Anjo Travesso
21 James ataca.
Notas iniciais

4 de março, 2009- Texas.
Acordei já com o sol batendo em meu rosto, apesar da chuva que havia caído na noite passada, a manhã estava linda e eu sabia que aquele dia me reservaria muitas coisas.
Após sair do banheiro, fui até a cozinha onde encontrei mamãe fazendo panquecas, as quais eu amava. Papai já havia saído para o trabalho, afinal era segunda-feira. Sentei-me na mesa quando meu café já estava pronto, minha mãe já havia lanchado com meu pai então foi arrumando a casa.
De repente, ouvi alguém descendo as escadas. Foi aí que me lembrei de que não estávamos sozinhas, James desceu rapidamente e veio em direção de mim,antes cumprimentou minha mãe que ficou sorrindo por segundos.
–Bom dia. –Disse de forma amigável pra mim.
–Bom dia James. –Respondi.
Sentou-se de frente pra mim e ficou sentindo o aroma delicioso das panquecas. Se eu não o odiasse, poderia dizer que ele estava lindo pela manhã. Mesmo com os olhos inchados e com o cabelo completamente bagunçado. Parei de observá-lo quando seus olhos encontraram os meus, James ficou sorrindo mesmo quando eu já tinha me distraído com outra coisa qualquer.
Por incrível que pareça, não conversamos absolutamente nada. Ajudei minha mãe com as tarefas da casa e James ficou boa parte de seu tempo no quarto. Almoçamos normalmente enquanto minha mãe, meu pai e James mantinham um bom dialogo. Eu era a mais isolada possível dali, preferia comer em silêncio. Fiquei pensando em Derek, e do quanto eu precisava falar com ele pra saber se estava tudo bem, e se a sua raiva já teria passado.
–Filha? Você está me ouvindo?
Foi aí então de que eu desliguei meus pensamentos e foquei em minha mãe que chamava minha atenção.
–O que disse mamãe?
–Disse que hoje você terá a primeira seção de quimioterapia, será as 14Hrs da tarde.
–Não vou à escola hoje?
–Não.
Bufei de raiva, precisava falar com Derek de alguma forma. Olhei para James, e ele não parecia surpreso por ter ouvido aquilo, será que ele já sabia de minha doença?
–Eu não quero ir. –Falei.
–Não comece de novo com isso Carrie, você irá sim e já está decidido! –Disse mamãe.
Abaixei meu rosto e fitei meu prato já vazio à minha frente, senti a raiva invadir meu corpo, eu não queria fazer essa droga de quimioterapia, por que diabos eu não posso escolher o que quero ou não fazer?
James mudou de assunto rapidamente, por alguma razão que eu não sabia bem o porquê. Mamãe ficou conversando com ele, enquanto meu pai apenas ouvia a conversa, e eu já saía da mesa indo até meu quarto.
Parei no corredor, e olhei até o quarto de minha mãe. Seria agora ou nunca!
Entrei devagar, fechando a porta com cuidado logo em seguida. Eu precisava de meu celular, precisava avisar Derek pra que ele me ajudasse de algum jeito, eu não queria ir até a clínica e ficar lá durante horas, além do mais, eu precisava ter uma conversa com Derek sobre o que aconteceu na noite passada, precisava ter a certeza de que estava tudo bem entre a gente.
Achei meu celular no mesmo lugar da vez passada, embaixo da cama completamente embrulhado. O liguei rapidamente, ficando atenta à cada ruído que vinha do andar de baixo. Assim que ele ligou, disquei o numero de Derek e digitei uma mensagem, explicando absolutamente tudo, e que ele aparecesse no jardim de minha casa às 13:30 Hrs em ponto.
Foi só conseguir enviar a mensagem, que ouvi a porta do quarto se abrir, meu coração acelerou muito, eu fiquei nervosa e suava frio, joguei rapidamente o celular embaixo da cama e disfarçei da melhor forma possível. Quando me virei, percebi de que não era minha mãe que estava ali, e sim James.
–O que tá fazendo aqui? –perguntou ele.
–Eu te pergunto a mesma coisa. –Irônica.
Ele riu.
–So vim te procurar, como você não estava no seu quarto nem no banheiro, desconfiei de que estivesse aqui.
–O que você quer? –Perguntei.
–Tem que ter algum motivo pra querer ficar perto de você?
Revirei os olhos, e mesmo sem querer, um pequeno sorriso se formou em meus lábios.
–Suponho que eu deixei você com vergonha. –Disse James.
–James, eu não sei o que você quer comigo. Mas seja lá o que for, quero que você lembre-se de que eu estou com Derek, e o amo com todas as minhas forças.
–Derek é um bobão. –Disse ele.
–Não pra mim! Ele é o namorado que toda garota sonha em ter. –disse.
–É uma pena mesmo que vocês nunca poderão se assumir.
–O que quer dizer com isso? –perguntei já furiosa.
–Não me diga que não sabe. –Fez uma pequena pausa. –Sua mãe jamais deixará com que isso aconteça, vocês nunca serão namorados oficiais.
–Isso é o que você pensa! –Debati. –Com o concenso da minha mãe ou não, eu serei a namorada de Derek, e quem sabe até sua esposa.
–Boa sorte, você irá precisar.
Foi a última coisa que ouvi sair de sua boca, bati forte a porta e fui até meu quarto. James era tão estúpido que eu me revirava de raiva dele!
P.O.V James.
Era tão excitante vê-la com raiva. Carrie tinha algo que me deixava extremamente louco, algo que eu não encontrei em nenhuma das tantas garotas com as quais já tive várias noites. E pensar que eu ainda não tinha transado com Carrie me deixava ainda mais curioso. Sentia um calor por ela, mesmo sem ter lhe tocado. Era como se eu precisasse dela, e como se nenhum outro corpo matasse meu desejo.
Quando ela ficava furiosa e bufava de forma brava, me deixava fascinado. Não que eu gostasse de provocá-la, mas adorava vê-la daquele jeito. Eu só não conseguia entender, o que ela via naquele frouxo do Derek. Poderia quebrar esse quarto inteiro quando lembrava que ela me despreza por causa dele.
Eu a quero, e só isso importa pra mim.
De repente, vi algo vibrando embaixo daquela cama, achei estranho e foi melhor conferir. Me abaixei e estendi a mão, até que encontrei um celular e percebi que ele não estava mais vibrando. Vi a foto de Carrie na tela e tinha certeza de que o celular era dela, e quem sabe era por isso que ela estava no quarto da mãe, como da outra vez que eu a vi aqui.
Havia uma mensagem, e claro que eu não iria vasculhar pra ver de quem era e o que estava escrito.... Mentira, abri rapidamente a mensagem. Era daquele desgraçado do Derek.
Então eles haviam marcado um encontro? Meus lábios formaram um belo sorriso em meu rosto, e eu tive vontade de gargalhar.
Como Derek era idiota, parecia um gay agindo dessa forma, quem escreve ‘ meu amor’ em uma mensagem?!
Ao mesmo tempo que achava aquilo engraçado, sentia uma raiva enorme e vontade de quebrar aquele celular contra a parede em mil pedaços. Fui até a caixa de mensagens enviadas, e li a mensagem que Carrie havia enviado à Derek. O sangue parecia queimar em minhas veias, mas eu precisava me segurar. Como Carrie pode... pode amar esse idiota?
Foi aí então, de que eu tive uma ideia de mestre.
Tive orgulho de mim mesmo, a vontade que eu tinha era de dizer a Derek que isso tudo estava só no começo, e que eu faria de sua vida um inferno se ele não deixasse Carrie em paz. Quem sabe, um dia eu farei exatamente isso!
Meus dedos digitavam rapidamente naquele pequeno teclado, enquanto me segurava pra não esmagar esse aparelho entre meus dedos de tanta raiva que estava sentindo.
Esqueça a mensagem que lhe enviei, já está tudo resolvido. Não se preocupe!
Por favor, não apareça em minha casa. Eu estou bem! Muito bem!
Até eu me surpreendi com minha capacidade de fingir ser Carrie. Me segurei para não rir alto, enquanto apagava a mensagem, desligava o celular e jogava ele embaixo da cama, sai do quarto como se nada tivesse acontecido.
Derek daria um bolo em Carrie, ela ficaria o esperando durante minutos, talvez horas e ele não apareceria. Claro que eu teria de consolá-la. E faria isso muito bem.
P.O.V Carrie.
Estava na hora que eu havia combinado com Derek, havia trancado a porta de meu quarto depois de dizer aos meus pais, que eu dormiria um pouco. Derek perderia aula por minha causa, mas eu precisava dele. Queria fugir pra qualquer lugar só pra não ir até a clínica, e só seria possível se ele me ajudasse.
Esperei durante minutos e mais minutos. Ia até a janela e nem sinal de Derek por ali, fiquei pensando se a mensagem havia mesmo sido enviada, ou se Derek estava tão bravo comigo que me deixaria plantada.
Deitei sobre a cama abraçada ao meu travesseiro, esperando pelo barulho de pedrinhas na vidraça, porém, o único barulho que ouvi, foi de batidas na porta.
Levantei-me e abri a porta com cuidado. Era James, e pensei seriamente em fechar a porta na sua cara, mas deixei ele entrar.
–O que você quer? –Perguintei. –vá embora!
–Quero te fazer companhia nesse momento tão dificil.
–Que momento dificil?
–Esse que você tá passando, sobre a quimioterapia. –Disse.
–Como você sabe da minha doença? –Perguntei curiosa.
–Tem várias coisas sobre você que eu sei,Carrie.
Aquilo me deu medo. Como ele poderia saber?
–Vá embora James! –Disse.
–Você não quer descansar como disse aos seus pais. –Disse ele;
–Quero sim! –Debati.
–Você está com cara de quem tá esperando alguém.
–O que quer dizer com isso?
–Se estava esperando pelo Derek, desista. –Disse James se aproximando. –Você pode não acreditar, mas eu o vi passando com Liza. Estavam indo pra escola.
–Liza?
–Anhaam!
–Seu mentiroso! Eu não vou acreditar nas suas mentiras!
–Faça como quiser. –disse ele.
O pior de tudo, é que a hora marcada já havia passado a tempos, Derek não apareceria mais e isso era certo. Mas acreditar que ele estava indo à escola com Liza já era demais!
–Eu sinto muito por você Carrie, de verdade.
–Cala essa maldita boca! –Gritei.
Abri a porta pra que James saisse, mas não foi o que ele fez.
–Sai do meu quarto, agora! –Ordenei.
Ele sentou em minha cama e ficou me fitando.
–Você não vai sair? –Perguntei.
–Está tão bom aqui! –Teve a cara de pau de dizer isso.
Corri pra cima dele, sem pensar em mais nada. Queria bater com força em seu rosto, quem sabe matá-lo. Ele parecia adorar me provocar!
Ergui minha mão para bater nele, porém foi em vão. James segurou meu braço no mesmo instante, e me puxou para ele.
Sem querer, acabei caindo em cima dele. Nossos rostos à centímetros de distância, a respiração ofegante e aquela cara de safado que só James tinha.
Por algum motivo, eu quis ficar ali. Não quis me mexer, apenas ficar olhando fundo em seus olhos enquanto nossas respirações se fundiam. O sorriso safado já estava estampado no rosto de James, e esse olhar me dizia várias coisas.
Levantei-me de cima dele após alguns segundos, fiquei tão envergonhada que sentia meu rosto queimar, não sabia o que fazer, nem o que falar diante dele.
–Quer mesmo que eu saia de seu quarto? –perguntou James.
–Sim. –Respondi friamente.
–Ainda bem que eu não te obedeço; -Disse ele.
Bufei mais uma vez.
–Tudo bem, se você não sai, saio eu! –Disse indo até a porta.
Quando estava prestes a abrir a porta do quarto pra sair dali, senti a mão de James segurar a minha, me impedindo de abrir a maçaneta. Ergui meus olhos até os seus, James estava tão perto de mim, que eu sentia sua respiração. James se aproximou ainda mais de mim quando viu que eu não abriria mais a porta, me encurralou na parede e eu não tinha pra onde escapar, ou talvez eu nem quisesse escapar dali.
Senti seu corpo junto ao meu, James fitava seus olhos nos meus de forma provocadora, senti seu hálito fresco entrar em minhas narinas, levei meus olhos até sua boca, e ela parecia tentadora. James sorriu ao ver que eu estava olhando pra sua boca, mordeu os próprios lábios e se aproximou ainda mais. Parecia que ele estava esperando por uma reação minha. Por mais que eu quisesse sair dali, minhas pernas não me obedeciam. Eu não conseguia me mover, era como se meu corpo não recebesse meus comandos.
Senti as mãos de James subirem por minhas coxas, então ele levou sua boca até meu pescoço, mordendo e chupando em seguida. Fechei meus olhos, estava completamente arrepiada, James pegou com força em minha bunda me fazendo gemer baixinho.
Retirou o rosto de meu pescoço, e com a cara safada voltou a me fitar.
–Agora sim eu vou embora. –Disse ele. –Isso foi apenas uma amostra do que sei fazer, e eu sei Carrie, eu sei que você gostou;
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