Anjos Caídos
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Mackenzie
Ele tremeu.
– Um pouco. – respondeu depois de um tempo.
Ajudei-o a se levantar, ele reclamava. Coloquei seu braço sobre meu ombro e caminhamos (ou pelo menos tentamos) até um banco. Ajudei a se sentar e me sentei ao seu lado. Coloquei minha mão em sua testa, estava normal.
– Você está um pouco verde. – falei. E estava.
Ele olhou pra mim. Depois abaixou a cabeça.
– Estou tentando ajudar. – disse, pensando se deveria continuar falando.
Ele respirou fundo.
– Estou bem, obrigado. – finalmente falou. Voltou a olhar pra mim, dessa vez não abaixou a cabeça.
Olhei em seus olhos. Ele não parecia bem. Coloquei minha mão em seu rosto. Ele colocou sua mão em cima da minha. Sua pele era quente e macia. Comecei a suspeitar se ele também gostava de mim. Será? E se for só um pensamento na minha cabeça? Deixei esses pensamentos de lado. Era como se estivesse estampado na minha testa “Estou apaixonada por você”. Ele deu um leve sorriso. Percebi que ainda estava com a mão em seu rosto.
– Desculpe. – disse, tirando minha mão de seu rosto.
– Eu não me incomodo. – falou. – Na verdade, eu até gosto. Quer dizer, eu gosto de você. – suas bochechas coraram. Senti as minhas corarem também.
Não sabia o que dizer. Apenas me inclinei e o beijei. Ele pôs a mão no meu cabelo, acariciando-o. Paramos para respirar um pouco.
– Eu também gosto de você. – consegui dizer.
Seus olhos brilhavam. Ele parecia surpreso, assim como eu. Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e me puxou para mais um beijo, e eu aceitei. O tempo parecia passar mais devagar. Interrompi o beijo.
– Desculpe, eu... Eu não posso.
– Por quê? – perguntou.
– Eu... Eu... Eu... – gaguejei. Não sabia se podia contar a verdade. – Eu...
– Você é um anjo branco. – interrompeu-me.
Fiquei surpresa, até demais. Senti uma dor no meu ombro, a mancha estava crescendo. Coloquei minha mão sobre ela.
– Como você sabe? – perguntei. – Você é um... – pensei. Trevor não era mortal. E por algum motivo ele sabia que eu era um anjo branco. Ele só podia... – anjo negro.
Ele concordou. Ouve um tempo de tensão. Meu ombro doía cada vez mais. Segurei-o com mais firmeza.
– Me deixe ver. – disse ele. Tirei minha mão do ombro. Ele o estudou. – O que é isso?
– Quando um anjo branco comete um erro, recebemos uma mancha. – tentei explicar. – Ela cresce cada vez mais. Eu a tenho por que... – olhei em seu rosto. – Porque me apaixonei por você.
Ele estudou a mancha. Parecia sério. Meu ombro doía cada vez mais e mais. Ele se ajeitou e me abraçou. Acolhi-me em seus braços, senti o cheiro da sua camisa.
– Vou te proteger por qualquer coisa que aconteça. – disse ele. Fitou meu rosto e passou o dedo por ele.
Dei um sorriso e o abracei.
– Obrigada.
Ouvi barulho de trovão. Pingos forte de chuva caíram do céu. Corri pra baixo de um toldo grande e vermelho de uma pizzaria, apavorada. Anjos brancos podem ser corajosos, mas barulho de chuva pode deixar-los à procura da mamãe. Trevor veio andando, se segurando para não rir. Ele já estava encharcado.
– Tem medo de chuva? – perguntou.
Balancei a cabeça, concordando. Ele estendeu a mão. Peguei na mão dele e ele foi me levando devagar pra chuva. Senti os pingos gelados no meu braço. Alguns segundos depois eu também já estava pingando. Estremeci. Aquilo me dava arrepios. Trevor puxou meu braço, ficamos correndo iguais loucos na rua, enquanto as pessoas ficavam olhando pra gente. Acho que elas estavam pensando “O que esses malucos estão fazendo?”.
Trevor me pegou no colo e ficou girando, até eu me sentir tonta. Depois me colocou no chão.
– Mackenzie – começou –, você quer ficar comigo?
Fiquei sem fala por um momento.
– Quero. – respondi. – Sim, eu quero.
Ele segurou meu rosto e me beijou. Trevor é um pouco mais alto que eu, então eu tive que levantar um pouco os pés. Ele colocou as mãos na minha cintura, me puxando pra perto. Segurei em suas costas. Paramos um pouco. Seu rosto estava tão perto do meu que eu pude ouvir sua respiração. Soltamo-nos. Olhei meu relógio, já estava quase no fim da tarde.
– Tenho que ir. – falei. – Daqui a pouco vai ficar tarde.
– Tarde? – perguntou.
Não respondi. Despedi-me e voltei pra casa.
Deitei-me na cama de barriga pra cima e fiquei pensando em tudo que tinha acontecido aquele dia. Um sorriso brotou em meu rosto. Ele, sendo anjo negro ou não, também gostava de mim. Maldita regra que não pode ficar fora do Mundo Branco até o fim da tarde. Acho que a Terra fica um pouco mais vazia depois desse horário. Ou não.
Verifiquei a mancha em meu ombro. Ela havia crescido, e estava três dedos maiores que a do Eduard. Se apaixonar por um anjo negro deve ser fatal, mas, se eu morrer, vai valer muito à pena.
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