Andei num pulo e sentei ao lado de Riley, encarando a TV de plasma, que provavelmente tinha sido roubada de alguma loja.

Riley suspirou.

– Por que fez aquilo? – ele me encarou.

– Aquilo o que ? – me fiz de desentendida, não querendo entrar no assunto ,pois isso significava entrar no passado.

– Por que me salvou? – ele estava tão calmo que me assustava. – E como é mesmo seu nome?

– É Anna.

– Por que, Anna? – insistiu.

Achei melhor contar tudo.

– Riley, eu tinha uma divida com você.

– Como uma divida?! – Riley rosnou indignado. – Eu não...

– Se você não tivesse entrado naquele beco, eu estaria morta, ou coisa muito pior.

– Você está querendo dizer que eu te salvei te transformando num monstro?!

– Eu vivia com um mostro. Você me salvou.

– Como assim?!

– Meu padrasto, ele é um mostro. Eu, minha mãe e minha irmã éramos abusadas sexualmente por ele, e eu era a que mais sofria.

– Por que não fugiu? – seu tom era calmo novamente.

– Eu não podia. – suspirei. — Eu vivia em uma cadeira de rodas e durante a maior parte do tempo ele me amarrava na cama, para que eu não fizesse nada ou tentasse e isso significava que era uma vitima fácil.

– Eu sinto muito. – Riley me encarava com os olhos vermelhos de pena. – Então veneno te ajudou a andar...

– Não tenha pena de mim. – fiquei de pé. – Olhe agora, estou livre graças a você! Obrigada! Devia isso a você!

– Obrigado você. – ele sorriu. – Por me mostrar que não fui completamente destruído.

Semanas se passaram, meses. O dialogo surgia fácil entre nós e algum tipo de conforto também. As caçadas se tornaram mais rápidas e de algum modo divertidas. Eu não me lembrava mais de como era meu passado ali com Riley.