Notas iniciais
+ um capítulo :)

Decido dar uma simples volta na escola. Ela é grande e possui vários cartazes de anti-bullying colado nas paredes do corredor. Aperto a mochila contra as costas quando vejo quem está vindo em minha direção.
— E aí anjo? — Enzo para na minha frente e me entrega um panfleto.
— Uau, mal cheguei e já fui convidada para uma festa?
— Não é bem uma festa... É mais uma reunião de amigos com mais pessoas. — ele disse dando um sorriso irônico. — Não vai querer ganhar sua primeira falta em Educação Física ne?
— Ah quase esqueci. Você vem?
— Só vou colar isso aqui... — ele pega o durex em seu bolso e cola na parede do corredor. — Agora sim.
Caminhamos até a quadra e sou recebida por uma professora loira e musculosa me observando da cabeça ao pés.
— Qual seu nome?
— Laura.
— Então Laura, tome aqui sua roupa. Meu nome é Kamila. Seja bem vinda e não tente morrer durante a aula. As alunas aqui costumam ser barra pesada. — ela dá uma piscadela.
Pego a roupa e vou para o vestuário. Entro em uma cabine para me trocar. A porta se abre novamente e várias meninas entram de uma vez.
— Você viu os meninos falando com aquela menina nova? — uma das meninas comentou.
— Vi. Nossa, como ela é oferecida. Mal chegou é já está querendo roubar o que é nosso. — a outra respondeu.
— Ela vai se arrepender de mexer com eles. Podemos ensinar uma boa lição.
Saio da cabine e duas meninas se assustam. As encaro e elas me encaram de volta. Saio do vestuário furiosa. Elas não sabem nada sobre mim.
— Meninas, saem logo do vestuário que a auça já vai começar.
Todos os meninos já em posição estão se alongando. Quando chego para me alongar todos os olhares param em mim, inclusive das meninas que chegaram. Sem ligar para os olhares, faço tudo como a professora pediu. Essa é uma das melhores aulas, as únicas que eu realmente não faço esforço para ser boa. Eu ganhei minha bolsa completa na minha antiga escola, me garanto quando o assunto é estudos. Nem toda loira é burra.
— Agora vamos começar com a queimada. Para não ter essas desavenças meninas eu vou escolher. E dessa vez será misto então nada de pegar pesado heim meninos. Depois teremos uma partida de handebol.
Enzo joga um sorriso malicioso para mim. Provavelmente acha que vou ser alvo fácil. Está muito esganado. Kamila nos separa e acabo caindo no time oposto de Enzo. Ele riu quando a professora mandou ele para o lado adversário. Quando ouço o apito a bola vou em minha direção. Agarro com força e vejo quem jogou. A menina do vestuário. Ela me olha com raiva e de imediato jogo a bola na direção da sua cara. Ela recebe uma bolada e quase cai. Gabriel bate palma e manda beijinho. Depois de todos rirem e alguns irem ver se ela estava bem ela vai para o campo queimado com a intenção de queimar outra pessoa. Depois de alguns minutos de jogo e depois do meu queridíssimo primo queimar todas as meninas do meu time menos eu. Ele finalmente fica cara a cara comigo.
— Preparada anjo? — ele fala ironizando.
— Para te ver perder? Claro "anjo".
Me afasto dele e a bola segue em minha direção, desvio deixando-a ir para o campo queimado. A menina que eu queimei tenta me queimar, mas eu desvio. Ela faz careta e eu mando beijo para ela. Henrique queima um menino gordinho do meu time, ele joga para mim e eu pego, rapidamente jogo em Enzo, queimando-o. Todos vaiam para ele e ele corre até mim com um sorriso no rosto.
— Você está ferrada. — ele fala.
Sem tempo de responder, desvio da bola que ele jogou. Os meninos do meu time me defendem e sempre quando dá eles passam a bola para mim.
A bola me pega de surpresa nas costas. Sou vaiada antes mesmo de saber quem me queimou. Alguém chega atrás de mim e sussurra.
— Eu te avisei.
Depois percebo que foi Enzo. Antes da minha jogada no campo queimado, Kamila interrompe o jogo.
— Gente está demorando muito só essa partida. Vamos acabar por aqui. Até a aula que vem.
Acabou que só tivemos queimada e nada mais. Sendo na arquibancada para recuperar o fôlego. Enzo e seus amigos inseparáveis caminham até a mim.
— Jogou muito bem hoje anjo.
— Melhor que você. Teve sorte que ela interrompeu.
— Eu sei que você é boa, não precisa se gabar.
— Representou seu time heim. — Gabriel comenta.
— Obrigada.
— Parece que você e as meninas não se deram muito bem. — Henrique fala.
— É pelo simples motivo de vocês estarem falando comigo.
— Vanessa ainda não entendeu que acabou ne? — Gabriel fala para Enzo.
— Essa aí me liga todo dia. — ele fala.
— Estou boiando aqui. Ainda não sei os nomes de ninguém.
— Vanessa é a morena que você queimou. — Enzo fala.
— Sua ex? — pergunto a ele.
— É.
— Não gosto de falar nada dela. É amiga da minha namorada. — Henrique diz meio sem jeito.
— Não quero problema para você Henrique. — falo me levantando.
— Até daqui a pouco gatinha. — Gabriel se despede.
Ele e Henrique saem da quadra restando eu e Enzo.
— Está brava?
— Com você? Claro, sua bolada me machucou.
Nós rimos. Vanessa se aproximou de nós dois.
— Posso saber do que os dois estão rindo?
— Talvez da sua cara de pau. Só talvez. — falo me levantando e indo para fora do ginásio.
Sid aparece no meu campo de visão.
— Oi Laura. Tudo bem?
Me assusto por um momento.
— Ai que susto!
— Ih desculpa.
— Ue não te vi nas aulas hoje.
— Eu não curto muito participar das aulas sabe...
— Hum, ta. Estou indo nessa. Tchau. — falo tentando fugir da conversa.
Acabo me perdendo nos corredores gigantescos da escola sem saber onde fica a minha sala. Não encontro ninguém para pedir ajudar. Espero uns minutos no meio do corredor até que uma menina de cabelos vermelhos aparece no corredor.
— Ah Graças a Deus!
Ela se assusta.
— Posdo ajudar? — ela pergunta quase rindo com minha reação.
— É que eu sou nova é não sei onde fica minha sala. Não gravei ainda.
— Sem problemas. Qual é sua turma?
— 2 ano b.
— Sorte sua que eu estou indo para la. Acabo de me transferir.
— Estranho isso que noemar as salas de a e b. Falta de criatividade. — Comento.
— Eu sempre achei isso. Aliás, meu nome é Paola.
— Prazer, Laura.
Ela me acompanha até a sala.
— Você é a primeira pessoa normal que conheço hoje.
— Ih é por que você ainda não me conhece profundamente. A última coisa que eu sou é normal.
— Tudo é novo para mim. Acabei de me mudar.
— Odeio mudanças. O ruim é que quase sempre me mudo, por causa do emprego do meu pai. A única boa coisa é os garotos. É cada menino lindo nas cidades que me mudo, que nem reclamo.
Nós duas rimos.
Entramos na sala juntas e sentamos uma do lado da outra. Parece que fiz uma amizade afinal.
No meio da aula de Geografia uma bola de papel bate na minha cara. Quando olho quem foi, vejo meu adorável primo rindo.
E foi isso a aula toda, ele sempre inventa uma nova maneira de me envergonhar.
— Você o conhece? — Paola pergunta tentando segurar a risada.
— Meu primo. — digo irritada.
— Ata. — ela volta o olhar para o quadro.
Quando a aula terminou. Fui correndo para porta saindo de uma vez do campo de visão de Enzo.
Paola me alcança.
— Está correndo de quem Laura? — ela pergunta recuperando o fôlego.
— Do Enzo! Menino insuportável! O pior de ter que aturar ele na escola é ter que aturar ele em casa.
— Isso que dá ter primos lindos insuportáveis. — ela deixa escapar. Olho para ela. — Que foi? Ele é lindo ora. É verdade. Vai dizer que não é?
— É sim, mas isso não muda o fato dele ser um pé no saco. E meu primo.
— Deve ser chato ter um primo gostoso e não poder pegar.
— Nem ligo para isso.

X

Coloco os fones e sigo o caminho para minha casa. Eu ainda não me acostumei desde do começo do ano a acordar cedo. Por isso estou meia sonolenta. Um barulho de moto surge atrás de mim. É o Sid.
— Quer uma carona Laura?
Penso em alguma coisa para recusar.
— Ah não precisa. Já estou chegando.
— Ta então tchau. — ele acelera.

Depois de um banho bem gelado caio na cama pronta para dormir.