Anjo Negro
13 Que bom que é você
Notas iniciais
Depois que o sol se pós, Lucas pegou suas coisas, se despediu de mim e foi embora. Tomei um banho e coloquei um pijama. Liguei o rádio, está tocando uma música animada. Começo a dançar ao ritmo agitado da música. O telefone está tocando na sala. Abaixo o rádio e desço.
_Alô!
_Sua vaca! _Grita Evy.
_É pelo jeito já está boa.
_Porque não veio me ver? Deixa-meeu adivinhar, Lucas?
_Quem te contou sobre ele?
_O Cody. Ele ligou para mim, ficou preocupado com você. Disse que estava estranha e sumiu no último tempo de aula.Quem se ferra agora sou eu que irei ficar sem algumas matérias, já que a senhorita fugiu da escola.
_E desde quando você e o Cody são amiguinhos? _Perguntei desconfiada.
_Ah! Não enche Mirela. Já disse que ele gosta de você.
_Sei. _A Evy insiste em dizer que o Cody gosta de mim. Se sim, nunca demonstrou e agora ele tem namorada. Mesmo que ela seja a pessoa mais irritante e chata da escola, não, pior da cidade.
_Sabe mesmo, mas se finge de idiota.
_Como você é fofa! Já está melhor, não é pinguça?
_Olha aqui, pinguça é...
_Quem Evy. _Provoquei.
_Mas só bebi um pouquinho. _Posso até imaginar a expressão dela, fazendo biquinho, com olhos de cão sem dono.
_Para de fazer drama.
_Sua, grande, chata! _Ela disse super irritada.
_Você me ama. _Afirmei.
_Não amo, não. Talvez só um pouquinho. _Rimos juntas.
_Vai amanhã pra escola? _Perguntei.
_Claro, passo ai no mesmo horário.
_Te espero então.
_Mirela?
_Sim.
_Eu já vou logo avisando, se acordar atrasada, só conto até três. _Disse desligando o telefone. Sorri, colocando o telefone no gancho. Subi as escadas, voltando por meu quarto. Está tocando outra música. Mas lenta dessa vez. Estou cheia de trabalhos escolares para fazer. Pego minha mochila, e sento na cama. Abro o caderno vendo quais deveres tenho que fazer.
_Que saco! _Digo irritada. Ainda não fiz o trabalho que meu pai pediu, sobre a história do nosso sobrenome.
O rádio começa a chiar. Levanto-me e troco de estação. O chiado continua. Troco novamente. E o chiado irritante ainda está.
_Mirela! _Uma voz assustadora, sai do rádio, chiando. Chamando meu nome. Troco de estação.
Levo um susto, indo para trás. Ao escutar uma risada infernal e diabólica sair do aparelho de som. Abro a porta e saio. Estou descendo a escada, às pressas. Ouço passos, no andar de baixo. Paro no meio da escada, tremendo de medo. De novo escuto os passos, só que dessa vez vindos do meu quarto. Estou encurralada. Subir ou descer?
Se eu subir, posso correr e tentar me trancar em um quarto. Mas se ficar dentro de um quarto e essa pessoa pode tentar entrar. Eu vou ter que pular. Não e muito alto, mas posso me machucar na queda e torcer um tornozelo. Isso só me dificultaria. Mas tem umas chances de dar certo.
Se eu descer, posso ter uma chance de corre para fora. Mas também posso ser pega. Essa é a pior parte. Ou posso tentar ligar pra policia. O único problema e que se eu falar muito alto ele pode me ouvir. E assim também serei pega.
De todos os jeitos, tenho chances de escapar e fugi. Tanto quanto pode dar errado e eu torcer um tornozelo ou pior, se pega. Tenho que tomar uma decisão, Ficar parada, aqui na escada, esperando o inevitável, não irá me ajudar. Desço de vagar os degraus. Torcendo para que não ranjam. Por favor! O degrau range. Corro em disparada até a porta. Giro a maçaneta freneticamente, mas a porta esta trancada. Ouço no segundo andar, ele está descendo. Procuro qualquer coisa que posso me ajudar. Me olhos pousam no telefone. Corro até a mesinha, o pegando e discando o número da policia. Os segundos passam lentamente, como se o tempo resolvesse congelar nessa hora só pra apreciar o momento em que me dou mal. Os passos estão atrás de mim. Ouço minha respiração acelerada. Uma mão toca meu ombro, e me vira bruscamente, para que encare de frente meu final.
_Ahahahah! _Grito. Uma mão tampa minha boca.
_Mirela! _Meu pai grita. Olho dentro dos olhos dele.
_O que foi? Nossa você ta tremendo. _Ele me abraça, vendo se estou inteira.
_Pai. _Começo a chorar. _Que bom que é você. E apenas meu pai e não um anjo negro.
O abracei, agradecendo, por ser apenas ele. Meu pai. Estou pirando, enlouquecendo aos poucos. Todo esse negócio de anjo negro só pode ser da a minha imaginação.
_O que foi Mirela? Está tremendo. Por que se assustou comigo?
_ Eu pensei ter escutado alguém dentro da casa. Um bandido. _Meu pai começou a rir.
_Por que está rindo?
_Quem iria querer roubar a nossa casa? Todos na cidade dizem que é mal assombrada.
_Sei lá. _Ele continuou rindo, e eu comecei a rir também.
_Faz sentindo, acho que estou mais segura agora com os fantasmas.
_Filha o que aconteceu? Fiquei preocupado com você, sumiu depois do intervalo. _Disse sério.
_Eu estava me sentindo mal.
_Por que não me avisou? Eu a teria trago pra casa, ou melhor, para um hospital.
_Não precisa exagerar pai.
_Mais é claro que preciso você é minha princesa. A princesinha do papai! _Apertou minhas bochechas.
_Para com isso pai! Ainda bem que não faz isso em público.
_Antes você gostava. _Disse triste. Ele se sentou no sofá, olhando para longe. Onde os pensamentos o estão levando. Acho que sei a resposta. Toda vez que ele fica assim distante é porque está se lembrando dela, minha mãe.
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