Anjos?
1 And he says..
Notas iniciais
– Será que existem mesmo ou... são só coisas da minha cabeça, Naomi-chan? — Parado, olhando distraidamente para o céu descomunal que nos cobria feito um cobertor manchado de gotinhas do mais lindo branco existente, apenas desfrutando da paisagem que se estendia a nossa frente.
– Eles quem, Kensuke-san? — Mesmo meio exitante, perguntei.
– Os anjos, Naomi-chan.
Continuamos deitados no gramado úmido por incontáveis minutos, completamente perdidos em pensamentos, e sozinhos, tendo somente a Lua e suas estrelas dançantes como testemunhas de nossa conversa.
– Os anjos que me veem a noite, quando mais ninguém está por perto. Aqueles que me embalam em seus braços e suportam minhas lágrimas geladas sem nunca enunciarem uma única palavra. — Esticando o braço esquerdo em direção ao céu da noite japonesa, ele ditou, sem nenhuma emoção em sua grossa voz.
– Anjos, Kensuke? Ainda acredita nessas criaturas? — Cética como eu sempre fui, deixei todo o sarcasmo que existia em minha carne transparecer na frase.
E quando os sorrisos de canto vieram nos nossos lábios, a gozação entre amigos se concretizou. Cotoveladas nas costelas e empurrões nos ombros nos fizeram sujar as roupas brancas do uniforme que usávamos.
– Não fale assim dos anjos, ok? Ainda mais nessas terras dominada por eles... — O sorriso aumentou em seus lábios descoloridos, enquanto o dos meus morria lentamente. — Eles vagavam pelo mundo e estão por todos os lados, mas somente se mostram quando querem.
O tom de zombaria era claro em sua voz, e ficou ainda mais imponente enquanto eu me encolhia e ficava mais atenta ainda em suas palavras.
– Agora, por favor, preste bastante atenção em minhas palavras. — Ele deu uma pausa e virou seu rosto em minha direção, enquanto eu continuava encarando o céu. — Esses anjos, todos eles que vivem no mundo obedecem a um único anjo. Mas não por esse ser o mais forte, ou o mais poderoso entre eles, mas, sim, por que era o mais gentil. O que mais se preocupa e o que mais está presente. — O sorriso tomou forma no rosto e crescia a cada palavra que saia dos lábios — E esse anjo tem um nome sabe!?
Por mais gentil que tivesse soado, toda a atmosfera de suspense estava me assustando. O medo, sem sentido, que a penumbra causava a nossos corpos era forte de mais para não se deixar envolver pela história que meu amigo contava.
– Não, eu não sei o nome dele, Kensuke-san. — Virando meu corpo de lado até ficar olhando para seu rosto de frente. Me abracei, tentando me controlar, nem que fosse um pouco, para não surtar antes do fim.
– Naomi-chan. Esse é o nome do maior anjo do meu mundo.
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