Notas iniciais
Vou postar até o capítulo 10 até o final do dia 24/04

— Sinto muito... — ele fala.
— Eu quero ficar sozinha. — ele abre a boca para se opor. — por favor? — minha voz falhou e nessa hora eu percebi como sou frágil. Eu me senti fraca e eu odeio me sentir desse jeito.
Ele concordou e foi embora. Me encolhi mais ainda e dessa vez o vão na garganta de abriu liberando meus gritos. Alguém corre ate mim, mas minha cabela esta tampada pelos meus braços.
— Laura, Laura calma. Vem cá. — Ouço a voz de Paola, ela me abraça e eu choro em seu ombro. A presença dela me traz conforto.
— Você é forte, você vai superar de vez isso.
Ela disse com uma certeza... Isso me fez ficar mais firme, meus gritos sumiram e minhas lágrimas diminuiram. Ela me olhou com um olhar suave, não de pena, mas que transmitia uma energia.
— Não precisa me contar agora. Mas quando quiser conversar sobre isso eu estou aqui. Sempre.
Eu a abraço.

X

Depois de um hora no frio da varanda, decidimos entrar e nos vestir para dormir. Tomo um banho quente e tiro a maquiagem borrada. Me sinto mais limpa e mais vulnerável. Espero que isso passe.
Meu celular toca e aparece o nome "MAMÃE" na tela. Atendo e tento fazer uma voz normal, como se eu não tivesse passado por uma discussão/briga/ressaca.
— Oi mãe. Está se divertindo?
— Oi querida. Era já para eu estar aí em casa, mas está um trânsito enorme aqui. Bom, está meio... talvez muito longe de casa. Vou demorar umas horas para chegar.
— Não se preocupa, Paola está aqui. Pedi para ela dormir essa noite comigo. Por que você não dorme por aí? Espera de manhã, o trânsito estará livre. Deve ter alguma amiga sua morando por aí ne?
— Pensando bem, Raquel mora a fuas quadras. E ela estava comigo hoje no nosso jantar. Deve estar acordada. Você vai ficar bem filha?
— Claro, eu não sou mais criança mãe.
— Okay, nos vemos amanhã então. Beijos filha.
— Beijos.
Desligo e jogo o celular em cima da cama. Paola se levanta.
— Agora é minha vez. — ela pega sua toalha e entra no banheiro.
Deito na cama e fico olhando para o teto.
É tão difícil mudar de cidade. Se eu estivesse na minha antiga cidade eu não teria ido em festa e Hugo ainda teria me esquecido completamente, e se ele resolvesse aparecer não ia nem falar comigo antes de brigar com Pedro e Marian, meus escudeiros. Que saudades deles. Sinto saudades de todos, Flávia, Ju, Otávio, Mabel, Marcos... Preciso vê-los logo. E isso por que me mudei faz apenas uma semana.

X

Abro meus olhos e dou de cara com a claridade da janela. Ai como meus olhos ardem! Olho para o lado e vejo Paola rocando no meu lado. Faço um coque no meu cabelo e levanto. Vou até a sala e vejo minha mãe dormindo no sofá. Devagar, me dirijo até ela se me agacho para falar em seu ouvido.
— Vai para cama mãe.
Ela meio que acorda e senta no sofá, ajudo-a a subir as escadas e a coloco em sua cama.
Preparo um cafe na cozinha e lavo meu rosto com água gelada. Falam que melhora a ressaca. Tomo um gole de café e deixo ele descer pela minha garganta.

X

Depois do almoço, me sento na varanda com um livro e um chá. É meio que um ritual pós balada. Obviamente não é Nicholas Sparks, gosto mais do estilo serial killer. De moletom, cabelo bagunçado e olhos avermelhados essa é a minha aparência e eu nem ligo para isso, mas parece que alguém liga.
— Você parece que está doente.
Olho por cima do meu livro e Enzo acena.
— Estou bem, obrigada por perguntar. — falo ironicamente.
Ele ri e senta do primeiro degrau da escada de costas para mim.
— Eu não queria ter te envergonhado... Me... Me desculpa.
Por um momento fico impressionada com suas palavras. Por que ele acharia que eu estava envergonhada? Estou agradecida por ele ter me defendido e afastado Hugo de mim. Estava magoada demais para me defender e ele for forte por mim.
— Não estou envergonhada. Muito pelo contrário. Eu queria te agradecer pelo que fez.
Ele vira a cabeça e olha para mim sem entender.
— Olha, eu estava bêbada e muito deprê. Você me ajudou, estou te devendo uma.
— Não precisa agradecer anjo.
Conversamos até o fim da tarde. Eu gosto da companhia dele. Talvez até demais. Isso é o que me preocupa. No meio da conversa minha curiosidade fica aguçada.
— E a Vanessa? Não a vi ontem.
Enzo faz silêncio.
— O que foi?
— Ér, ela foi sim.
— Então por que eu não vi ela lá? Eu rodei aquele salão todo quando estava sóbria. Meio que procurando alguma pra fazer.
— Ela chegou meio tarde...
Tudo faz sentido agora, o tempo que ele tinha sumido era o mesmo que ele estava com ela em algum lugar escondido. Só de pensar na cena sinto gosto de bile. Uma ponta de ciúmes surge. Tento controlar minha expressão.
—... Então é oficial que vocês voltaram?
— Sim.
Okay, ele está comprometido e isso é uma coisa boa. Por que assim você para de sentir algum tipo de... Sei lá, sentimento? Eu tenho sentimentos por ele? Eu gosto da presença dele, e foi legal ele ter me defendido ontem. Mais tem dois problemas: a) ELE É MEU PRIMO, sem chances de ter esse tipo de sentimento e b) ele está namorando. Que situação...

X

O resto do final de semana foi péssimo. O usei mais para curar minha ressaca e dormir. Enzo não apareceu aqui desde sábado a tarde. Não que eu me importe. Só estou acostumada a vê-lo todo dia. Na segunda acordo meio na merda. Dormi pouco na noite anterior, fiquei ouvindo Adele e relembrando de como fui trouxa. Decido mudar meu humor, ninguém merece eu chata e rabugenta hoje, eu posso fazer um esforço para fingir que nada aconteceu. Arrumo meu cabelo em em coque bagunçado e coloco meu óculos. Passo um delineador e um corretivo para tapar as olheiras. Vou caminhando até a escola ouvindo música e dessa vez nada deprimente, um som bem agitado e alegre para começar o dia bem. Só que o dia não começou bem. Quando chego na escola Vanessa aparece na minha frente.
— Fiquei sabendo do seu micão sexta na festa. Da próxima você manera na bebida.
Ela disse e foi embora.
Que vaca!
O assunto do dia foi a confusão entre Enzo e Hugo. Era o esperado. Mas o pior foi ouvir que uma "gata bêbada" estava no meio desse rolo. Resumindo, eu realmente passei o maior "micão" como disse Vanessa. Só Paola para melhorar meu dia.
— Amiga pelo menos você saiu como a gata bêbada. Está bem na fita gatinha. — nós rimos.
Estávamos no corredor conversando quando uma menina que nunca vi na vida resolveu falar comigo.
— Da próxima vez você fica em casa antes de passar vergonha na "MINHA FESTA". Não sei nem por que você estava la. Nem te conheço.
Antes que eu pudesse falar ou pelo menos me explicar uma outra menina que estava por perto veio entrar na "conversa".
— Duda, acho melhor você parar de tentar humilhar as pessoas e prestar mais atenção nas suas pagações de mico nas festas. Sempre é a bêbada de sutiã em cima do balcão. Pelo menos ela não fez o que você fez.
Ela ficou furiosa e saiu cuspindo fogo.
A menina que me defendeu me olhou sem graça.
— Desculpa pela minha irmã, ela tem um coração de pedra mesmo.
— Ah, nem percebi. Ela parece tão mansa.
Nós duas rimos.
— Deve ser meio ruim ter uma irmã que sobe no balcão semo nua nas festas. — Paola fala segurando a risada.
— É super legal! Quando ela chega em casa eu gosto de ficar relembrando as vergonhas dela. — ela ri.
— Bom, obrigada. Mas nem sei seu nome. — digo para ela.
— Sou a Lucia. Pode me chamar de Lu se quiser. Não nos vemos muito por que sou do primeiro ano.
— Deve ser por isso que nunca te vi.
O sinal toca e Lucia se despede e vai embora. Ela era parecida com sua irmã, tinha cabelos lisos com cachos nas pontas, pele morena e olhos cor de mel. A única diferença era que uma cospe fogo e a outra não.