Notas iniciais
primeiro capítulo, caso gostem, irei postando outros. Boa leitura!

Ela cruzava os céus em imensa velocidade. Fazia um certo tempo desde que uma caçada fora tão divertida. Ela o perseguia desde a igreja, onde o duelo começou. Agora que ele estava ferido, não podia escapar, ou ela teria grandes problemas.

Havia semanas que ela o estava rastreando, para finalmente achá-lo como um padre em uma igreja qualquer na cidade de Paris. Assim que a viu, imediatamente fugiu. Ele conhecia bem sua oponente, seus vários assassinatos. Era famosa entre todos eles. Ela era capaz de assustar qualquer Anjo.

Ela era autointitulada como “O Anjo Vingador”, mesmo que utilizasse o corpo de uma mulher. Ninguém sabia seu nome verdadeiro. Parecia que fora perdido no primórdio de tudo. Ninguém nunca a vira antes lutando ao lado dos Anjos na luta contra os Demônios. Era como se ela nunca existisse. E então, quando os Humanos começaram a “transformar” os Anjos, deixando-os igualmente imperfeitos, ela apareceu. Um por um, fora caçando todo e qualquer Anjo que caísse nas tentações humanas. Logo, todos os Anjos a temiam.

Ela tinha conseguido chegar ao seu lado. Em um movimento rápido com o braço, lhe deu um soco. O pobre Anjo foi condenado a cair.

Estavam em um beco sem saída.. Não havia sinal de humano algum. Mesmo que tentasse, o Anjo não conseguiria escapar. Era o seu fim. Estava acabado.

-Por… Por favor… — ele ofegava. O corpo que ele escolhera, um velho padre, quase se aposentando, não aguentava toda aquela adrenalina. Se o corpo viesse a falecer, o Anjo seria obrigado a voltar para sua forma original, uma forma sagrada que não pode permanecer na Terra. Seria obrigado a escolher uma entre duas opções: voltar para o Céu ou ir para o Inferno. Não importa qual ele escolhesse, as duas eram péssimas opções naquele tempo – Eu imploro… Não me mate… Por favor…

Ele estava ajoelhado. Ofegava muito, parecia que teria um infarto a qualquer instante.

-Por favor? Você está implorando?

A mulher olhou para ele. Via tristeza e medo em seus olhos. Isso a encheu de fúria. Chutou-lhe a cara, em uma tentativa de descontar sua raiva.

-Por favor, por tudo que é mais sagrado, não me mate! Eu lhe…

A mulher lhe deu outro chute. Ela sacou sua espada – uma espada com uma lâmina totalmente vermelha, de trinta centímetros. Uma arma letal o bastante para matar qualquer coisa, incluindo Demônios e outros Anjos, que somente Anjos podem ter. Aquela espada podia aparecer e desaparecer, se necessário. Ela a apontou na direção do Anjo, o que o fez tremer mais do que o comum.

-Isso… Isso está errado! – berrou – Você não pode ter uma dessas armas! Não pode!. Você… Você é um Anjo… O que um simples Anjo como você, que deveria carregar uma simples Espada Arcanja, estaria fazendo com…

-Silêncio! – gritou – Você está aqui para ser julgado.

-Julgado? Ah, agora entendi. — o Anjo fez um largo sorriso, como se, de um instante para o outro, estivesse amando tudo aqui – Você está brava por conta das coisas lá em cima. Da última vez que soube sobre como está o “gerenciamento” lá em cima, estava havendo uma Guerra Civil. Você é um dos soldados de que lado? Eu entendo que vocês estejam bravos porque vários Anjos descemos aqui, mas nós não queremos guerra.

-Eu não estou do lado de ninguém. — disse, seria e friamente – E eu entendo o motivo de vocês estarem aqui. Porém, eu não posso esquecer, muito menos perdoar, o fato de vocês estarem agindo como Humanos!

-Nós? Agindo como Humanos?

-Você é acusado por uma onda de estupros e assassinatos, de várias crianças, por toda a Paris.

Seu sorriso se esvaiu. Ele começou a recuar lentamente.

-A espada nunca mente. Você sabe disso. E sabe também que você é considerado…

Uma gema, que estava no cabo da espada, incolor, brilho em vermelho. Isso era o sinal que a caçadora tanto queria. Isso significava que o Anjo era culpado.

-Você não pode…

-Nem tente. Sabe que você não vai conseguir.

-Não tem problema. Vamos. Me mate. Isso vai ser interessante. Você mata aqueles que se tornam imperfeitos, assim como os Humanos. Porém, você está matando todos, e você gosta disso. Logo, matar será o seu vício, e você se tornará um dos monstros que tanto abomina.

Ela não reagiu. Apenas levantou a espada.

-Você foi considerado culpado por se transformar em um ser imperfeito, assim como os Humanos. Como consequência, estuprou e matou milhares de crianças…

-“E agora, minha alma pagará no Inferno e etc.”. Eu sei.

-Nada disso. Sua punição será ser enviado de volta para o Céu e ser obrigado a lutar eternamente nos campos de batalha.

Ele ficou pálido.

-Você não…

-Então, você sabe como as coisas estão lá em cima. Bom. Tem consciência disso. Isso torna as coisas muito melhores. Eu só não entendo como você foi se tornar imperfeito. Digo, existem vários Anjos que facilmente sucumbiriam para as tentações humanas. Mas, você, Baraquiel, nunca acreditaria. Você é o Anjo da luz. Você deveria ser um dos mais resistentes.

-E até mesmo eu sucumbi. Quem dirá os outros? Todos, no final das contas, sucumbirão. E não há nada que você possa fazer!

-Se todos sucumbirem, então todos eu matarei. — ela piscou para Baraquiel – Nos vemos no campo de batalha, irmão.

Ela avançou. Quando sua espada estava a poucos centímetros do rosto de Baraquiel, uma flecha passou raspando sobre seu corpo. Ela pode sentir o vento sendo cortado, bem na sua frente. A flecha foi fincada brutalmente na parede. Poderia facilmente atravessar um crânio humano.

-Ora, ora. Quem diria. Alguém anda fazendo o nosso trabalho.

Ela se virou na direção da voz. Sentados em uma das janelas do prédio ao lado, estavam duas pessoas. Um menino e uma menina. Ambos eram jovens, a garota era loira, e tinha lindos olhos verdes. O garoto tinha cabelos negros como a noite, e olhos azuis como o mar. A menina segurava a besta, a arma de onde a flecha havia sido lançada. O menino não tinha nada em mão. Ambos pularam, não estavam em uma altura grande o suficiente para se machucar. Por algum motivo, isso chamou a atenção da caçadora.

-Você roubou a nossa presa. Não pode sair em vão.

-Não me façam perder tempo.

Ela estava pronta para fincar a espada na cabeça de Baraquiel, quando a garota mirou a besta, já carregada, na cabeça dela. Isso fez com que ela parasse e voltasse a olhar para os dois jovens.

-Nós caçamos ele por dia. Queremos ter a chance de matá-lo também.

-Isso não é brincadeira para crianças. Vão embora.

Ela ia atacar, quando a menina disparou a flecha novamente, que passou muito mais perto do que a primeira. Isso enfureceu a caçadora. Ela olhou para eles novamente. Seria coragem ou somente estupidez? Não importava. Os dois morreriam naquela noite, de qualquer jeito.

-Agora, contrata criança como subordinadas?

-Elas não são minhas subordinadas!

Antes que pudesse reagir, os jovens a atacaram. O garoto parecia ser como ela. Não tinha traço algum de Anjo naquele corpo humano – simples recipientes, corpos que podem, de algum jeito, aguentar os Anjos – porém, podia conjurar uma espada divina, assim como a dela.

Isso a surpreendeu. Nenhum Humano poderia ter essa habilidade. Somente se esse Humano fosse o que os Anjos costumam chamar de “Recipiente Vazio”.

Um “Recipiente Vazio” é o corpo de um Humano que fora preenchido por um Anjo no passado, mas que agora, já não está mais na Terra. Quando um Anjo se separa de um corpo Humano, os efeitos são muito variantes. Alguns corpos morrem, outros explodem (literalmente), outros sequer conseguem aguentar o Anjo. Alguns outros acabam ficando com doenças séries e permanentes. Alguns continuam com seu corpo normalmente. Mas, em algumas poucas e raras vezes, quando o Anjo deixa parte de sua Graça para trás, alguma característica dele fica no corpo. No daquele jovem, por exemplo, fora a habilidade de conjurar uma Espada Arcanja.

Ele atacou, utilizando a espada. Ela facilmente se desviou, e atacou com o punho. O acertou em cheio, fazendo-o cair. Se tivesse utilizado a espada, como é de costume, teria matado ele. Isso fora um tipo de aviso. Um aviso de que eles não podiam vencê-la e, se tentassem, acabariam mortos.

Claro que eles não entenderam. Ou, se entenderam, não deram a mínima. A garota atirou outra flecha nela. Ela se desviou e correu em direção à garota. A mesma correu, dando tempo suficiente para o garoto derrubar a caçadora.

-Agora, você é a nossa presa.

Com o canto do olho, ela observou sua caça, Baraquiel, fugindo. Chutou a barriga do garoto e escapou de suas mãos. Quado foi tentar correr atrás do anjo, ele tarde demais: o Anjo já estava fora de vista.

-Viram o que fizeram? Deixaram com que Baraquiel escapasse! Eu passei muito tempo perseguindo ele para que dois pirralhos idiotas como vocês dois me atrapalhassem!

-Olha, nós também o queremos morto. Mas queríamos fazer isso por nossas próprias mãos. Ele pegou a irmãzinha da Sophia.

A mulher olhou para a garota. Ela encarava o céu furiosamente. Ela viu a verdade na alma da garota, literalmente. Ela viu que ela não falava mentiras. Mas viu outra coisa também.

-Sua alma.

-O que?

A garota a encarou.

-Sua alma. Ela tem a marca de um Anjo. — disse – É como um grande GPS, que leva diretamente ao meu alvo. Eu preciso de você.

-Então, quer negociar?

Em vez de responder, a caçadora foi até ela e lhe segurou a cabeça fortemente. Depois de um curto grito de dor, a garota desmaiou. Teria caído, se a mulher não a tivesse segurado.

-Sophia!

-Relaxa. Ela está dormindo apenas. — ela o encarou nos olhos – Se quiser, pode ajudar também. Será de bom uso.

-Você não pode levá-la.

-É. Acho que vou ter que te levar também. Só uma pergunta garoto: qual é o seu nome?

Ele não respondeu. Somente a encarou, com o olhar raivoso e a respiração forte.

-Tudo bem. Só queria ser simpática, Michael. Sou Ângela.

Michael olhos nos olhos vermelhos da mulher, que combinavam com seu cabelo ruivo e pele pálida. Ela era um Anjo no corpo de uma mulher. Podia ler almas. Saber o nome de um humano não devia ser algo impressionante.

-Devolva Sophia, agora mesmo!

Ele correu em sua direção. Em vez de desviar, ela segurou na cabeça do garoto. Com um curto grito, o jovem rapaz também desmaiou.

-Crianças…

Segurando cada um com um braço, ela invocou suas asas – longas, lindas e graciosas asas cheias de penas mais brancas do que a própria neve – e voou, levando ambos, para o que tinha de mais próximo de casa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.