Anjos Caídos
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Mackenzie
Eu estava em casa, sentada no chão, encostada na parede, olhando pro nada. Batucava os dedos no chão, em um ritmo aleatório. Fui pro meu quarto e fechei a porta. Deitei de barriga pra cima e esperei que dormisse.
Aconteceu uma coisa que me surpreendeu. Tudo, TUDO, que eu havia esquecido apareceu em minha memória. Tudo de repente. Lembrei-me de quando conheci Eduard, da primeira vez que fui a Terra. Lembrei do Trevor, lembrei do nosso primeiro beijo. Acordei rapidamente e pus a mão no peito, onde fica o coração. Meu coração estava acelerado.
Fui pro banheiro, fiquei me encarando no espelho. Arrumei meu cabelo em um coque e ajeitei a blusa. Eu ainda estava com aquela roupa. Estava começando a ficar com raiva. Tudo isso por causa de uma paixão! O mundo é cruel. Pessoas sem coração. Tranquei a porta do banheiro e chutei tão forte que meu tornozelo ficou latejando. Soquei o espelho. Ele se quebrou em mil pedacinhos e senti meus dedos sangrarem. Sentei-me no chão e coloquei as mãos na cabeça. Eu estava presa. Eu estava presa em um labirinto e a procura de uma saída, mas não encontrava em lugar algum. Queria poder fugir. Queria correr o mais longe que podia. Vi-me chorando. Não aquele choro que sai quando você se machuca, era aquele choro silencioso, que só você sabe que está chorando.
Abri os olhos. Vi os pingos de sangue saindo dos meus dedos e caindo. Ali eu estava, sozinha. Fechei os olhos novamente. Estava sentindo dor. Levantei-me um pouco trêmula. Lavei minha mão, sequei na calça e abri a porta. Ficar chorando não vai adiantar nada. Eu poderia me suicidar, mas eu pensei nas pessoas que se importavam comigo. Como posso ser tão burra?
Peguei meu celular e liguei para Eduard. Ele não atendeu. Lavei meu rosto e sai de casa, em direção a casa dele. Todos ficavam me olhando, mas eu não me importei. Bati na porta de sua casa e alguns minutos depois ele a abriu. O abracei e desabei em lágrimas.
– O que aconteceu? – ele perguntou.
– Eu... Eu me lembrei de tudo. – solucei.
Soltei-me de seus braços e o encarei. Ele limpou as lágrimas do meu rosto com o dedo. Convidou-me para entrar e eu aceitei. Ele sentou-se no sofá e eu sentei-me ao seu lado. Deitei minha cabeça em seu colo e ele ficou mexendo em meu cabelo. Não me importei.
– Você já se sentiu... perdido? – falei.
– Como assim?
– Não sei como explicar. É como eu estou agora. Eu queria ir à Terra, rever Trevor. Mas alguma coisa me diz que não posso o ver. Se eles querem que eu morra, por que não enfiam logo uma faca em minhas costas?
Virei-me para olhar Eduard. Ele me encarava. Lembrei-me de quando nos conhecemos. Eu tinha apenas sete anos. Estava brincando com areia em um parque, quando alguém tropeçou em mim e caiu. Virei-me pedindo muitas desculpas e me deparo com um garoto aparentemente da minha idade. Ele era ruivo e tinha sardas nas bochechas. Ele estava caído no chão e parecia ter se machucado. Aproximei-me devagar.
– Você está bem?
– Não. – seu braço estava ralado.
– Desc... Desculpa.
– Tem nada, fui eu que não te vi.
– Quer ajuda?
– Não, obrigada, hã... Qual seu nome?
– Mackenzie, e o seu?
– Bom te conhecer, Mackenzie. Sou Eduard. – ele estendeu a mão, e eu a apertei.
Levantamo-nos do chão e me sentei em um banco, e ele sentou-se ao meu lado. E foi desse jeito que se iniciou nossa amizade.
Abri um sorriso bobo.
– O que foi? – perguntou Eduard.
– Nada.
Tirei minha cabeça de seu colo. No mesmo instante, alguém bateu na porta. Eduard se levantou e abriu. Dois homens, ambos de camisa polo vermelha e calça jeans escura, entraram rapidamente, empurrando Eduard contra a parede. Eduard tentava sair, mas os dois homens o seguravam firme.
– Escuta aqui pirralho. – um deles gritou.
– Eu não sou pirralho. – disse Eduard, com dificuldade.
O homem bateu a cabeça de Eduard na parede, seu nariz sangrava. Queria fazer alguma coisa, mas eu estava imóvel.
– Você vai vim conosco, e vai se comportar. Se não eu irei te torturar até a morte.
O outro homem tampou a boca de Eduard com um pedaço de pano. Deu um soco em sua barriga e o levou pelo pescoço para fora.
Coloquei as mãos na boca. Meu melhor amigo foi seqüestrado e eu não pude fazer nada. Eu simplesmente congelei. Havia sangue na parede onde ele havia sido empurrado. Obviamente deve ser da sua cabeça. Corri pra fora, não havia nenhum sinal dele. Perguntei a uma mulher se ela tinha visto algo parecido com o que eu vi, ela negou.
Aceitei o desespero crescer dentro de mim. Meu coração estava acelerado. Pensei em todos os lugares que Eduard poderia estar agora. Decidi tentar a sorte, sai correndo em qualquer direção, com a esperança que eu poderia encontrá-lo.
Eu vou encontrá-lo.
Fale com o autor