Anjo Negro
2 Lago dos anjos
Notas iniciais
Londres, 27 de Agosto de 2013.
Cidade dos anjos.
Mirela Ellis Macbele está se arrumando correndo, acordou tarde e está atrasada para a escola, sua amiga Evelyn Moore está no carro buzinando sem parar.
_Eu já disse, que já vou! _Gritei pela janela.
_Anda logo Mirela, vou contar até três, se não estive aqui no numero três eu vou embora. _Tirei uma blusa do guarda roupa sem olhar, peguei minha mochila de cima da cama e desci correndo as escadas. Sei que Evelyn está dizendo a verdade, e quando chegar a três ela ira me deixar sem carona. Por que? Bem, ela já fez isso comigo.Numa festa que fomos à praia. Chego à porta, ela está dizendo dois, á vejo ligar o carro e quando ela diz três, já estou dentro do carro.
_Nossa, essa foi por pouco. _Ela começou a rir.
_Para de rir sua idiota! _Comecei a rir com ela.
_Acho melhor você colocar a blusa. Não vai querer que todos da cidade te vejam assim. _Vi que estava sem blusa só de sutiã, me abaixei e coloquei a blusa. Pois já estávamos chegando à cidade. As únicas vantagens de se morar em uma casa longe da cidade, é que se correr pelo quintal de sutiã ninguém ira te vê.
_Cara essa sua tatuagem de flor nas suas costas e demais.
_Quantas vezes eu vou ter que te falar, que é uma marca de nascença?
_Até eu acreditar nessa sua mentira, quem iria ter uma marca de nascença em forma de flor de Lótus nas costa? Conta outra, mandou essa por seu pai e ele acreditou?
_Acredite no que quiser Evelyn. _Chegamos à escola atrasadas. Estamos no último ano escolar, não vejo a hora de terminar. Entramos na sala as pressas.
_Estão atrasadas Senhoritas. _Disse o professor de História que também é meu pai.
_Não vai acontecer de novo. _Falei. Evelyn disse.
_Isso e uma promessa de dedinho._Ela cruzou os dedos e beijou.
_Sentem-se. Como eu estava dizendo quero que pesquisem a história dos seus sobrenomes, se eram pessoas importantes, suas profissões. Quem sabe alguém aqui nessa sala não tenha sangue azul.
_Com certeza eu tenho. _Disse Emily Mitchell a patricinha da escola. Ela vive me perturbando, se acha melhor que todo mundo.
_Só se for de uma porca. _Disse Evelyn. Todos na sala riram.
_Muito engraçada Evelyn, pra quem com certeza deve ser descendente de uma família de limpadores de privada.
_Mas isso não é vergonha, pelo menos sei que fazia do mundo um lugar melhor, limpando você da pobre e inocente privada. _A turma inteira riu dela.
_Silencio!
_A data vai ser de 1960 até hoje, quero isso pronto até semana que vem._O Pessoal começou a reclamar.
_Isso não é justo! Fala sério! Não acredito! _A as pessoas cochichavam. Olhei pra trás, vi um garoto quieto de cabeça baixa. Ele levantou a cabeça e olhou pra mim, pude senti o frio de dentro de seus olhos. Eles parecem mortos e sem vida, não tem aquele brilho. Virei pra frente e passei minhas mãos em meus braços sentindo um frio de arrepiar. O sinal soou indicando o inicio do intervalo. Evelyn e eu saímos da sala em direção ao gramado onde todos estavam sentados aproveitando o sol. Nos sentamos ao sol. Ela pegou o seu Mp3player de sua mochila e deitou escutando suas músicas. Avistei o garoto que me deu arrepios indo em direção a floresta, se afastando de todos. Sacudi Evelyn.
_O que foi? _Ela perguntou irritada, tirando um dos fones.
_Quem e aquele garoto? _Apontei pra ele.
_Sei lá, ele é novo. Não o conheço. Por que ficou interessada nele?
_Claro que não e só que... Sei lá. _Senti o frio de novo.
_Já volto. _Disse me levantando e indo atrás dele. Entrei na floreta o seguindo de longe, garantindo que ele não me vise. Quanto mas entrava na floresta mais frio ficava. Estava me aproximado da clareira onde o lago dos anjos fica. O garoto estava em cima de uma pedra tirando os tênis e a camisa. O que ele está fazendo? Vai nadar no lago num frio desses? Olhando de longe encostada em uma árvore vi que minha respiração está em forma de fumaça de tão frio, mas quando sai do gramado da escola estava um sol e bem quente. O que está acontecendo? Então o garoto pulou. Olhando fiquei esperando que ele subi-se pra respirar, mas ele não subiu. E já se passaram 3 minutos. Sai das árvores e corri até o lago tirei os tênis correndo e pulei em busca dele. O achei no fundo do lago com os olhos fechados, o segurei e nadei até a beira do lago. O tirei da água reparei que ele não se mexia.
_Acorda! _Gritei dando um tapa na cara dele. Ele não se mexeu. Então me lembrei do curso que tive no acampamento de verão de primeiros socorros. Comecei a fazer respiração boca a boca nele e massagem cardíaca. Então finalmente ele torce o virei de lada para que ele cuspisse a água que tinha engolido.
_Quem é você?
_Pode me chamar de anjo, se não fosse por mim estaria mortinho agora. Você é idiota? _Disse com raiva.
_Não era pra você ter me salvado. _Ele se sentou, passando as mãos em seu cabelo molhado.
_Me deixa recuperar o fôlego que eu te afogo pra valer. _Me deitei.
_Você está bem? _Ele perguntou, preocupado.
_E você está? Por que me parece bem maluco. _Disse com raiva.
_Meu nome é Lucas, acho melhor tirar essas roupas molhadas, pode ter uma hipotermia. _Me levantei e tirei a blusa torcendo a tirando a água. Ele ficou sentado me olhando.
_O que foi? _Irritada disse.
_Tatuagem maneira!
_Não é tatuagem, é uma marca de nascença. Agora vai dizer que não acredita? _Ninguém acredita em mim, pensei super irritada.
_Não.
_Não? _Perguntei surpresa.
_Se você diz, acredito. _Ele se levantou indo embora. Que garoto maluco. Coloquei de volta a blusa ainda úmida e subi na pedra, pra pegar meu tênis. Os coloquei e fiquei olhando o lago, que agora está sendo banhado pela luz do sol. Nossa! Como ele é lindo, cheio de flores de lótus. O que foi tudo isso? Estava um sol, depois um frio do cão e agora sol de novo. Levantei-me e voltei pra escola. Evelyn me esperava, furiosa segurando minha mochila batendo o pé no chão.
_Onde você estava? _Ela disse entre os dentes.
_Está toda molhada e essa blusa, ta aparecendo o seu sutiã. _Ela apontou para minha blusa branca molhada. Cruzei os braços me tampando.
_Toma. _Ela abriu a mochila tirando seu casaco e me dando. O peguei e coloquei.
_Estava no lago, aquele garoto idiota tentou se matar, o salvei. _Disse brava.
_ Deixasse ele morrer, foi dar uma de heroína agora vamos nos atrasar pra aula novamente. _Ela foi maçando na frente. Chegando a sala vi que Evelyn estava certíssima. A professora Margo de matemática não ficou nada feliz ao vê a gente entrar atrasada na sala.
_Só porque seu pai é professor aqui na escola, não e álibi pra ficar chegando atrasada. E nem pra você Evelyn, por ser amiga dela.
_Sinto muito, professora Margo. _Disse me sentando.
_Desculpa. _Evelyn disse. Em quanto à professora falava e todos prestavam a atenção. Olhei pra trás e vi Lucas me olhando dessa vez não senti aquele frio, parece que voltou o brilho de seus olhos.
_Mirela! _A professora chamou minha atenção. Virei pra frente e ela voltou a explicar. Um aviãozinho pousou em minha mesa. O abri lendo.
“Nem tomando banho, irar conseguir tirar esse seu cheiro de idiota.”
Olhei pra minha roupa e vi que ainda estava molhada. O amassei e joguei no chão. Idiota é ela. Já estou cansada dessas brincadeiras da Emily. Ela não cansa de me perturbar.
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