Anjos Da Morte
9 Capítulo 9 / Anjos da Morte / Férias
Notas iniciais
Até se dar conta de que existem cada vez mais pessoas diferentes.
Após o massacre do estacionamento, boa parte da polícia e imprensa foi investigar os culpados. Não obterão provas concretas, e os acusados não foram divulgados, pois ninguém teve coragem de denunciar Orion por dar valor a própria vida.
O lado bom de tudo é que nesse período de férias passei muito tempo ajudando Orion a se recompor, e ele já se encontrava bem melhor. Segundo ele mesmo, os olhos vermelhos tendem a perder o controle quando veem alguém importante para si se ferindo. É uma espécie de instinto dos anjos que ele herdou, de guardar e proteger tudo aquilo que importa pra integridade humana.
O lado ruim é que Komuro Yamazaki, primo do gordinho Gabriel Yamazaki, ficará hospedado no nosso colégio pelo resto do ano. Ele é muito mais inteligente do que os humanos normais, e já suspeitava que Orion tivesse alguma relação com o caso do estacionamento. De uma forma ou de outra, precisaríamos ter o dobro de cautela daqui por diante.
Alex também terminou com o seu namorado depois de descobrir com que pessoas ele estava andando, o que me deixou feliz de certo modo. Ela estava sendo a mesma menina doce e sincera de um mês atrás, quando me acolheu nessa escola. Alexandra também fez amizade com Orion, assim como Henrique e Gabriel Yamazaki. E juntos, nós formávamos um grupo interessante de amigos.
Interessante e falso. A nossa amizade pode ter começado a ser linda, mas era baseada em mentiras, e uma hora ou outra Orion iria se descontrolar, pondo todos dali em risco.
Também passei boa parte do meu tempo com Edmundo, o professor de Língua Portuguesa. Fui a casa dele algumas vezes para recuperar as notas, e não deixei de jogar xadrez com o César, orientador do colégio. Ele era bom demais, tanto que só consegui ganhar duas vezes.
Mas gostaria de te dizer, que também ando muito triste. Até porque minha irmã tá sofrendo depressão, e por isso ninguém veio me visitar nessas férias. Acho que no fundo sempre fui sozinho, porque todos eles não dão a mínima pra mim. Mesmo assim, continuo amando todos, porque não consigo odiar alguém facilmente.
Então, hoje foi meu primeiro dia de aula. Fiquei andando com Orion e Yamazaki, já que não gostaria de ficar atrapalhando Alex e Rick. Não aconteceram coisas muito interessantes, tirando Komuro e uma aula nova, chamada Aline. Ela era alta, magra, ruiva e tinha um sobrenome russo muito difícil de ser pronunciado e escrito.
Já Komuro era baixinho e um pouco franzino, tendo cabelos lisos e feições asiáticas. Mesmo assim, não deixava de despertar atenção das meninas da escola, que se impressionavam com sua inteligência e esquisitice. No fundo, era um cara bom e legal, contanto que não descobrisse o segredo de Orion.
Também ganhei um caderno especial do meu amigo de asas negras. Ele disse que este caderno era tão antigo quanto à existência dos deuses, e que eu seria um dos primeiros mortais a tocar num.
Agora, estou registrando todos os momentos nele, porque quero me tornar um escritor algum dia, e contar a todos minha história. No fundo, escrever é a única coisa que eu faço e não dá errado.
Não sei se muitas coisas vão acontecer daqui por diante, mas já posso fazer pequenas previsões: Alex vai arranjar outro namorado no baile dessa semana, Rick vai me ignorar por não gostar muito de Orion, Gabriel Yamazaki será um grande amigo, Komuro ficará me investigando e o Orion, bom... O Orion será o Orion de sempre.
Só espero que toda essa porcaria acabe, e agora estou andando com o caderno na mão e escrevendo coisas desinteressantes. Acabei de cumprimentar César discretamente, e aquela garota russa Aline está falando com um homem alto, gordo e rude em um idioma esquisito que não faço a mínima questão de aprender.
Aline está com o cabelo ruivo trançado, com um casaco preto e grande que não cabe nela, e um shortinho jeans. Estava tão linda quanto uma deusa grega, o que me deixou com muita vergonha.
Ela segurava um envelope branco, e então o entregou ao homem gordo. Se despediu dele com um ar misterioso, até se dar conta que eu estava atrás dela, tomando água. Ela deu um sorriso lindo e doce pra mim, e eu fiquei tímido, há ponto de não retribuir o comprimento.
– Oi. – Disse ela, me cumprimentando.
– Oi... É... – Foi tudo o que consegui responder, timidamente.
Ela deu um sorriso doce novamente, e se foi. E foi tão lindo. Fiquei tão feliz.
Até perceber que havia alguém atrás de mim, que logo proferiu:
– Interessante...
Virei para trás. Era Komuro.
Notas finais
Abraços.
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