Anjo massacrante
1 Parece um anjo
Notas iniciais
Parece um anjo
Angel Pov’s On
"Este lugar... Reconheço este tipo de lugar como uma floresta porque de onde vim também existe algo similar, mas tudo é muito diferente. O céu está escuro... tão escuro que estou receoso. Que lugar é esse?”
Estas e outras perguntas assolavam minha mente pouco antes de ser surpreendido por um barulho nas folhagens e recolhi minhas asas, deixando algumas plumas brancas caírem no chão.
– Quem está aí? – Uma voz rude veio dos arbustos e recuei, imaginando que criatura poderia sair, mas ao ver um homem barbudo de 40 anos ou mais aparecer com um machado na mão, duvidei se deveria ficar aliviado ou não. Sua roupa era rústica e ao me ver, soltou a arma no chão parecendo surpreso em me ver, o que me deixava mais receoso ainda.
Angel Pov’s Off
– Olá minha jovem, o que faz nesta escuridão? A Floresta já é perigosa demais de dia, imagine só à noite. — Seu olhar era bondoso ao ver a face amedrontada da garota que aparentava ter 16 anos no Máximo.
Ela era linda. A mais bela criatura que ele já vira na vida. Seus loiros cabelos ondulados pareciam reflexos do sol, caindo até seus joelhos. Os olhos puros pareciam safiras luminosas e a pele limpa de quaisquer impurezas, parecia leite de tão branca.
A menina não era magra ou gorda, mas de tipo físico saudável e curvilíneo, sem seios aparentes.
– Não sei onde estou. Ajude-me, por favor. — Um pouco confiante, ela da um passo a frente, fazendo o homem reparar melhor nas vestes simples que ela trajava. Era um tipo de Bata branca de algodão, comprida com longas mangas em forma de sino que cobriam metade das mãos e uma corda estava amarrada em sua cintura tal qual um frei.
– Meu anjo, você está descalça! Venha comigo que lhe mostro o caminho para a cidade.
Assentindo com a cabeça, ela caminhou na direção do mais velho que ao pegar a mão dela, puxou-a para si com força, causando reação imediata na menina que logo gritou mais alto pelo susto, fazendo com que as aves voassem para longe das árvores para o céu.
– Não sou rápido com minhas pernas, foi muito inocente, menina. — Disse lambendo seu rosto, dando ânsia na garota que sequer sabia o que estava acontecendo, mas temia por si. Sentia a grande energia negativa vir do outro.
– Creio em Deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra...
Sua voz trêmula denunciava o nervosismo, mas na medida em que rezava, sua voz ficava firme e confiante, confundindo o velho que parou por um tempo para ter certeza do que estava fazendo, mas quando estava para retirar as vestes da garota, apareceram sete homens vestidos de preto e colarinho branco e o mais velho deles, ao ver o ocorrido, sem sequer pensar duas vezes, correram até eles, alcançando o machado que estava no chão e jogou para longe de todos, partindo para cima do velho que a soltou imediatamente para enfrentar seu adversário.
Cinco deles foram ajudar o padre e logo renderam o homem, o puxando pelos pulsos e amarrando-o por cordas que haviam levado para trazer a caça do dia, coisa que não haviam conseguido.
– Você está bem, senhorita? — Perguntou um homem que tinha no máximo seus 20 anos de idade, cabelos e olhos negros com sua pele branquinha, contrastando com o preto de suas vestes. Todos eram padres.
– Vocês são a ajuda que pedi a Ele. Vocês são homens de Deus. — Ela respondeu sorrindo e agora mais tranquila, mas ainda arfando por conta do esforço que havia feito para se livrar do lenhador.
– Dimitri, o que está fazendo? Não vê que ela está machucada? Ajude-a! Nós levaremos este homem para o delegado cuidar dele. — Respondeu o mais velho nervoso, com hematomas no rosto e parte da gola rasgada.
– Você está ferida! Desculpe-me senhorita, eu sequer pude notar, pois me encantei com sua beleza. Se me permite, a levarei onde possa ser tratada. — Sem mais esperar, ergueu-a nos braços e a carregou no colo, sentindo que suas costas estavam nuas. Teria o lenhador rasgado a roupa da jovem nas costas durante a tentativa de violá-la?
– Tudo bem. Eu sinto que o coração de vocês é bom e confio em você. — A voz dela, o olhar puro, sua beleza, seu cheiro... Tudo nela deixava-o zonzo e acabou deixando escapar o que pensava:
– Você parece um anjo.
– Mas eu sou um arcanjo. — Ela sorria docemente a ele, o fazendo quase acreditar nela, enquanto a carregava, percebendo na entrada da cidade que a menina era muito leve e que sequer havia cansado ao levá-la nos braços. Ao chegarem ao hospital, onde ele a sentou numa cama com lençóis brancos e deixou por conta das enfermeiras, apenas saindo de seu lado quando elas o mandaram ficar do lado de fora. Ele não havia se apaixonado por ela, mas sentia emanar tamanho magnetismo que ele sentia ser impossível ficar longe dela e que era seu dever protegê-la.
– Após avaliarmos a jovem criança, pudemos deduzir que ela tem apenas algumas pancadas pelo corpo e um corte na perna que já foi feito o curativo.
– Sim, estava preocupado com este corte, mas agora que ainda está se vestindo poderia ... Sabe me dizer se ocorreu qualquer outra coisa? Ela não foi violada?
– Não, vocês a socorreram a tempo de evitar este desastre, mas evite conversar sobre este assunto, pois deve estar com trauma.
– Que o senhor esteja convosco.
– Amém, padre. Amém.
O padre Dimitri colocara a jovem nos braços mais uma vez, mesmo que a mesma dissesse que não era necessário, pois não sentia mais dor alguma.
A caminho da cidade até a igreja, ela reparava nos mínimos detalhes do lugar, sendo tudo muito diferente de onde vivia. Embora simples, eram feitas as casas de uma substância concreta e dificilmente daria para alguém transpassá-la, o chão era de terra marrom alaranjado. Algumas casas tinham jardins, mas todos de muros baixinhos.
A cidade era pequena e tudo era muito perto, chegando eles, perto da igreja de paredes brancas e único lugar de muros altos, contendo em cada torre uma cruz.
Lá seria o ponto de encontro onde todos se reuniriam para decidir o destino da garota e eles haviam sido os primeiros a chegar no local. Logo o jovem padre a colocou no chão, a ajudando a andar até um banco de mármore branco e a olhou atentamente, escolhendo que palavras deveria usar para iniciar uma conversa, optando pelas apresentações.
– Qual o seu nome, senhorita?
– Me chamam de Gabriel. — Respondeu de forma serena e ao ver o olhar surpreso do rapaz, ela o olhou de forma questionadora.
– Seu nome é Gabriela ou Gabriele? Acho que não ouvi direito.
– Nenhum dos dois. É Gabriel.
Continua...
Fale com o autor