Anjos E Demônios

9 Capítulo VIII


Notas iniciais
Yo minna!

Nem vou tentar achar desculpas, estou mais do que atrasada, sei disso. Foi quase um mês, gosh!

Gomen ne :c Eu posso demorar meses para postar, mas nunca vou desistir das minhas fanfics, tá?♥

Enfim, agradecendo à Novata_Love, shun-205, CatarinaFT4ever,

lpnm, Saeko Scada, Alanna Gomes, AC, Thatalo, Sakura Mandey, LisaChan, Bubs, Helscy, Rachie, Aleyna, titaniaerza, Nenyh, Biia, Eruka Frog, Yuki Cullen e todos aqueles que comentaram nos outros capítulos! Você são incríveis gente ♥

Sendo chata e seguindo as tradições das notas grandes, tem dois desenhos LINDOS E MARAVILHOSOS que a Mariicchan (http://mariicchan.deviantart.com/art/Angels-and-Demons-Fanfiction-315567922) e a Eruka Frog (http://25.media.tumblr.com/tumblr_m8wouwxliu1qkx5qyo1_500.jpg) fizeram inspirados em AD *--*

Me ajudem a achar elogios suficientes, por favor! Arigatou gozaimasu meninas, ficaram divinos ♥♥♥♥♥♥

Maior capítulo da fanfic até agora ,yay! Espero que gostem de ler XDD

Capítulo dedicado á Ellyon da Kath-chan! E que ela possa fazer isso infinatamente, hahahaha!

Enfim, boa leitura e espero que gostem!

Capítulo VIII


–Oras vamos garota, você consegue fazer mais que isso!- Loki incentivou, vendo a pequena esfera amarela de Lucy duplicar de tamanho, as gotas de suor escorrendo por seu rosto enquanto ela se esforçava para manter a magia pela maior quantidade de tempo possível.

–Grr, é impossível fazer isso como vocês dois fazem!- ela resmungou, quase desistindo, vendo como as esferas laranja e azul escuro de Loki e Jellal continuavam intactas e enormes.

O Anjo de cabelos azuis riu.

–Se chama prática secular, é por isso que conseguimos, Lucy.- falou, liberando sua magia e se levantando. -Sinceramente, eu achei que você ia ir muito pior.

Loki acenou, concordando com o amigo.

–Você está aprendendo mais rápido do que nós dois aprendemos.

A loira se permitiu soltar um pequeno sorrisinho, ainda concentrada em sua magia.

Sinceramente, parecia cada vez mais fácil tornar sua ondas de alma mais densas e concentrá-las em sua mão. Era apenas o segundo dia de treinamento e a esfera já tinha passado do tamanho de uma bola de gude para o tamanho de uma laranja bem grande.

Suspirou, liberando as ondas, que se espalharam ao seu redor e sumiram.

–E isso –apontou Loki, para a fina poeira amarelada que sobrara de sua esfera e que ainda pairava no ar – É algo que nós não conseguimos fazer.

–O que?-perguntou Lucy, confusa.

–Suas ondas não somem depois que você libera a magia. -Jellal se abaixou, movendo a mão em forma de concha no ar, vendo como a poeira amarela se acumulou em sua mão. -É como se elas se solidificasse permanentemente. É um poder bem raro.

A loira franziu as sobrancelhas, limpando o suor da testa com as costas da mão. Talvez isso fizesse parte do poder que tinha herdado de sua mãe.

–E isso é bom?-perguntou inocentemente, aceitando a ajuda de Loki para se levantar da grama.

–Quer dizer que sua magia é praticamente imune ao meio externo. Você é bem convicta de si mesmo.- Loki falou, com uma pitada de tristeza na voz. Era impossível para eles, Anjos Guerreiros, terem uma alma pura como a da loira após serem obrigados a matar friamente. Os dois já haviam tido suas dúvidas sobre qual lado deveriam estar.

Lucy sorriu ternamente e estava prestes a abraçar o ruivo quando Jellal agarrou sua cintura, a puxando para longe do outro Anjo, rindo e correndo pelo jardim da casa deles.

–HEY, ISSO NÃO É JUSTO!- Loki gritou, correndo atrás dos outros Anjos, tentando pegar Lucy enquanto Jellal 'a protegia'.

Na porta da casa que dava para o jardim, uma mulher idosa de cabelos rosas e olhos intensamente vermelhos tinha uma expressão fechada.

–Céus, eles parecem filhotes desse jeito. -resmungou, com os braços cruzados e sua postura séria.

–Grandine, eu posso ir com eles?-pediu uma pequena garota com os olhos castanhos brilhantes e cabelo azul comprido, preso em duas maria chiquinhas.

A mulher suspirou.

–Vá, Wendy. -falou, mas se permitiu sorrir ao ver a pequena sair correndo, rindo antecipadamente.

–JELLAL-NII-SAN! -gritou, fazendo os três Anjos pararem de correr e a olharem, pouco antes da mesma se jogar em cima do garoto de cabelo azuis, que sorriu abertamente ao reconhecê-la.

–Wendy!- ele respondeu, abraçando a garota com força, ao mesmo tempo que caía para trás.

Lucy e Loki apenas ficaram olhando, e o último sorriu com a visão dos dois azulados na grama, rindo juntos.

Tal como ele era ligado com Lucy, Jellal era com Wendy.

A loira franziu o cenho ao ver a aura da garotinha, que aparentava ter 14 anos. Era uma mistura predominante de branco e azul céu, mas tinha algo que não se encaixava ali.

Confusa com o porquê de sentir isso, ela levou a própria aura para tocar suavemente com a dela.

E a sensação foi parecida com a que tivera quando tocara a alma de Happy.

Aquela garota tinha alguma coisa de diferente, e que ela conseguiu perceber pelo fato da quantidade de negro não ser predominante. Manchas de azul escuro tentavam se esconder nas escuras, mas não eram totalmente camufladas por estas.

Wendy tinha algum poder sobrenatural, que Lucy não conhecia.

–x-

–Pronto, Happy, essa é a última.

O Exceed fez uma careta ao tomar a última pílula que Alzack tinha recomendado.

–Essas coisas tem gosto ruim, Natsu. Porque eu tenho que tomar elas mesmo?

O Dragão suspirou, vendo como o gato azul tomava longos goles de leite para amenizar o amargo da boca.

–Para você poder controlar melhor as suas...asas.-falou, meio receoso. Ainda não sabia o que pensar direito sobre o fato de Happy ter asas praticamente idênticas às de Anjos.

Os olhos escuros de Happy encontraram os verdes do rosado.

–Você não gostou do presente que a mamãe me deu, não é?-perguntou, sentindo a culpa lhe invadir aos poucos.

O estômago do Demônio se contorceu ao ouvi-lo falar sobre sua 'mãe' novamente. Por mais que o Anjo havia lhe falado que o Exceed sofrera delírios, mas Happy insistia demais nesse assunto.

–Não é isso, Happy. Eu só...Não me acostumei ainda.-respondeu, sorrindo levemente para o amigo.

Em parte era verdade, porque o Exceed adquirira a mania de ficar voando em volta de Natsu a maior parte do tempo possível. Era estranho olhar pro lado e ver Happy flutuando ali, na altura de seus olhos, e não no chão.

Depois de muita insistência do Dragão, o gato concordou em prometer que não mostraria suas asas para ninguém, a não ser que fosse caso de vida ou morte. E não, isso não incluía algo a ver com peixes.

Natsu sentia o estômago embrulhar só de pensar o que poderiam fazer com o Exceed se soubessem que ele tinha magia celestial em seu corpo.

–Tudo bem, eu volto de noite para te ver, tudo bem, amigão?–o rosado sorriu, acariciando o topo da cabeça dele.

–Aye.-Happy respondeu o sorriso. -Vamos comer peixe hoje?

Natsu riu levemente antes de se dirigir para a porta.

–Nós não sempre comemos peixe?-abriu o sorriso, mostrando os dentes afiados e acenou, fechando a porta quando saiu.

Olhou a madeira negra e espessa da porta, e pensou um instante antes de lacrá-la com sua magia. Não queria que ninguém além dele entrasse ali e encontrasse o Exceed azul voando alegremente com suas asas brancas emplumadas.

Saiu andando pelos longos e amplos corredores, que estavam desertos. Nada mais certo do que isso, aquela era uma parte de acesse restrito do resto do Inferno, apenas Demônios do alto escalão entravam ali.

O rosado respirou fundo, pensando nas milhares de coisas que teria que fazer hoje. De certo modo, gostava de toda a sensação de poder que tinha ali em baixo. Era prazeroso o modo como os Demônios se encolhiam quando ele passava.

Estava andando sozinho à alguns minutos quando começou a ouvir um tintilar de metal vindo em sua direção.

Sorriu de canto quando uma Erza suada acenou para si, antes de continuar andando na direção de seu quarto, a armadura fazendo barulho conforme ela se mexia.

–Ah, Natsu-sama!- uma voz infantil ecoou pelo corredor, e o Demônio ergueu os olhos para a figura pequena que vinha correndo em sua direção.

O rosado franziu as sobrancelhas com a garota cabelos laranjas que arfava à sua frente. Uma pequena raposa correu atrás da menina e pulou em seu ombro, aparentemente irritada.

O que aquela Demônia estava fazendo ali?

–Gomen ne por estar aqui sem sua permissão, Natsu-sama.- a ruiva continuou, as orelhas felpudas levemente abaixadas e as quatro caudas se movendo de um lado para o outro. -Astarte–sensei me mandou.

Natsu piscou, entendendo a situação.

–Ah, você é Ellyon, não?-perguntou, continuando seu caminho enquanto ela o seguia. -Aprendiz da Astarte, certo?

–Hai.-ela acenou, o kimono branco e vermelho se destacando entre as paredes escuras e as próprias roupas negras do Dragão.-Astarte–sensei mandou avisá-lo que mudará o local e o horário do encontro de vocês, Natsu-sama. Ela tem uma reunião de última hora com Lilith-sama e pediu para encontrá-la daqui a quatro horas, nos calabouços. O senhor pode?

Natsu assentiu. Lillith adorava marcar reuniões de última hora.

–Será nos calabouços porque ela vai supervisionar sua primeira tortura, não é Ellyon?-o Dragão perguntou, sorrindo malicioso para a pequena Demônia.

–Hai. -o sorriso infantil e os olhos brilhando escondiam a força da aprendiz de Astarte. Natsu sabia que a Demônia não escolhia aprendizes fracas. Apenas as mais frias eram selecionadas.

–Bom. Se quer uma dica -os olhos dela brilharam com a forma que o Dragão falava consigo, fascinada por poder receber conselhos dele- os dedos da mão são algo que os humanos aprenderam a utilizar muito ao longo da evolução. As articulações são bem sensíveis, e as unhas também. -o rosado piscou travesso, os olhos negros brilhando. A ruiva sorriu e acenou, olhando em seguira para a raposa em seu ombro, que mexia a cauda animadamente.

Eu me lembro de Astarte pedindo permissão para criar essa Demônia...

Tanto pelo fato das orelhas e dos rabos, quanto pela pequena raposa no ombro dela, Natsu sabia que ela era uma Kitsune, uma raposa mitológica do Japão. Parte de suas almas eram externas, e se materializavam no corpo de raposas. Por isso esses demônios não poderia se afastar muito desses animas, porque sua força vital está presa neles.

O Inferno ficara desconfiado que a Demônia poderia dar problema, mas Astarte, a Rainha dos espíritos da morte; garantira com sua alma que ela estava perdida e ninguém viria procurá-la. Nenhum deles ali queria começar uma guerra entre demônios por apenas uma filhote órfã de Kitsune.

Ellyon se mostrou extremamente adaptável ao modo de vida ocidental, e guardava poucos costumes de sua origem. Ela era a primeira Demônia 'estrangeira' a estar entre eles.

Depois de entregar o recado, ela se afastou, levando sua aura negra e alaranjada consigo. Acenou uma última vez para o Dragão, que se deu ao luxo de mostrar um sorriso de canto para a mesma.

Natsu continuou seu caminho, e parou em frente à uma grossa porta de madeira vermelha, o tom mais vivo do que o vermelho fosco que faziam as paredes e o teto do Inferno.

Abriu a porta e entrou, encontrando diversos Demônios dentro da sala. Uma grande mesa retangular preenchia o ambiente, as cadeiras em volta da mesma ocupadas, com apenas uma livre.

Ele continuou andando de queixo erguido até seu lugar, na cabeceira da mesa. Não cumprimentou ninguém, e o ar pesava com a quantidade imensa de magia negativa ali presente.

–Você está atrasado.- uma voz fria e debochada quebrou o silêncio, e o Dragão do Fogo encarou o Demônio sentado à sua direta. Ele estava preguiçosamente jogado na cadeira, sem se importar em manter uma postura. Os cabelos negros contrastavam com os olhos inteiros amarelos, sem pupila.

–Azazel.- Natsu respondeu, o tom de voz cortante. Aquele era o Demônio mais forte ali presente, excluindo o rosado. Ainda assim estava 'uma classe' abaixo de si, pois não possuía corpo próprio.

Demônios poderiam ser basicamente classificados em categorias.

A primeira eram dos demônios com corpo e sem alma, como Goblins e Kappas, pequenos e que vivam livremente pela terra, os principais responsáveis por 'mortes acidentais', como afogamento

A segunda eram Demônios com corpo e sem alma, destinados a servirem os que estão acima de si, e só podem sair do Inferno sob ordens, como os Hellhounds. Até essa ordem nenhum deles possui consciência ou pensamentos próprios. Apenas seguem instintos ou ordens. Meros serviçais.

Depois vinham os demônios com corpo, sem alma e com consciência. Eles formam o grande número de torturadores do Inferno, e essa era sua principal função: torturas as almas condenadas a ali permanecerem.

A quarta ordem é provavelmente a mais famosa, a mais conhecida entre os humanos. Dentro dela estavam os Demônios sem corpo e com alma, especializados em possessão. Eles poderiam viver sem um receptáculo, mas apenas no Inferno, não poderiam ficar na Terra apenas com suas almas. Eram os responsáveis pelas possessões demoníacas além de realizarem pactos nas encruzilhadas. Eram suscetíveis à exorcismos em suas línguas nativas e a maioria era afetada pelo Latim. Grande capacidade de persuasão e almas bem grandes, que lhes davam uma força mental incrível.

Nessa classe estavam demônios famosos como Lillith, Azazel, Beelzebub e Leviathan.

A quinta ordem é a mais poderosa, mas também a mais instável. Grandes poderes chamam muito a atenção, tanto dentro do Inferno como fora. Dragões eram criaturas que faziam parte dessa classe, mas todos já haviam morrido. Seus representantes existiam em pequeno número, e estavam acima de todos os demais (possuíam alma e corpo), mas não tinham muita 'voz' no Inferno. Morriam fácil demais para terem 'cargos' e funções fixos. Natsu, Gajeel, Erza e Gray faziam parte dessa ordem, e enquanto vivessem, estaria atolados de coisas para fazer.

E depois, havia Satan. Era raro o mesmo dar as caras a alguém, e quando isso acontecia, geralmente era com sua esposa favorita, Lillith. Tudo parecia funcionar perfeitamente no Inferno sem ele aparecer e botar ordem no lugar.

–Precisamos de informações, Natsu-sama.- um Demônio menor pediu, relativamente receoso em intrometer a troca de olhares frios entre o Dragão e o Demônio de olhos amarelos. -Como anda a situação na Fairy Tail?

O rosado revirou os olhos para a pergunta.

–Exatamente como todas as outras vezes que eu estive aqui: é apenas uma questão de tempo. Estamos simplesmente esperando ordens para matar todos lá dentro.- a voz fria, os olhos negros transmitindo nada além de desprezo.

–E a loirinha, Lucy Heartfilia?- Azazel se intrometeu, observando cada reação de Natsu atentamente. -Será que vamos precisar que eu suba e dê um jeito na puta?

O fogo dentro do Dragão aumentou, e ele sentia o sangue borbulhar com a raiva.

Mas ele nada demonstrou, nem mesmo travou algum músculo.

Apenas encarou os olhos amarelos do Demônio.

–Não se preocupe, eu dou mais do que conta dela.

–Tem certeza? Ouvi dizer que não aguentou a Lisanna...

–Não, apenas cansei do corpo frouxo dela. Do jeito que ela dá, pode até a penetrar com uma espada que ela não irá sentir.

A sala ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois, a risada alta de Azazel ecoou e pode ser ouvida até mesmo fora do aposento.

–Bom, isso não deixa de ser verdade.-ele comentou, despreocupado. -Eu só estava mesmo pensando se a loira não iria causar problemas para você.

O dragão bufou.

–Uma mera humana, apenas com uma alma grande, não vai me causar nenhum tipo de problema.

–Se você diz, Dragão.- ele respondeu, o tom de voz ainda debochado o suficiente para irritar mais ainda Natsu.

–Tem uma aluna nova, e eu já ordenei que o Demônio do Gelo se aproximasse a vigiasse. Tem uma alma suspeita, mas nada preocupante.-ele tinha os olhos fixos na mesa, não se importando em olhar para os demais demônios inferiores da sala.

–O que tem a alma dela, Natsu-sama?

–É apenas uma mistura estranha. Consegue exalar tanto ondas negativas quanto positivas ao seu redor.- o rosado respondeu ao Demônio que lhe perguntara, sem nem mover os olhos para o mesmo. -Com o empurrão certo, podemos tê-la como aliada.

–E o Demônio do Gelo conseguirá fazer isso? Digo, não seria melhor enviar algum Demônio de Possessão para convencê-la?

Natsu ergueu os olhos negros.

–Está duvidando das nossas capacidades, Demônio?

O ar pesou novamente.

A silêncio se formou enquanto o Dragão ali presente exalava sua raiva junto com sua aura em forma de ondas. Não precisou forçar muito para subjugar as outras auras, e a quantidade maciça de negro e vermelho parecia ser a única coisa que existia na sala afinal.

Nem mesmo Azazel ousava soltar alguma frase irônica ou o costumeiro sorrisinho debochado perante ao brilho de poder puro que Natsu Dragneel exalava.

–N-não s-senhor, e-eu j-jamais d-du-duvidaria d-di-disso!-o tal Demônio soltou, esquecendo o orgulho e não conseguindo esconder o medo que sentia.

–Ótimo.-o Dragão se ergueu, e andou até a porta -A reunião está encerrada.

Ninguém disse o contrário quando ele saiu da sala.

–x-

–Wendy-chan. -Loki sorriu, apertando educadamente a mão dela, que também sorriu em resposta.

–Loki-san.- ela cumprimentou, os longos cabelos azuis balançavam com o movimento. Os olhos escuros brilhavam alegremente.

–Já falei pra tirar o -san, lembra?-ele comentou, sorrindo -Essa é a Lucy, uma amiga nossa.-acenou para a loira.

–Prazer, Wendy-chan.- Lucy falou, apertando a mão dela.

–O prazer é todo meu, Lucy-san. -ela respondeu sorrindo -É uma Anja também, não é?

A loira piscou. Estava tão óbvio assim?

Wendy riu suavemente, enquanto Jellal colocava um braço sobre seus ombros, sorrindo.

–Senti o cheiro da sua magia. -falou timidamente. -É bem parecia com a deles.

Calma.

Sentiu o cheiro?

–Eu sou filha de uma Dragão.-soltou um pequeno sorriso de orgulho, e a Anja notou a outra presença que estava na casa. A aura azul intensa indicava o nível alto de magia, mesclada mais com o branco do que com o negro, uma alma completamente sobrenatural. A mulher lhe olhava com o semblante mau humorado.

–E-eu não sabia que existiam Dragões do lado dos Anjos. -Lucy confessou, ainda meio incrédula. Uma pausa. -E você não me parece com os Filhos de Dragões que eu li.

Wendy sorriu meigamente.

–Meus poderes estão parcialmente selados. Assim consigo melhor controlá-los e não fazer nenhuma besteira. -riu, meio tímida no final pelo fato de não ter total domínio sobre sua magia.

–Mas ver a Wendy irritada não é algo muito legal.-falou Jellal, o tom de voz meio sério e meio divertido. A pitada de verdade escondida na brincadeira. -Por isso ela vem treinar com a gente de vez em quando.-terminou, bagunçando a franja dela.

–Hai hai.

Um pequeno silêncio confortável se formou. Lucy ainda estava de certa forma surpresa com a presença da Dragoa, mas sentia que podia confiar nela. Seu instinto lhe pedia para isso.

–SERÁ QUE NÓS NÃO PODEMOS CONVERSAR SENTANDOS TOMANDO UMA XÍCARA DE CHÁ? SEUS IMPRESTÁVEIS! -a voz grave da mulher de cabelos rosa retumbou pelo jardim, mostrando parcialmente o poder real de suas cordas vocais.

Loki e Jellal riram baixinho, enquanto Wendy tinha um sorriso amarelo nos lábios.

–Eu gosto de chá de morango.- a loira falou simplesmente.

–x-

Natsu continuava passando de sala em sala, nas intermináveis reuniões. Essa era sem dúvida, a coisa mais chata de ser um Demônio poderoso. Isso estava finalmente terminando e lhe faltava ir à apenas mais um lugar. Já havia visto a primeira tortura de Ellyon junto com Astarte e a Kitsune se saíra tão bem que a Demônia se animara e lhe dera mais uma alma para torturar. Era incrível como a ruiva se lembrara dos conselhos do Dragão e focara praticamente toda sua atenção nos dedos humanos.

Desceu as escadas de pedra até chegar a uma câmara ampla e longa, as paredes e o teto de uma pedra cinza escuro. O lugar estaria em completo breu se não fossem as poucas tochas presas às paredes, formando sombras.

O Dragão se permitiu sorrir de canto ao sentir a eletricidade estática presente no ar.

Sem sair do túnel com degraus que estava, ele se encostou na parede, ouvindo os sons de batalha. Um demônio foi jogado pela câmara com brutalidade, no exato lugar onde ele deveria estar se entrasse no lugar.

–Tsc, achou mesmo que eu iria cair nisso, Laxus?-perguntou, sem se incomodar em aumentar o volume da voz. Sabia que o loiro o ouviria. Mas três demônios foram jogados em sua direção, e Natsu podia ouvir mais quatro caírem na direção oposta.

–Veio interromper meu treino de novo, garoto?- o Demônio mais velho perguntou, vindo em sua direção.

Natsu ainda sorria debochado quando Laxus entrou em seu campo de visão. O loiro era alto e tinha músculo extremamente definidos, mais do que Gajeel. Usava uma calça preta simples e tinha botas escuros nos pés, mas nada de camisa, deixando à mostra a tatuagem feita com tinta preto no lado esquerdo do peito. Ele tinha uma cicatriz em forma de raia sobre o olho direito, e seguia até a linha do maxilar. Os olhos cinzas tinham um brilho impaciente e quase perigoso.

–O que é dessa vez?

–Apenas checando os setores.- o rosado deu de ombros, observando a grande alma do loiro, uma mistura de amarelo intenso e preto. -Pelo visto a sua situação se acalmou para estar treinando.

Laxus assentiu, cruzando os braços musculosos em frente ao torso nu. Ele podia ser considerada um 'meio Dragão', uma vez que não tinha descendência direta com um, mas fora criado pelo Dragão dos Raios. Devido à isso ele não estava submetido à tantas regras e normas como Natsu e Gajeel, mas ainda tinha algumas características especiais. Não era à toa que era o líder da Ordem Interna do Inferno, estando sob sua responsabilidade punir demônios que faziam o que não deviam.

–Sim, nós já lidamos com todos os Demônios que havia tentando tomar o poder no oeste. Essas pequenas rebeliões estão se tornando cada vez mais comuns.

O Dragão de fogo suspirou, passando as mãos pelo cabelo.

–Eu ainda suspeito de alguém do alto escalão.

–Como quem, Lillith?-o loiro pediu, quase debochando da ideia.

–Claro que não, aquela lá só vive para ver se o marido precisa de algo, nada mais. Deve ser perigosa quando sai do ninho, mas ela nunca sai, então não é ela.

–Está com alguém bem específico em mente, não é Dragneel?

–Ah sim, Azazel obviamente. E eu presumo que pela sua expressão, você também conhece alguém de quem desconfiar, Dreyar?

Laxus fechou a cara. Odiava como o rosado facilmente conseguia ler as pessoas por ver suas almas, e ele parecia precisamente bom quando o assunto eram Demônios mentindo. Por um lado era uma arma útil em casos de traição, mas também colocava o Dragão em uma posição eterna de possível inimigo.

Sim, ele tinha suspeitos. Afinal, aquelas rebeliões de Demônios pequenos tentando derrubá-los do poder estavam constantes demais. E nunca parecia haver um líder, apenas os seguidores.

Era óbvio que alguém grande estava por trás disso.

–Falando nisso, fale com aquele cabeça de metal para treinarmos juntos um dia. -o loiro falou, com um sorriso divertido no rosto, observando o Dragão do Fogo lhe dar as costas, e começar a subir as escadas que antes o levaram ali.

–Claro. Mas você e ele vão perder de qualquer jeito.-Natsu retrucou, sorrindo. -E pode esperar que vamos destruir algumas paredes, faísca.

–Como se isso não fosse óbvio, fogueira.

Talvez a hora dos três Dragões estarem juntos novamente estivesse se aproximando.

–x-

Lucy e Levy não paravam de falar um minuto enquanto conversavam no corredor em direção ao refeitório. Ambas tinham os olhos castanhos brilhando quando falavam sobre seus livros preferidos.

Cana resmungava algo com Jellal sobre o fato de querer beber e o Anjo apenas revirava os olhos sob a conversa dela.

Juvia os acompanhava, em silêncio. Tinha tido uma ideia durante a última aula e quase não conseguia conter o sorriso que ameaçava chegar em seus lábios. Estava ansiosa para colocá-la em prática.

Assim que o grupo entrou no refeitório, as auras predominantemente brancas de Jellal e Lucy entraram em choque com as negras já presentes. O ar se tornou mais leve devido à presença dos Anjos, e Loki logo veio abraçando a cintura da loira e lhe dando um beijo estalado na bochecha.

–Juvia-chan, você vai querer qual suco?-Levy a perguntou, na fila da cantina.

–Juvia vai querer o de uva e você Levy?-pegando o suco e um canudo.

–Maracujá.- a azulada respondeu com um sorriso e ficando na ponta dos pés para pegar um pacotinho de cookies -Não vai comer nada Juvia-chan?

–Hoje não. -piscou travessa para a garota, antes de se virar e começar a se afastar do grupo, indo para a direção oposta de onde eles normalmente sentavam.

–Juvia?-Lucy perguntou, os olhos seguindo a garota de cabelos azuis cruzando o refeitório e se sentando displicentemente em uma das mesas.

A tensão e incredulidade pairou conforme a azulada sorriu para as outras pessoas que já estavam sentadas naquela mesa.

Talvez nem mesmo Natsu, Gajeel, Erza, Gray e Lisanna estivessem preparados para ver a garota sentar com eles.

Natsu ergueu uma sobrancelha com a presença da garota, como se questionasse se ela realmente tinha a certeza de se sentar ali.

Gajeel bufou e voltou os olhos vermelhos para o pacote de salgadinho em sua frente. Bom, ela não deveria ser completamente idiota, não é?

Erza a encarou por alguns momentos, decididamente pensando que talvez a azulada quisesse cometer suicídio. Mas depois do sorriso extremamente aberto da mesma, estava mais para que precisava de ajuda psicológica.

Lisanna tinha a boca escancarada de surpresa, os olhos arregalados, na melhor imitação de uma atriz de cinema fazendo uma expressão de susto. Era tão realista que chegava a ser falsa.

Gray olhos nos olhos azuis e ela respondeu o olhar, o moreno conseguindo ver aquele ar de brincadeira e malícia como vira na piscina. Sorriu de canto e relaxou, se inclinando para trás na cadeira.

–E aí?-perguntou, atraindo a atenção dos outros Demônios para si. A azulada era sem dúvida uma pessoa interessante em sua visão e ele estava completamente relaxado com a presença da 'intrusa'.

–Tudo bem pessoal?-Juvia perguntou, ainda com o sorriso fofo nos lábios. -Caso não se lembrem, sou a aluna nova, Juvia Loxar. É um prazer conhecê-los. Ouvi muito falar de vocês.

O duplo sentido na última frase atraiu a atenção de todos, mas nenhum deles demonstrou.

–Porque está sentada aqui, garota?-perguntou Lisanna, já exalando ciúmes e inveja pelos poros. Não gostava de disputar a atenção com ninguém.

Os olhos azuis se encontraram.

–Apenas acho que como colegas de sala, devemos nos dar bem, não acha? Cooperação entre os alunos é uma regra básica do colégio, não?-Juvia não se abalou com o olhar venenoso que a albina lhe dava.

–Depende do tipo de cooperação que está falando, Loxar.-não, Lisanna realmente não gostava de dividir a atenção que poderia receber apenas para si com outra pessoa. E com o fato de que praticamente todos os alunos encaravam a mesa deles por causa da azulada, a Demônia não parecia muito feliz.

Pelo canto do olho, Juvia conseguiu ver Erza revirar os olhos discretamente com o que a albina falara.

–Lisanna, seja uma boa anfitriã para nossa caloura, por favor.-Gray pediu, o tom de voz meio brincando meio sério. -Ela apenas quer se enturmar, não notou?

–Achei que ela já estava enturmada com outras pessoas.

A azulada não resistiu e riu suavemente com as palavras da Demônia.

–Eu não vejo problema em querer me enturmar com mais pessoas, Lisanna-chan. -ela começara falando toda fofa e terminada com a voz ácida, frisando o apelido debochado da garota. -O colégio parece precisar de alguém para acabar com essa divisão boba entre os alunos.

Os olhos azuis da albina faiscaram e ela abriu a boca para retrucar, mas foi a voz de Natsu que a impediu de falar.

–Pare de agir como uma criança mimada, Lisanna.- o rosado tinha o tom de voz calmo, mas a ordem estava explícita por trás dele. -Se ela quer fazer amigos, deixe ela.

Juvia sorriu abertamente para o Dragão, fazendo questão de enviar mais ondas negativas ao seu redor, sabendo que ele perceberia.

–Arigatou, Natsu-san.

Lisanna encarava Natsu com completa incredulidade.

Primeiro ele a dispensara, depois de anos 'juntos'. Depois usava toda a sua atenção na Heartfilia, e agora estava defendendo aquela coisa azul?

Soltou um gritinho agudo de raiva e saiu batendo os pés do refeitório, chamando mais ainda a atenção dos outros alunos.

–Doida...-Gray resmungou, passando os dedos pelo cabelo negro.

–Aah, sinto muito. Eu fiz você brigarem, não é?-Juvia falou, o tom de voz sentido e a expressão de culpa no rosto. -Eu sou uma pessoa horrível mesmo, me perdoem, por favor.- se levantou e se curvou para os Demônios, que a encaravam sem saber direito como agirem.

–...Juvia?-Gray perguntou, as sobrancelhas franzidas em confusão. A azulada dera alguns passos para trás, encarando os quatro.

–Espero que vocês se reconciliem. Não foi minha intenção causar discórdia entre amigos.- toda sua figurava exalava o que ela falava, a culpa e o remoroso, desde a expressão à postura corporal.

Apenas os olhos azuis brilhavam daquele jeito malicioso e brincalhão.

Quando ela de fato se afastou e cruzou o refeitório para ir se sentar ao lado de Lucy e Cana, Natsu olhou fixamente para o Demônio do Gelo.

–Quero que se aproxime mais dela, cubo de gelo.

–Eu sei cabeça de fósforo. E já tenho uma ideia.-o moreno falou, se lembrando dos óculos de natação azul escuros que estavam dentro de sua mala, apenas esperando para serem devolvidos à sua dona original.

–x-

Levy cantarolava feliz pelo corredor que levava à biblioteca do colégio. Lucy estava na aula de literatura e Loki na de culinária, e sua própria aula de química foca cancelada. Decidindo esperar os amigos antes de ir para casa, ela se dirigia ao salão com muitas estantes cheias de livros.

Entrou silenciosamente no lugar, sorrindo para a bibliotecária em cumprimento, e a velhinha sorriu docemente de volta para a azulada antes de fechar a cara na expressão severa de sempre.

Levy riu internamente com o fato, e caminhou pelas estantes e mesas com alunos estudando até o fundo da biblioteca, o lugar mais calmo e o preferido dela. Colocou sua mochila amarela com estrelas azuis em cima da mesa que já era sua conhecida e voltou a andar distraída pelos corredores de estantes.

A biblioteca do colégio era algo impressionante.

Tinha aproximadamente 400 mil livros em seu acervo, além de uma seção separada para livros raros e antigos. Se alguma vez Levy pensou em fazer algo ilegal, seria ver esses livros que nenhum aluno tinha permissão.

Os olhos castanhos corriam pelas prateleiras, buscando algo que pudesse ler para matar o tempo. Não que fosse tão difícil achar algo para ler, era só difícil achar algo que a azulada ainda não havia lido.

Checando sua lista mental de livros que ainda queria ler, se lembrou de um específico e começou a se dirigir para a seção indicada pelo mesmo.

Passou pelas estantes dos livros de aventura, comédia, terror, romance, policiais, e chegou aonde queria.

A seção de línguas estrangeiras era uma que agradava especialmente Levy. Ela era fascinada por línguas diferentes e viviam aprendendo novos idiomas, apenas lendo dicionários e livros técnicos das línguas. Além de saber mais sobre a cultura que envolvia as mesmas.

O idioma da vez era o Latim.

Já estava aprendendo o mesmo havia algum tempo, e era incrível como ficava mais fácil aprender outros depois desse.

Afinal, o Latim seria o 'pai' de pelo menos outras 9 línguas. Mesmo já estando extinto, era incrível como a sonância e regras gramaticais eram as mesmas para línguas como o inglês, francês e italiano.

Atualmente, ele era apenas usado em documentos internos do Vaticano, mas desde que se tornara uma 'língua morta', se tornara comum usar o Latim em livros de feitiços e magia.

Incrivelmente, a biblioteca da Fairy Tail tinha uma grande número de livros sobre magia, a maioria cópias de verdadeiras raridades.

Levy correu os olhos pelos livros, buscando aquele que tinha cópias de documentos do Vaticano sobre o uso do latim em exorcismos.

Achando o livro, ela ficou na ponta dos pés para alcançá-lo, mas ainda assim seus dedos apenas roçaram no lombo do livro de capa bordô.

–Precisando de uma ajudinha?-perguntou uma voz suave e gentil atrás dela, baixa o suficiente para não incomodar ninguém na biblioteca, mas alta o suficiente para que a azulada a ouvisse.

Se virou, encarando um homem, não devendo ter mais do que 25 anos. Tinha cabelos verdes que caíam praticamente soltos até sua cintura, presos apenas nas pontas por tiras brancas. Parecia magro, mas nada esquelético, e usava a roupa formal do colégio com camisa branca e um sobretudo vermelho com botões pretos, além da calça social preta e botas brancas.

Elegante”

–Sou Freed Justine, o novo bibliotecário. -ele sorriu para a azulada, que sentiu as bochechas adquirirem um leve tom rosado. Os olhos verde azulados a olhavam atentamente, e ela tratou de sair da pose de estátua em que ficara tentando alcançar o livros.

–Sou Levy McGarden, aluna do segundo ano.- se apresentou e ele sorriu.

–É um prazer conhecê-la. Precisa de ajuda com o livro, Levy-san?

Os olhos castanhos foram do livro alto demais para ela pegar e depois para o homem.

–Eu não queria ter que pegar a escada, eu sempre a derrubo e faço um barulho gigantesco.-confessou baixinho, mordendo o lábio inferior.

Ele riu suavemente e deu alguns passos até ficar ao lado dela.

–Então, qual livro a senhorita procura?

Levy corou inconscientemente com o 'senhorita'.

–Er...O-o de capa vermelha.-apontou timidamente e Freed e se bateu mentalmente por gaguejar. Ela não era normalmente tímida assim. Freed se inclinou para a frente, e Levy se viu encurralada entre a estante e o corpo dele, que puxava o livro para fora da prateleira com uma expressão séria.

–Então está estudando sobre Demônios?-o homem perguntou, e algo em seu tom de voz fez a azulada se arrepiar.

Ergueu os olhos castanhos e olhou nos azuis dele, que buscavam sua resposta seriamente.

–N-na verdade estou estudando Latim.-Levy respondeu, se sentir menor perante os olhos questionadores do novo bibliotecário. -N-não g-gosto de demônios e c-coisas assim.

Ele pareceu ficar satisfeito com sua resposta e se afastou, mas ainda tinha os olhos fixos na azulada.

–Bom. Muito bom. -Freed lhe dirigiu um último olhar estranho que fez Levy novamente se arrepiar -Se precisar de mais alguma coisa, não hesite em me pedir ajuda, senhorita. -e se afastou com seu andar elegante.

Assim que a garota ficou sozinha no corredor, levou a mão ao peito, se perguntando porque seu coração batia tão rápido e sua corrente sanguínea tinha adrenalina dentro dela.

Identificou a sensação que fez sua respiração ficar pesada e arrepios correrem sua coluna enquanto o novo bibliotecário lhe olhava com aqueles intensos olhos verde azulados.

Medo.

Subitamente, se lembrou de quando Cana a jogara na piscina e fora salva por Gajeel.

O moreno reagira rapidamente, mesmo que a garota tivesse apenas caído na água, e não de um precipício. Em questão de milésimos de segundos ele tinha os braços musculosos em torno do seu corpo, e a tirara do possível perigo de se afogar. Sentira o coração dele batendo no mesmo ritmo apressado do seu e os olhos vermelhos tinham um brilho curioso de preocupação que apenas a azulada vira.

Mas exatamente agora, no meio da biblioteca, perdida entre as inúmeras estantes, Levy queria ter a sensação de segurança que o abraço de Gajeel lhe passara.

–x-

Natsu brincava distraidamente com a lapiseira em sua mão, tradicionalmente não ouvindo nenhuma palavra do que a professora de Literatura falava na frente do quadro negro.

Magicamente, ele não estava com os olhos fixos na garota loira que fazia parte da sua sala. A sua última visita ao Inferno e a desconfiança mútua que ele e Laxus tinham estava presente constantemente em sua mente. Era um assunto que merecia uma atenção especial, mesmo que a situação atualmente se encontrasse sob controle.

Um movimento estranho em sua visão periférica chamou a atenção de Natsu e o fez virar a cabeça para o lado, buscando o que tinha acontecido. Acabou por encarar uma borracha branca que provavelmente tinha caído de alguma carteira e quicou até perto de si, parando do lado de seu pé direito.

Se abaixou e pegou a borracha, olhando em volta para ver se algum aluno tinha sentido a falta dela. Ninguém parecia se importar.

A maioria dos alunos tinham expressões de tédio, um ou dois estavam prestando atenção, mas um rosto que mostrava nada mais do que admiração pura chamou -como sempre- o seu olhar.

Os olhos castanhos de Lucy brilhavam intensamente, fixos na professora e aboservendo cada palavra dela com máxima atenção. Tinha os cotovelos apoiados na mesa e o rosto apoiado nas mãos, os dedos longos às vezes se mexendo distraidamente na pele de sua bochecha.

Ela estava inclinada para a frente, como se não bastasse estar apenas presente na sala e ouvindo a professora, precisava estar mais perto daquilo.

Não só seus olhos expressivos e sua postura corporal demonstravam seu bom humor, como sua alma também o fazia.

O amarelo parecia mais intenso, mais brilhante, e Natsu sou que essa coisa de livros era algo que a própria garota gostava, não sendo uma característica proveniente do branco, de sua possível descendência angelical.

Conseguia ouvir o coração dela bater ligeiramente mais rápido que o normal, tudo apenas à pura emoção de estar ouvindo algo que lhe agradava.

O Demônio sorriu internamente com a sensibilidade dela. Era uma admiração tão pura e inocente que quase lhe lembrava o jeito de Happy.

A professora falou algo que fez alguns alunos rirem baixinho, alguma piada nerd que os sentidos do Dragão não se preocuparam em captar. Toda a sua atenção estava novamente voltada para Lucy.

Viu-a rir discretamente, colocando uma mão na frente da boca, como uma dama. Os fios loiros acompanhavam seus movimentos, balançando levemente nas marias chiquinhas baixas que ela os prendera. Os olhos castanho brilharam mais e o rosado podia sentir a alegria fluindo dela, mesmo estando um tanto quanto afastado.

E Natsu sentiu ciúmes.

Ciúmes da quantidade de atenção que aquela professorinha medíocre estava recebendo.

Ciúmes de como os olhos castanhos estavam fixos em sua figura durante a aula inteira.

Ciúmes de como coisas tão banais como literatura pudessem fazer Lucy sorrir daquela maneira tão linda.

Ciúmes porque ela não dedicava aquela atenção para si.

No fundo de sua mente, ele concordou com seu instinto dracônico que lhe dizia que aquela professora ficaria muito bem sendo uma pilha de cinzas.

Ele ainda encarava Lucy quando viu sua expressão mudar para animação. A voz da sensei falou algumas coisas e os alunos se mexiam em suas carteiras, sorrindo uns pros outros.

Em determinado momento, Lucy pareceu ter ouvido algo mais interessante e ela endireitou um pouco a coluna, atenta ao que ouvia.

Os olhos dela se arregalaram levemente antes de mover sua cabeça, buscando uma pessoa na sala.

E o castanho encontrou o verde escuro.

Natsu tentou com todas as suas forças não se perder, tentando desviar sua atenção pra qualquer coisa que não fosse os olhos dela o olhando daquele jeito. Precisava desesperadamente de autocontrole e isso ficava cada vez mais difícil com Lucy por perto.

–...E bom, essas são as duplas do trabalho. Não, eu não vou mudar sua dupla se você não gosta dela, apenas aprendam a trabalhar em grupo e lidar com as diferenças. O resto da aula é pra vocês começarem a se organizar.- ele conseguiu ouvir a professora, e foi a sua vez de arregalar os olhos.

Trabalho em dupla?

Não, por favor não diga que esse era o motivo dela ter encontrado o seu olhar-

–D-dragneel-san?

Que tipo de sorte ele tinha? Isso é, se pudesse existir algo como sorte, porque ela não estava do seu lado.

–E-eu posso me sentar ao seu lado?-a loira perguntou, sabendo que ele a ouvia mesmo que não a olhasse. -P-precisamos d-descutir as c-coisas do trabalho...

Natsu respirou fundo e olhou para o lado. Lucy tinha as mãos apertadas nervosamente na frente do corpo, segurando uma caneta e um caderno pequeno. Seus olhos estavam receosos e ele conseguiu ver como ela forçara a si mesma estando ali, a alma clara repelindo qualquer contanto com a sua escuro.

–Sente, loirinha.- falou simplesmente, e a ouviu arrastar uma cadeira, se sentando encolhida e colocando o caderno no colo.

“Coitada da Lucy, tendo que fazer trabalho com aquele monstro...Espero que ele não a machuque, ela é tão delicada!”

“Sim e é linda também. Tomara que ela não caia na conversa dele.”

“Sim, seria triste ver uma garota como ela acabar como todas as outras que ele já enganou.”

“Que pena que a professora não nos deixou trocar de duplas, eu a trataria muito melhor do que ele!”

Natsu cerrou os dentes, ouvindo os comentários dos outros alunos sem querer com sua audição sensível.

–Ah, minha borracha! -Lucy exclamou feliz ao seu lado apontando para a borracha branca que ele achara e colocara em cima de sua carteira. Apenas ouvir a voz dela o fizera esquecer das outras presentes na sala.

–É sua?-Natsu perguntou, levemente satisfeito de notar que o medo dela estava diminuindo.

–Bom...Eu não acho a minha borracha e essa é exatamente igual a ela...É sua?

–Eu a achei no chão.-ela sorriu e pegou a borracha, sorrindo levemente.- Deveria prestar mais atenção, loirinha.

Ela fez uma cara de desgosto e suspirou.

–Dragneel-san, sei que não gosta muito de mim, mas realmente precisamos fazer esse trabalho. Eu vou me esforçar para que possamos nos entender, será que você também poderia fazer o mesmo? -perguntou, olhando nos olhos dele. O medo tinha sumido, restando apenas determinação e um pouco de ternura, que ficara explícita no tom de voz doce. Natsu se sentiu uma criança sendo tratado daquela maneira, mas tinha que concordar com ela.

Não pelo trabalho, isso era o que menos o incomodava.

Precisava (e queria) saber mais sobre ela e um trabalho em dupla era perfeito para isso.

O único problema seria se controlar.

–Tudo bem, loirinha. Prometo que vou tentar me comportar melhor.-sorriu presunçoso, o tom de voz ainda exalando malícia.

Os olhos castanhos brilharam ligeiramente diferentes.

–Eu acho que um bom começa seria você me chamar de um jeito diferente. Não me lembro de ter me apresentado como 'loirinha'-falou, levemente emburrada pelo apelido que ele lhe dera.

O rosado se permitiu rir levemente com isso, não conseguindo evitar ao ver a expressão fofa que ela tinha.

–Tudo bem, tudo bem. Sobre o que é a merda do trabalho mesmo?-perguntou tentando parecer despreocupado, mas sentia o coração bater levemente mais rápido no peito.

Lucy claramente estava se esforçando para que o clima entre eles ficasse normal.

–Você não prestou atenção na aula não é mesmo?-o tom de voz estava com um tom levemente repreensivo.

Ele apenas ergueu uma sobrancelha em resposta, os olhos verde musgos falando por si s''o.

A loira suspirou.

–Sobre Gil Vicente. Temos que fazer um resumo das obras dele e entregar.

Um pequeno momento de silêncio.

–Como fazer fazer isso?

–B-bom eu acho que vamos ter que nos encontrar no período extracurricular...

–Sua casa ou a minha?- Natsu foi direto, olhando nos olhos dela. Um arrepio correu sua coluna notando que era exatamente isso que falara para muitas humanas antes de uma noite sem dormir. Sentiu o corpo aquecer e seu baixo ventre se contrair com a ideia de ter a loira naquela situação consigo.

Não Natsu, não pense em como os seios dela deve ser macios, em como sua cintura é fina, em como seus quadris se encaixariam com os seus. Não pense.

Lucy apenas ficou pensativa, completamente alheia ao possível duplo sentido da frase que ele falara.

–Bom, eu não sei bem onde é sua casa e não sei se seus pais não vão se importar de me ter lá e-então...Q-que tal na minha?

No fim era óbvio que Natsu não poderia levá-la para a mansão. A mesma era morada de mais de vinte demônios, e se a levasse, teriam que ficar trancados no seu quarto, onde nem mesmo Lisanna teria coragem de incomodar. E a ideia de ele e Lucy trancados dentro de um quarto não era boa para seu autocontrole.

E ela ainda pensando nos pais dele, que inocente.

–Qual é o número da sua casa?

Ela franziu levemente as sobrancelhas.

–Mas eu nem te-

–Você me falou aquele dia no bosque que morava na Rua das Flores. -ele soou impaciente e a viu travar com a menção daquele encontro. -Que número é a sua casa?

Lucy corou levemente e abaixou os olhos.

–É número...-a loira fez uma pausa e mordeu o lábio inferior, tentando se lembrar. Não notou como Natsu fechara uma das mãos em punho com a ação dela, o desejo aumentando dentro de si. Ela não tinha noção como isso era tentador pra ele?

–E-eu não me lembro, gomen. -sussurrou tímida. Eram tantas coisas para se lembrar e aprender sobre a Terra que nem se tocara que isso deveria ser uma das primeiras coisas que devia saber!

O sinal bateu e a maioria dos alunos se levantou e começou a sair da sala, alguns olhando de canto para o Demônio e a Anja.

–Esquecida. -ele debochou, mas em um tom mais leve -Depois da aula de amanhã eu vou com você até lá. -o rosado se levantou e Lucy olhou para cima o encarando. Eles iriam juntos pra casa dela...?

–T-tudo bem.- ela também se levantou, mas continuou o olhando, admirando os olhos verdes que tanto a encantavam. Ela não podia deixar de ser sentir extremamente feliz ao constatar que a maior parte do tempo que estava do lado dele, ele tinha tido essa cor no olhos.

Jogando a mochila por cima do ombro, Natsu sorriu brincalhão da mesma maneira que fizera na primeira aula de literatura.

–Então até amanhã, Lucy.


Notas finais
Yaay!

Um monte de personagens novos, não é? Aos poucos eu vou introduzindo todo mundo que tem pra chegar (e olha que FT tem muita gente!) e a história vai ir se desenrolando *u*

Quem conhece Supernatural sabe muito bem quem é o Azazel e eu me baseei na série para falar do 'físico' dele ^-^

Enfiim, finalmente NaLu começando a surgir no horizonte! Eu estava tão ansiosa pra escrever sobre eles, ain *o* (também sou NaLutard, pfvr)

Qualquer erro, dúvida, crítica, elogio, reclamações, tédio, fome, frio, solidão, e ideias, por favor, comentem! :3

Ja Ne~