Anjo Negro
12 O por do sol
Notas iniciais
Ele me olhou, com um olhar sério. Seus olhos parecem ler minha alma. Como ele meus medos não existissem. Como se, me conhece-se a milhares e milhares de anos. Engraçado, no pouco tempo em que o conheço ao seu lado sinto-me segura. Não creio que ele saiba sobre os anjos. Mesmo assim preciso saber da sua boca a verdade. Não posso viver com essa dúvida. Até que possam provar o contrário, todos são culpados e suspeitos.
_Que anjos? _Perguntou, curioso. Como assim? Não foi ele que acabou de dizer “anjo negro”?
_Os anjos negros. _Falei de uma vez. Tomando coragem. Ele apertou os olhos, pensando. Então ele sai de perto da bancada. Pressionou-me na parede com seus braços, forte. Ai meu deus! Não pode ser. Lucas por favor! Diga que não é um anjo. Sua respiração em meu pescoço é quente. Posso sentir seu tórax subir e descer. Seu coração está acelerado. Fechei os olhos, sentindo seu aroma. Sua mão está em minha cintura, à outra em meus cabelos.
_Pode deixar, irei te proteger deles. _Meu coração quase saiu do peito ao ouvir essa frase. Então a mulher dos meus sonhos estava certa. Lucas não é boa pessoa. É um anjo disfarçado de humano. Senti seus lábios tocarem meu pescoço. Delicadamente. Roçando de vagar. Subindo.
_Eles também te perseguem? _Ofegante, perguntei. Segurando meus rostos em suas mãos, olhou dentro dos meus olhos.
_Sinto como se te conhece-se há muito tempo. Quando estou com você não existem segredos entre a gente. Quero que saiba que o que falaram sobre mim não é verdade. Espera ai!
_Sobre o que está falando?
_Na outra escola, eu fiz coisas erradas. Aquele não era eu. O que quer que essas pessoas horríveis tenham falado sobre mim não é a verdade. Eles são maus, como anjos negros. Fingindo-se de bons amigos, para lhe enfiar depois uma faca nas costas. _Que felicidade. Lucas não é um anjo. O beijei. No principio com um beijo suave, que se tornou feroz. Selvagem. Sua língua pediu passagem, minhas pernas envolveram sua cintura. Afasto-me, relutante. Que história é essa de “eu fiz cosas erradas”?
_Que coisas erradas fez? _Sua expressão foi de supressa.
_Pensei que soubesse. Não te contaram? _Balancei a cabeça, em sinal de negação.
_Com o tempo te coto. _Disse. Sorrindo.
_Acho que tenho o direito de saber. Afinal, estamos namorando. _Seu sorriso aumentou.
_Pensei eu é quem tinha que pedir.
_Isso não foi um pedido e sim uma afirmação. _Seus lábios tocaram os meus, desta vez com um beijo doce e suave.
_Acho que estamos indo um pouquinho rápido de mais. _Disse, com a respiração irregular.
_Foi você que me chamou pra conhecer o seu quarto. Imagine quando chegarmos lá.
_Seu bobo. _Sorri.
_É sério, posso ser tarado. _Falou, sorrindo.
_Para de bobeira. Anda vamos. _Saindo da cozinha, passamos pela sala onde peguei minha mochila. Carregando a para o quarto. Parei em frente à porta. Fiquei com medo, esse o anjo negro estiver me aguardando no quarto? Olhei pra Lucas, que está com um olhar curioso. Suas mãos estão no bolso.
_Desistiu de aprisionar-me em seu quarto? _Perguntou, brincando. Sorri em resposta.
_Não, meus planos diabólicos não acabam aqui. _Falei sorrindo. Abri a porta. Uma onda de ar frio me atingiu, com quando se abre a porta de uma geladeira.O quarto está vazio e sombrio. Entrei, Lucas logo atrás entrou, trancando a porta. Balançando a chave em sua mão.
_Cometeu um erro gravíssimo. _Disse sorrindo.
_E qual foi?
_Não avisou a ninguém, onde ou com quem está. _Um longo sorriso brotou em sua face. Olhei em volta, procurando o sinal de algum anjo. Apenas a janela está aberta. Lucas percebeu minha expressão.
_O que foi anjo?
_Nada. _Sorri para ele. Lucas chegou mais perto, me beijando. Olhei dentro dos olhos azuis dele, como o céu. Pode parecer ridículo comparado ao tempo em que conheço Lucas, mas a realidade é que estou completamente apaixonada por ele. Mesmo com toda essa minha desconfiança e anjos negros na história.
_Sinto que sou observada e ando vendo coisas. _As palavras escaparam por entre meus lábios. Lucas encostou sua testa na minha, respirando de vagar.
_Olha, eu não sou nem um maníaco, mas escuto uma voz, dentro da minha cabeça.
_E o que ela diz? _Perguntei, com minha mão em seu rosto.
_Ela, ou melhor, ele, é meu amigo. E me diz coisas boas e ruis. Às vezes me faz ficar feliz, isso raramente. Mas eu gosto dela, pois fico muito sozinho. Acha que sou louco?
_Não, acho você especial. Já te contaram que as melhores pessoas são loucas? E agora você não é mais sozinho, você tem a mim. _O beijei.
_Me conte um pouco mais de você. _Disse.
_Bem, eu trabalho em uma oficina. Moro com meu pai em um treler, no parque San’ Jonhs.
_E sua mãe? _Perguntei, brincando de luta de polegares.
_Não sei, uma noite meus pais começaram a brigar. Ele estava bêbado, como sempre. Os dois gritavam, ele bateu nela. Sai de meu esconderijo e comecei a socá-lo. Ele me bateu, minha mãe voou nele, lhe dando um tapa. Os dois saíram, e isso é tudo que me lembro. _Limpei uma lágrima, que escore no rosto de Lucas.
_Então depois disso ele me disse que ela nos deixou. _Ele deu um sorriso sarcástico.
_Você não acredita nisso não é?
_Claro que não.
_Então porque não procurou ela, nunca quis saber o que aconteceu? _Ele se levantou, passando as mãos no cabelo. Então ele se abaixou colocando suas mãos em meus joelhos.
_Sim, mas tenho medo. E se não gostar do que vou descobrir? _Ele olhou dentro dos meus olhos.
_Acho que todos merecem saber a verdade, mas a escolha não é minha, é sua. Mas saiba que estarei ao seu lado. _O beijei.
_Agora me fale sobre você? _Ele perguntou.
_Minha mãe morreu quando eu tinha três meses. Até hoje meu pai diz que a culpa não é minha eu sei que não é.
_A culpa de que?
_Ela se suicidou, depressão pós-parto. Meu pai é super legal! E viaja bastante, e um historiador, além de nosso professor. _Rimos juntos.
_O sol já está se pondo. _Me levantei, olhando pela janela o sol. _Vamos lá foram, irei te mostrar o melhor por do sol, de todos. _Estendi minha mão pra ele, que a segurou. Girei a maçaneta e lembrei que a chave está com Lucas. Ele sorri, tirando a chave do bolso e sacudindo.
_Me dar Lucas. _Ordeno.
_Vem pegar. _Ele sai correndo. Vou atrás dele. O seco com a cama entre a gente. Ele vai pra esquerda, e eu vou também. Ele vai pra direita e eu vou. Ele finge ir pra esquerda e vai pra direita, passando por cima da cama. Não perco tempo e pulo na cama, caindo por cima dele. Rolamos e caímos no chão rindo. Estou em baixo dele. Ele está me encarando, com um olhar de divertido.
_Que tal uma troca? Um beijo pela chave? _Um longo sorriso surge em seu rosto.
_Troca justa. Aceito. _Sinto seus lábios tacarem os meus, suavemente. Fazendo pressão, terminando com uma leve mordida. E sorri para mim, me entregando a chave. Levantamos-nos e saímos. Sentamos-nos na beira do penhasco, de mãos dadas. Apoiei minha cabeça no ombro de Lucas. Vendo os últimos raios do sol.
Fale com o autor