Anjos Caídos
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Trevor
Abri os olhos. Estava com os pulsos acorrentados, cabeça sangrando, corpo doendo. Josh estava desmaiado ao meu lado, nas mesmas condições magníficas que as minhas.
– O que... – sussurrei.
– Aconteceu? – uma voz vinda da escuridão me interrompeu.
Um homem de terno preto e cinza apareceu. Tinha pele escura, era careca, forte e assustador.
– Vocês dois...
– Me explique primeiro porque estamos aqui, e o que aconteceu – falei.
Josh resmungou algo, mas não me importei. O homem de terno sorriu. Um sorriso frio, e amedrontador.
– Bem, você já está cansado de saber das regras sobre anjos brancos. E já que seu amigo se meteu nessa conversa com os anjos junto com você... Trevor, acho que está na hora de vocês sofrerem um pouco mais. Nós raptamos vocês dois, e os espancamos. Acorrentamos, e fizemos cortes leves nas cabeças, fazendo vocês dois desmaiarem. Agora vai ser pior.
Josh levantou com um pulo, e bateu a cabeça na parede. Ele me olhou assustado, depois sua expressão tornou-se de raiva. Virou para o homem e começou a xingá-lo. O homem apenas riu.
– Não adianta fazer nada.
Ele assoviou, e três outros homens apareceram. Suas asas eram negras lustrosas; estavam com terno cinza, tinham pele clara, olhos escuros, e chicotes nas mãos. Dois deles começaram a me bater, enquanto o outro pegou meu pé e o puxou, me fazendo cair e bater a coluna e a cabeça no chão. Dei um grito de dor, aparentemente em vão, já que ninguém me salvaria.
Os homens passaram para o Josh, o batendo fortemente. Respirei fundo, tentando ignorar os gritos de dor que vinham do meu amigo. Com certeza morreríamos ali, sem nos despedir de ninguém, dando desespero as pessoas que eram importante para nós.
Os caras com chicotes voltaram para mim. Pegaram canivetes e começaram a cortar meu rosto e meus braços. Chegaram a acertar meu olho direito, o castanho. O sangue começou a esvair de mais, e muito rápido. A dor consumiu meu corpo muito depressa, e logo meu rosto todo estava manchado de sangue, minha camisa também. Ah que ótimo, vou ficar cego! Há-há!
Josh deu um berro tão alto que fizeram os três homens com chicotes saírem correndo, e o “chefão” tapar os ouvidos e cair de joelhos no chão. Olhei para meu amigo, surpreso, que abriu um sorriso fraco.
– Você... seu olho... ai.
– Estou bem – abri um sorriso -, não se preocupe.
– Bem ficando cego.
Os homens com chicotes levantaram, e viraram um tapa na minha cara, e um chute no estômago de Josh. Um deles começou a me chicotear, enquanto os outros dois espancavam meu amigo. Consegui me livrar de uma das correntes que prendiam meus pulsos, por causa do sangue que esvaia do meu corpo. Fechei os olhos, já não sentindo mais as chicotadas que recebia.
Ótimo, esse é meu fim, pensei.
Não, não é, respondeu uma voz.
Fiquei meio confuso, mas decidi não comentar nada. Estava totalmente imóvel, esperando que o cara com o chicote tivesse em mente que eu teria desmaiado. Tive sorte, pois ele parou. Josh parecia realmente ter desmaiado, porque não escutei mais nenhum grito, ou o barulho da corrente sendo batida no chão. Abri o olho bom, e vi que ele estava de olhos abertos, respirando com dificuldade. Tentei abrir o olho machucado; enxergava, mas tudo embaçado e em vermelho. Ainda sem me mover, para evitar a dor, fechei os olhos, e tentei pensar em outras coisas. Como Kylie estaria, o que Annie, a outra Escolhida deveria estar fazendo – ela quebrou as costelas, tinha que fazer algumas horas de fisioterapia -, o que meus pais que me abandonaram estavam fazendo. Poderiam estar mortos, mas pouco me importava, já que aqueles pensamentos só serviam para distrair minha mente.
– Trevor? – perguntou Josh, fracamente.
– Hum? – respondi.
– Ah, você está vivo. Era isso que eu queria saber.
Consegui abrir um pequeno sorriso.
– Não vamos durar muito tempo com toda essa perda de sangue, machucados e falta de ar.
– Sei disso – Josh tossiu. Começou a soluçar – Quero ir para casa, quero sumir daqui.
– Isso é culpa minha – solucei – Você foi na Terra comigo, conversou com os anjos brancos, desrespeitou as regras... Josh, me perdoe, por favor.
– Tudo bem cara, vamos morrer em paz.
Mesmo com dor, nós dois rimos. Suspirei, e fiquei em silêncio. Josh voltou a perguntar:
– Ainda vivo?
Abri um sorriso, e tossi.
– Sim. Estou virando um zumbi, mas pelo menos não vou morrer por completo.
– Você vai ficar caindo aos pedaços meu caro – Josh riu, depois engasgou.
Eu ri baixinho.
– Pelo menos vou ser um zumbi bonito caindo aos pedaços. Sem um olho, talvez sem um braço, uma perna, mas bonito.
Josh não respondeu, mas consegui ouvir sua respiração. Ele desmaiou, ou dormiu, mas com certeza desmaiou.
Bom, acho que esse não foi meu fim, pensei.
Mas ele está próximo, disse aquela voz.
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