Corriam como nunca antes haviam corrido. Era necessário, deveriam chegar o mais rápido possível junto à Mikoto. Ambos. Tinham coisas a acertar, a resolver… Hinata estava apreensiva, a pouco havia tido mais intimidade com Naruto do que em todo o resto de sua vida. Foi emocionante, apesar de saber que havia sido apenas um acidente. Mas afinal, com Mikoto também não foi assim? Não, não foi... Hinata sabia, ao menos superficialmente, dos sentimentos do loiro por Mikoto. A forma como ela contava as coisas que o loiro fazia e dizia, era suficiente pra se ter no mínimo uma noção do que o loiro sentia.

Este, corria junto à morena tesuda que ele acabara de rever de uma forma bem inusitada. Não deixou de comprar Hinata com Mikoto, apesar de a comparação ser mais focada em aparência física. Elas não eram tão parecidas, Mikoto era um pouco mais alta que Hinata, e apesar disso a morena de olhos perolados era claramente mais… atraente. Não deixou de imaginar Hinata na cama de Mikoto, deitada, excitante.

Balançou a cabeça para esquecer aqueles pensamentos, afinal, o foco era Mikoto. E como pensava naquela morena! Esqueceu rapidamente do ocorrido com Hinata quando se deparou com a lembrança da morena Uchiha deitada em sua cama, com aquela camisola preta que ele tanto gostou de tirar, pelo menos parcialmente. Aquela calcinha sexy que a morena usava na noite em que os dois se trombaram. Ah, aquela morena. Como o fazia delirar!

—Por aqui, Naruto-kun. -saiu de seus devaneios quando ouviu a doce foz de sua companheira.

—C-Certo. Ainda bem que temos seu Byakugan, eu não tô vendo nada!

—Não se preocupe, Naruto-kun. Basta ficar pertinho de mim. -ela precisava agir. Não que estivesse se aproveitando da ausência de Mikoto. Assim como o rapaz, ela também tinham o desejo de rever a morena o quanto antes! Apenas entendeu que as duas estavam em um duelo. Em uma disputa. Como amigas, disputariam um homem…

—Vou fazer isso. -o jovem não queria realmente se aproveitar da situação, apenas não estava mesmo vendo nada a sua frente. Aquela noite estava sombria, escura e sem lua.

—Naruto-kun sobre mais cedo, eu queria pedir desculpas… -sussurrou já sabendo que o outro poderia ouvir, a proximidade entre os dois possibilitava isso.

—T-Tudo bem, só não entendi toda aquela animação ao me ver. -realmente, o garoto era a prova de que até a genialidade tem falhas.

—Ah, fazia tanto tempo que a gente não se via, não consegui conter a emoção. Senti muita saudade. -ela precisava ser descontraída, ainda mais agora que o loiro voltara, e que ela tinha uma adversária tão forte na disputa pelo coração do rapaz.

—É… acho que entendo. Acho que vou fazer a mesma coisa quando rever a Mikoto…

O jovem não percebeu, mas Hinata ficou cabisbaixa com o comentário dele. Ela realmente nem podia exigir algo dele, mas de toda forma, as demonstrações do sentimento que ele nutria por Mikoto lhe pesavam, ela sentia que ele nunca a pertenceria, que seria de Mikoto, para sempre.

—Eu também… -desconversou.

Não fazia duas horas que haviam começado sua jornada, e era por volta das 2 da madrugada. A noite estava quente, abafada, e de repente esfriou: Iria chover.

Era tudo o que os dois menos precisavam. Chuva em uma hora como aquela, em uma hora onde eles estavam correndo em direção ao seu destino. Ambos. Amigos, mas além disso, partes de um mesmo problema, partes de uma mesma situação problemática que deveria ser resolvida.

—Não acredito no quanto somos azarados! -urrou Naruto sentindo os primeiro pingos leves de chuva caírem sobre seu rosto. Ele estava lembrando de tudo o que aconteceu com ele e Hinata, e com ele e Mikoto. O quanto o azar rondava sua vida.

—Não acha melhor pararmos? -sussurrou já imaginando locais onde poderiam acampar. Ela conhecia aquela região, sabia que por ali havia algumas cavernas.

—Droga, acho que sim! -estava eufórico, ansioso para ver Mikoto, e de repente isso acontece? Praguejou aos deuses por tudo isso.

—Eu sei o quanto é difícil, Naruto-kun. Você nem imagina o quanto também é difícil pra mim. Quero rever Mikoto-san o quanto antes.

—Você realmente não entende, Hinata. Não entende o quão ansioso eu estou pra rever aquela morena... -sussurrou olhando pra negra noite, percebendo sua semelhança com Mikoto.

—“Sim, eu entendo, Naruto-kun. E entendo mais do que você...” -pensou deixando uma leve expressão triste lhe tomar a face. -Olha, eu conheço esta região. Sei de algumas cavernas onde podemos ficar até a chuva passar.

—Nossa, você é muito esperta. -disse deixando a morena ruborizada e com um sorriso. Hinata adorava isso em Naruto, a facilidade que ele tinha para mudar sua expressão de triste para alegre.

—N-Nada... é que eu treino as vezes aqui. É longe, então ninguém me incomodará.

—Você treina tão longe da vila? Porque? -foram correndo em direção a caverna mais próxima, a chuva havia se tornando mais intensa.

—É que se eu treinar na vila os meus guarda-costas irão contar todo o meu progresso ao Otou-sama, e não quero que ele saiba o limite da minha força. Quero mostrar pra ele de uma vez que fiquei forte.

O loiro não podia ver muito, mas conseguiu perceber o olhar determinado que aquelka morena sustentava. Um olhar firme, forte e intenso. Acabou relacionado aquele semblante de mocinha que viu mais cedo na morena, com o semblante implacável que ela sustentava agora: Hinata era alguém muito interessante.

—Não sabia dessas cavernas. Que bom que está comigo... -sussurrou já adentrando a caverna, sendo guiado por Hinata, já que estava muito escuro. -Katon: Chisana no Jutsu! (Estilo fogo: Pequena Bola de Fogo) -o loiro lançou uma pequena bola de fogo, para poder enxergar momentaneamente, já que o fogo rapidamente se extinguiu.

—V-você sabe jutsus de fogo? -perguntou espantada. Sabia que Naruto era realmente um gênio, mas nunca esperou que o rapaz pudesse ter aprendido katon, já que seu elemento de afinidade era o Fuuton. -Isso ajuda muito! Vou juntar esses gravetos e lenha aqui num canto, e você acende com o seu katon. -a moça usou seu Byakugan para amontoar lenha em um lugar, indicou onde estava e assim o loiro pôde acender com seu jutsu de fogo.

—Achei muito bom que a Mikoto tenha feito amigos nesse tempo em que eu estive fora. -tentou puxar assunto, já que estavam sentados a beira daquele fogo acolhedor, enquanto o céu caia do lado de fora da caverna. Perguntou-se se Mikoto estaria bem, mas provavelmente ela ainda estaria longe de mais para que onde ela estivesse também estivesse chovendo.

—Sim. Não só eu, como as meninas também ficaram amigas dela, acho que comigo é diferente porque sou a melhor amiga dela, mas com certeza ela fez muitos amigos. Você fez um favor muito grande a ela pedindo a ocupação no hospital. -comentou com um sorriso que agora poderia ser melhor visto pelo loiro.

—Mikoto é alguém muito importante pra mim, ela cuidou de mim e me aceitou quando ninguém mais tinha aceitado. Ela merece toda aminha atenção. -a morena lembrou que já tinha aceitado o loiro muito antes de Mikoto, mas que nunca pôde dizer isso a ele.

—Eu entendo, fico feliz que alguém tenha te dado esse afeto, Naruto-kun... estar sozinho é algo que criança alguma deveria passar...

—Sim, a Mikoto é mais que uma amiga pra mim. Ela é a luz que iluminou meu caminho. -era bastante clara a conotação que as palavras do jovem rapaz possuíam, estava claro que ele estava falando subliminarmente que amava a morena Uchiha, e Hinata não pôde deixar de se arrepender por não ter demonstrado seu afeto para com o loiro antes.

—Acho que os peixes estão prontos... -comentou desconversando. Naquela caverna havia um córrego, e não foi difícil pegar alguns peixes. Não estavam com fome, mas o tempo estava frio, e a situação estava propicia àquele acontecimento. Resolveram aproveitar a oportunidade.

—O-Oh, sim. Não sabia que você trazia condimentos em missões... -comentou temperando o peixe com as iguarias que Hinata havia tirado da mochila.

—E-Eu... eu não costumava fazer isso, até que ficamos sem comer por 3 dias em uma missão. Kurenai-sensei foi capturada e eu, Shino-kun e Kiba-kun tivemos que vagar 3 dias no deserto. Esses condimentos são uma especiaria que eu mesma criei, além de temperar, eles possuem os nutrientes básicos para se manter a vida.

—Você é surpreendente, sabia. -disse abocanhando o peixe, e mostrando que o gosto estava delicioso.

—N-Naruto-kun... não d-diga isso. -a moça ruborizou, e naruto notou.

—Bem, bem... e você? Como vai sua vida? Todo esse tempo falamos só da Mikoto e da minha viagem, mas como você está? Está namorando? -a moça cuspiu o peixe que tinha acabado de morder.

—Q-Que?? C-Como assim?? N-amorando? Eu? Não, Naruto-kun, claro que não! -a reação da moça assustou o rapaz. Era um assunto normal, ambos já eram maduros, e Hinata já não mostrava aquela timidez de outrora.

—Ah, eu só perguntei. -tentou desconversar depois da reação absurda da moça. Quase a fez engasgar com o peixe.

—Não, Naruto-kun. Não estou namorando. Na verdade, eu... eu sou bv ainda... -sussurrou na tentativa de que ele não escurasse, em vão.

—Ah, eu quase sou também. Só beijei uma garota na minha vida, e pra falar a verdade, não pretendo beijar nenhuma outra além dela.

O comentário de Naruto pesou sobre a jovem Hyuuga. A moça entristeceu de uma forma que não tinha como esconder. Baixou a cabeça, levantou, foi até o córrego, escovou os dentes e deitou em seu colchonete.

—Boa noite, Naruto-kun. -sussurrou virando de costas para ele.

—“Han?? O que houve??” -pensava olhando a morena encolhida no colchonete, notando que ela estava com frio. -B-Boa noite... -ficou olhando para o fogo por mais algum tempo, imaginando como seria sua vida quando casasse com Mikoto. Isso se amorena o quisesse. Teria primeiro que descobrir se a morne alimentava os mesmos sentimentos que mostrou possuir tempos atrás. E se ela o tivesse esquecido? Não podia fazer isso com Mikoto! Teria que engolir todo esse amor e tratar a mulher apenas como amiga...

Alguns minutos passaram, e o loiro notou que Hinata estava com muito frio, a moça tremia e gemia, apesar de estar dormindo. Sem muito pudor, se deitou perto dela, a abraçou forte e tentou dormir.

Longe dali...

O tento era a coisa mais interessante naquele quarto de estadia. Estava lá há algumas horas, quando percebeu que ia chover. Aquela chuva não aprecia algo natural, foi repentina, e estava sendo estarrecedora, exorbitantemente tempestuosa. Os raios e trovoes se mostravam de forma intensa, mas mesmo assim não tiravam a concentração que a bela morena direcionava ao teto.

Estava pensativa. Sua missão havia sido um sucesso, e ela estava voltando pra casa. Em alguns dias poderia voltar a dormir em sua própria cama, com seus próprios lençóis e usando seu próprio travesseiro, que teimava em guardar resquícios, mesmo que já quase inexistentes, do cheiro de seu tão amado menino.

Ela o amava... o chamar de menino a priore parecia algo tosco e obsceno, mas refletindo sobre isso notou que seu amor pelo rapaz era extremamente puro e inocente, forte e impetuoso, como o amor que uma mãe tem por um filho. Então, não se recriminou por tratar Naruto como “seu menino”.

—Como está heim, meu menino. Aposto que está muito forte. -sussurrava para o tento, na esperança que este a respondesse. Sua missão era simples o suficiente pra mandar apenas um ninja qualificado, e mesmo que a Hokage lhe desse missões em grupo, ela não aceitaria.

Aquela era a sua primeira missão em mais de 10, e ela a tinha desempenhado com perfeição. Tsunade já havia tentando mandá-la em missões várias vezes, mas sempre em missões de grupo. Aceitar aquela missão foi a forma de Mikoto agradecer todo o carinho e apoio que Tsunade lhe deu.

—Ouvi rumores sobre meu Itachi ter entrado pra Akatsuki, e que Sasuke está ainda vivo. Fico feliz por ele, mas Itachi... o que foi fazer nessa organização? -gostava da solidão, podia pensar sozinha, falar sozinha, expor suas ideias, julga-las e então readmiti-las como voas ideias. Sem pressão, sem julgamentos externos depreciativos. Era o mundo dela.

A chuva caia descomunalmente, e isso auxiliou o sono da doce morena. Encolhe-se sob o cobertor e dormiu serenamente. Faltavam menos de seis meses para rever o homem da sua vida.

[xxxx]

A manhã se mostrava, e revelava que a chuva havia parado. Hinata recobrava a consciência aos poucos, notando estar envolta por algo quente e macio. Apalpou cuidadosamente aquele corpo estranho, o que poderia ser? Com preguiça de abrir os olhos, e com o raciocínio lento devido a estar acordando agora, tentou imaginar o que seria aquilo. Poderia ser o colchonete, era a resposta mais aceitável, e a que fazia Hinata não dar pulos de medo por estar abraçada a algo desconhecido. Sim, era o colchonete. Apertou o “colchonete” mais fortemente, sentindo o calor que ele emanava.

Só então percebeu: Colchonetes não emanam calor.

Em um pulo só saiu do poder daquele corpo quente e macio, ficando de pé enquanto contemplava a visão do que realmente era aquilo que a estava envolvendo. Era o corpo de Naruto.

Hinata se sentiu quente, excitada, molhada e perceber que passou a noite inteira abraçada ao homem da sua vida. Um abraço tão quente que ela nem mesmo percebeu o frio que a chuva havia trazido.

—“O-Oque aconteceu?? Eu dormi abraçada com ele? Mas como? Oh Lord, Oh Lord, Oh lord!!!!” -a morena olhava de um lado para o outro, confusa e feliz. Naruto ainda dormia, e Hinata agradeceu por isso.

Corria de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Era diferente da última fez. Hinata se jogou em cima do rapaz, mas foi no impulso, e ambos estavam acordados. Mas aquela situação? Se estavam abraçados, significa que ele a abraçou, não foi?

Mas deixou os pensamentos da noite anterior invadirem sua cabeça. Lembrou das expressões de amor que Naruto direcionava à Mikoto, e como ela tinha ido dormir chateada e deprimida. Todos aqueles pensamentos acabaram ofuscando a felicidade de ter dormindo com o homem que amava.

—Uhhaaa.... b-bom dia, Hinata... -bocejava se espreguiçando, notando que a morena já estava de pé, vestida com uma meigo conjunto para dormir.

—B-Bom... bom dia Naruto-kun. -tentou não dar importância ao ocorrido, queria ver o que ele tinha para dizer.

—Como você levantou primeiro, deve ter percebido que a gente dormiu juntos, né? -comentou se dirigindo ao córrego. O fogo havia apagado, mas a caverna era bastante iluminada.

—H-Hai... eu percebi sim. -comentou eufórica, mas aborrecida.

—Você estava tremendo, mesmo estando perto do fogo. Como não tinha outros cobertores, decidi aquecer você com o calor do meu corpo. Bom, na verdade foi uma troca de calores, você também me aqueceu...

A morena sabia que as palavras do rapaz não passavam de algo estratégico, mas não deixou de sentir-se feliz ao vê-lo falar daquela forma. Falar que havia aquecido seu corpo com o dele... algo que ela sonhou todo esse tempo!

—Acho melhor seguirmos caminho... se soubesse que iria chover, tinha deixado pra partir agora de manhã. -comentou desmontando seu acampamento.

—Verdade. Saímos de noite, mas acabamos presos pela chuva. Teria sido melhor esperar. Mas tudo bem, as duas horas que conseguimos correr valeram a pena! Estamos mais perto da Mikoto!

—Sim, vamos logo. Estou ansiosa para revê-la...

Os dois saram correndo da caverna, iriam rever sua amiga o mais rápido possível.

[xxx]

A manhã estava fria, talvez devido à chuva da noite anterior. A morena levantava sem animo, adoraria ficar um pouco mais na cama, mas já não aguentava a saudade que estava sentindo das crianças do hospital e de Hinata. Levantou rápido, e arrumou-se mais rápido ainda. Logo estava novamente cobrindo seu percurso. Corria rapidamente, era uma Uchiha, afinal. Seu sangue, sua linhagem, eram excepcionais! Corria como uma flecha, logo, logo estaria em sua amada vila.

A noite de pensamentos havia sido como todas as outras nos últimos dois anos e meio, com a diferença de que ela estava em um ambiente diferente. Mais calmo, e sem todo aquele peso que um cenário de múltiplos homicídios carrega.

Não tinham tantas coisas assim para pensar. Sasuke? Itachi? Naruto? Hinata e as crianças? Bom, não era uma vida tão movimentada, mas ela aprendeu a gostar desta vida. E mesmo que poucos assuntos, eles eram extremamente complicados.

Acabou levando o loiro como prioridade em seus assuntos de pensamento. Pensava no loiro de todas as formas possíveis, e tem todos os cenários possíveis.

—“Eu já não aguento mais esta espera! Sei que faltam só seis meses, mas de toda forma, parece uma eternidade!” -pensava vendo as arvores passando em flash, devido a intensa velocidade com que a moça se movia.

A ansiedade era enorme de ambos os lados. Corriam em suas velocidades máxima. Mesmo Naruto reduzindo a sua para que Hinata pudesse acompanhar, a morena não era nem de longe alguém lenta, o que deixou o loiro ainda mais admirado pela moça.

Mais um dia se passou, e novamente estavam na estrada.

—Não está cansada? Estamos correndo há quase 15 horas sem parar. -comentou olhando o semblante pensativo da morena Hyuuga.

—N-Não... cansada não, só um pouco aflita. -deixou escapar. Estava aérea, pensando enquanto olhava para as nuvens e corria.

—Aflita? Com o que? -não tinha jeito, o loiro queria uma resposta.

—É... é que... bem, eu sei que voc....

A morena parou de falar de repente, mas o loiro não deu importância a isso. Afinal, ele também teria ficado sem palavras se estivesse falando e de repente aquela visão lhe aparecesse.

Era ela. A morena que tomava seu coração. Que lhe causara uma confusão enorme de sentimentos, mas que descobriu ser a melhor confusão possível. A morena a quem devia a vida!

—Não acredito... -o sussurro de Mikoto pôde ser ouvido pelos dois a sua frente. A morena havia aparecido de repente na frente deles, havia pulado de uma arvore.

O tempo havia parado, para os três. Talvez Hinata não compreendesse a magnitude que aquele momento tinha para Naruto e Mikoto, mas certamente a Hyuuga desfrutava, ao menos que de uma pequena fração, de toda a mágica que o momento proporcionava.

Mas Naruto e Mikoto, juntos ali depois de tanto tempo? Não... Para eles era diferente. Para eles não existia mais nada. Estavam em seu próprio mundo, um olhado para o outro como se não soubessem mais como falar. Como se tivessem desaprendido o básico da vida. Mas afinal, não era preciso. Os lábios até esboçavam tentativas de se movimentar, mas eram logo censurados pela própria situação. Se falassem, o clima poderia mudar.

Correram um em direção ao outro. Velocidade já nem era mais a medida que usavam para expressar o deslocamento dos corpos. Foi intenso, atemporal. Estavam abraçados, sentindo como se nunca tivessem se separado. Um nos braços do outro.

O loiro havia crescido, estava maior que a morena, e não teve dificuldades em envolve-la completamente em um abraço universal. Um abraço como nenhum outro.

—É mesmo você... -o murmuro quase inaudível de Mikoto ecoou pelo corpo do jovem loiro. Aquela voz... ah, como sentiu saudade. Como ainda lembrava cada doce frequência e intensidade da voz daquela mulher. E como amava tudo isso. E como a amava!

—Sim, Mikoto... sou eu. -apertou mais o abraço, equilibrando entre um aperto esmagador, e um acolhedor. -não sabe o quanto eu esperei por este momento. Você não saiu da minha cabeça nem por um minuto.

Estavam abraçados, de olhos fechados, alheios ao mundo a volta.

—Digo o mesmo, meu amor... -não conseguiu resistir. Ela queria dizer aquilo o quanto antes!

—Amor...? sim, amor... meu amor. Mikoto, eu amo você.

E mais uma vez o silencio prevaleceu. Já tinham dito o que realmente era necessário, não precisariam falar mais nada agora.

—Eu pensei tanto, em tudo... naquela noite, em você... Naruto, eu tentei te esquecer. Demorei pra perceber que você me amava naquela época, mas quando percebi, decidi lutar por você. Mas precisava antes saber se ainda sustentava aquele sentimento.

—Comigo foi exatamente igual. Sai da vila achando que tinha coagido você a fazer aquelas coisas, mas percebi que você sentia algo por mim. Também decidi lutar por você, e tentar descobrir se ainda me amava. Mikoto, eu te amo tanto! De uma forma que é difícil explicar.

—Naruto, eu consigo entender. É da mesma forma que eu me sinto...

Aqueles dois estavam além das barreiras do tempo e do espaço, ficariam abraçados por horas sem nem perceber, e Hinata não queria atrapalhar apenas calou-se e permitiu que o momento continuasse com alguns minutos.

Afastou-se já imaginando: quando os dois se largassem, teriam uma conversa problemática.