Anjos Caídos
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Mackenzie
Acordei sem abrir os olhos. Queria ficar ali, sentindo o cheiro de Trevor. Trevor me abraçava e eu retribuía o abraço. Poderia ficar assim para sempre.
Abri os olhos, e eu pude ver que Trevor estava dormindo. Ele era tão fofo dormindo, um verdadeiro anjo. Decidi deixá-lo dormir um pouco mais. Soltei-me de seus braços e levantei da cama. Eu não sabia onde estava, óbvio que era um casa.
Estava indo pra cozinha, quando ouvi um barulho estranho vindo de dentro do armário. Fui em direção ao armário, em passos lentos e curtos. Abri a porta do armário rapidamente e quase gritei ao ver a criatura. Fechei a porta do armário com tanta força que fez um barulho alto, e logo Trevor apareceu correndo em minha direção.
– O que aconteceu? – disse preocupado.
Apontei para o armário. Ele foi até o armário e abriu. No mesmo instante, um rato pulou na cabeça de Trevor, pulou pro chão e saiu correndo pra baixo da geladeira.
– Um rato? – perguntou Trevor, se esforçando para não rir.
– Aposto que você também tem seus medos.
Ele sorriu, andou lentamente até eu e me abraçou.
– Eu tenho medo de te perder. – sussurrou.
Abri um sorriso, e beijei sua bochecha.
– Você nunca vai me perder. – sussurrei de volta.
Pude sentir que ele sorria. Ficamos abraçados por um tempo, até que uma dor tomou conta do meu ombro direito. Soltei-me dos braços de Trevor e corri pro banheiro. Tirei a blusa que Trevor me emprestara com um pouco de dificuldade, e observei pelo espelho. Lá estava ela, a mancha, crescendo. Agora a mancha consumia boa parte do meu braço, e estava indo pro meu pescoço. Ah ótimo, agora além do braço, o pescoço também vai ficar com essa tal mancha.
Trevor bateu na porta.
– Está tudo bem? – disse do outro lado.
– Sim, eu acho.
Ele abriu a porta e pareceu assustado quando viu a mancha.
– Tem certeza que está bem?
– Tenho. – mordi o lábio inferior. Preciso parar de morder os lábios. – Não é nada de mais, não vou morrer agora.
Ele suspirou, veio até mim e beijou minha testa.
– Jura?
– Juro. – senti minha barriga roncar. – Hum, estou com fome.
– Podemos pedir uma pizza.
– O.k.
Trevor foi pegou o celular e ligou para uma pizzaria. Enquanto se afastava, peguei a blusa de vesti. Meia hora depois a pizza chegou. Ajudei a pagar. Assistimos a um filme enquanto comíamos. Eu não entendi bem o filme, era confuso...
– Odeio isso. – comentei.
– Odeia o que? – perguntou Trevor.
– Esses efeitos especiais. Estraga alguns filmes.
Trevor riu.
– Que foi? É sério.
– Tudo bem. — Deitei minha cabeça em seu colo, e ele começou a fazer carinho no meu cabelo. – E Eduard, como ele está?
– Bem, acho. Não o vejo desde que foi seqüestrado.
Ele não respondeu.
Tirei minha cabeça de seu colo. Ficamos nos encarando por um tempo, até que ele se aproximou e beijou-me. Colocou as mãos em minha cintura, e eu em seus ombros. Beijamo-nos devagar, eu sentia a língua de Trevor. Paramos para respirar um pouco. Ele sorria, e me encarava.
– O que foi? – falei, um pouco sem graça.
– Você é linda.
Abri um sorriso.
– Sabe, não quero voltar pro Mundo Branco.
– Por quê?
– Se eu voltar vão me pegar. Vão me torturar, isso se não me matarem. Ainda mais que essa guerra inútil está acontecendo... – suspirei. – Às vezes eu queria nunca mais voltar pra lá. Eles são cruéis.
– Todos sabem que anjos brancos são cruéis.
Não pude deixar de rir. Bocejei e deitei em cima de Trevor. Fingi estar dormindo. Ele riu.
– Você mente muito mal. – disse.
– Droga.
Ouvi um barulho vindo do lado de fora. Fui até a janela para ver o que é, e deparei com a seguinte cena: um homem, que devia estar perto dos seus trinta anos, estava com uma arma na mão, apontado para um garoto ruivo, que tentava se equilibrar em pé. O homem atirava várias vezes, uma bala atrás da outra. As pessoas em volta não pareciam ver. Reconheci que o garoto ruivo era um anjo branco, e que era Eduard. Eduard caiu no chão de barriga pra cima.
Trevor apareceu do meu lado, ele parecia aterrorizado com a situação. O homem que atirava em Eduard desapareceu. Corri pra fora da casa e fui até Eduard. Agachei-me ao lado dele, que estava imóvel. Trevor veio atrás de mim. Comecei a soluçar e ficar murmurando “não, não, não, não, não” para mim mesma.
Eduard mexeu o braço, colocando-o em cima da barriga.
– Valeu cada segundo da minha vida. – conseguiu falar, sua voz falhava.
– Você vai sobreviver, tenho fé. – eu disse.
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