Notas iniciais
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Com meus sapatos na mão, fui andando lentamente até minha casa. Subi os degraus e sentei na entrada da minha casa e respirei fundo. Minha cabeça girava e não só pela bebida mas também por tudo que aconteceu. Meu celular toca, é ele. Desligo e me encolho por causa do frio da noite. Eu não queria ter ido, por que eu fui? Tudo seria tão simples se eu tivesse ficado em casa! Uma lágrima escorre no meu rosto. Escuto passos e quando vou olhar vejo Enzo. Ele esta com as mãos no bolso e com um olhar vazio.

8 horas antes

— Eu ainda não acredito que você me convenceu a ir a essa festa inútil. — tiro o vestido e jogo na cama.
— Da para você parar de reclamar? Vai ser legal. O que você iria fazer na sexta a noite? Colocar os seriados da Netflix em dia?
— Seria uma boa. Soube que atualizaram Reign.
Ela me ignorou e foi em direção ao armário.
— Que tal essa saia com essa blusa? — ela joga em cima da cama. — vai ficar ótimo em você.
Depois de revirar meu olhos para Paola, pego a roupa e visto. Realmente ficou bom. Finalmente quando pensei que era só isso, chegou a vez dos sapatos.

Depois de escolher a roupa, começamos a nos arrumar. Nos maquiamos e fizemos cachos no cabelo. Paola estava levando a sério o lance de arrasar na festa. Bom, eu não ligo muito para isso.
— Estamos lindas! — Paola fala dando um gritinho no final.
Minha mãe aparece na porta com um vestido lindo vermelho com o cabelo feito. Minha boca quase cai. Faz tempo que não vejo minha mãe produzida assim.
— Uau. — falo para minha mãe. — Você está gata heim?
— Vocês não são as únicas que podem sair essa noite. Também tenho esse direito de me divertir. Vou sair com sua tia e umas amigas. Vamos voltar tarde então não me espere acordada querida.
— Essas mães chiques de hoje em dia... — Paola comenta, nós todas rimos.
— Já estou indo meninas. Se comportem na festa.
— Tchau mãe.
— Tchau dona Júlia.
Depois de mais alguns toques finais estávamos prontas.
Não sabíamos onde era a festa então marcamos em frente da casa de Enzo. Ele e Gabriel iam nos acompanhar.
Quando chegamos lá, os meninos nos olharam da cabeça aos pés. Quando andamos para cumprimenta-los os saltos fizeram barulho e naquele momento posso dizer que me senti "poderosa".
— Vocês estão lindas! — Gabriel exclamou.
— Vocês também não estão nada mal. — Paola fala.
Gabriel estava com uma calça jeans e uma blusa social preta três quartos, Enzo estava com uma calça jeans preta com uma blusa social branca três quartos. Eles provavelmente devem ter combinado o mesmo estilo. Congelo meu olhar em Enzo, ele está me olhando atentamente.
— Uau anjo.
Eu coro.
— Não baba não. — eu passo meu dedo indicador no canto da minha boca vermelha.
Ele sorriu.
— Então gente, vamos? — Gabriel perguntou com entusiasmo.
— Não conseguimos o carro, mas temos duas motos. Se incomodam meninas? — Enzo nos pergunta.
Balanço a cabeça em negação mas Paola parece não ter gostado. Provavelmente por que iria chegar com o cabelo todo desfeito.
Gabriel e Paola foram para e primeira moto estacionada na garagem. Eu e meu primo ficamos para trás.
— Confia em mim?
— Não. Mas não tem outro jeito de ir ne?
Fomos para a segunda moto, quando subi eu fiquei desconfortável por a) estava de saia e b) eu não tinha onde me segurar a não ser nele. Ele percebeu meu desconforto e pegou minhas mãos passando em volta de sua barriga.
— Relaxa, eu não mordo.
Antes de eu dizer alguma coisa, ele acelera a moto. Levei um susto com a velocidade que estávamos indo. O apertei muito forte.
Quando chegamos ao salão, desesperadamente desço da moto recuperando meu fôlego.
— Me lembra de pedir um táxi quando eu for embora.
— Você é muito medrosa.
— E você é um louco.
Paola chega segundos depois de mim. Ela desce e vem até a mim sem nenhuma dificuldade. E eu tremendo de medo.
— Preparada para melhor festa?! — ela disse entusiasmada.
— Não sei.
— Vamos logo.
Entramos dentro do salão/espaço com várias pessoas aglomeradas dançando, e fomos para o bar. Começamos com um drink sem álcool por que eu insisti.
— Ah você é muito careta.
— Eu sei como é ficar mal por causa de bebida e não quero passar por isso de novo. — falo para ela.
— Ta mãe. — ela fala irônica.
Ela me puxa para pista de dança e mal consigo ver os rostos por causa das luzes coloridas. A música eletrônica está no último volume e todos estão dançando feito loucos, já que estou aqui não custa nada eu me divertir não é?
5 músicas depois, eu decido sair daquele mar de gente para recuperar meu fôlego. Peço mais um drink e sento na cadeira do open bar. Um cara chega e senta ao meu lado.
— Oi, eu te vi dançando.
Olho para ele e adoro o que vejo. Moreno, olhos claros e tem um sorriso lindo.
— Pode dizer, sou um desastre.
— Eu diria o contrário. Você é muito bonita.
— Ah, obrigada.
— Eu sou o Victor.
— Prazer, Laura.
Começamos a conversar por alguns minutos, só que a nossa conversa foi interrompida.
— Vou roubar ela um minutinho. — Enzo pegou minha não e me puxou do banco me levando para longe do bar.
— O que está fazendo?
— Preciso de ajuda.
— E você me tirou de uma conversa super interessante para te ajudar?
— É.
— Pede ajuda para sua namorada. Não para mim.
Saio da frente dele e vou em direção ao lugar que estava. Mas chegando lá, o Victor não estava mais. Sentei e pedi um shot. Só um não vai matar. Pego o copo e viro de uma vez. Faço uma careta.
Quando decido ir ao banheiro retocar meu batom vejo Enzo e Henrique conversando com um cara. Ele não me é estranho. Ele de vira e fixa o olhar em mim.
Hugo?
Eu fico paralisada. Eu vou em sua direção.
— Laura. — ele fala.
Enzo e Henrique ficam confusos por eu conhecer Hugo.
— O que você está fazendo aqui? — eu pergunto meio em desespero.
— Eu pergunto o mesmo.
— Peraí, vocês se conhecem? — Enzo pergunta olhando para nós dois.
— Ela é minha... — Hugo começa a falar.
— O que você veio fazer aqui?
— Vim ver meu pai, ai descobri que você veio morar aqui.
Nós nos encaramos por um segundo.
— Hugo, ela é a sua namorada? — ele pergunta sem entender.
— Ex-namorada. Vamos deixar isso bem claro. — respondo.
Depois de um minuto contrangedor Hugo quebra esse silêncio.
— Laura a gente precisa conversar...
Lágrimas começam a brotar nos meu olhos.
— Eu não tenho nada pra falar com você.
Saio antes dele me ver chorando. Ando até um corredor vazio e me encosto na parede. Por que ele tem que aparecer sempre quando eu supero o nosso término? Ele sempre estraga tudo! Fico um pouco atordoada. Enzo aparece no corredor.
— Olha, agora não é uma boa hora...
— falo com a voz falha.
— Eu não sabia que ele era o seu... Ex.
— Vocês são amigos?
— Não diria amigos, conhecidos talvez. O pai dele é amigo de infância da minha mãe então costumávamos a nos ver às vezes. Vi ele na festa e fui cumprimenta-lo.
— Sabe, eu finalmente esqueço tudo que tivemos e ele vai e aparece para me lembrar de tudo o que passei... — eu amei ele. Foi o primeiro cara que amei. E provavelmente o último, já que perdi as esperanças nessa droga que chamam de amor.
— Desculpa.
— Não precisa se desculpar... Eu preciso de uma bebida.
Eu passo por ele e vou direto para o bar. Paola me ve e corre até mim.
— O que houve Laura?
— Eu preciso beber.
— Você não está bem.
— Realmente eu não estou em um dos meus melhores momentos.
Meu primeiro porre foi com 16 anos, eu estava na festa de 17 anos do Pedro. Eu nem sabia que ia ter bebidas lá, já que ele era menor de idade. Marian e eu apostamos dinheiro em cada copo que conseguíssemos tomar, acabou que nós duas tivemos que ser carregadas para casa e quase tivemos coma alcoólico. Nas outras vezes que bebi, foi pouco, nunca mais cheguei a esse ponto de ser carregada.
Hoje eu estava mal, e quando estou mal com alguma bebida na minha frente provavelmente vai dar merda.
Em 10 minutos que eu estava no bar, bebi quase 5 copos de tequila, no 5 eu tomei a metade já que Paola me interrompeu.
— Laura chega!
Eu não disse nada. Minha garganta estava ardendo e na minha cabeça só passava a mesma cena de Hugo e aquela mulher se agarrando. Eu estava com muita raiva por ele ter feito essa memória retornar. Levantei e comecei a procura-lo.
— Onde você vai? — ela tentou me seguir só que me perdeu no caminho. Achei ele conversando com uma menina, eu já sabia qual a intenção dele com ela. Então fui lá de cabeça erguida com a coragem que a tequila me deu.
— Oi querida, vou te dar um conselho, é melhor você ficar bem longe desse aí para não ser humilhada por ve-lo ficando com outra na sua frente. Por que é bem do tipinho dele ser um cretino.
Ela olhou feio para mim e saiu. Hugo me encarou.
— Qual o seu problema?
— Quer saber mesmo o meu problema? Eu estava me segurando esse tempo todo! Você acha que pode aparecer assim na minha vida, dizer que estava com saudades de mim e depois ficar com outra na mesma festa que por "coincidência" eu também estou? Você não vai fazer isso comigo de novo. Não vai! Você é um canalha.
Enzo estava olhando nossa discussão, para caso eu sair do controle... Já que eu estava influenciada pela bebida.
— Você que terminou comigo.
— Você que me traiu!
— Eu já pedi desculpas.
— E você acha que vai resolver?
Ele não respondeu. Quando estou pronta para sair de perto dele ele me puxa.
— Vamos tentar de novo. — ele me puxou para perto dele. — eu ainda gosto de você. Você ainds mexe comigo. Vamos voltar a ser como nos velhos tempos?
— Hugo, não... — ele continuou se aproximando.
— Eu sei que você quer Laura...
— Se afasta Hugo... — ele não se afastou. — Não...
Só vi um borrão depois de Enzo se meteu na minha frente me afastando dele.
— Ela disse que não!
Imediatamente isso tudo se tornou uma ceninha. Todos olhavam disfarçadamente.
— Eu não falei com você.
— Não me importa com quem você falou. Você vai ir embora agora. — Enzo ainda estava me segurando por trás. Dei uma espiada e vi uma expressão de raiva que nunca vi em seu rosto.
Eu estava meio tonta, uma pessoa chegou perto de mim e puxou meu braço. Era Paola.
— Vem, Laura.
Fechei os olhos por um segundo e no segundo seguinte vi Enzo voando para cima de Hugo. Arregalei os olhos quando Hugo acertou um soco nele.
— Parem! Agora! — eu gritei.
Enzo estava se destacando na briga, e isso estava ficando sério demais. Minha cabeça estava vendo em dobro, mas mesmo assim tive que aguentar. Não ia deixar a briga se agravar. O pessoal da festa de reuniu em volta deles.
— Gabriel! GABRIEL?! Tira o Enzo de cima dele! — no fundo eu não queria dizer isso.
Gabriel correu para tirar o amigo de cima do meu ex...
Ele ainda estava com raiva, fervendo e transbordando ódio. Então fixou seu olhar em mim e não sei se foi efeito da bebida mas ele se acalmou e parecia estar mais calmo quando me viu. Eu tentei dar um sorrisinho de agradecimento mais não conseguia nem me firmar em pé. O pessoal da festa estava indo de um lado para o outro. Esperei a agitação passar e decidi ir embora da festa. Paola estava do meu lado, e concordou em irmos para casa. Eu não encontrava Enzo, e queria falar com ele que estava indo para ele não se preocupar.
— Vou procurar ele e já volto. — falei para Paola.
Fiquei uns minutos procurando-o mas desisti. Voltei para o mesmo lugar que antes eu estava e ela não estava mais la. Andei até a saída e sem pensar duas vezes tirei meu salto e andei até minha casa. Eu não ia ser carregada por ninguém, e eu não estava tão bêbada. Só um pouco tonta. Eu podia me virar. Na metade do caminho mei celular tocou.
— Laura? Onde você esta? — Paola pergunta com um tom de desespero.
— Eu não te achei então decidi vir sozinha para casa. Estou bem, um pouco tonta mais estou bem.
— Quer que eu vá para sua casa ficar com você? — ela disse em um tom suave. Ela sabia que eu estava mal, e queria ficar comigo.
— Quero sim. — falo chorando.
— Vou procurar meu sapato que perdi aqui e já já chego aí. — ela desliga.
Eu estava parada na rua com a maquiagem borrada. Me permiti sofrer ali mesmo, então comecei a chorar. Hugo consegue destruir tudo. Ele é o culpado das minhas noites sem dormir, das notas baixas por falta de concentração, das noites de sexta feira sozinha em casa. Ele conseguiu fazer tudo isso voltar. Como consegui amar alguém que me fez sofrer tanto? Ele não mereçe nenhuma lágrima se quer.

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