Alasca. Frio. Fim do terceiro ano do ensino médio. Eu odiava cada momento que passava naquela maldita escola. Não que a faculdade fosse mudar alguma coisa. O problema era o meu antissocialismo. Conversar, socializar, sorrir, viajar ... eram coisas tão sem graças pra mim! Mas meus avós insistiam em dizer que eu precisava ser mais normal, e tratar de arrumar um namorado pra me fazer bem. Com certeza essas coisas eram importantes pra quem é importante. No meu caso, eu nunca fui notada por ninguém, então me acomodei do jeito que a sociedade me via e me tratava. Então já devem imaginar a droga da minha vida.

Bem ... Sem mais delongas, vamos as apresentações! Me chamo Maju Hill, tenho 17 anos! E neste exato momento estou esperando o sinal bater, pra mim poder sair desse lugar e me encontrar com Dyla... OOOOW não lhes disse sobre Dylan! Bom. Dy é meu vizinho. Caladão igual a mim. Lindo demais pra ser verdade. Cada segundo ao lado dele é uma tentação pra não beijar aqueles lábios. Aqueles olhos negros, aquele sorriso bobo, e aquele desajeito todo dele, me deixam louca! E se querem saber, não sou apaixonada por ele, apenas sou de reparar demais nas pessoas. O que mais me assusta é saber que outras garotas não notam Dylan, nem se interessam por ele. Mas isto é caso pra depois. Dylan me disse que tinha algo a me mostrar quando eu saísse da escola. Não estava ansiosa, deveria ser outro desenho de anjo que Dylan havia feito. Ele tinha uma grande obsessão por anjos. E sabia se expressar bem no papel! Tinha vários desenhos que ele havia feito de mim como um anjo. Ele me fizera sob uma montanha, olhando a lua ... E eu possuía asas de anjo. Asas enormes. Ele me entregou o desenho e disse "Foi assim que eu vi". Não entendi o que quis dizer e não queria perguntar. Tenho medo da verdade, e daquilo que Dylan tem por trás daqueles olhos bondosos e enganosos.

Sinal bateu finalmente! Guardei minha coisas no armário, e adeus escola! Minha casa não ficava tão longe dali, sempre ia a pé. E pra minha surpresa, quem estava me esperando?! Dy estava lá. Blusa xadrez azul, calça jeans escura, tenis preto e um sorriso bobo no rosto. Fiquei parada olhando pra ele e rindo igual idiota. Ele abriu os braços e eu sai correndo na direção dele! Pulei nele, gritei, fiz a bagunça de sempre. Era sempre a mesma coisa. Depois de toda a encenação Dylan me fitou com os olhos e perguntou:

"Muitas novidades Hill?"

"Não tanto quanto você, não é mesmo?"

Ele olhou pro chão por alguns segundos, enquanto caminhávamos, e quando houve silencio total, ele suspirou e falou:

"Se está falando sobre a surpresa que tinha pra você, tenho que lhe informar que não há mais. E sem perguntas sua chata." — E vi uma curva surgir no canto dos seus lábios.

"Você é realmente indeciso. Mas tudo bem, lidei com isso por dez anos!" — Dei um murro bem dado em seu braço, pra não sair de costume.

"Você me paga por isso!" — E quando eu vi, ele estava vindo pra cima de mim com o punho fechado. Nesse caso, foi correr sem parar, afinal, Dylan não perdoava quando descontava em mim!

"Pode deixar Ma, amanhã você não escapa!" — E entrou pra dentro de casa.

Cheguei em casa, fui comer. Vovô estava assistindo a seu programa favorito de "perguntas e respostas" e pareceu não me notar quando cheguei. Subi até meu quarto. Sem nada pra fazer, nem concluir, a não ser o trabalho de literatura. Quando decidi que era hora de parar, e notei que a noite já havia chegado, fui tomar banho. Gastava pelo menos meia hora dentro do banheiro, era o único lugar que podia pensar com silencio sem ninguém interromper. E pronto! Coloquei meu pijama, apaguei as luzes. Da minha janela eu avistei a lua. Grande, brilhante e de um certo modo assustadora. Meus olhos estavam pra fechar, quando senti que um vulto passou pela janela. Olhei, assustada. Nada havia ali. Retornei a fechar os olhos. E durante a noite, já dormindo, senti algo leve tocar meu rosto. Não sabia se devia abrir os olhos, com medo de me deparar com algo ruim. Fiquei tensa. Gélida. E aquele ser do meu lado, pareceu entender minha preocupação. Foi quando o ouvi dizer, com uma voz máscula e firme:

"Não tenha medo. Eu cuido de você. Sou seu protetor." — Ainda com os olhos fechados, criei coragem e perguntei.

"Quem é você?"

"Eu já lhe disse Maju, sou teu protetor" — Quando ouvi meu nome, abri os olhos espantada. E aquele ser sumiu, como um vento. Só consegui perceber seus olhos cintilantes. Mas que me lembrou a lua. Depois daquela visita, não consegui dormir. Vi o céu passar de negro, pra laranja fogo. De certo modo quis ver "meu protetor" outra vez. E na noite seguinte, ele retornou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.