Anjo do Demônio

1 Episódio 1 - Não é um bom dia para saber voar.


Notas iniciais
Cuidado com Jimmy, ele é um anjo, mas não é de Deus.

Jimmy colocava o travesseiro no rosto para abafar o som de choro. Era o fim do domingo da segunda semana de Agosto. Mais um Dia dos Pais em que seu pai estava muito ocupado com o trabalho para reconhecer a existência de seu filho. Jim não sabia o motivo da surpresa, esse era só o décimo terceiro dia dos Pais que seu pai não aparecia. Quando descera as escadas mais cedo, sua mãe dissera que seu pai tinha ido lhe comprar o maior e melhor presente da loja de brinquedos. Jim acreditaria na palavra da sua mãe, não sendo o caso essa vez, visto que a desculpa era a mesma do último dia dos Pais. Jim deitada e se lembrava que amanhã teria que escutar todos os seus amigos o dizendo como foi o Dia dos Pais deles. Aff. Jim os odiava. Só os tinha como amigos porque seus pais achavam que ele não era normal. Ah, nessas ocasiões seu pai aparecia.

Jimmy tinha pego no sono havia alguns minutos. Sonhava que seu pai tinha aparecido e que todo o dia vivido era só um sonho bem gráfico. Sonhava que estava vendo seu pai bem ali, na sua frente. Jim abre seus olhos graças a seus reflexos e descobre que seu pai estava realmente lá. Com uma injeção assustadora nas mãos.
- Não acorde, Jimmy – disse ele – nossa noite ainda não terminou.

Jim acordou antes que seu pai pudesse perceber. Estava num quarto pequeno, cheio de computadores e outras coisas que Jimmy não conseguia entender. Seu pai não reconhecia o filho acordado. Usando isso como vantagem, fingiu ainda estar no estado de sono e observava seu pai conversando com outro homem, um senhor de bigodes e de altura comparada a de Jimmy.
- O projeto Júpiter foi um sucesso! – exclamava, cheio de felicidade, seu pai.
- A criança não acordou ainda, Michael, não sabemos nada. Comemorações depois.
- Eu que desenvolvi o projeto Júpiter desde o começo, Edward. Ele vai funcionar.

Jim não fazia ideia do que seu pai estava falando, mas achava que ele tinha muito a ver com isso. Seu corpo parecia mais pesado, porém, ele se sentia normal. Jimmy piscou. Burro! Seu pai percebera que estava acordado.
- Minha cria acorda! – o pai tinha um sorriso no rosto que Jim não via desde... nunca. Seu pai nunca tinha sorrido com ele.

Seu pai foi até onde ele estava, que só agora Jimmy percebeu que estava amarrado a uma espécie da maca. Jimmy se sentiu mais livre e se levantou. Nada parecia errado. Estava tão bem quanto quando acordara assustado no meio da noite.

Edward sorriu. Não era um sorriso de alegria como o de seu pai. Era um sorriso de satisfação. O projeto “Júpiter”, aparentemente, tinha sido concluído com sucesso. Jimmy era parte dele, junto a seu pai, mesmo não sabendo como.
- Uma boa noite para todos, não é? – Edward ainda com o sorriso no rosto, sacou uma arma de dentro do seu paletó e apontou para a cabeça de Michael, que estava na sua frente.
- Você não precisa fazer isso, Ed. Esse é nosso projeto.
— Você sabe melhor que ninguém que esse projeto não é meu, nem seu. É da corporação. Sorte minha que me pediram para matar você e sua aberração. Antes você que eu.

Jim percebeu que quando o doutor tinha dito “aberração”, ele se referia a ele. Não sabia como podia ser uma aberração, muito menos como salvar o seu pai, o que o deixava aflito.

Jimmy tentou chegar onde o pai estava e percebeu seu pé abandonando o chão. Não sabia como estava fazendo, mas o usou como vantagem. Flutuando, correu até onde Edward estava, ele disparou a arma em Jim. O tiro tinha parado em uma parte do corpo de Jim que ele não sabia dizer qual era, mas definitivamente doeu.

Jim foi mais rápido. Pegou a arma e foi para atrás do doutor. Seu pai quase chorava de alegria.
- Vá criança, faça!
- Você sabe que eu não tinha escolha! – Edward chorava como um bebê no chão. Implorava a Jimmy a vida.

O homem ameaçava a vida de seu pai e sua própria. Jimmy sabia disso. Fez o que seu pai gritava bravamente ao que parecia horas. O problema era: Jim nunca tinha usado uma arma de fogo em sua vida. Nunca tinha usado nenhum tipo de arma. Como era esperado que ele matasse um homem?

O pensamento só o chegara agora, dentro de poucos segundos Jimmy deveria matar um homem. Tirar a vida de um bastardo que de fato merecia o inferno. Mas, era Jimmy a melhor pessoa para mandar o homem para seu destino doloroso? Não era mais misericordioso ir a polícia ir denunciar a tentativa de assassinato e dali em diante poderia viver feliz com seu pai e sua mãe?

O homem estava se levantando e Jimmy não pensou. Atirou. Atirou de novo. Não tinha mais nenhum controle sofre a arma e não conseguia parar de atirar. Acabaram as balas e Jimmy consegue ver o cadáver do terrível Dr. Edward nos seus pés. E o seu pai agonizando ao lado.

Algum tiro batera nele e agora era questão de tempo para que ele morresse. Jimmy não sentia nada. Era ele frio ou era o calor do momento.

Lágrimas caiam no seu rosto mesmo que por dentro Jim estivesse tão normal quanto nas noites de segunda assistindo filmes na TV. Jim se ajoelhou ao lado do pai e se viu no espelho. Não acreditou no que vira. O peso a mais no seu corpo eram assas. Seu pai junto ao outro defunto o tinha condenado a ser uma aberração para sempre.

Jim saiu de lá do melhor jeito que podia pensar. Voando. Nada mal para um primeiro voo.

Não sentiu nada pela morte da aberração de pai que tinha. Infelizmente para Jim, sua mãe sentiu a morte. Surpreendentemente, ela sabia onde era o esconderijo da arma reserva da casa e a usou de uma maneira bem surpreendente no meio de sua testa.

Nenhum parente queria Jimmy. Com pais e avós mortos, tudo que restava ao jovem Jimmy era apelar aos tios, os quais não o queriam. Jim não ligou, não gostava daqueles tios mesmo.

Depois de ser mandando para a adoção, conseguiu fugir no primeiro dia. Ter asas, por fim, o veio a calhar. Voava livre por sua cidade. Parecia estar olhando para o território do Demônio.

Agora, alguns ficariam chocados. Alguns ficariam com medo. Jimmy percebeu que esse seria seu local de operações. Junto a seu amigo de orfanato, Kevin, saia pelas ruas aumentando a fama de endiabrada que a cidade já carregava.

Logo Jim Borboun chegara aos 15 anos de idade, e, acompanhado por Kevin Lesquece, tocavam o terror na cidade.

A camaradagem entre bandidos era só um mito para Jimmy, mas, aos poucos, conseguiu entender como era ter um amigo: alguém que o protegia quando necessário, lembrava seu aniversário e outras datas importantes e que, eventualmente, necessitária proteção também.

Certo dia Kevin aproximara Jimmy no local deles, o último andar de um estacionamento abandonado: O Quartel Bandido, como conhecido por eles.

- Sabe quando eu digo: pense grande ou não pense? – Kevin falara. —
Você nunca disse isso. – Jim respondeu, sentado no cantinho vestindo uma de suas largas camisas as quais podiam esconder suas assas, que estavam bem espremidas. — De qualquer maneira... você quer dinheiro?
- Sempre.
— Eu, você. O Anjo e o Mortal. Um banco.
- Você quer assaltar um banco? – Jimmy se levantou. Sempre assaltara, porém, nunca nada tão grande quanto um banco. – Você perdeu o juízo?
- Temos tudo que precisamos. Velocidade, estratégia....
- E quanto aos guardas?
- Se eles resolverem atacar... você se lembra de mês passado?

Mês passado Jimmy e Kevin estavam fugindo. Kevin nas costas de Jimmy, em alta velocidade. Um policial acabou sendo mais esperto que os dois juntos, e acertou um tiro contra Jimmy. Uma hora depois, depois de alguns minutos de descanso, a marca do tiro tinha ido embora. Era como se nada tivesse acontecido.
- Não vamos contar com o ovo dentro da galinha, ok?
— Então... quer dizer que vamos fazer? – um sorriso se abriu no rosto de Kevin.

Kevin dissera para o encontrar na plataforma do metro. Jimmy ficou desconfiado, Kevin era a única pessoa que confia em anos, mas, mesmo assim, esse chamado o parecia extremamente duvidoso.

Quando Jim chegou lá, Kevin o esperava, parecendo nervoso. Quando o viu, parecia ter visto fantasma.
— Jim, que bom que você chegou.
- O que foi, cara? Você parece nervoso.
— Eu realmente não queria fazer isso. – Kevin sacou uma arma de trás da calça. – Eles têm a minha vó, cara.

Kevin tinha uma vó bem doente no asilo. Toda semana a ia visitar, Jim entendia que Kevin fizesse isso pela avó. Queria ele ter um parente pelo qual sair por ai matando pessoas.
- Oque... eles quem?
— Você sabe que o projeto Júpiter era para ser confidencial. Você é a prova viva. Você precisa morrer.

Projeto Júpiter. O projeto transformara Jimmy em uma aberração viva e ele que tinha que pagar por isso.

Kevin ia disparar. Jim não queria acreditar nisso, mas ele ia. O mais rápido que pode, Jimmy voou e pegou a arma do seu “amigo”. Quando Kevin tentou reagir, Jim o deu um chute. Não sabia ele que na hora que o fez, o trem passara. Pelo desequilíbrio do chute somado ao fato de ter alguém balançando assas ao seu lado, Kevin caiu. O trem passou em alta velocidade e só deixou pedaços do antigo amigo de Jimmy. Kevin morrera.

Mais uma vez o Projeto Júpiter, que para Jim era só um planeta, tinha influenciado na sua vida. Matara mais um por causa disso.

Jim agora tinha uma filosofia de vida e isso o faria ser o maior em seu meio de trabalho: Se todos que já amara tinham morrido em suas mãos, por que não matar o resto?

O governador estava na cidade. E Jimmy Borboun iria o matar a noite.

A cidade era dominada por duas facções perigosas – os Underwood e os Borgias. E o governador ajudava, por debaixo dos panos, os Borgias. Então, obviamente, os Underwood iriam o querer morto.

Agora, quem melhor para contratar que o melhor matador da região, o Anjo do Demônio, como tinha ficado conhecido?

Jim agora tinha vinte e um anos, não corria mais de ninguém. Era um homem livre. Passara os anos melhorando suas habilidades e se tornando cada vez mais um melhor assassino: uma máquina de matar.

Se tornara um mercenário sem alma. Cada uma de suas vítimas morriam da maneira que o pagante escolhia e Jimmy não sentia nenhum remorso ao faze-las. Mostrava prazer, até.

Conseguira transformar a imagem de um Anjo numa coisa diabólica. De primeiro, conseguia arrancar lágrimas dos mais religiosos e desdém dos incrédulos a voar pelo céu, com nada exceto uma calça velha, não revelando sua identidade, sendo só uma criatura voando embaixo do sol. Hoje em dia, fazia pessoas correrem ao ouvirem o menor sinal de assas batendo. Jim tinha se realizado. Não era mais uma criança chorando a espera do pai que nunca vinha. Era temido. Era um homem. Nada estava acima dele. Não tinha nenhum deus. Ele era seu deus.

Se tendo asas o garoto Jimmy já oferecia perigo máximo a sociedade, depois da descoberta da sua resistência a tiros, facadas e adjacências, não teria pessoa nenhuma que pudesse o parar – até porque matara todos que poderiam.

O Anjo do Demônio estava pronto, e as 23h01 do dia de hoje, o governador Paul não respiraria mais.

A noite caíra e Jimmy se arrumava no mesmo local de sempre: o Quartel bandido. Não era o mesmo sem o falecido amigo, Kevin, mas servia para guardar seus equipamentos.

Nada demais: uma roupa vermelha com uma caveira negra no peito e dois furos nas costas para suas magnificas asas – as quais tinha limpado mais cedo -, uma máscara de pano preta com dois furos para os olhos e botas negras simples. Jim gostava de pensar de si mesmo como um vigilante a preço fixo.

Sua televisão ligada no jornal anunciava o começo do comício. Jim não gostava do governador e sabia que só estava na sua cidade esquecida por deus para ganhar votos na eleição que se aproximava Jim não tinha problemas em matar ninguém, mas incentivo nunca édemais.

No caminho para o local do discurso, Jim parou e assaltou uma mercearia. Não tinha jantado naquele dia, então, era melhor pegar um de seus lanches favoritos e se mandar.

Mesmo com as lendas espalhadas por toda a cidade, sempre tinha alguém que ainda se impressionava ao ver um sujeito de assas.
- Nunca viu um não?
Jim sabia que a resposta seria não.

Quando saiu voando da loja, percebeu um carro preto localizado ao lado da loja. Não estava lá quando ele entrou, tinha certeza.

A janela do banco de trás do carro se abriu. O carro era tão escuro por dentro que Jim não pode ver nada. Algo saiu do carro e atingiu Jimmy. Ele apagou e caiu no chão.
Jim tinha sido dopado.

Notas finais
A saga de Jimmy continuará quando o for apresentado ao seu maior inimigo.