Anjo Travesso
30 Porra James!
Notas iniciais

Fiquei sentada na poltrona da recepção do hospital de emergências, enquanto levavam Derek para avaliação médica. O diretor me acompanhou e agora já haviam ligado para a mãe de Derek, que devia estar a caminho daqui.
Eu estava assustada, mal conseguia parar de chorar, meus dedos tremem assim como as minhas pernas. Derek inconsciente e tão... machucado, indefeso. Tive vontade de morrer ao vê-lo assim.
Logo, uma mulher alta e aparentemente jovem entrou pela porta de emergência aos prantos, correndo desesperada em busca de notícias. Percebi que era a Srª Tyler quando o diretor foi ao encontro dela e a consolou.
–Nós não temos notícias de como ele está, mas creio que terá sido apenas um susto.
Ela se sentou a alguns metros de mim junto com o diretor que me apresentou a ela. Triste maneira de conhecer a sua sogra’ pensei. Ela se aproximou lentamente de mim, e de repente colocou a mão em meu ombro.
–Derek fala tanto de você. –Ela disse.
Eu não sabia o que responder, então apenas assenti com a cabeça dando um pequeno sorriso de canto.
–Carrie, me conte como isso tudo aconteceu.
ela sabe meu nome?
{...}
Assim que eu a contei resumidamente o acontecido, até por que nem eu sabia o que tinha acontecido de verdade até chegar lá, ela apenas se calou e preferiu fitar as suas próprias mãos entrelaçadas. Será que ela conhece James? Sabe da rivalidade dos dois? Ou não?
Ela parecia pensar e pensar, e assim como eu, ficou quieta e imóvel. Até que um médico se aproximou de nós com uma ficha em mãos.
–Derek Tyler?
–Aqui!! –Gritamos eu e ela juntas já nos levantando da poltrona.
–Muito bem, você deve ser a mãe, certo? –Perguntou o doutor.
Ela assentiu vagamente com a cabeça, os olhos aflitos e a boca seca, assim como a minha.
–Tudo bem, Derek perdeu a consciência por causa da intensa dor que sentiu, como sabem, ele se envolveu em uma briga e levou muitos socos no rosto. Felizmente, não constatamos nenhuma fratura em sua mandíbula, e em seu rosto.
Eu respirava fundo enquanto o médico continuava com sua explicação.
–Ele permanecerá sedado até amanhã, para que possamos fazer mais alguns exames. Mas o que posso garantir, é que o garoto é forte e se recuperará rapidamente.
O diretor abraçou a mãe de Derek amigavelmente assim que o doutor se afastou de nós, e eu pude respirar com mais tranquilidade. Graças a Deus nada de mais grave aconteceu com Derek, mesmo assim eu queria vê-lo para constatar que ele está apenas dormindo.
{...}
–Alô?
–Filha, estamos indo à caminho daí. –Era minha mãe ao telefone. –Já buscamos James e graças aos céus ele está bem.
–Que ótimo mamãe. –Respondi ironicamente.
–Até logo.
–Te amo.
Desliguei o celular e permaneci sentada na poltrona. A mãe de Derek agora tinha apoio de uma amiga, que eu suspeitei ser tia ou alguma coisa assim dele. Ela não falou nada de muito interessante comigo, e agora já estava anoitecendo acho que todos nós precisaríamos de um bom banho.
Me aproximei calmamente dela, que agora tomava uma xícara de café.
–Sra. Tyler...
–Oh não! –Ela me interrompeu. –Me chame de Elien.
Elien, que nome bonito.
–Elien, foi um prazer conhecê-la, mas eu já vou. –Ela apertou a minha mão estendida se levantando. –Se tiver alguma notícia do Derek gostaria que me avisasse.
–Claro querida, -Ela sorriu. –Derek fala bastante de você e eu estava ansiosa para conhecê-la, é uma pena que isso aconteceu aqui... no hospital.
Eu apenas sorri.
–Porém, oportunidades não irão nos faltar. –Disse ela. –Obrigada pelo apoio, tenha uma boa noite.
–Boa noite Sra.Tyle... Elien. –Sorri sem jeito.
Me afastei sorrindo, como ela é adorável. Derek não me disse nada sobre ela, eu jamais imaginaria que ela pudesse ser tão gentil.
Me sentei no banco ao lado de fora da entrada de emergências, estava anoitecendo e dava pra ver as estrelas no céu, suspirei fundo, foi um longo dia afinal e eu não sei se estou preparada para ver ou falar com James.
Logo, ouvi um carro se aproximando e eu sabia que era o carro dos meus pais. Levantei esperando que o carro parasse. Então, ele parou e eu abri a porta traseira.
–Oi querida!. –Mamãe exclamou.
James estava no banco da frente junto com meu pai que dirigia, eu podia ver que ele estava cheio de curativos e havia uma faixa um pouco abaixo de seu peitoral, mesmo ele estando de camiseta.
–Como está Derek? –meu pai perguntou de repente.
–Ele está sedado, pra fazer alguns exames mas o médico disse que ele vai se recuperar. Não foi nada muito grave. –Afirmei.
–Não vai perguntar como estou? –James se faz de vítima.
Eu reviro meus olhos.
–Posso ver.
–Não vamos discutir sobre isso agora. –Meu pai fala ao volante. –Vocês tem muito o que conversar, mas esta não é a hora certa para isso.
Vejo a boca de mamãe se abrir para retrucar, mas por algum motivo ela se cala e voltamos para casa em silêncio.
23 De Março,2009-Texas.
Duas semanas se passaram, as coisas realmente mudaram por aqui, Derek já voltou pra casa e ele está bem, por algum motivo ele não quer mais me ver. Fui 3 vezes até a sua casa mas Elien sempre usou a mesma desculpa de sempre, que Derek estava cansado ou ocupado. Depois que meu celular foi devolvido à mim, tentei ligar para ele no mínimo umas 5 vezes, e todas sem retorno. Ele ainda está de atestado médico, por isso não o vejo na escola. Duas semanas sem falar com ele estão me deixando maluca e realmente irritada.
James foi declarado culpado na escola por ter iniciado a briga, então a diretoria do colégio achou melhor suspendê-lo. Minha mãe já foi atrás de um novo colégio para ele, mas como a sua mãe verdadeira não retornou as ligações e está temporariamente desaparecida, ele não pode continuar com os estudos. James parece feliz em não precisar mais estudar, e eu penso que futuro ele terá.
É segunda-feira, estamos levando James ao hospital, finalmente ele está curado de sua costela fraturada e poderá tirar a faixa. Estou sentada ao lado dele olhando à janela a fora. Eu estive muito mal durante esses últimos dias, minha leucemia está cada vez mais agressiva, e eu estou faltando frequentemente às aulas.
James e mamãe seguem para a sala do Dr. Flyn, especialista em fraturas, enquanto papai me acompanha até o consultório do Dr. Williams para mais exames de rotina.
–Como se sente? –Ele pergunta assim que deito de bruços.
–Da mesma forma de todas as vezes que eu estive aqui. –Respondo calmamente.
–Tudo bem, vamos começar logo com isso.
{...}
Ainda sinto a minha coluna pinicar, aquelas agulhas são realmente grandes mas pelo menos eu ganhei um pirulito. Mamãe e James nos esperam na recepção, James está sorrindo e levanta a blusa quando nos aproximamos.
–Estou curado. –Ele exclama.
Dou um pequeno sorriso de volta.
–Os exames ficarão prontos dentro de uma semana. –Papai avisa minha mãe, que assente com a cabeça.
Eu estou de atestado médico após ter tido frequentes desmaios, então fico em casa sem nada para fazer, James sempre está lá pra me amolar e eu acho que seria melhor se ele arrumasse um emprego ou algo assim. Meu pai está de folga hoje, ele sempre tira um dia para os meus exames médicos.
Assim que chegamos em casa, James corre para seu quarto, meu pai vai até a geladeira beber algo, e minha mãe pega as correspondências que chegaram. Ela senta no sofá e começa à abri-las.
Eu estou subindo as escadas quando mamãe dá um de seus gritos de felicidade.
–Vejam isso! Fomos sorteados! –Ela grita sorrindo.
Rapidamente, papai e eu já estamos ao seu lado. Por incrível que pareça, meus pais ganharam no sorteio de uma rede de supermercados que daria uma segunda lua de mel à dois casais, com hospedagem, comida e viagens incríveis ao litoral. Um desses casais, são os meus pais, eu fico feliz por eles e abraço mamãe que parece não acreditar na sorte. Eles realmente precisam curtir mais a vida, aproveitar mais e esquecer um pouco dos problemas.
–Eu sei que vocês ficarão bem. –Mamãe diz. –Vocês sabem cozinhar e se virar sozinhos, deixaremos dinheiro em caso de emergência e podem nos ligar todas as noites, afinal serão apenas duas semanas.
–Eu espero que vocês se divirtam. –Digo sem jeito.
–Há! Nós vamos!
Papai parece um pouco confuso sobre essa viagem, agora ele e mamãe discutem na sala sobre isso, e meu nome é citado na conversa.
–Se ela passar mal novamente?
–Não podemos desperdiçar essa oportunidade, a quanto tempo queremos viajar?!
–Morgan, ela é nossa filha, e James.... James é um estranho!
–Pelo amor dos céus, eles já tem quase 18 anos de idade, eu tenho certeza que se eu pedir, a senhora Trude ficará com eles quando possível se você se sente mais confortável.
A senhora Trude era minha babá quando eu era pequena, ela é viúva a um bom tempo e seus filhos já são todos casados. Ela é uma grande amiga de minha mãe e mora à três casas daqui.
–Eu... eu não sei.
–Será nossa segunda lua de mel, você sabe o quanto esperei para ganhar nesse sorteio. –A voz de minha mãe é quase uma súplica. –Se algo acontecer, a gente dá um jeito de voltar, por favor!
–Tudo bem. –Meu pai deixa soltar e mamãe pula ao seu pescoço.
Me levanto cuidadosamente das escadas e subo rapidamente até meu quarto, chega de ouvir a conversa dos outros. Meu atestado vai durar mais uma semana, e eu não acredito que ficarei sozinha com James. Eu sei que ele não me mataria nem colocaria fogo na casa, mas mesmo assim eu tenho um pouco de receio.
{...}
24 De Março,2009-Texas.
–Tomem cuidado, se comportem, não façam nada que eu não faria, tem comida congelada no freezer, tem dinheiro guardado no cofrinho caso queiram comer fora, tem cobertas e tudo o que precisarem nessa casa, e nada de festas noturnas, nós ficaremos sabendo. –Mamãe dá as normas em frente a nossa casa.
Papai coloca as malas dentro do carro, enquanto eu e James estamos quietos escutando o sermão. A rede de supermercados até disponibilizou um táxi. Assim que todas as malas já estavam no bagageiro, mamãe encheu à mim e a James de beijos. Papai se aproximou me beijou e sussurrou coisas como me cuidar ao meu ouvido.
Depois, eles entraram no táxi e as portas se fecharam.
–Se divirtam! –Gritei com o coração na mão.
–Se alguém dirigir meu carro eu mato! –Papai gritou em tom de brincadeira, mas eu sabia que ele se referia à James.
–Amo vocês. –Mamãe gritou se espichando até a janela.
–Boa viajem. –James saudou.
Então o carro partiu e sumiu na rua, meus olhos estavam cheios de lágrimas, não de tristeza, mas eu não me lembro qual foi a ultima vez que os vi tão felizes.
–Vamos entrar. –James pegou minha mão.
A casa parecia tão vazia, eu sentirei falta dos dois aqui em casa. Falei com Lauren e a casa dela estará à disposição caso eu precisar. James deitou no sofá e foi ligando a TV, eu subi as escadas e fui ler em meu quarto.
{...}
–Eu sei que é você, não precisa bater. –Disse assim que bateram na minha porta.
James entrou sorrindo, e ficou parado na minha frente.
–O que você quer? –Perguntei.
–Lembrei que a gente ainda não encerrou nossa conversa.
–Que conversa? –Perguntei confusa.
James deu alguns passos e eu já estava sentada na cama.
–Você transou com Derek naquela noite?
Meu rosto ficou vermelho, e eu revirei os olhos, essa conversa de novo não! É impressionante como James não esquece das coisas!
–Eu já disse que isso não te interessa! –Falei calmamente.
–Responde logo.
–James, você acha que só por que minha mãe te trata como filho, você tem o direito de se meter na minha vida, mas não, você não tem esse direito. –Retruquei.
–Serão semanas difíceis se você continuar com esse teatrinho.
–Teatrinho? Quem tá fazendo teatro aqui? –Eu já estava me exaltando. –Você é que invadiu o meu quarto e veio encher o meu saco com esse assunto novamente!
James respirou fundo e passou a mão pelo cabelo, eu me levantei da cama e fiquei à sua altura.
–Você tem que me dizer! –Ele quase gritou.
–Abaixe o seu tom comigo! –Bufei.
Um silêncio se fez, minha respiração estava ofegante. Não sei por que mas eu sempre tive medo de discutir com James. Me aproximei da porta e a abri.
–Sai do meu quarto, agora! –Anunciei.
James permaneceu imóvel por alguns segundos, e então chutou o vento com a perna esquerda.
–Saia! –Pedi novamente. –Você tá me irritando.
–Não to afim. –Ele finalmente respondeu.
Me agarrei à porta morrendo de raiva, mas que cretino!
–Transei, é isso que você queria ouvir? –Praticamente gritei. –Eu transei com Derek Tyler.
Após minha voz alterada, um silêncio se fez. James continuava imóvel e eu sentia meu rosto queimar. Será que agora ele sairia do meu quarto?
–O que? –Ele se fez de mal entendido.
–Isso que você ouviu, agora sai do meu quarto! –Gritei.
Como em um relâmpago, James veio em minha direção, me segurou forte na cintura e em meu cabelo.
–Vou fazer você calar essa sua maldita boca! –Rosnou.
Meus olhos se arregalaram, e como em um vulto eu estava contra a parede sendo pressionada pelo seu corpo, bati algumas vezes em suas costas mas ele não me soltou.
Então, sua mão saiu de minhas costas e veio até a minha boca, segurou firme meu queixo, e antes que eu pudesse cair na real sua boca estava sugando violentamente a minha.
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