Anjos Da Morte

7 Capítulo 7 / Anjos da Morte / Olhos Vermelhos


Notas iniciais
Peter descobre a verdadeira identidade de Orion, e ambos acabam se metendo em mais uma encrenca.
E aí, tá preparado para esse capítulo de tirar o fôlego?

Abri meus olhos. Vi um homem alto de cabelos pretos, com olhos escuros como a noite. Vestia uma jaqueta preta por cima de uma blusa branca, fumando um cigarro elegantemente. Era Orion, só podia ser ele. Porém, Orion era o tipo de pessoa que mudava muito de fisionomia, até seus olhos mudarem da negritude para a vermelhidão, de forma com que a bola de seu olho se tornasse completamente vermelho sangue.

Fiquei assustado, aterrorizado, horrorizado. Não havia adjetivos capazes de dizer o que eu sentia ao olhar pra ele. Aquele ali não era mais o garoto sarcástico e legal, que gostava de ser chamado de Sid. Aquilo lá era um demônio e um anjo, sibilando juntos no mesmo corpo.
Levantei minha cabeça, e percebi que estava dentro de um quarto escuro, com o pôr-do-sol refletindo sobre nossos rostos. Orion me encarava, sem falar nada, esperando que eu tomasse a iniciativa para puxar conversa.

Depois de longos minutos, resolvi abrir um palavreado:
– O que foi aquilo ontem à noite? Porque eu não morri? E porque você ainda está vivo? – Eu o questionava.
– Querido amigo, seja bem vindo a outro mundo. Vou lhe explicar tudo de uma vez, quem eu sou, da onde eu vim, quem me fez. – Dizia Orion, serenamente.
– Hã... É... Está bem! – Foi tudo o que consegui dizer.

Então, Orion começou a sua explicação:
– Há muitos e muitos anos, antes mesmo da existência da humanidade, criaturas divinas governavam o mundo no lugar do criador. Deus deu-lhes o poder da divindade, e então proferiu que o bem e o mal seriam necessários para manter o equilíbrio do universo. Acontece que esses anjos eram dotados de poderes inimagináveis, e não eram bons nem maus, fazendo com que o universo, ao contrário do que pensava o criador, desiquilibrasse. Não poderia haver mal e bem no céu, nem bem e mal no inferno. A luz suprema, então, decidiu tirar o universo da posse desses anjos, e proclamá-los deuses de sua própria dimensão, como um antigo anjo chamado traiçoeiro fez ao trair o céu. Nasciam aí, os Deuses da Morte.

– Tá bom Orion, mas o que o cristianismo tem haver com você? – Perguntei, querendo saber logo a verdade.
– Calma, já vou chegar lá. Você é apressado demais. – Retrucou.

E então, ele prosseguiu:
– E como todos os deuses precisam de seus anjos, as cinco divindades da morte escolheram vinte anjos do céu para servi-los. E meu pai, Apolo, estava entre eles. Esses anjos, em sua maioria, eram deprimidos, desacreditados, ou maus, então aceitaram morar na nova dimensão em busca de uma eternidade melhor. Com o tempo, as funções deles ficavam mais evidentes, e eles amparavam quem era justo de ir ao paraíso ou ao inferno. Também ganharam dois cadernos, um branco e um preto, que tinham o poder de reviver ou matar pessoas com amostras de sangue. Outra habilidade dos deuses foi dar aos seus anjos a capacidade de se tornarem humanos por algum tempo, tendo seu poder reduzido, porém as divindades de carne e osso ainda continuavam muito mais fortes que um humano normal.

Orion jogou seu cigarro pela janela, bebeu um gole d’ água e enfim continuou:
– Aconteceu que esses Anjos da Morte conheceram mortais, e começaram a se apaixonar por elas, já na idade medieval. Meu pai achava o amor uma babaquice, até conhecer minha mãe, uma bela atriz de teatro nos anos 70. Foi desse relacionamento que surgiu eu, só que nem tudo foi um mar de rosas. Os deuses já se agitavam com o fruto desses relacionamentos, até que um grupo angélico de demônios recebeu ordem para matar todas as famílias que tinham um filho meio anjo, meio humano. Era uma tarde fria em Londres, e eu tinha só seis anos. Havia sido um dia muito legal, porque eu acabei de chegar do parque com meu pai. Quando abrimos a porta, vi minha irmãzinha e minha mãe mortas, sangrando compulsivamente, com um demônio ossudo olhando para nós. Meu pai estava muito nervoso, e correu comigo, para não morrer. Ele estava preso ao seu corpo físico, então não poderia enfrentar um monstro poderoso com aquelas capacidades. Ele estava chorando muito, e eu também. Papai voou comigo até o mundo dos deuses da morte, numa outra dimensão, conhecida como trevas. Ele me apunhalou pelas costas, me fazendo ficar desacordado por quase trinta anos, sem envelhecer.

– E quando você voltou? E porque seus olhos estão vermelhos? – Perguntava ainda cercado de dúvidas.
– Eu tenho dezessete anos fisicamente, então não voltei há muito tempo. Aquele massacre ficou conhecido como “Vermellion”, e desde então todos passaram a nos chamar de olhos vermelhos.

Orion deu outra pausa para beber água, e parecia estar suando frio ao contar essas coisas, por mais que ele tenha um grande controle emocional. Depois de algum tempo, voltou a dizer:
– Resumidamente, eu sou metade anjo, metade humano. E acabei herdando algumas habilidades do meu pai, que só funcionam contra anjos e humanos: ler pensamentos e prever o futuro que vai acontecer a cada 2 minutos. Ou seja, posso saber de muita coisa que você está pensando agora.
– Isso é invasão de privacidade. – Brinquei.
– Tem razão. – Concordou Orion, rindo.

Depois ele se levantou da cadeira, me ajudando a sair da cama. Logo, deu a última informação:
– Desculpa ter me jogado do prédio, era só um teste pra ver se você realmente era um amigo confiável para saber a verdade. E você passou nele.

Depois de um certo tempo, Orion disse pra eu ir me trocar que iriamos visitar Alex no Hospital a noite. O que eu não contava é que eu iria de garupa na moto dele, o que me fez morrer de medo, já que ele ainda não tinha idade pra dirigir (embora parecesse ter uns 21 anos).
– Relaxa cagão. – Foi tudo o que ele disse.

E assim chegamos rapidamente no hospital, e presenciamos uma cena horrível. Foi aí que eu percebi o quanto Orion se importava com as pessoas, não por ele ser diferente, mas sim por ser humano e ter sentimentos. Bem na sala de espera, havia um garotinho de sete anos chorando compulsivamente, dizendo que sua mãe e sua irmã estavam morrendo. Elas estavam à beira da morte, no chão do hospital, sem atendimento e com grande alvoroço público.

Foi quando chegou o namorado de Alex, Alisson, ou mais precisamente o babaca que cursa medicina. Orion o empurrou, e gritou:
– Deixa que eu cuido disso!

Orion sacou um canivete de seu bolso, e eu só conseguia pensar que ele não iria fazer isso. Não em público. Foi quando, surpreendentemente, ele sacou o seu misterioso caderno branco (Life Note), e esfaqueou o braço das duas mulheres. Depois de alguns segundos, falou desesperadamente pro garoto:
– Qual o nome dela? Qual o nome delas?!
– Hã, é... Beatriz. E Cátia. – Dizia o garoto, desesperado.

Orion escreveu o nome de ambas em seu caderno, só que num idioma indecifrável. Aquela altura, já chegava alguns médicos e seguranças sínicos de pavio curto retirando ele do hospital e o chamando de assassinos. Orion não só se meteu numa grande encrenca, como também estava apanhando (e batendo) nos seguranças que tentavam pará-lo. Eu tinha medo dele se descontrolar, e se seus olhos ficassem vermelhos, aquilo viraria um massacre total do anjo de asas negras. Mas eu entendia sua euforia e angustia. Ele via o garoto como um espelho do que era ele após sua mãe morrer no Vermillion.

Eu não poderia pará-lo fisicamente, então o abracei agachado no chão. Ele se agachou também, e começou a chorar. E chorou novamente por uns minutos, pedindo perdão. Depois de um tempo, as mulheres ficaram vivas em folha, como um milagre.

Orion foi levado junto comigo para prestar esclarecimento, só que como eu sou inteligente, não levaria o caderno conosco. Eu sabia que ele era anormal, e se parasse nas mãos da polícia poderia revelar todos os segredos do mundo sobrenatural.

E assim fomos lançados para mais uma noite de desesperos e confusões, onde o meu único desejo era não ver meu melhor amigo atrás das grades.

Notas finais
Opa, muito obrigado por lerem mais um capítulo pessoal! Curtiram? Espero que sim. rs
Vem muito mais por aí, então fiquem ligados!

Obs: Capítulos novos sairão todas as Quartas e Sábados.