as duas gritaram, completamente incrédulas.
A Anja suspirou.
— Sim e isso não foi nada demais.
Juvia bufou.
— Nada de mais? Natsu Dragneel indo na casa de alguém e sair sem sexo não faz sentido. — ela fez uma pausa e olhou para a loira. — Vocês não transaram não é?
Com as bochechas tingidas em tons fortes de vermelho, Lucy apenas fez um não com a cabeça.
— Graças.
— Agora explica pra gente como foi ter ele dentro da sua casa e no fim, não ter nenhum pedaço a menos no corpo. — Levy perguntou, com um tom irônico e cínico, com a sobrancelha azul erguida.
Lucy se mexeu no sofá, desconfortável com todas aquelas perguntas com aquele quê de malícia.
— Não teve nada demais...Eu tive um... — a loira corou. — pequeno problema com o calor na hora de abrir a porta e ele me ajudou, depois viemos fazer o trabalho, fizemos um lanche, depois continuamos e ele foi embora. Fim.
— E ele não agiu estranho?
A Anja mordeu o lábio inferior.
— Ele parecia agitado no começo, mas depois a gente conversou e ele se acalmou e ficou bem concentrado e pensativo sobre o trabalho.
A azulada mais alta soltou uma risada sarcástica.
— Dragneel não fica pensativo sobre trabalhos de colégio, Lucy. — ela sentia que tinha algo a mais nessa história.
— Sobre o que você conversaram? — Levy perguntou, seguindo a linha de raciocínio de Juvia.
Lucy piscou e sorriu levemente.
— Sobre os livros e... Sobre umas citações de amor.
A Anja apenas olhou as duas amigas enquanto elas refaziam as expressões surpresas e começaram a falar que isso não fazia sentido, e que não conseguiam compreender.
Sorrindo para si mesma, Lucy apenas pensou que essas coisas sobre Natsu pareciam mais reais quando ele lhe olhava com os olhos verde-musgos brilhantes.
Ela realmente queria ver mais esse lado dele.
Notas finais
E agora a fic começa a ter ca rinha que eu tinha pensado desde o começo *-* Capítulos com mais ação virão por aí, porque nem só de drama e romance vive o homem, não?X3
Eu peço desculpas se não ficou no nível dos outros, ninguém sabe quantas vezes eu escrevi esse capítulo e apaguei tudo porque não parecia bom :c
Anyway, alguns recadinhos :3
1- Eu passava muito tempo decidindo o nome dos capítulos, por isso, de agora em diante, sem nome nessas coisas u_u'
2- Eu adicionei meus contatos no perfil do Nyah, sinta-se livres pra falarem comigo e me lembrarem de escrever AD, porque tem vezes que eu juro que esqueço XD
3- Eu VOU responder todos os reviews, paciência XDD
Eu vou me esforçar pra postar regularmente, o máximo que eu conseguir, estarei colocando aqui ♥
Qualquer erro, dúvida, crítica, elogio, reclamações, tédio, fome, frio, solidão, e ideias, por favor, comentem! :3
Obrigada por lerem, anjinhos ♥
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