Anjos Da Morte

5 Capítulo 5 / Anjos da Morte / Ferimentos


Notas iniciais
Após ficar cada vez mais confuso com Orion, Peter se afunda cada vez mais nas suas dúvidas depois de uma noite tumultuada.

Depois da minha conversa com Orion voltei a ficar perturbado, mas isso não era uma coisa muito problemática, visto que eu já começava a me apaixonar por Alex. Eu não era o tipo de cara que gostava da primeira garota bonita que me dizia “oi”, mas aquela menina dos cachos dourados já começava a mexer com minha cabeça (e com o meu coração também).

Não sei o que fazer, não sei o que sentir. Não sei quem eu sou. Mas isso era bom e mau, visto que nunca tive uma vida agitada e estava cada vez mais deixando de ser mórbido.
Passei a tarde inteira jogando alguns aplicativos no celular e conversando com mamãe. Ela disse que me visitaria no Domingo, para ver se eu estava bem na escola, coisa que eu não estava. Mas garanti a ela que tudo estava ótimo, para não deixa-la preocupada.

O lado bom de tudo é que hoje à noite vou sair com Alex e Rick. Acho que iremos ao cinema, e depois em uma festa no centro da cidade, logo eu terei que estar bem arrumado. Não queria utilizar meu visual grunge no cinema, então só iria vestir uma camisa xadrez por cima de uma blusa básica. Acontece que, nas poucas vezes em que estou feliz, eu sei ser muito cara de pau. Então nada melhor do que trocar a “camisa básica” por uma blusa dos Sex Pistols, né? Mesmo eu não tendo uma camisa da minha banda preferida, o jeito era comprar. Ou simplesmente pedir pra pessoa mais estranha que você conheceu na vida, como Orion era.

Fiquei na recepção por um bom tempo, até César chegar. Então, resolvi pedir informação a ele:
– Hã, é... Oi César. Preciso de uma informação.
– E aí garotão, pode dizer. – Ele estava com uma grande disposição, como quem iria trabalhar feliz por ganhar aumento.
– Preciso saber onde é o quarto do Orion.
– Você é gay? – Perguntou César, rindo.
– Não... – Respondi timidamente
– Eu nunca te vi com uma garota desde que você chegou aqui, só com caras esquisitões.
– É que, bom... É...
– Relaxa, eu tô brincando.
– Percebe-se. – Foi tudo o que consegui dizer.
– O quarto dele é o primeiro no último corredor. Quem companhia até lá?
– Acho que não será necessário. – Respondi, em tom de arrogância.

E segui andando, frente ao último corredor. A porta daquele quarto tinha alguns colantes inúteis, como: “Stop”, “Zona de Perigo” e “Vá incomodar a sua mãe”. Não podia ser de outra pessoa, só de Orion mesmo.

Bati na porta umas cinco vezes, até que ele me atendeu. Abriu a porta sem ao menos perguntar quem era, e depois de olhar pra minha cara disse:
– Poxa cara, você é muito chato! – Dizia ele, se lamentando.
– Ah, é! Tudo bem cara?
– Se você continuar enchendo meu saco enquanto eu durmo não vai estar nada bem.
– Isso é uma pena. Odeio atrapalhar as pessoas, mas preciso de um favor seu Orion!
– É SID! – Ele me advertiu.
– Enfim, não importa. Por favor cara, me ajuda. Preciso de você. – Comecei a lamentar.
– Não gosto que as pessoas precisem de mim para fazer as coisas.
– Eu também não gosto, mas eu queria uma coisa emprestada sua. A sua camisa dos Sex Pistols, por favor?! – Implorei
– Ah, vai sonhando que eu vou emprestar minha camisa favorita pro primeiro louco que bate na minha porta.
– Você já deve ter feito coisas piores, não é mesmo. – Me lamentei, e segui andando para meu quarto. Quando eu já estava quase na metade, Orion veio atrás de mim, e disse:
– Tá bom, eu te empresto a camisa.

Naquele momento eu extravasei de felicidade, e então seguimos para o apartamento dele, que por sinal era parecido com o local do meu sonho. As paredes eram pretas, e o quarto pouco iluminado. Haviam só nomes de ídolos punk’s na parede que já haviam falecido, inclusive o de Sid Vicious.

A cama dele estava toda bagunçada com livros sobre anjos, demônios deuses etc, com predominância cristã. Havia um livro branco também, e nele estava uma caveira vermelha, escrito “Life Note”, resumidamente: “Livro da vida”, em português.

Fiquei com muita curiosidade para ver o que tinha dentro daquele livro, e quando fui pegá-lo, Orion me advertiu:
– Não faça isso! – Com uma voz de espanto.
Eu só paralise meus movimentos desde então, e fiquei o encarando assustado.
– Cada revelação no seu tempo – Acrescentou, por fim.

Ele me deu a camisa do Sex Pistols, e disse que não ficaria muito grande em mim, pois tínhamos praticamente o mesmo tamanho. Logo, se despediu:
– Não quero que fique chateado comigo, mas tudo no seu tempo garoto. Não quero que morra de susto.
– Ok. Respeito sua colocação contanto a isso. – Respondi meio triste.
Sai andando pelo corredor, e fui para meu quarto me arrumar. Eduardo estava lá, dormindo, deveria estar cansado da escola, no mínimo.

Depois de eu me arrumar com jeans, camisa xadrez e all star fiquei esperando Alex e Rick me chamarem. Eles bateram na porta por volta das 19h00min, me chamando para descer e esperar o táxi. Alex me elogiou:
– Você tá gatinho Peter.

Fiquei um pouco tímido, pois não era todo dia que eu recebia elogios de uma garota tão linda. Aliás, eu nunca havia ficado tão próximo de uma menina bonita, exceto quando minha irmã era obrigada a me abraçar no natal.

– Ah, obrigado... Você também tá bonita Alex. – Foi tudo o que consegui dizer, com as bochechas vermelhas.

O fato é que ela realmente estava linda, e não precisava usar saltos ou maquiagem para provar isso, como as outras garotas faziam. Ela era especial, diferente. E ficava tão linda, mesmo simples, com jeans e uma camiseta do Batman.

Segundo Rick, a gente iria ao cinema para ver um filme de zumbis que havia acabado de estrear. Descemos do táxi quase na frente do shopping, quando dois homens bêbados e depravados avançaram encima de Alex, tentando leva-la para um beco. Eu nunca tinha visto Henrique tão furioso como naquela hora, juro por Deus! Ele avançou como um leão por cima dos dois delinquentes, e acabou os ferindo gravemente.

Ambos estavam no chão, com as pernas quebradas, chorando de dor. A realidade é que Rick era muito mais forte do que aquele dois andarilhos desnutridos, não só pela condição física, mas também pela motivação de salvar sua prima.
Percebi que Alex estava sangrando muito por conta de alguns cortes em sua barriga.

Eles deveriam ter utilizado algum canivete ou faca, não importava, a questão é que Alexandra estava gravemente ferida. Não sei se eu faria isso por uma pessoa comum, mas quando vemos alguém especial sofrendo deixamos de ser gatos e viramos leões. Peguei Alex no colo e sai correndo com toda minha velocidade para o hospital mais próximo, que ficava a uns 200 metros do cinema. Nunca corri tanto na minha vida, mas tudo valia a pena para vê-la de novo. Rick estava cansado demais para fazer isso, pois os dois delinquentes haviam machucado ele também. Então, eu só o vi tentando me seguir, a alguns metros atrás.

Cheguei ao hospital desesperadamente com as mãos cheias de sangue, até vim uma enfermeira me acalmar. Ela falou que faria de tudo para que Alexandra ficasse bem, e a única coisa em que fiz naquele exato momento foi me agachar e rezar para todos os santos e deuses que poderiam existir.

Aos poucos começaram a chegar alguns amigos de Alex, inclusive àquele cara que eu tinha visto na Cafeteria de manhã. Ele dizia ser o namorado dela, e isso me deixou meio deprimido. Por fim, ele me agradeceu:
– Obrigado por salvar ela garoto.
– Não há de que. – Assenti.

Rick estava chorando muito de preocupação. Resolvi dar um “colo amigo” pra ele, o abraçando e tentando abafar suas palavras.
– Ela não pode ir Peter! Ela não pode! – As palavras dele eram desesperadoras.
– Ela não vai amigo. Ela não vai. – Foi tudo o que consegui dizer.

Foi quando eu notei a presença de uma pessoa familiar no canto. Parecia-se muito com Orion, e deveria ser ele, logo que ele estava escrevendo em uma folha do seu livro estranho, chamado “Life Note”.
Fui até lá falar com ele.
– O que você tá fazendo aqui? – Perguntei.
– O mesmo que você, ué. – Orion me respondeu, sereno.
– Pensei que não fosse amigo de Alex.
– Ela me prestou um grande favor te salvando há poucos dias atrás, hoje eu estou prestando o favor. – Argumentou ele.
– Hã, mas que favor? E porque você tá com essa porcaria de caderno logo agora? Você não se toca?! – Gritei fervorosamente.
– Tudo no seu tempo, amigo.

Assim, Orion seguiu para o terraço do hospital pretendendo acender um cigarro. E foi assim que permaneceu aquela noite cercada de dúvidas e incertezas.

Notas finais
Olá amigos, gostaria de agradecer a todos vocês que estão acompanhando a história. Espero que gostem desse capítulo, pois vem muito mais por aí!

Observação: Capítulos novos sairão todas as Quartas e Sábados.