Notas iniciais
Era pra ser OneShot, mas eu acabei me empolgando rerere E dessa empolgação saíram 10 capítulos.

Os olhos foram se aproximando cada vez mais e antes que os envolvidos naquela situação problemática pudessem perceber, eles estavam fechados, até porque não era preciso ver a trajetória que as bocas tomariam. Era uma certeza, iria acontecer. Não tinha nada de errado naquilo, mas também não se podia dizer que era certo. As respirações ficaram pesadas, o coração batia em velocidade máxima, a suor já se fazia presente e os narizes se encostaram. Estavam próximos demais.

Nem perceberam quando aconteceu. Os lábios encostaram e os dois puderam sentir o gosto um do outro. Os pensamentos estavam alheios a qualquer outra situação. Na imensidão daquele complexo de casas, ninguém se atreveria a entrar. Principalmente com quem praticamente residia lá. Um lugar antes considerado de respeito, agora era quase o abrigo do demônio da vila.

O rapaz sentiu o peso na consciência com o ato que protagonizava. Ela era sua benfeitora, e agora ele... a desrespeita! Mas o que o espantava era que ela estava correspondendo.

A união de lábios não era o bastante para os dois. Logo a mulher pediu passagem e o jovem não tão inexperiente concedeu. As línguas se tocaram em um carinho reconfortante. Ambos sofriam, é verdade. Precisavam de um ombro amigo, de um aconchego, de um parceiro.

As mãos ágeis do jovem logo tentaram agarrar os cabelos da bela morena. Ela, fez a mesma coisa, enterrando seus delicados dedos no meio dos fios dourados do rapaz que residia sobre ela. O ato se intensificou.

O beijo ficou mais selvagem, mais sôfrego e necessário. O rapaz não sabia o que fazer, apesar de que não era exatamente leigo nesses assuntos, mas sabia que gostava do que estava conhecendo, mesmo sendo uma falta de respeito de sua parte.

Logo a mão do rapaz desceu ao quadril da mulher, na tentativa de intensificar ainda mais aquele beijo intenso, alisando as grossas coxas ainda cobertas pela camisola. Ela não relutou, continuou a dança de línguas que os dois protagonizavam. Ele era um garoto, ela tinha que tomar as rédeas da situação e ensiná-lo como se faz. Era seu protegido não era? Tinha a total responsabilidade de ensiná-lo. Talvez pensar dessa forma a deixava com menos peso na consciência, porque ela, absolutamente, não tinha forças para revidar e dizer não.

Enquanto as línguas se tocavam, as mãos de ambos descobriam o corpo do outro. O rapaz subiu a mão em direção ao busto da morena, mas sua pouca ousadia não permitia tocar em seus seios, mesmo ainda cobertos pelo tecido da roupa de dormir. A mulher queria dizer que o autorizava a tal ato, mas sentia que se falasse uma única palavra tudo aquilo acabaria.

O ar faltou e eles tiveram que se separar. O jovem recuou um pouco a cabeça, ficando a centímetros do rosto da mulher.

-M-Mikoto-sama... eu... eu não sei... gomenasai...

A única atitude que lhe restava era fugir. Era um garoto de palavra, que nunca fugia a um desafio, mas aquilo era mais que um desafio, era uma calamidade. Desrespeitar sua protetora, sua amiga daquele jeito feria seu senso de honra.

-N-Naruto-kun... não... eu... –Não teve tempo de falar muito, o rapaz saiu correndo. –NARUTO-KUN!!

O grito desesperando da mulher não foi ouvido, o “filho” saiu correndo.

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-PORQUE ME OLHAM ASSIM? VOCÊS NÃO RESPEITAM O FUTURO HOKAGE?

-Aqui não é lugar de gritaria seu pirralho, sai daqui antes que eu mande te prender por perturbar a ordem!

-EU NÃO LIGO! PODE CHAMAR QUEM FOR, EU DOU CONTA! VOU SER UM HOKAGE E HOKAGES NÃO TEMEM NADA!

-MOLEQUE DO DEMÔNIO! SAI DAQUI, TÁ ESPANTANDO MEUS CLIENTES!

-Azar o seu!

-Está bem seu verme. Toma essa droga de ramen, mas sai daqui!

O velho jogou uma tigela de ramen congelado para o garoto, que aparou e saiu correndo.

-VALEU TIO! QUANDO EU FOR HOKAGE EU TE PAGO!

-Se pisar aqui de novo vai ser a ultima vez!

O jovenzinho loiro saiu correndo sob olhares estranhos. Correu para sua casa, estava com fome e prepararia aquele ramen o mais rápido possível. Mesmo com todos aqueles olhares e palavras ofensivas, o garotinho levava um sorriso no rosto. Sorriso esse que de tão grande, fechava seus olhos.

O destino realmente é o senhor de tudo. Se não estivesse tão feliz por ter conseguido comida, não estaria sorrindo, se não estivesse sorrindo, não estaria correndo com os olhos fechados, e se não estivesse correndo com os olhos fechados, não esbarraria no meu anjo da guarda de cabelos negros e olhos penetrantes.

-G-Gomenasai, senhorita. –Disse levantando depois de esbarrar em uma mulher alta para ele, de cabelos negros que estranhamente brilhavam como um sol escuro. Um sorriso acolhedor (o primeiro que ele viu direcionado a ele) e uma beleza indiscutível.

-Senhora, rapazinho.

-Gomen. É que eu nunca te vi. Eu conheço quase todos os moradores dessa vila, se te conhecesse saberia que é casada. –Disse sorrindo para a mulher.

-Bem, agora me conhece. E você realmente conhece quase todos os moradores desta vila? –Ela perguntou ainda sorrindo, bagunçando os cabelos loiros daquele menininho.

-Hai! Tá vendo aquela casa ali? É dos Hiroto. Lá moram o senhor Hiroto Mashiro, a mulher dele Hiroto Iana, a filha adolescente deles, Hiroto Hana e o filho mais velho deles, que eu não sei o nome porque só os visita de vez em quando.

-N-Nossa! –A mulher estava realmente surpresa.

-Aquela ali é a casa do senhor Takahana. Ele mora sozinho porque a mulher morreu a algum tempo, não tiveram filhos.

-Incrível! Como não sabe nada sobre mim? –A mulher fingiu estar indignada.

-Quem disse que eu não sei? –Falou sorridente.

-S-Sabe?

-Hai! Apesar de não te conhecer, seu corte e cor do cabelo, seus olhos negros, sua pele branquinha e seus traços me dizem que é uma Uchiha. Suas roupas, que apesar de parecerem usuais, ainda denotam que é provavelmente alguém importante no clã.

-Kami! Quantos anos têm garotinho? –Ela perguntou espantada.

-8. Bom, só falta um mês pro meu aniversário.

-Impossível! Como conseguiu descobrir tudo isso com apenas oito anos? Sua análise foi perfeita!

-Eu acertei? Há! Eu sou fera! Bem melhor que o idiota do Sasuke!

-S-Sasuke?

-Ah, foi mal. Ele é do seu clã né?

-Hai, e também é meu filho. –Ela disse sorrindo meigo para o loiro.

O menino gelou, mas o sorriso quente da bela mulher o fez se desculpar.

-Gomensana senhorita! Senhora! Senhora Uchiha!

-Não precisa ficar assim menininho, eu sei o que quer dizer quando chama meu filho de idiota. Acredite em mim, ele não é um idiota, só é muito parecido com o pai. Ops, acho que acabei de dizer quem meu marido parece idiota.

Os dois começaram a gargalhar, com meio da rua. A moça mais contida, diferente do garoto que se acabava de rir.

-D-Desculpa... tá todo mundo olhando pra gente... –O garoto falou se recompondo.

-T-Tudo bem, eles tem é que cuidar da vida deles! –Disse também parando de rir.

-E-Então... acho que vou indo, meu rame... MEU RAMEN! –O garoto se desesperou quando perceber seu precioso ramen no chão, derramado. A queda fez a tigela quebrar, liberando seu conteúdo.

-Ai, me desculpe garotinho... –Ela disse solidária.

-Tudo bem senhora, só que agora não vou comer hoje... –Disse triste.

-C-Como assim?

-É que ninguém gosta de mim, só me dão comida pra mim sair de perto deles e já arranjei a comida diária, se for de novo, eles mandam me prender. Sem contar que estou sem dinheiro e não quero pedir ao Jiji...

-Kami você é...

Eu sabia, aquele sorriso não era pra mim. Ela não sabia com quem tava falando.

-Vou poupar seu trabalho de me mandar embora. Não se preocupe, não faria uma senhora bonita e importante se rebaixar a ponto de me chutar... –O garoto baixou a cabeça e começou a caminhar, com a tigela de ramen quebrada em mão.

-Garoto, para de falar besteiras! –Ele virou completamente surpreso, com os olhos arregalados e uma expressão confusa.

-O-O quê?

-Não seja apressado menino, eu estraguei sua comida, é questão de honra reavê-la.

-M-Mas...

-Não se preocupe, eu mesmo preparo algo pra você comer.

-F-Fazer... algo?

-Claro!

O jovem jamais sentiu o gosto de uma boa comida caseira. Até mesmo quando o Hokage lhe pagava comida, era feita em restaurantes.

-Eu... eu... –O jovem começou a chorar.

-P-Porque tá cho... –Não teve tempo de perguntar. O garoto correu e a abraçou pela cintura, enterrando o rosto no ventre da mulher. A morena não sabia o que fazer, mas sabia que gostava daquele abraço. Nem se importou com as sacolas de compras que caíram de suas mãos.

-Eu não sei... eu... arigatou...

-Não há de quê. –Ela sussurrou abraçando o garoto. Estavam na rua, e aquilo poderia ser um problema, ainda mais para a mulher do líder de tão renomado clã. –Garoto... –Sussurrou.

-U-Uhn...?

-Que tal sair da rua? –Ele balançou a cabeça ainda grudado no ventre da morena. –Então... acho que pra conseguirmos andar, precisamos nos soltar.

O loiro então percebeu o que estava fazendo e se separou rapidamente da mulher, que riu baixo. O jovem estava corado com o ato impulsivo que acabara de executar.

-G-Gomem...

-Tudo bem, mas é melhor irmos. –Disse calma, abaixando pra pegar as sacolas do chão.

-Pode deixa! Com Uzumaki Naruto presente, uma dama não trabalha! –Ele disse pegando as sacolas rapidamente, não dando tempo de a mulher às pegar.

-Uzumaki Naruto é?

-Hai!

-Bem, como se apresentou, é questão de educação eu me apresentar também. Prazer, Uchiha Mikoto...

Os dois foram caminhando, ainda sem saber para qual caminho seus pés os levariam.

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O jovem correu o mais rápido que podia, chorando devido a consciência pesada. Não se lembrava de como aconteceu, não precisava lembrar. O fato é que aconteceu. Algo que nunca deveria ter acontecido. Desejar sua quase mãe era algo repugnante. Mikoto o ajudou, praticamente o criou, e o mais importante: Lhe deu carinho e amor. Amor... agora aquela morena tinha todo o seu amor, mesmo sendo errado. A amava como amiga, como irmã, como mãe e agora... como mulher. Talvez o agora não defina muito bem o que se passava com o garoto, ele a amou desde sempre. Sempre viu Mikoto como sua mãe. Tudo bem que ele tinha plena consciência de que não eram mãe e filho, mas as circunstâncias os uniu dessa forma. Mãe e filho de sangue desigual.

Chorou como nunca antes na vida. Mesmo quando a viu chorar por estar praticamente sozinha no mundo. Mas não estava! Não importava se seu filho mais velho dizimou quase todo o clã, não importava se seu amado clã não tinha mais prestígio, e não importava que seu filho egoísta a trocou por uma vingança estúpida. Ela tinha Naruto.

E o jovem a tinha. Agora eram só os dois. Nem mais um Uchiha e nem mais um cidadão da vila. Eram só os dois. Se amando como mãe e filho, como amigos e confidentes, mas que por um deslize, se amando como homem e mulher.

Milhares de coisas passavam pela cabeça do rapaz em alta velocidade, mas todas elas se resumiam a Mikoto. Não queria a ver chorar ainda mais. Muito pelo contrário, queria ser os eu consolo, seu amigo. E agora, tudo estava arruinado.

Sem perceber, chegou a um lago que ficava no centro da vila. Tirou toda a roupa, ficando somente com seu colar e anel inseparáveis, e entrou. Tinha que esfriar a cabeça, jogar fora os pensamentos impuros relacionados à Mikoto, e a água fria seria perfeita para isso. Foi até o meio do lago, sentou em posição de meditação e procurou relaxar.

A água começou a fervilhar e a borbulhar, mostrando que o garoto emanava chakra. Logo as ondas apareceram e o lago se tornou um mar reduzido.

-Pelo visto está mesmo tenso.

O jovem não ligou para a presença, já tinha percebido o sensei a algum tempo, só estava esperando o velho se pronunciar.

-Estou. –Sussurrou ainda em posição, e de olhos fechados.

-Tem a ver com o Sasuke?

-Indiretamente. –Sussurrou em reposta.

-Sakura é uma garota apaixonada, está desesperada Naruto, mas quando pensar melhor, ela vai...

-Um amor de mãe é eterno, incontestável.

-M-Mãe...? Mikoto-dono...

-...!

-Ela... ela te pediu isso também?

-Não precisou. –Sussurrou levantando, ainda nu.

-Naruto, o que houve?

-Nada. –Falou andando em direção a margem.

-Está muito estranho, pode confiar em mim, Naruto.

-T-Tudo bem, Ero-Sennin. –O garoto vestiu a calça e respirou fundo. –Estou apaixonado pela Mikoto-sama.

O velho mostrou talvez a maior expressão de surpresa de sua vida. Olhou atentamente para o pupilo de peito nu, não era nenhum homem, mas não se conhecem muitos homens de 12 anos.

-Naruto... isso..

-Eu sei, é impossível. É por isso que preciso trazer aquele lixo do Sasuke de volta. Mikoto-sama precisa de carinho, e não posso mais dar esse carinho.

-Ela... ela sabe disso?

-Não sei, mas... –O rapaz pensou um pouco. Tem coisas que se esconde até do sensei. –N-Nada...

-Não vou te perguntar. –O velho tarado imaginou que talvez seu pupilo houvesse sido pego espiando ou coisa parecida.

O rapaz colocou a camisa no ombro e se pôs a andar em meio aquela madrugada, sabendo que o sensei o seguiria.

-Já se apaixonou, Ero-Sennin? –Perguntou tentando um sorriso.

Aquela interação com o sensei era especial para o garoto. Mikoto foi a primeira pessoa a que se afetuou, depois Itachi e depois o Sannin. O via como o tio alegre e pervertido.

Sem contar que uma amizade heterossexual da intensidade da que eles tinham era rara.

-Hai... –Respondeu distante.

-Tenho a ligeira impressão de que a vovó está envolvida nisso.

-Aí que se engana espertinho. Tsunade é somente uma grande amiga, grande e peituda amiga. Estou decepcionado com você, sempre leu muito bem as pessoas. –Falou o sensei desconhecendo a intenção do rapaz.

-Aí que se engana, sensei espertinho. Eu sei que o que sente pela vovó é somente uma forte amizade. Só disse isso pra fazê-lo se abrir e me contar sobre essa sua paixão.

O sensei fitou seu melhor aluno e sorriu. Era realmente um garoto brilhante.

-Me pegou. Bom, era uma garota de outra vila, eu e ela lutamos e ela me deu a maior surra. Quando ela ia me matar, eu disse que ela tinha o cabelo lindo, que fazia o par perfeito com o rosto perfeito dela. Ela parou o ataque e corou. Disse que todos os homens só olhavam pros peitos dela.

-Hn... isso tá parecendo mentira. Se falam isso dos peitos dela, é porque eram bonitos. Não acredito que um tarado em peitos como o senhor deixou de olhar pro busto da garota.

-Mas eu não olhei! Como eu disse, me apaixonei por ela. Não podia encarar os peitos da garota, ia espantá-la.

-Concordo, mas o que aconteceu?

-Ela disse que eu não era o tipo dela e sumiu. Nunca mais eu a vi. Ainda não era Sannin naquela época, talvez agora ela fosse me querer.

-Tá me dizendo pra não desistir da Mikoto-sama?

-Você é mesmo meu melhor aluno. Mas não tô dizendo isso, sempre pensei que a relação de vocês era um pouco distante, que ela apenas te dava comida, mas parece que esse não é o caso.

-Sensei, vou contar uma coisa que ninguém mais sabe. A Mikoto-sama é praticamente uma mãe pra mim. Ela me ajudou quando ninguém mais quis.

-Disso eu já sabia, ou melhor, quase todo mundo sabe que ela te dava comida todo dia.

-Mas o que ninguém sabe é que não é só isso. –O sensei o olhou curioso. –Mikoto-sama me dava algo muito mais importante que comida, ela me dava carinho, amor... –O garoto já chorava.

-N-Não me diga que...

-N-Não sensei, não sou nenhum cafajeste e ela não é nenhuma depravada. Ela me trata como um filho. Ninguém sabe, mas ela me abrigou no clã Uchiha. Quando eu era pequeno, toda noite ela ia aonde eu tava e me dava um beijo de boa noite. Depois dos 10 anos ela parou um pouco, mas sempre me abraçava e me dava carinho.

-Naruto...

-Tá vendo porque é impossível sensei?

-Entendo... seu sofrimento deve ser muito grande.

Nem imagina sensei...

-Sabe o que eu acho? Que devia sair da vila pra treinar.

O garoto o olhou surpreso, parando de chorar.

-O-O quê?

-Você. Precisa sair da vila, se distanciar disso tudo. Enquanto estiver aqui, Mikoto-dono não vai sair da sua cabeça. Acredite em mim Naruto, um homem não chora por uma mulher a toa.

-Eu... eu não posso, sensei. Não posso abandonar a Mikoto-sama logo agora que o miserável do Sasuke se foi.

-Hn. Entendo. Prefere sofrer no lugar dela...

-H-Hai... Prefiro sofrer silenciosamente ao lado dela a vê-la sofre sozinha! Apesar de que coisas vão mudar depois do que aconteceu...

-Mas... pense no que falou Naruto. Mesmo você sendo um prodígio, Sasuke está com um dos Sannins, não será fácil resgatá-lo.

-T-Tem razão, mas deixar Mikoto-sama desamparada não é uma opção!

-Eh... porque não pede a Tsunade pra ajudá-la? Ela pode dar um emprego a Mikoto-dono.

-Q-Que tipo de emprego?

-Sei lá, talvez no hospital. Sei que Mikoto-dono gosta muito de ajudar os outros.

-Mas ela não é médica, sensei.

Os dois já caminhavam pela imensidão do centro do Konoha. Apesar das lâmpadas, a escuridão daquela madrugada assombrava os medrosos.

-Eu não disse que ela vai operar ninguém! A Shizune ou mesmo a Tsunade podem ensinar qualquer coisa a ela, só pra conseguir ajudar os outros entende. Sei lá, ela pode se tornar enfermeira.

-É uma boa ideia sensei, vou pensar.

-Mas pensa rápido. Amanhã eu vou sair da vila e não tenho previsão de volta.

-Hai, me decido ainda hoje.

-Mas... hoje já é hoje! Se não notou, deve ser umas 3 da madrugada! Como é que vai pensar ainda hoje se eu vou sair hoje! –O sensei se enrolou, e o loiro sorriu.

-Eu sei, só disse isso pra ver o senhor ficar assim...

Jiraya emburrou a cara e encarou seu pupilo.

-Minato nunca fez isso comigo!

Naruto olhou para o sensei, o fitando nos olhos.

-Eu não sou o Yondaime. –Disse firme.

Os dois se separaram, Naruto pensou em fugir, mas tinha que encarar aquela situação. Voltou para o clã Uchiha.

[...]

-M-Mikoto-sama... eu... eu não sei... gomenasai...

A única atitude que lhe restava era fugir. Era um garoto de palavra, que nunca fugia a um desafio, mas aquilo era mais que um desafio, era uma calamidade. Desrespeitar sua protetora, sua amiga daquele jeito feria seu senso de honra.

-N-Naruto-kun... não... eu... –Não teve tempo de falar muito, o rapaz saiu correndo. –NARUTO-KUN!!

O grito desesperando da mulher não foi ouvido, o “filho” saiu correndo.

Se encolheu naquele chão frio, sentindo as lágrimas já se mostrarem presentes.

-Meu filho... o que eu fiz... meu menino...

Como isso foi acontecer? Kami, eu beijei meu menino... E-Ele é tão inocente, eu sou a culpada. Porque fui me deixar levar pelo impulso. Não posso ter esse tipo de pensamento, ele é meu menino, agora o único menino que está comigo. Ele é... ele é especial... Sou uma condenada. Não posso ter esse tipo de sentimento por ele... isso é errado. E agora, o que faço? Não posso mais ficar na frente dele sem tremer... ele... eu... eu o amo!

-Mikoto... não diz isso... você não o ama, ele é seu menino, está confundido tudo!

A quem quero enganar. Eu o amo, não só como meu menino, e sim como meu homem!

-CHEGA! NÃO POSSO PENSAR ASSIM! Ele é uma criança, minha criança! Não posso me aproveitar do sentimento que ele tem por mim, ele me vê como mãe, isso é errado!

A morena chorava descontroladamente, encolhida em um canto do quarto. Fazia vários minutos que havia caído no chão junto com Naruto, mas não tinha forças para levantar. Chorava ao pensar que seu único amigo agora a odiava. Chorava ao pensar que seu menino a tinha como uma pervertida, chorava em saber que foi fraca para não resistir ao momento.

O pensamento de ficar só a invadia, fazendo-a aumentar a intensidade das lágrimas, que já formavam uma poça molhando a bochecha colada ao piso de madeira.

-Naruto-kun... meu Naruto-kun...

O que faço? Kami, onegai... me mostre o que fazer. Meus três meninos... Meu maior sei que é um bom homem, mesmo tendo feito o que fez. Meu outro é um egoísta sem amor, sinto que falhei com meu Sasuke. E meu loiro... o que mais me amava... eu o traí. Não sou uma mãe... sou um monstro!

-Me perdoe, meu Naruto-kun... –Mikoto falou em um sussurro quase inaudível.

-Não a o que perdoar, Mikoto-sama.

Notas finais
O próximo só na próxima sexta, ou se me agradarem com review, quem sabe eu não poste antes?