Anjo meu
8 Capítulo 8
Cheguei em casa e me joguei no sofá.
— Dia cheio? — minha mãe se aproxima.
— Mais que isso! Eu só crio inimizade nessa escola! Qual o meu problema mãe?
— Você é sincera demais para essas pessoas, só isso.
— Não sabia que sinceridade era um problema.
— Tem gente que não aguenta a verdade. Fazer o que. Agora levanta desse sofá e vá lavar as mãos. A comida está na mesa.
Bufo e com muita força tento me levantar.
— Acho que meu corpo morreu. — digo para minha mãe.
— Então trate de liga-lo, se demorar o rosbife vai esfriar.
X
No dia seguinte não teve aula, ocorreu um acidente nas tubulações e alagou a escola. Eles ligaram para todo mundo avisando que as aulas iam voltar só semana que vem. O resto da semana livre?! Que maravilha!
Na terça eu acordo 3 da tarde. O que posso fazer? O livro da noite anterior estava muito interessante. Coloco meu óculos e faço um coque. Antes mesmo de levantar meu celular toca.
— Alô?
— Laura? Sou eu, Gabriel.
— Ah, oi Gabriel.
— A turma está marcando para dar uma saída a noite. Quer ir com a gente? Já chamei a Paola.
— Que horas mais ou menos?
— Lá para as 21h... Podemos ir te buscar.
— Nao precisa, eu posso ir com o Enzo, ele mora na minha rua então...
— É que... Ele não foi convidado.
Um silêncio meio que surge.
— Vocês tipo... Brigaram?
— Mais ou menos...
— Okay, você pode vir me buscar.
— Até mais tarde.
Por que será que eles brigaram? Vivem juntos, não se desgrudam por nada, o que aconteceu? Vou até a janela e vejo que o tempo está ensolarado. Coloco uma blusinha e um short e desço as escadas. Mamãe está na sala fazendo yoga. Passo por ela e vou até a cozinha. Pego uma maça e mordo.
— Mãe, posso sair com uns amigos hoje?
— Claro filha. Se o Enzo for.
Que merda...
— É, ele vai sim.
Ela continuou com sua série de exercícios.
Volto para o meu quarto e abrome guarda-roupa. Escolho uma blusinha um macacão jeans com alguns rasgados no joelho. Separo a roupa e me jogo novamente na cama. Meu celular vibra. O pego e vejo as mensagens.
Paola: Gabriel já te ligou?
Eu: Já, eu falei com a minha mãe ela deixou só que tem uma condição.
Paola: E qual é?
Eu: Enzo tem que ir.
Paola: Ue, ele já não vai?
Eu: Ele não vou convidado. Pelo menos foi o que o Gabriel disse.
Paola: Ah é, estou sabendo que eles brigaram por uma menina.
Eu: Como assim? Que menina?
Paola: Isso eu ñ sei. Só sei que o Enzo parece gostar muito dela já que foi ele que começou a confusão.
Eu: Deve ter sido sobre a Vanessa.
Paola: pode ser, mas do jeito que ele é mulherengo...
Eu: Preciso ir, mais tarde nos falamos?
Paola: S, estou super ansiona. Bye migs.
Eu: Bjs ;)
Coloquei o celular no criado mudo. Pelo que Paola disse, Enzo gosta mesmo dessa tal menina que tem possibilidade de ser a Vanessa já que eles estão namorando. Mas e se não for? Se ele for mesmo mulherengo e está gostando tanto de uma outra a ponto de brigar com seu melhor amigo? Eis as questões.
Às 7h da noite começo a me arrumar já sabendo que eu ia demorar um século só na maquiagem. Depois de uma hora, meu celular toca.
— Alô?
— Sou eu. — escuto a voz de Enzo. Fico nervosa de repente. — ér, está afim de... sair para comer alguma coisa? juro que eu pago. — ele dá um risinho meio nervoso.
— Eu já tenho um compromisso para hoje a noite... — ele solta um suspiro. — mas valeu pelo convite.
— Tudo bem... Nos vemos depois anjo.
— Tch... — sem deixar eu terminar de falar ele desliga.
Perturbada com a ligação dele jogo o celular na cama e volto a me arrumar.
Mais tarde, um carro buzina na porta da minha casa. Eu me despeço da minha mãe e abro a porta. No carro está Gabriel, Paola, Henrique, Olívia, uma menina da nossa sala que eu não sei o nome.
— Fala aí Laura!
Dou um sorriso e aceno para todo mundo. Sento na parte de trás do lado de Paola. Me sinto meio desconfortável com a presença de Olívia já que não nos damos muito bem. Mas tenho que aceitar já que ela é namorada de um do meus amigos.
— Onde nós vamos? — Paola perguntou.
— É surpresa. — Henrique fala a olhando com uma expressão estusiasmada.
Chegamos numa pizzaria e os meninos cumprimentaram algumas pessoas no caminho. O resto de nós os seguimos até uma sala fechada da pizzaria.
— Aqui que nos divertimos. Nessa sala que nos trás tantas lembranças. — diz Henrique.
Os meninos contam diversas coisas que eles fizeram juntos na sala, tipo ficar bêbado e tentar andar de skate em cima da mesa. Bom, acabou que um deles quebrou a perna.
Na maioria das histórias Henrique sempre se lembra de colocar Enzo no meio delas, já que ele participou, mas todas as vezes que ele cita o nome Gabriel se esquiva e olha para mim. Quando Paoala estava pertuntando um negócio para Henrique, Gabriel se levantou e saiu da sala. Todos ficamos em silêncio e se entreolhamos...
— Ele parece meio... chateado. — a menina que não sei o nome disse.
— Sério que você percebeu isso agora Tina? Af. — Olívia fala e revira os olhos para a "Tina".
— Fica na sua. O que eu percebi ou deixo de perceber não é da sua maltida conta.
— Meninas! Parem. Sem confusão. Vamos comer e ir embora. Tudo bem? — disse Henrique irritado.
Concordamos com a cabeça.
Depois da pizza, eu e Paola resolvemos ir a pé para que eles pudessem procurar Gabriel.
— Eles são muito amigos. Aconteceu uma coisa séria. — Paola comenta.
— Eu não posso acreditar que isso é por causa de mulher.
Paola me olha meio estranho.
— Que foi?
— Nada não.
— Fala logo.
— É, que... Esquece.
Sabendo que ela não ia falar, deixei o assunto para lá. Nos despedimos e seguimos direções opostas. Fui caminhando lentamente até o caminho da minha casa. Chegando na minha calçada, me viro para olhar a casa da minha tia e vejo alguém na varanda. Atravesso a rua e ando até lá. Enzo está sentado no degrau da escada perdido em pensamentos.
— Oi.
Ele olha para mim mas não fala nada.
— Olha, eu sei que não é da minha conta, mas... Não acho que vocês deveriam estar brigados, vocês são como irmã...
— Como você disse não é da sua conta. — ele disse me encarando com uma voz obscura que nem parecia ser dele, depois se levantou e entrou, batendo a porta com muita força.
O que deu nele? Ele nunca me tratou assim.
Ainda sem entender o que tinha acontecido, vou para casa.
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