Ágata

— Como voces nos protegem? Simplesmente mudam coisas de lugar?

— Na maioria das vezes, não. Sussurramos coisas aos ouvidos humanos.

— Ah. Mas, existem tantas coisas que poderiam ser evitadas. Tantas catástrofes. Porque voces não as impedem?

— Não somos os únicos capazes de sussurrar coisas. Os caídos tambem tem este poder. E é por isso que estou aqui. Para impedi-los de te alcançar.

— E porque eu mereço voce, e existem tantos outros, sem algum guia?

— Muitos não precisam de nós. Outros nos renegam. Ou outros não saíram do caminho.

— Em que categoria eu estou?

— Voce, deixou-se ceder. Lhe foi sussurrado coisas, e voce caiu na armadilha. E se mostrou forte para voltar. Mas, não se pode mudar o passado, e decisões que lhe seriam oferecidas, não estão mais em seu caminho. Assim, seu destino foi mudado. E Ele tinha um plano para ti.

— Isso quer dizer, que eu fui uma burra, fiz coisa errada, e voce está aqui para me ajudar?

— Tentar te ajudar. Só poderei fazê-lo se voce quiser, e deixar.

— É claro que quero. Quero fazer o certo. Só que ultimamente, não sei mais o que é certo e errado.

— No mundo de hoje, a linha entre o bem e o mal está tênue. Mais tênue até que na criação.

— Como assim? Sempre pensei que a criação fosse um acontecimento de luz. Algo puro, e intocável. E que o mal surgiu quando o primeiro caiu.

— Não, minha cara. Existe o equilíbrio no mundo. Parcelas que deveriam ser iguais de luz e trevas. Mas não. Há muito tempo, quase não existia o mal. E ultimamente, homens de bem, são minoria.