Anjo Negro

23 De volta ao lago dos anjos


Notas iniciais
Gente, mil desculpas pela demora em posar. Mas a minha net é uma droga e estava fora. Dediquei um pouco mais de tempo nesse capítulo. Espero que gostem. Boa leitura *-*

Abri outro livro e continuei lendo, procurando quaisquer informações que me ajudem a desvendar esse mistério. O que realmente aconteceu com Rosane Macbele? Ela se matou? Ou alguém a matou?

_Se continuar lendo igual uma doida e não comer nada, nem descansa vai acabar morrendo. _Disse uma mulher.

_Sei. _Quem falou comigo? Virei-me para encara a dona da voz. Encontrei minha mãe enforcada na cortina, chorando sangue. Imediatamente levei a mão na boca. Impedindo que um grito escapasse.

_Qualquer dia você ainda vai me mata de susto. _Sorri.

_Essa é minha intenção, minha missão. _Sorriu, mostrando seus dentes afiados.

_Será que pode parar de me assustar um pouco? _Ela desapareceu, reaparecendo a quatro passos de mim. Sangue escorre da sua boca, posso vê claramente seus dentes afiados e um sorriso aterrorizante. A sua camisola branca também estás suja de sangue e seus cabelos ensopados. _Mãe, você está me assustando de verdade, e muito. Preciso de sua ajuda com algumas coisas, da pra para com isso?

_Você está sozinha agora. Nunca deveria ter salvado Lucas daquele lago. Você irá morrer assim como seu namoradinho idiota. _Eu sabia que tinha algo errado. Se for assim então vamos brincar Cole.

_Entendo... Cole. _O Chamei. Uma risada sóbria atingiu meus ouvidos.

_Eu sabia que estava tendo ajuda da mamãe. _Disse em minha mente.

_Apareça seu covarde! _Disse entre os dentes.

_Na hora certa querida. _Gargalhou.

_Deve ser tão feio que assusta as criancinhas. _Provoquei. Em reposta, a maldita neve começou a cair.

_Aposto que se apaixonaria por mim querida. Não quero as coisas tão fáceis assim, gosto de jogar, mesmo você sendo um pé na bunda. Então... _Senti seu hálito na minha orelha direita. Seu calor. Meu pelos se arrepiaram. _Xeque mate! _Tocou meu ombro. Dei um grito. E corri para longe. Olhei para todos os lados não vendo nada.

_Pode brincar de família feliz com a mamãe, ela terá seu castigo depois. Quero ver o quão longe você irá. Aposto que não consegue descobrir meu próximo passo. _Disse em minha mente.

_Não tenho medo de você. _Ele gargalhou. _Talvez um pouco, mas juro que irei encontrar um modo de impedir você. Quero ver quem vai rir por último. _Sorri.

_Adorei tudo o que disse. _Bateu palmas. _Menina corajosa. Mas eu não sou o bicho papão, sou bem mais assustador que isso. Sei seus medos, pequena Mirela, suas tristezas, sua dor. E vou esmagá-la como uma formiga.

_Posso superar meus medos, esquecer minhas tristeza e curar minha dor. E você apenas será um anjo negro que entrou no meu caminho. Coitado, ninguém te avisou que eu também posso ser assustadora? _Sorri.

_Se eu não quisesse te matar, te daria um beijo agora. _Gargalhou. _Parece que encontrei minha alma negra.

_Alma gêmea, idiota. _Quem ele pensa que é. Só por que é do mal e blá, blá, blá.

_Não tenho coração. _Gargalhou. Meu quarto está coberto com uma fina camada de neve. Estou morrendo de frio, mas não podia deixar esse idiota se achar.

_Que fofo você. Agora, volta por inferno. _Disse lentamente.

_Te levo junto. _Gargalhou, indo embora. Sua presença ruim sumiu. O que comprova que ele não está mais aqui.

_Mãe? _O tempo todo enquanto conversava com Cole, ela permaneceu calada. Não disse uma palavra.

_Você não devia provocar ele. Filha, esqueça o Lucas.

_Mãe, você sabe o que aconteceu com Rosane Macbele? _Mudei de assunto. Não esquecerei Lucas. Ela negou com a cabeça.

_Não posso te ajudar com isso. _Vi dor em seus olhos.

_Por que não?

_Posso te contar sobre Jonathan. Se quiser. _Sorriu. Não me dando uma resposta.

_Adoraria que me conta-se. _Sorri, me sentando na cama. Ela se sentou no chão, ainda com sua aparência assustadora. Que não me dar medo mais.

_Jonathan conhecia Rosane desde pequeno, mas nunca tinha falado com ela. A primeira vez que a viu foi na igreja. _Sorri. Estava certa, essa igreja tem história. _Eles se virão várias e várias vezes depois, no porto e na cidade. Afinal o senhor Maclay e o senhor Macbele eram amigos. Ele sabia que Rosane sempre ia de tarde olhar o por do sol, em um penhasco. O mesmo penhasco onde você se encontra. _ Fiquei de boca aberta. Como é possível, tudo está ligado. Sorri.

_Me conte mais. _Implorei igual uma criança.

_ Ele foi até lá e falou com ela. Depois disso não se desgrudaram mais. _Sorriu.

_Queria poder vê isso, assim como estou vendo alguns fragmentos do passado que ando vendo. _Sorri. Fez sinal para que me cala-se.

_Nunca diga isso a Lucas, nem a Cole. Se acha que ele quer te matar... _Gargalhou. _Não imagina depois, quando ele souber.

_Qual é o problema dele saber?

_Confie em mim, apenas nunca diga. _Concordei com um aceno de cabeça. _A noite está linda, porque não da uma olhada da janela. _Sorri. Caminhei até a janela.

_Realmente a noite está linda. _Disse sorrindo. Ela chegou perto de mim e me empurrou. Gritei. Senti alguns cacos de vidro entra em minha pele. Usei minhas mãos para proteger o rosto. Acordei gritando em minha cama. Um zumbido ao longe. Só então depois de alguns segundos percebo que é o despertador. Tocando em bom e alto som. Estendo minha mão, desligando o aparelho. Devia está tão cansada que acabei pegando no sono. Dormi por cima dos livros, alguns estão no chão. Minha mão e meu rosto estão doendo. Levo a mão no rosto, sentindo um liquido quente e grudento. È sangue. Corro para o banheiro. Olhando-me no espelho, encontro um arranhão em minha bochecha direita.

_Mais que droga! _Digo em voz alta. _Valeu mãe!

Depois de lavar o rosto e limpar o ferimento. Descobri que pequenos cacos de vidro se encontravam em minhas mãos. Com uma pinça, vinte minutos depois sem vidro na mão e de banho tomado desci para tomar café. Minha barriga não para de roncar. Também, ontem não almocei, e nem jantei. Meu pai como sempre já não se encontra mais em casa. Tirei uma tigela do armário e cereal, peguei um pouco de leite na geladeira. Com meu estomago, ainda não contente com só apenas cereal, fiz bacon com ovos. E mandei um copo de suco de laranja pra dentro. Subi escovei os dentes e peguei minhas coisas. Estranho a Evy ainda não ter chegado. Sai e me sentei na varanda, esperando ela. Cinco minutos depois ela parou o carro em frente a minha casa.

_Ta atrasada. _Disse.

_Ah, cala a boca e entra. _Disse mal humorada. Obedeci e entrei no carro. Ela deu partida, sem olhar pra mim.

_Aconteceu alguma coisa Evy. _Ela me encarou.

_Que isso brigou com um tigre? _Sorriu.

_Acertou, esse é o apelido da minha janela. _Sorri. Não é totalmente mentira.

_Sei, estava testando meter a cara no vidro pra vê se ele resistia?

_Como sabe? _Fiz uma cara de surpresa.

_Vai pra merda Mirela!

_Ei, calma. Desculpe-me, eu acordei do lado esquerdo da cama hoje. _Disse sorrindo. _O que foi Evy?

_Eu só estou com raiva de mim. Nathan está morto por minha causa. _Socou o volante.

_A culpa não foi sua.

_Foi sim. _Uma lágrima escorreu por seu rosto. Ela limpou rapidamente. _A família dele me odeia. Você acha que eu não sei por que a Isabelle ou a Emily, aquela vagabunda e a Bethy me atormentam. A Isabelle perdeu o irmão dela. Tudo por minha culpa.

_Chega Evy. Quantas vezes vou ter que te dizer que a culpa não foi sua! _Gritei revoltada.

_Que isso Mirela, nunca vi você desse jeito. _Se assustou.

_Eu estou cansada de vê você sentindo culpa. Chega ok?

_Ok. _Sorri.

_Mais pode continuar sentido culpa por uma coisa? _Disse sorrindo.

_O que?

_Estamos atrasadas. _Gargalhamos juntas. Lucas não estava me esperando no portão como nos outros dias. Desde ontem não o vejo. Fiquei feliz ao entrar na sala de aula e vê ele sentado em uma carteira. Mesmo tomando esporo da professora de literatura. Sorri para ele antes de me sentar, e ele corespondeu com outro sorriso. Seu olho já não ta mais tão inchado.

_As estranhas como sempre chegando atrasadas. Elas realmente acham que passar mais tempo em frente ao espelho irá mudar essa cara feia delas. _Como sempre, Emily e seus comentários fofos. E suas sombras rindo de tudo o que ela diz. Virei-me para responder.

_E você acha que passar um monte de maquiagem, se vestir com roupas caras e perfumes importados, todos vão achar você legal, quando na verdade não consegue disfarça o que é. Uma vaca!

_Mirela! _Evy puxou meu braço. Segurando o riso.

_Algum problema Senhorita Elles? Por que creio que sua conversa parece mais importante que minha aula. Quer compartilhá-la conosco?

_Só estava dizendo que vacas dão ótimo hamburguês. _Sorri. A classe toda começou a gargalha.

_Isso é uma ameaça Mirela? _Emily perguntou com seu timbre doce de estourar meus tímpanos.

_Ela está falando de vacas não de piranhas. _Respondeu Evy.

_Já pra diretoria senhorita Mooren.

_Sim, senhora. _Sorriu, pegando suas coisas e jogando dentro da mochila. _Te vejo na saída. _Concordei com um aceno de cabeça. Colocou a mochila nas costas e saiu sorrindo. A aula seguiu um tédio. Com Emily, Isabelle e Bethy jogando piadinhas. Finalmente, o que pareceu ser uma eternidade. O sinal soou. Indicando o inicio do intervalo. Coloquei tudo dentro da mochila rapidamente e broqueei a saída de Lucas. Antes que ele fugisse de novo.

_Oi, como vai? _Sorri.

_Bem, pode sair, por favor? _Pediu angustiado. Parece que ele não quer ser questionado do por que me abandonou ontem sem explicações. Dei espaço para que ele passasse. Caminhei ao seu lado pelo coredor.

_Olha se não quer falar sobre ontem, ou seu olho roxo. Tudo bem, mais se ficar me ignorando irei deixar outro olho roxo em você. Tem ideia do que eu passei esses dias. _Segurei o braço dele. O forçando a parar e prestar atenção em mim. _Por que não me contou sobre o anjo negro?

_Que anjo negro?

_Cole super do mal. Anjo negro deixa tudo frio. _Lucas parece não saber sobre quem eu estou falando. Lembrei-me que eles não se mostram para suas vitimas e sim se comunicam telepaticamente, como Cole faz comigo. O que é muito estranho. _A voz que conversa com você dentro da sua cabeça.

_Como você sabe dele? Ele te machucou? _Começou a me examinar.

_Não estou bem. Apesar de saber que ele quis e ainda quer me machucar.

_Vem. _Puxou minha mão. _Não podemos conversar sobre isso aqui.

_Espera! Tenho quer ir ao refeitório e levar algo pra Evy comer.

_Me encontre na clareira, no lago dos anjos. _Concordei com um aceno de cabeça. Fui ao refeitório, peguei um sanduiche e entreguei a Evelyn.

_Aquela vaca. _Murmurou entre uma mordida. Evy ainda está estressada com Emily. Se ela não parar de provocá-la, Evy com certeza vai voar em cima dela.

_Não era piranha? _Gargalhamos juntas.

_Eu tenho que ir. Preciso conversar com o Lucas.

_Problemas no paraíso? _Sorriu.

_Às vezes acho que você é vidente, mas não creio que anjos como aquele possa ser do paraíso.

_Eu sou vidente. _Sorriu, fingindo ler minha mão. Dei um tapa nela. Rimos juntas.

_Te vejo na saída. _Por mais que Evy pareça está bem, ela não está. Sei que sente falta do Nathan e guarda toda essa culpa e raiva só pra ela. Escondendo de todos. Sempre demonstrando ser essa garota alegre. Coisa que está longe de ser. Sofro por Evy está tendo que passar por tudo isso. Ela é como uma irmã mais velha pra mim. Sempre me defendendo, me animando e principalmente me irritando. Queria muito pode ajudá-la com isso. Mas só ela pode sair dessa depressão em que está entrando. O meu papel e continuar ao lado dela, apoiando a quando estiver caindo.

Segui, passando pelo gramado e entrando na floresta. Indo em direção ao lago dos anjos. É tão engraçado voltar aqui, onde toda essa loucura começou. Avistei Lucas, sentado na mesma pedra da qual tinha pulado da outra vez. O lago continua belo e cheio de vida, com várias flores de lótus abertas, flutuando na superfície do lago. Nada de frio sinistro ou Cole do mal. Sorri ao saber que estou segura. E Lucas a salvo. Aproximo-me por trás dele. Beijando seu pescoço. Ele se vira me dando um beijo. E por um segundo, naquele momento. Nem um problema ou criatura das trevas pode nos separar. O que sinto por Lucas é único, mágico. Temos uma conexão. Encostamos nossas testas juntas, sorrindo. Respirando com dificuldade, por causa do beijo.

_Senti sua falta. _Sorriu.

_Você que foi embora.

_Me desculpe, fui um idiota.

_Sim, você foi. _Dei um tapa no ombro dele. Ficamos os dois, sorrindo juntos. Tinha até me esquecido o real motivo de estarmos aqui.

_O que foi? _Perguntou. Vendo meu sorriso sumir e entrar uma expressão de preocupação. _Anjo negro. _Sussurrou, irritado. Se lembrando do porque estamos aqui.

_Por que não me contou sobre o Cole?

_O que eu ia dizer? Oi, eu sou o Lucas e tem uma voz na minha cabeça que conversar comigo. Ah, a propósito o nome dele é Cole e eu nem sabia. _Voltou sua atenção para o lago.

_Queria que confiasse em mim.

_Eu confio Mirela, apenas não queria te perder. Tive medo de te perder. Não sou a pessoa certa pra você. _Disse, olhando dentro dos meus olhos. Com seus olhos incrivelmente azuis. Eu vi que ele quer que eu diga que ele está certo e o deixe, mas também que eu fique.

_Lucas, eu não consigo explicar com palavras como eu gosto de você, se quiser que eu var, tudo bem. Mas saiba que vou lutar por você, como tenho feito em segredo. Por sua alma. Não deixarei você. _Sorri. Dando um beijo nele.

_O que Cole fez com você?

_Me assustou. Fez ficar frio, nevar e uma nevoam. Tudo sinistro. _Sorri. _Ele quer que me afaste de você.

_ O Cole pode ser meio estressado e malvado às vezes, mas ele é meu amigo. Foi o único que esteve comigo quando estava sozinho. E mesmo assim, ele só quer apenas a minha alma. _Sorriu. Cole desgraçado! Como pode fingir pro Lucas que era seu amigo, quando na verdade só quer sua alma.

_Sinto muito ter que te dizer isso Lucas, mas o Cole não é seu amigo. Ele só Quer a sua alma. E se ele levar você vai me machucar e me fazer sofrer.

_Desculpa, eu só faço bobeira. É que nunca tive alguém que se preocupa comigo ou minha alma. _Sorri, lhe dando um beijo.

_Por que queria se matar? _Sua expressão de felicidade sumiu de seu rosto.

_Tenho um pai bêbado, que me espanca. Uma mãe sumida, que pode está morta e todos me odeiam. Não tenho amigos a não ser o Cole. Estava apenas ocupando espaço no planeta. Usando o oxigênio que deveria ser de outra pessoa. _Deu um sorriso triste. Passou a mãos em seus cabelos negros. _A pergunta certa é por que não me matar? _Nossa, eu nunca poderia imaginar o que esse garoto escondia de todos. Não consigo me vê sozinha, sem ninguém. Agora entendo porque acha que Cole é seu amigo. Lucas nunca teve amor, carinho ou amigos. Mas Cole é um farsante. Não é amigo de ninguém.

_Quero você longe do Cole. Sei que acha que ele é seu amigo, mas não é.

_Como vou ficar longe dele, se ele entra na minha mente?

_Com felicidade. Sendo feliz. _Sorri. Segurei seu rosto em minhas mãos. Olhando nesses olhos lindos, que parecem entender minha alma. Coloquei meus lábios suavemente nos dele. Um beijo doce. Puxei Lucas para mim. Suas mãos foram para a minha cintura. Sua língua pediu passagem. Que dei sem resistência. Separamos-nos apenas porque o ar foi necessário. Ficamos rindo iguais crianças. Lucas nunca mais será essa pessoa triste e solitária. Não enquanto eu estiver com ele.

Notas finais
E ai o que acharam? Mirela conseguirá afastar Cole da vida de Lucas de uma vez? O que Cole fará sobre isso? Evy irá deixar de se sentir culpada pela morte de Nathan? Bem, que a Evy podia dar uns tapas na emily. O que acham?